Amazônia por um Sulista

March 11, 2007

Tenho um amigo, antigo companheiro de viagem, que esteve na Amazônia recentemente e está começando uma série de relatos sobre o que ele viu. Carregando um gravador e um livro de notas, ele colecionou relatos e percepões sobre a realidade amazônica, que é tão falada e tão desconhecida por nós. O primeiro artigo está disponível no site Amazônia por um sulista. O texto é muito interessante e vale a leitura.

Um trecho:

“Na conversa com Jonilson perguntei se ele não achava perigoso isso, ele respondeu: “não tem perigo não, quando estás garimpando de repente tu sentes uma parada, uma calmaria, como se fosse um ar, uma brisa dentro d’água, aí tu mais ou menos sabes que o negócio vai desmoronar, aí é só sair”.”
Rafael Leal

Tirando a poeira

June 11, 2006

O lindo papel da Filosofia é tirar as teias de aranha dos depósitos mentais, onde colocamos nossas mais profundas verdades sem, de fato, termos nos realmente questionado à respeito delas.

Neste trecho do livro “A Rebelião das Massas”, Ortega y Gasset comenta a definição de linguagem, na qual ela é a maneira como o ser humano expressa seus pensamentos.

Veja que provocante:

“Não; o mais perigoso daquela definição é o acréscimo otimista com que costumamos escutá-la.
Porque ela mesma não nos assegura que mediante a linguagem possamos manifestar, com suficiente justeza, todos os nossos pensamentos. Não se arrisca a tanto, mas tampouco nos faz ver francamente a verdade estrita: que sendo ao homem impossível entender-se com seus semelhantes, estando condenado à radical solidão, esgota-se em esforços para chegar ao próximo. Desses esforços é a linguagem que
consegue às vezes declarar com maior aproximação algumas das coisas que acontecem dentro de nós.
Apenas. Mas, habitualmente, não usamos estas reservas. Ao contrário, quando o homem se põe a falar, isto faz porque crê que vai poder dizer tudo que pensa.
Pois bem, isso é o ilusório. A linguagem não dá para tanto. Diz, mais ou menos, uma parte do que pensamos e põe uma barreira infranqueável à transfusão do resto. Serve bastantemente para enunciados e provas matemáticas; já ao falar de física começa a ser equívoco e insuficiente. Porém quanto mais a conversação se ocupa de temas mais importantes que esses, mais humanos, mais “reais”, tanto mais aumenta sua imprecisão, sua inépcia e seu confusionismo. Dóceis ao prejuízo inveterado de que falando nos entendemos, dizemos e ouvimos com tão boa fé que acabamos muitas vezes por não nos entendermos, muito mais do que se, mudos, procurássemos adivinhar-nos.”

E deixo aqui um puxão de orelha à alguns amigos avessos à leitura. Às vezes, outros já trilharam os caminhos que tentamos percorrer, e nos deixaram boas pistas. Não seremos maiores do que eles, se ficarmos sempre tentando reinventar a roda. Portanto, mãos à obra.

Luciano Queiroz

Boa música

March 27, 2006

Esse é dica do pai de uma amiga minha. Vi, gostei e recomendo. O comentário dele segue entre aspas:

http://bonzasheila.blogspot.com/

“Este blog está cheio de links do rapidshare. Andei baixando alguns discos. Tem muito jazz, tem música de Portugal, França, e outros
Vale a pena olhar.”

Aloha!

Amizades são tudo aquilo que as pessoas costumam falar delas. São apoio, conforto, companheirismo, etc. Todas muito justas e corretas. Mas eu tenho comigo que amizades devem também ser provocantes, devem ser estímulos para o não-conformismo, para a evolução, pela simples existência de um outro que deve ser melhor que nós em várias coisas.
Não vai aqui nenhum sentimento de inferioridade crônico. Mas eu sempre subo alguns degraus em minha vida, quando paro pra admirar pessoas que gosto.
Tudo isso pra dizer que incluí no Fermento Cínico o link para o “Aloha!”, que é o site de um amigo meu de infância. Nando Pereira é jornalista e é uma daquelas pessoas que nos mostram o mundo de outro jeito, que vão além da superfície. Agradeço à ele o incentivo para continuar este meu blog.
O picareta não me disse que tinha uma página, mas eu achei por acaso e faço então justiça, mesmo que tardia, com um link aí do lado.

