A Nacional-Democracia da UNIBAN

November 8, 2009

É bastante educativo este caso que ocorreu na Uniban. Diz muito sobre o que deve ser a Democracia e como o totalitarismo se instala sorrateiramente em sociedades não vigilantes.
Em resumo, quando a turba resolve fazer justiça com as próprias mãos, o cidadão (no caso, cidadã) se ve a mercê da maioria. Pra uns seria tudo muito democrático pois a prevaleceu a vontade do “povo”. Este é o pensamento original, primário, dos regimes fascistas. Vemos exemplos de comportamentos similares em abundância na nossa vizinha Venezuela. Pouco importa no caso se o crime existiu ou não, ou se o vestido era ou não adequado. A turba, a massa, está disposta a julgar por conta própria.
Aí o que faz a tal da Uniban? Expulsou a menina por comportamento inadequado, que teria incitado a reação dos “estudantes em defesa da instituição”. Viram a lógica? A maioria, no fascismo, está sempre certa. O Estado populista, ou fascista, sabota as instituições, ou seja, as leis, para poder se manter no poder pela força. Foi exatamente para combater este mal que a Democracia foi criada. Mas, vez por outra, vemos o fascismo ressurgir aqui e ali, testando os limites que as leis lhe impõem. Não é difícil imaginar que a aluna conseguirá uma boa indenização por danos morais e materiais. Se isso não acontecer, ficamos menos democráticos e mais fascistas.
Em tempo, Lula se comporta como a reitoria da Uniban: não tem vergonha de usar a maioria que lhe apóia para eliminar a minoria dissonante. Isso é da natureza totalitária do petismo. Isso é da natureza anti-democrática de Lula, o Mussolini de Guaranhuns.
Não deixa de ser também muito irônico que a mesma cidade que nos deu o sindicalismo brucutu agora nos dê o universitário brucutu. Pode ser coincidência, mas, sei lá, onde há fumaça….

Quem gosta de cota racial é racista!

September 18, 2009

Quando começaram a falar sobre este tal sistema de cotas raciais, fui radicalmente contra e discuti com várias pessoas que achavam que eu estava negando que existe racismo no Brasil. Passei por insensível pois, como branco, obviamente não estava preocupado com a situação. Ou ainda, eu deveria provavelmente estar defendendo o sistema que me permitiu estudar em universidade federal – o meu “privilégio, em outras palavras.
Tolice.
As cotas raciais são erradas por que são racistas. Quem entende a origem do sentimento racista sabe que um privilégio instituído em função da cor da pele é gasolina na fogueira. O racismo não se anula com mais racismo, de cor trocada. Se alguem pensa (eu não penso) que o racismo da sociedade institui um privilégio “natural” aos brancos, não pode por isso querer combatê-lo criando um privilégio oficial para os negros. Isso não é combate, é estímulo…
As portas não se fechavam aos negros no Brasil por causa do racismo. Se fechavam porque o ensino público é ruim. E vão continuar se fechando, só que desta vez para brancos. Mas não parece que se queira resolver o problema. Quer-se apenas mudar-lhe a cor.

De Nixon a Vicentinho
Convidado – Demétrio Magnoli
Com Yvonne Maggie

O deputado Vicentinho (PT-SP) celebrou como um “momento histórico” a aprovação do chamado Estatuto da Igualdade Racial na Câmara dos Deputados. De certo modo, ele tem razão. Se o Senado confirmar a decisão, ficará suprimido o princípio da igualdade perante a lei, pilar central da Constituição, e o Brasil ganhará um lugar na lista de Estados que um dia dividiram os cidadãos segundo raças oficiais: os EUA das Leis Jim Crow, a Alemanha das Leis de Nuremberg, a África do Sul do apartheid, a Ruanda belga, a Malásia da “supremacia malaia”…

O Estatuto Racial aprovado é um destilado do projeto original e um fruto do conluio entre todos os interesses organizados. Triunfaram as ONGs racialistas, representadas essencialmente pelo PT, mas foram atendidas as demandas (legítimas, aliás) das empresas de comunicação e publicidade e dos proprietários urbanos e rurais. As primeiras obtiveram a exclusão de um item que estabelecia cotas para atores “negros” na TV, no cinema e nas peças de marketing. Os segundos conseguiram eliminar um item que legalizava a fabricação de quilombolas imaginários.

