12 de Junho

June 11, 2006



There’s such a sad love
Deep in your eyes.
A kind of pale jewel
Open and closed
Within your eyes.
I’ll place the sky
Within your eyes.

There’s such a fooled heart
Beatin’ so fast
In search of new dreams.
A love that will last
Within your heart.
I’ll place the moon
Within your heart.

As the pain sweeps through,
Makes no sense for you.
Every thrill has gone.
Wasn’t too much fun at all,
But I’ll be there for you
As the world falls down.

Falling.
Falling.
Falling in love.

I’ll paint you mornings of gold.
I’ll spin you Valentine evenings.
Though we’re strangers ‘til now,
We’re choosing the path
Between the stars.
I’ll leave my love
Between the stars.

As the pain sweeps through,
Makes no sense for you.
Every thrill has gone.
Wasn’t too much fun at all,
But I’ll be there for you
As the world falls down. “

David Bowie, no filme Labirinto, na cena que eu pedi pra você ver…

O seu olhar que levo comigo…

May 3, 2006


o seu olhar lá fora

o seu olhar no céu

o seu olhar demora

o seu olhar no meu

o seu olhar

seu olhar melhora

melhora o meu

onde a brasa mora

e devora o breu

onde a chuva molha

o que se escondeu

...

Arnaldo Antunes

Olhe pela janela…

April 1, 2006

– Venha ver! Venha rápido! As flores sorriem lá fora, esperando por nós…
E assim vem a recompensa pelo duro inverno. Os dedos ainda estão doídos do frio, o coração mais calejado da melancolia, e a alma ainda ressabiada. Foram tempos difíceis, tempos de apostar no imprevisível.
Não foi fácil, não é mesmo?
Abrir mão das folhas antigas, as velhas sombras, as mesmas paisagens. Por vezes pensar em desistir, por vezes não saber como seguir.
Mas a brisa suave traz a promessa de dias quentes, regados a sorrisos e novos sabores. Nós que viemos até aqui, agora deixamos pra trás o que em nós morreu.
- Ande, venha, não demore! Venha escutar o que as flores nos cantam dos campos: o frio acabou, já é hora de renascer!

Luciano Queiroz

Hoje de manhã

March 14, 2006


Hoje de manhã comi morangos. Sem pressa, sob a luz natural da manhã, do jeito que morangos deve ser comidos.
Eram doces como os de antigamente.
Fui trabalhar lembrando de como era agradável colhê-los no quintal e comê-los frescos.
Na reunião do dia, ainda podia sentir seu gosto e no almoço, fiquei triste de não tê-los.
Seu vermelho vivo coloriu minha tarde, sempre tão cinzenta.
Hoje foi um dia de lembrar que existem coisas mais importantes que gráficos, planilhas e formulários.
Como comer morangos pela manhã.

Luciano Queiroz

Poeta

February 18, 2006

Um poeta?
O que um poeta deve ser?
Tem que saber das coisas do coração? Ou ser mestre das rimas?
Querer chocar alguém, e ao mesmo tempo a si mesmo?
Eu não sei o que é. Só sei que não sou.
Nao sei onde colocar as palavras, nem como parecer moderno. Não me sinto um artista, pois não conheço minha arte.
Nao sei o que dizer quando perguntarem o que eu quis dizer.
As métricas me confundem e a falta delas me desespera.
Só sei que escrevo. Escrevo pois há algo em mim que preciso dizer e estou morrendo por isso.
Sou apenas isto, e não sei ser poeta.

Luciano Queiroz

Quantas vezes?

January 25, 2006

How many roads must a man walk down before you call him a man?
How many seas must a white dove sail before she sleeps in the sand?

Yes and how many times must the cannon balls fly before they’re forever banned?

The answer my friend is blowing in the wind

How many years can a mountain exist before it is washed to the sea?
Yes and how many years can some people exist before they’re allowed to be free?

Yes and how many times can a man turn his head pretending that he just didn’t see?

The answer my friend is blowing in the wind

Yes and how many times must a man look up before he can see the sky?

Yes and how many ears must one man have before he can hear people cry?

Yes and how many deaths will it take till he knows that too many people have died?

The answer my friend is blowing in the wind
The answer is blowing in the wind

Bob Dylan

Oriente

November 23, 2005

Muito adequado ao meu momento de vida atual. Adoro esta música, mas na versão cantada pelo Boca Livre.
Luciano Queiroz

Oriente

(Gilberto Gil)

Se oriente, rapaz
Pela constelação do Cruzeiro do Sul
Se oriente, rapaz
Pela constatação de que a aranha
Vive do que tece
Vê se não se esquece
Pela simples razão de que tudo merece
Consideração

Considere, rapaz
A possibilidade de ir pro Japão
Num cargueiro do Lloyd lavando o porão
Pela curiosidade de ver
Onde o sol se esconde
Vê se compreende
Pela simples razão de que tudo depende
De determinação

Determine, rapaz
Onde vai ser seu curso de pós-graduação
Se oriente, rapaz
Pela rotação da Terra em torno do Sol
Sorridente, rapaz
Pela continuidade do sonho de Adão

Lamento do pai operário

November 20, 2005

Abençoa Deus, esta menina
de sono tão leve
na noite preocupada
acalenta este momento.