Luciano Queiroz

(Em tempo: e uma vez no Aloha!, procure o link para o escambau.org. Vai lhe render mais agradáveis momentos de leitura. Não lhes dou de graça o link, pois um pouco de ginástica vai fazer bem ao seu indicador.)

Dica Literária

August 31, 2005

Vinho e Guerra

Neste livro, Don e Petie Kladstrup trazem uma narrativa da saga de tradicionais famílias de vinicultores franceses que impediram os nazistas de roubar um de seus símbolos mais genuínos – o vinho. Usando das incríveis artimanhas como a construção de paredes com teias de aranha para esconder safras preciosas, sabotagem de trens que transportavam vinho para a Alemanha, os produtores de vinho formaram uma espécie de Resistência paralela a fim de proteger a economia da França e preservar um de seus prazeres mais inebriantes e diletos.

Fonte:
http://www.temporeal.com.br/produtos.php?id=168019

Este livro é realmente um barato. Li em três dias. Pra quem gosta de vinho e de história, é imperdível.

Luciano Queiroz

Dica Literária

August 22, 2005

MARES E CAMPOS
mares e campos

Poucos livros me dão mais prazer de divulgar aqui do que este de Virgílio Várzea. Acho leitura obrigatória pra quem ama o mar, sua cultura, sua vida simples. Pra quem é de Florianópolis então, é um mergulho na sua própria história. Veja a resenha:

“Virgílio Várzea soube colher com feliz precisão essa alma do povo, com seu otimismo, sua visão positiva da realidade, sua juventude abrindo-se em expansividade, não obstante a penúria ou os percalços sofridos. Entretanto, a nota dominante na maior parte das narrativas é a presença do mar, tanto na produção do sustento da família e na sua energia saudável sobre as pessoas, como também no seu aspecto trágico, ao sofrer as interferências dos ventos e das tempestades e conduzindo à implacável morte. Virgílio é o marinhista primeiro e mais sistemático da literatura brasileira e latino-americana. Esta reedição da obra tem o mérito de restituir à sociedade o direito de ler e conhecer uma obra fundamental da nossa literatura e de confrontar-se com a vivência popular de época distante há mais de cem anos. Sua leitura representará ameno prazer”.

Segue ainda um breve relato sobre o autor, que por sinal dava nome à rua onde eu morava:

virgilio
Virgílio Várzea (1863-1941) nasceu na freguesia de Canasvieiras, na Ilha de Santa Catarina. Do pai, português minhoto, marinheiro de profissão, e da mãe açoriana de origem herdou a paixão pelo mar. Fez do mar seu companheiro de aventuras. Navegou, singrando oceanos, percorrendo os caminhos marítimos do mundo afora e voltou à sua Ilha e à sua gente. Voltou trazendo o mar na alma, e a maresia dos oceanos impregnada na pele. Foi contista e cronista, novelista e poeta. Prolífico escritor, enriqueceria a narrativa brasileira com uma esmerada produção literária regionalista.
Desenvolveu sua vida literária na antiga Desterro (hoje, Florianópolis) e na cidade do Rio de Janeiro, onde trabalhou e conviveu com a elite literária brasileira (Rui Barbosa, Olavo Bilac, entre outros). Chefiou, entre os anos de 1882-1887, a chamada Guerrilha Literária, grupo formado pela intelectualidade ilhoa que se opunha ao Romantismo e defendia as novas idéias do Parnasianismo e Simbolismo recém-chegadas da Europa. Desse grupo fez parte o poeta Cruz e Sousa, expoente do Simbolismo no Brasil, amigo e companheiro de letras (em Tropos e fantasias).
Reputado como o nosso primeiro marinhista, o nosso Herman Melville tropical, Virgílio Várzea consolidou, num estilo incomparável, a ficção descritiva paisagística. Sua literatura é a mais espacial, a mais visual prosa escrita. Integram a sua bibliografia os livros Traços azuis (poesia); Tropos e fantasias (em parceria com Cruz e Sousa); George Marcial, O brigue flibusteiro (romance); Rose-Castle (novela); Contos de amor, Histórias rústicas, Nas ondas, Mares e campos (contos) e o ensaio descritivo Santa Catarina – a Ilha, obra laureada pela Comissão Comemorativa do Quarto Centenário do Descobrimento do Brasil.
Virgílio Várzea soube como poucos retratar os tipos humanos, a paisagem, o folclore, os usos e costumes derivados de uma cultura açoriana do século XVIII. Na vasta obra ficcional, a reprodução fiel do modo de viver ilhéu, em seu próprio ritmo, nuances e rusticidade, realça a dimensão relevante do registro documental, como depositário de um tempo passado e da memória salvaguardada para as futuras gerações. Soube trabalhar com muita propriedade e talento, deixando fluir a história, a geografia e a vida “...Os habitantes são tão bons lavradores, como marinheiros: têm um físico robusto, um caráter decidido e valente. Arrostar o mar em todo tempo, superpondo-se ao perigo, é coisa que lhes anda no sangue e nos nervos. Cantam sobre as ondas revoltas com um meio às culturas tranqüilas onde não há nada a temer.” (“Canavieiras” in Santa Catarina – a Ilha).
A seu respeito escreveu com entusiasmo Olavo Bilac em artigo do jornal “A Gazeta de Notícias” (Rio de Janeiro, 1985): “Virgílio Várzea é um dos mais fecundos dos nossos escritores moços … As suas marinhas – telas vastíssimas … – têm uma vida intensa sentida, apanhada em flagrante por quem sabe observar … Vê-se bem que o autor dos Mares e campos não é um contador de casos sonhados, mas um historiador da sua terra, dos usos e costumes do seu povo”. ”
Lélia Pereira da Silva Nunes