O tema dos quilombolas evidencia o caráter francamente regressivo do racialismo, que é hostil por definição aos direitos universalistas. A fim de dividir os pobres do campo segundo a cor da pele, propunha-se uma legislação especial voltada para quilombos inventados pelas próprias ONGs, enquanto se afastava da cena a necessária simplificação dos processos de reconhecimento da propriedade pela via do usucapião.

O “povo desorganizado”, na expressão certeira empregada por Ruth Cardoso, é o grande derrotado na Câmara. O Estatuto Racial atinge, devastadoramente, os direitos dos jovens estudantes, dos usuários do sistema público de saúde e dos trabalhadores assalariados em geral.

Nas escolas, segundo a nova lei, a História do Brasil e da África sofrerá uma revisão fundamental, adaptando-se ao mito da raça. Os professores devem explicar a escravidão moderna como uma fábula sobre a dominação da “raça negra” pela “raça branca”, não como um nexo do sistema mercantil-colonial que articulou as elites da Europa, da América e da África. Eles passam a cumprir a missão doutrinária de apresentar o Brasil como um território habitado por duas “raças” polares: os “eurodescendentes” e os “afrodescendentes”, separados uns dos outros pelos abismos intransponíveis do sangue e da cultura.

No sistema público de saúde, a nova lei determina a substituição da ciência pelo dogma. A genética explica que a cor da pele não é um indicador confiável para a medicina. O Estatuto Racial institui, oficialmente, a existência de “doenças de negros” e direciona os investimentos e os recursos humanos da saúde pública para a edificação de um sistema paralelo de “saúde da população negra”. A norma adventícia orienta-se pelo discurso de antropólogos que não se envergonham em difundir a crença em cromossomos raciais. Os geneticistas são relegados à condição de incômodos dissidentes.

No cerne do Estatuto Racial encontra-se a provisão de concessão de incentivos fiscais às empresas que mantiverem um piso de 20% de “negros” na sua folha salarial. A decorrência disso é a classificação racial da massa dos trabalhadores assalariados e o uso de um critério de raça nos processos de contratação e demissão de mão de obra. A racialização oficial do País sempre foi fantasiada com as roupagens da redenção social – e a resistência a ela, como uma operação diabólica da “elite branca”. A mentira encontra-se exposta e nua: pela nova lei, uma fronteira dividirá trabalhadores da mesma faixa de renda e provocará uma competição racial entre eles. Eis a face mais perigosa do ovo da serpente chocado na Câmara.

A inspiração histórica da iniciativa é o Plano Filadélfia, anunciado por Richard Nixon em 1969, que inaugurou os programas de preferências raciais no mercado de trabalho nos EUA. Tais programas perpetuaram a divisão dos trabalhadores americanos nascida no início do século 20, com as Leis Jim Crow, de segregação racial. De Nixon para cá, eles contribuíram para o enfraquecimento dos sindicatos e provocaram incontáveis disputas judiciais contrapondo assalariados brancos e negros. Não é fortuito que, nas primárias democratas, a candidatura de Barack Obama tenha sofrido forte rejeição nos cinturões industriais dos Apalaches. Num passado ainda recente, desempenhando os papéis de líder sindical dos metalúrgicos do ABC e de presidente da CUT, Vicentinho clamou pela unidade dos trabalhadores. Hoje, na condição de representante de uma burocracia sindical sustentada pelo Estado, comemora a lei que fará operários definirem como rivais os colegas da cor “errada”.