Abençoa Deus, este pai
que sai para trabalhar
no vento frio cortante
deste novo dia derradeiro
espremido entre os iguais
que trabalham nos umbrais
das fábricas, vilas, do cais.
Ele sai para trabalhar
com esperança de patrão
voltar ao destino ditador
de comprar nova sorte, de encontrar novo amor,
carrega como que aço, destila fardo, cansaço….

Luciano Queiroz

As the world falls down

September 30, 2005


There’s such a sad love
Deep in your eyes, a kind of pale jewel
Open and closed within your eyes
I’ll place the sky within your eyes

There’s such a fooled heart
Beating so fast in search of new dreams
A love that will last within your heart
I’ll place the moon within your heart

As the pain sweeps through
Makes no sense for you
Every thrill has gone
Wasn’t too much fun at all
But I’ll be there for you
As the world falls down…

David Bowie

O coração

O coração é o colibri dourado
Das veigas puras do jardim do céu.
Um — tem o mel da granadilha agreste,
Bebe os perfumes, que a bonina deu.

O outro — voa em mais virentes balças,
Pousa de um riso na rubente flor.
Vive do mel — a que se chama — crenças —,
Vive do aroma — que se diz — amor. —

Castro Alves

Castro Alves


Antônio de Castro Alves nasceu a 14 de março de 1847 na comarca de Cachoeira, na Bahia, e faleceu a 6 de julho de 1871, em Salvador, no mesmo estado brasileiro. Fez o curso primário no Ginásio Baiano. Em 1862 ingressou na Faculdade de Direito de Recife. Datam desse tempo os seus amores com a atriz portuguesa Eugênia Câmara e a composição dos primeiros poemas abolicionistas : Os Escravos e A Cachoeira de Paulo Afonso, declamando-os em comícios cívicos.
Em 1867 deixa Recife, indo para a Bahia, onde faz representar seu drama : Gonzaga. Segue depois para o Rio de Janeiro, recebendo aí incentivos promissores de José de Alencar, Francisco Otaviano e Machado de Assis.
Em São Paulo, encontra nas Arcadas a mais brilhante das gerações, na qual se contavam Rui Barbosa, Joaquim Nabuco, Rodrigues Alves, Afonso Pena, Bias Fortes e tantos outros. Vive, então, os seus dias de maior glória.
A 11 de novembro de 1868, em caçada nos arredores de São Paulo, feriu o calcanhar esquerdo com um tiro de espingarda, resultando-lhe a amputação do pé. Sobreveio, em seguida, a tuberculose, sendo obrigado a voltar à Bahia, onde veio a falecer.
Castro Alves pertenceu à Terceira Geração da Poesia Romântica (Social ou Condoreira), caracterizada pelos ideais abolicionistas e republicanos, sendo considerado a maior expressão da época. Sobre o grande poeta, Ronald de Carvalho diz : “- mais perto andou da alma nacional e o que mais tem influído em nossa poesia, ainda que, por todos os modos, tentem disfarçar essa influência, na verdade sensível e profunda”.
Suas obras : Espumas Flutuantes, Gonzaga ou A Revolução de Minas, Cachoeira de Paulo Afonso, Vozes D’África, O Navio Negreiro, etc.
Fonte

“Receita para se fazer um herói”

September 22, 2005

“Pega-se um homem
Feito de nada como nós
Em tamanho natural
Embebece-lhe a carne
De um jeito irracional
Como a fome, como ódio.

Depois, perto do fim
Levanta-se o pendão
E toca-se o clarim
E toca-se o clarim

Serve-se morto!
Serve-se morto!”

Banda IRA!

Luís Vaz de Camões

September 9, 2005

Doces águas e claras do Mondego

Doces águas e claras do Mondego,
doce repouso de minha lembrança,
onde a comprida e pérfida esperança
longo tempo após si me trouxe cego;
de vós me aparto; mas, porém, não nego
que inda a memória longa, que me alcança,
me não deixa de vós fazer mudança,
mas quanto mais me alongo, mais me achego.

Bem pudera Fortuna este instrumento
d’alma levar por terra nova e estranha,
oferecido ao mar remoto e vento;

mas alma, que de cá vos acompanha,
nas asas do ligeiro pensamento,
para vós, águas, voa, e em vós se banha.

Luís Vaz de Camões

Menina Polonesa

September 6, 2005

Menina que com seus azuis me fez enfim abrir os olhos.
Menina que dizendo não, como ninguém me disse sim.
Poesia escondida sob o lixo das cidades;
mais que Londres, mais que o mundo que trago dentro de mim.

Menina que quanto mais perto mais distante se encontrava.
Menina que agora chora uma tristeza que é sem fim.
Reza comigo diferente do outro lado do mundo,
esta noite sentirei teu vento entrando em meu jardim.

Luciano Queiroz
(esta poesia é na verdade uma musiquinha, que compus numa noite mal dormida no aeroporto de Amsterdan…)

As sem-razões do amor

August 30, 2005

“Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.”