Dica Literária

August 13, 2005

papa
Mais uma dica de leitura: Sua Santidade João Paulo II e a História Oculta do Nosso Tempo. Dos vaticanistas Carl Bernstein e Marco Politi, este livro incrível, grande, mas de leitura prazerosa, traz um relato vívido da história pessoal do Papa Joao Paulo II desde sua infância na Polônia até a derrocada da URSS. O livro mostra em detalhes a participação deste Papa nos bastidores dos incríveis acontecimentos daquela época, sua determinação e inteligência, além da dinâmica delicada, cheia de tensão, medo e conchavos, que pontuava todos os momentos. É a história real, não contada abertamente ao mundo, que está à sua disposição para melhor conhecer como é que se deu uma das maiores transformações de nossa história.

Acompanhe este trecho:

“No curso de suas conversas, João Paulo II espantou seus visitantes predizendo secamente que os comunistas iam perder a batalha na Polônia. Geremek, que posteriormente seria preso duas vezes, disse que as palavras do Papa nesse dia haviam incutido nele e em outros uma sensação de que, a despeito de todas as dificuldades, sua causa iria triunfar:

Finalmente, [disse o Papa] aconteceu algo na Polônia que é irreversível. As pessoas não vão mais ficar passivas. A passividade é uma das armas do autoritarismo. E agora essa passividade acabou e, por isso, o destino deles está selado. Eles vão perder.

Editora: Objetiva
Ano: 1996
Nº de páginas: 591

Dica Literária

July 22, 2005

Werther
O Livro OS SOFRIMENTOS DO JOVEM WERTHER, escrito pelo alemão Johann Wolfgang GOETHE é a minha dica desta semana. Este livro, para mim, foi uma maneira agradável de começar a leitura de grandes clássicos. Bastante descritivo, o livro paradoxalmente é de leitura leve, mesmo considerando a enorme carga de sofrimento que ele relata. O autor narra através das cartas pessoais do protagonista, a história da paixão proibida deste. Vale à pena mesmo, é uma viagem no tempo. Além da própria trama, ainda ganhamos de brinde os dramas existenciais e os pensamentos filosóficos de Werther. Muito bom.
Esta obra, de 1774, foi o primeiro grande sucesso do Goethe.
O livro, vendido também no Brasil em formato Pocket Book, tem um preço bastante acessível.
Luciano Queiroz

“Tudo aquilo que me foi dado encontrar na história do pobre Werther, eu ajuntei com diligência e agora deposito à vossa frente, sabendo que havereis de me agradecer por isso. Não podereis negar vossa admiração e vosso amor ao seu espírito e ao seu caráter, nem esconder vossas lágrimas ao seu destino.
E tu, boa alma, que sentes o ímpeto da mesma forma que ele o sentia, busca consolo em seu sofrimento e deixa que o livro seja teu amigo se, por fado ou culpa própria, não puderes achar outro mais próximo do que ele.”