O Estatuto Racial nasceu há uma década da pena de José Sarney e, antes do acordo atual, ganhou versões elaboradas pelos senadores Rodolpho Tourinho, do antigo PFL baiano, e Paulo Paim, do PT. A sua lógica não pode ser compreendida na moldura conceitual da disputa ideológica entre “esquerda” e “direita”, mas do confronto entre duas visões do Brasil e da democracia. O programa que ele encarna é o da edificação de um Estado racial que administra as relações entre uma “nação branca” e uma “nação afrodescendente”.

Não houve uma votação em plenário do Estatuto Racial. A lei que virtualmente revoga a Constituição e delineia o embrião de um Estado racial foi aprovada por um acordo entre lideranças. Os parlamentares viraram as costas para o “povo desorganizado”, uns por convicções racialistas, muitos outros apenas pelo temor que lhes infunde o discurso odiento de ONGs financiadas por fundações bilionárias. Os partidos de oposição, mais uma vez, sacrificaram a realidade dos princípios no altar de um princípio de realidade que os converte em serviçais dos mais diversos interesses organizados. A conta da covardia eles deixam para a próxima geração.

Vietnam

September 15, 2009

Lindo artigo sobre o Vietnam e sua guerra.

Vietnam: Ho-Chi-Minh virou hambúrguer.

Tiananmen - 20 anos!

June 6, 2009

Uma homenagem aos jovens que morreram tentando desfazer o que, em nome de uma ideologia, jovens menos espertos fizeram antes deles…

Adorei!

May 4, 2009

Cristofobia

Não me considero vítima… Será que não sou latino-americano?!?

April 21, 2009

Tinha que vir de Hugo Chavez! Não esperava outro livro de cabeceira para um louco de pedra como nosso Chapolin venezuelano. Esse livro pega o complexo de inferioridade latino e lhe dá base teórica. Ou seja, joga cimento na areia movediça onde está empacado este povo.
Reinaldo Azevedo, parece que pensa como eu. Veja trecho:

As “véias” abertas da América Latina

“(...)

Pois bem: mesmo quando eu era menino, esquerdista, esse livro de Galeano, que era leitura obrigatória para todo perfeito idiota latino-americano, não me convencia. E a razão era (e é) simples: trata-se de uma coleção de lamúrias evidenciando como a América Latina foi vítima de sucessivos vilões, desde os espanhóis e portugueses (estes merecem menos atenção) até o imperialismo americano. Uma suposta vontade legítima do povo latino-americano (que estrovenga será essa?) teria sido continuamente fraudada.

Acho até que foi Galeano o primeiro a plantar em mim a semente da desconfiança — pelo que eu lhe deveria ser grato. “Ora diabos” — pensava nos meus 15, 16 anos, ainda menino, ainda esquerdista e ainda idiota — “mas por que a gente (os latino-americanos…) é assim tão banana, então? O que é que fez com que os opressores se tornassem opressores, e os oprimido, oprimidos? E por que a gente é sempre o oprimido?”

Vim a entender um pouco mais tarde, já na transição para a vida adulta, que esse vitimismo era uma fraude intelectual, que abria as portas para todo tipo de vigarista e demagogo. Olhem quem exibe o livro agora… Fazia pilhéria com o troço: chamava-o “As véias abertas da América Latina”.

Que esse livro tenha sido ressuscitado — e pelas mãos de Hugo Chávez, num presente a Obama —, eis uma prova da miséria intelectual que toma conta do nosso tempo e que não vai passar assim tão rapidamente. Sem contar que Galeano, que nem é historiador, tem ambições literárias, e isso o faz abusar de todas as metáforas e antíteses vagabundas de quem viaja nas “veias” da luta do “opressor” de manual contra o “oprimido” de manual. E o homem escreve pra chuchu. É uma espécie de Paulo Coelho da autocomiseração. Seus heróis da resistência costumam dizer frases de efeito para humilhar a prepotência do colonizador mesmo à beira da morte. Trata-se de uma daquelas fantasias que enchem de alegria e de espírito de vingança os impotentes.