Carlos Drummond de Andrade

Relíquia

August 14, 2005

Era de minha mãe: é um pobre xale,
Que tem p’ra mim uma carícia de asa.
Vou-lhe pedir ainda que me fale
da que ele agasalhou em nossa casa.

Na sua trama, já puída e lassa,
Deixo os meus dedos p’ra senti-la ainda;
E Ela vem, é Ela que me abraça,
Fala de coisas que a saudade alinda.

É a minha mãe mais perto, mais pertinho,
Que eu sinto quando toco o velho xale,
Que guarda não sei quê do seu carinho.

E quando a vida mais me dói, no escuro,
Sinto ao tocá-la como alguém que embale
E beije a minha sede de amor puro.

António Patrício
in “Poesias”


http://2dedosprosaepoesia.blogs.sapo.pt/arquivo/2005_05.html

Solidão Litorânea

August 5, 2005

As aulas de engenharia, principalmente as mais deprimentes, rendiam coisas interessantes. Eis aí o fruto de uma delas que guardei anotado e agora salvo aqui. Pode ser meio tolinho, mas eu o adoro.

Como o mar que ousa tocar a areia
ouso agora cantar, tocando a lua cheia
sabendo porém que o mar
assim como vem, vai embora
assim também meu cantar
onde esperas mergulhar
cessa com o chegar da aurora.

Da imensidão deste oceano
de luzes, cores, escuridão
vem o roteiro de uma vida
onde as ondas percebidas
não revelam o silêncio
de um momento de oração.

Se na praia só há risos
coisas que se esperam de nós,
no profundo dos abismos
estou só
esperando teu colo a chorar, a chorar em dó...

Luciano Queiroz

Tanto Mar

July 19, 2005

Em 1976, Chico Buarque escrevia a música Tanto Mar, sob inspiração da Revolução dos Cravos de Portugal. Foi o fim do Governo de Salazar. Em um manifesto sutil como à crudeza da época exigia, produziu um dos gritos de liberdade mais bonitos que já pude ver. Tinha a esperança que os ventos da mudança pudessem soprar desde a Península Ibérica e atingissem nosso oprimido país. Queria eu ser um artista capaz de coisas assim tão belas.

Chico Buarque : Tanto mar
Letra e música: Chico Buarque
In: 1976
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“Foi bonita a festa, pá
fiquei contente
‘inda guardo renitente, um velho cravo para mim

Já murcharam tua festa, pá
mas, certamente
esqueceram uma semente nalgum canto de jardim

Sei que há leguas a nos separar
tanto mar, tanto mar
Sei também como é preciso, pá
navegar, navegar

Canta a Primavera, pá
cá estou carente
manda novamente algum cheirinho de alecrim”

15 Julho 2005 - Conheço o Meu Lugar

July 17, 2005

Pense bem, leia com cuidado… esta música do Belchior (que eu adoro) tem muito a dizer sobre os dias atuais.
Conheço o meu Lugar
Belchior

Composição: Desconhecido

O que é que pode fazer o homem comum neste presente instante senão sangrar?
Tentar inaugurar a vida comovida, inteiramente livre e triunfante?
O que é que eu posso fazer com a minha juventude – quando a máxima saúde hoje é pretender usar a voz?

O que é que eu posso fazer – um simples cantador das coisas do porão? (Deus fez os cães da rua pra morder vocês que sob a luz da lua, os tratam como gente – é claro! – a pontapés.)
Era uma vez um homem e seu tempo… (Botas de sangue nas roupas de Lorca).
Olho de frente a cara do presente e sei que vou ouvir a mesma história porca.
Não há motivo para festa: ora esta! Eu não sei rir a toa!
Fique você com a mente positiva que eu quero a voz ativa (ela é que é uma boa!)
pois sou uma pessoa. Esta é minha canoa: eu nela embarco.
Eu sou pessoa! (A palavra “pessoa” hoje não soa bem – pouco me importa!)
Não! Você não me impediu de ser feliz! Nunca, jamais bateu a porta em meu nariz!
Ninguém é gente! Nordeste é uma ficção! Nordeste nunca houve!
Não! Eu não sou do lugar dos esquecidos! Não sou da nação dos condenados!
Não sou do sertão dos ofendidos! Você sabe bem: Conheço o meu lugar!

15 Julho 2005 - Um pouco de poesia

Eu vim daquelas terras, que se estendem de dourado. Vim do lugar sem nome, do sitio das coisas! Onde o vento nos trás mensagens de velhos sentados à sombra da giesta à espera da cotovia que cante ao fim da tarde!
Eu vim de para lá daqueles montes, para lá do verde, das àrvores.
Eu sou aquele que veio de para lá do teu corpo, dos teus olhos…
De ti, saudades!

Aí senti-te por inteiro. Sorri-te, respondeste… Ficámos abraçados em jeito de quem não quer amanhecer, nem que o sol se renda e a lua teime em não acordar.
Nem que este fogo nos queime e as arestas do teu corpo me julguem por não te saber segurar…

Nem que as horas nos fujam…

Fonte: http://madrugaemmim.blogs.sapo.pt