Não duvido: Chávez deve sentir-se uma espécie de novo Túpac Amaru… Torço para que a escritura se cumpra até o fim.”

Reinaldo Azevedo

Fora MST!

March 13, 2009

Li o texto abaixo e gostei. Não tenho pudores em falar do MST por medo de incluir num mesmo pote coisas ruins e coisas boas, porque já passou o momento desta história mudar: o que dá certo no campo brasileiro continuará a dar certo sem MST. Inclusive acho que se fará mais justiça social se estancarmos o vazamento grotesco de verbas para proselitismo ideológico vagabundo. É grana pra ajudar muita cooperativa que precisa se modernizar e gerar lucro, melhorando a vida de seus cooperados.

Autor(es): João Mellão Neto
O Estado de S. Paulo – 13/03/2009

Nos meados da década de 80, quando o MST ainda se esboçava, ocorreu uma invasão. Uma entre centenas, dirão. Pois é, mas essa eu tive a oportunidade de acompanhar. Estava iniciando como jornalista e buscava conhecer em detalhes todos os temas palpitantes da época. Reforma agrária era um deles.

Como se dizia, o esbulho aconteceu. E logo depois a área foi desapropriada. Passaram-se alguns meses e aqueles quase 3 mil hectares foram entregues aos tais trabalhadores sem-terra. Um político de esquerda da região não perdeu a oportunidade. Com um grande alicate, compareceu ao local e, perante uma plateia atenta, solenemente cortou a cerca de arame farpado da fazenda. “Neste momento”, declarou, “entrego estas terras ao povo brasileiro”.

O “povo brasileiro” não se interessou em tomar posse de imediato. Para tanto era necessário que alguém fosse lá demarcar os lotes e sortear quem seriam os proprietários de cada um. Esse processo demandou uns 20 meses, mas ninguém se esquentou. Sem a menor cerimônia, os briosos manifestantes montaram acampamento à beira da cidadezinha mais próxima e, a partir de então, munidos de cupons para alimentação, fornecidos pelo governo federal, tornaram-se consumidores urbanos.

Quando os lotes ficaram prontos, ocorreu um fato que em nada contribuía para o sucesso da causa agrária. Os felizes contemplados não se mostraram dispostos a trocar a doce vida urbana que tinham pelas agruras da condição de novos proprietários rurais. Pudera, os lotes não tinham água nem luz. Os cupons para alimentação deixariam de ser fornecidos tão logo se configurasse a posse. Ninguém ali estava a fim de se tornar herói.

Com muito custo o assentamento se configurou. Após a posse, voltaram todos para a cidade e passaram a reivindicar, novamente, o fornecimento de água, luz e comida.

Dez anos depois, a situação era a seguinte: quatro ou cinco famílias se aventuraram a mudar para seus lotes e lá viviam em condições precárias. Mais de 20 trataram de vender os seus direitos de posse e seus lotes passaram por inúmeros donos. Especulação imobiliária da pior espécie, algo absolutamente condenável pelos ideólogos esquerdistas que chefiavam o movimento.

A maioria agiu de forma ainda pior. Como havia uma usina de álcool nas redondezas, trataram todos de arrendar seus lotes a ela e continuaram a viver na cidade. Tornaram-se, com isso, burgueses rentistas. E isso era deplorável e intolerável.

No Brasil inteiro situações como essa se repetiram e nada foi mostrado à opinião pública. Os padres e organizadores dos movimentos eram todos socialistas, mas os invasores, curiosamente, não. Entregavam-se a práticas capitalistas as mais comezinhas e mesquinhas tão logo lhes surgisse uma oportunidade.

Paciência. Estava patente, para os ideólogos, que o povo brasileiro, em geral, era tacanho. Não tinha a largueza de visão e o desprendimento necessários para a condução de uma revolução vitoriosa. Essa tarefa, então, como sempre, teria de ficar por conta das vanguardas – as camadas mais instruídas e esclarecidas dos movimentos. E essas, na época, eram compostas pelos padres e intelectuais.

Foi dessa forma, ideologicamente cambaleante, que nasceram os movimentos agrários. Agora eles são muito mais organizados, lograram se estabelecer. E o dinheiro para tanto? Ora, obviamente vem do Estado. E este, assim, segundo as tais vanguardas, cumpre uma de suas funções mais básicas e edificantes: está subsidiando a reforma agrária. E não pode existir uma destinação de verbas mais nobre e meritória.

Os contribuintes não concordam. Foi-se o tempo em que a opinião pública se embevecia com a causa fundiária. Hoje em dia todos acompanham, contrariados, o noticiário que reporta o desperdício de recursos em tudo o que diz respeito ao tema.

Até mesmo a razão de ser dos movimentos sociais do campo deixou de existir. A causa original, todos se recordam, era o combate aos latifúndios improdutivos. Pois bem, esses não existem mais. Quem tinha terra, e não produzia, tratou de vendê-la para quem o fazia.

Adotou-se então a tese de que a função dos movimentos era a de combater as grandes plantações feitas com sementes geneticamente modificadas. Não colou. Ninguém se comoveu com a causa.

O inimigo, agora, é o agronegócio. Havia pudores no passado quanto a se atacar propriedades reconhecidamente produtivas. Agora não há mais. Não se discute mais a questão da produtividade da terra, mas sim a que essa produtividade serve.

Segundo esta ótica obtusa, 100 hectares de terra nas mãos de um microproprietário rural – mesmo que esse alcance patamares medíocres de produção – cumprem melhor a sua função social do que o mesmo quinhão de terra pertencendo a uma grande usina de açúcar ou a uma fábrica de papel e celulose.

Essa nova razão de ser dos movimentos “sem-terra” seria digna de debate não fosse ela a quinta ou a sexta evocada pelos seus líderes para justificarem a sua existência. Eles se dispõem até mesmo a contrariar os mais óbvios interesses nacionais, ajudando o novo governo populista do Paraguai a expulsar os fazendeiros brasileiros de lá.

Os padres e intelectuais socialistas que no passado recente ainda podiam dizer-se idealistas, tornaram-se todos velhacos e parasitas. Apelam, agora, para qualquer nova bandeira que mantenha os movimentos que dirigem existindo. Para, assim, continuar recebendo preciosas verbas do governo.

Moral da história: sem-terra, que nada! Não passam de uns sem-vergonha que vivem à nossa custa e desperdiçam o nosso dinheiro. Não precisamos mais dessa gente. Tchau! Fora! Abaixo o MST!

Que não fiquem por aí por falta de despedida. Adeus!

Os Sertões

Ando lendo "Os Sertões", de Euclides da Cunha. E ando embalado pela beleza, pelo ritmo, pelo encadeamento encantador das palavras, que me fazem viajar no que há de belo no ser humano. Somos isso, humanos, pois também somos capazes de capturar a poesia do mundo, mesmo em realidades duras e ressequidas. Um amostra, pra quem não leu, do trecho onde ele compara o gaúcho com o vaqueiro do norte:

"O vaqueiro do norte é sua antítese. Na postura, no gesto, na palavra, na índole e nos hábitos não há equipará-los. O primeiro, filho dos plainos sem fins, afeito às correrias fáceis nos pampas e adaptado a uma natureza carinhosa que o encanta, tem, certo, feição mais cavalheirosa e atraente. A luta pela vida não lhe assume o caráter selvagem da dos sertões do norte. Não conhece os horrores da seca e os combates cruentos com a terra árida e exsicada. Não o entristecem as cenas periódicas da devastação e da miséria, o quadro assombrador da absoluta pobreza do solo calcinado, exaurido pela adustão dos sóis bravios do equador. Não tem, no meio das horas tranqüilas da felicidade, a preocupação do futuro, que é sempre uma ameaça, tornando aquela instável e fugitiva. Desperta para a vida amando a natureza deslumbrante que o aviventa; e passa pela vida, aventureiro, jovial, disserto, valente e fanfarrão, despreocupado, tendo o trabalho como uma diversão que lhe permite as disparadas, domando distâncias, nas pastagens planas, tendo aos ombros, palpitando aos ventos, o pala inseparável, como uma flâmula festivamente desdobrada.”
Os Sertões, Euclides da Cunha

 

 

Manifestante joga sapato em Premie Chines

February 3, 2009

Como era previsível, virou moda. O que vai acontecer? Provavelmente muitos deixarão de se expor a platéias por medo de levar uma sapatada. O diálogo perde para a patacoada.

Pode ser rebelde, pode ser um desabafo, mas quem acaba levando uma sapatada é a liberdade de expressão, justamente o princípio pelo qual alguns advogam que jogar sapatos é um direito. Não é não.

Dois pensamentos, de graça

January 23, 2009

O pessimista se queixa do vento; o otimista espera que ele mude; o realista ajusta as velas.

William George Ward

É melhor acender uma vela do que amaldiçoar a escuridão.

Confúcio

China’s Charter 08

December 30, 2008

China’s Charter 08
The New York Review of Books, Volume 56, Number 1 · January 15, 2009
Translated from the Chinese by Perry Link

The document below, signed by more than two thousand Chinese citizens, was conceived and written in conscious admiration of the founding of Charter 77 in Czechoslovakia, where, in January 1977, more than two hundred Czech and Slovak intellectuals formed a loose, informal, and open association of people…united by the will to strive individually and collectively for respect for human and civil rights in our country and throughout the world.

The Chinese document calls not for ameliorative reform of the current political system but for an end to some of its essential features, including one-party rule, and their replacement with a system based on human rights and democracy.

The prominent citizens who have signed the document are from both outside and inside the government, and include not only well-known dissidents and intellectuals, but also middle-level officials and rural leaders. They chose December 10, the anniversary of the Universal Declaration of Human Rights, as the day on which to express their political ideas and to outline their vision of a constitutional, democratic China. They want Charter 08 to serve as a blueprint for fundamental political change in China in the years to come. The signers of the document will form an informal group, open-ended in size but united by a determination to promote democratization and protection of human rights in China and beyond.

Following the text is a postscript describing some of the regime’s recent reactions to it.
—Perry Link

I. FOREWORD
A hundred years have passed since the writing of China’s first constitution. 2008 also marks the sixtieth anniversary of the promulgation of the Universal Declaration of Human Rights, the thirtieth anniversary of the appearance of the Democracy Wall in Beijing, and the tenth of China’s signing of the International Covenant on Civil and Political Rights. We are approaching the twentieth anniversary of the 1989 Tiananmen massacre of pro-democracy student protesters. The Chinese people, who have endured human rights disasters and uncountable struggles across these same years, now include many who see clearly that freedom, equality, and human rights are universal values of humankind and that democracy and constitutional government are the fundamental framework for protecting these values. (more…)

Reflexões…

November 13, 2008

“Se Obama fracassar, a frustração será tão grande, que serão necessários muitos séculos para que um negro seja de novo eleito presidente dos Estados Unidos”.

Lula

Pois é. Eis aí o fruto de mistificações e equívocos. Obama deixou claro que é Presidente de todos os americanos, mas não faltarão aqueles adeptos do ‘” nós contra eles”. Todo fracasso de Obama seria uma vitória do racismo, e suas vitórias, um fracasso dos conservadores brancos. Ao elevar Obama a condição de vitória particular da “raça”, brancos e negros mundo afora colocaram o avanço da igualdade racial sob risco. Se Obama fizer o que presidentes normalmente fazem – desapontar seus governados – na ótica de Lula a sociedade americana iria demorar a apostar em um negro novamente. Lula mal disfarça seu próprio racismo. Só será assim se Obama fizer como querem alguns setores que o privatizaram: Obama seria a vitória de um país contra o outro. Um país negro contra outro branco. Se for porta-bandeira de uma raça, Obama fatalmente vai desapontar a muitos. Em vez de ser mais um presidente, talvez um bom presidente, será a pá que cavará um fosso de segregação a mais.

Obama deve ser a vitória dos Estados Unidos. Assim como McCain também seria. Pois a Democracia, que permitiu que Obama fosse eleito, deve ser sempre a vencedora. Caso contrário, Obama conquistou uma vitória de Piro, ferindo o próprio sistema que permitiu seu sucesso. Além do mais, os EUA não mudaram quando elegeram Obama. Mudaram antes. Obama é sintoma, não causa. E a beleza da mudança é poder eleger um negro. Triste é ter que eleger alguém por causa de sua cor de pele. McCain disse bem: “Ele era meu adversário, agora é meu Presidente.” Igualdade é imaginar que Obama poderia dizer a mesma coisa se fosse derrotado. Essa é a beleza do ideal americano. Nem sempre honrado, mas ainda assim bonito. E Obama não deixou dúvidas. Em seu discurso da vitória conclamou as tradições mais caras aos americanos:

E para todos aqueles que se perguntam se o farol dos EUA ainda brilha com a mesma intensidade, esta noite nós provamos uma vez mais que a verdadeira força de nossa nação não emana da capacidade de nossas armas ou do tamanho de nossa riqueza, mas do poder persistente de nossos ideais: democracia, liberdade, oportunidade e inflexível esperança.

Gosto de Obama porque ele sinaliza novos ventos. Sinaliza um país talvez mais aberto ao diálogo, mais sólido economicamente, mais atento às Nações Unidas. Mas por mim ele podia ser rosa choque com bolinhas…

E assim, é só uma opinião minha, de acordo com o mundo que vejo. Mas consigo entender que é muito legal ver que o mundo pode ser assim, tão plural. Fico feliz também. Só tento ver o lado ruim também, para estar preparado. Se alguém quiser uma opinião diferente, mas que respeito muito, pode olhar aqui: Blog da Ila

Rafael Vasel em Cuba

October 18, 2008

Tenho um amigo que está visitando Cuba. O Rafael Vasel. Ele é um cara muito inteligente e vale a pena dar uma lida nas anotações de viagem dele, no blog http://rafaelvasel.blogspot.com/

Recomendo!

Trilha sonora desses dias…

September 23, 2008

Quando se acabou com tudo
Espada e escudo
Forma e conteúdo
Já então agora dá
Para dar amor…

Amor dará e receberá
Do ar, pulmão
Da lágrima, sal
Amor dará e receberá
Da luz, visão
Do tempo espiral…

Amor dará e receberá
Do braço, mão
Da boca, vogal
Amor dará e receberá
Da morte
O seu dia natal…

Nando Reis

Amazonia pra gringo ver

September 17, 2008

A Amazônia está na moda aqui no Canadá. Todo o dia quando ligo o rádio do carro e dou uma passada pelas rádios de notícias, escuto alguma notícia de lá, algum depoimento. Hoje foi uma repórter que fez uma expedição rio adentro. Ontem foi o relato de um madeireiro. É uma pena ver todo esse interesse sendo desperdiçado. Porque? Porque eu tenho certeza que o Brasil não vai parar enquanto não tiver derrubado toda a floresta.

Amizade secreta

September 10, 2008

Eu tenho uma amiga secreta. É, tenho. Uma daquelas amizades que ninguém sabe que você fez, a qual eu encontrava sempre discretamente para tomar um café e conversar sobre a vida. Nunca falo dela pra ninguém, mas de vez em quando trocamos um email ou outro. Depois passamos mais meses sem conversar. Moramos em lugares distantes sem a menor probabilidade de nos encontrarmos de novo algum dia. Mas trocamos algumas confidências, enquanto filosofamos sobre aquelas coisas que vêm a mente das pessoas quando andam distraídas por algum parque desses por aí. Ou ainda quando fitam o mar em alguma praia deserta…
Pois bem, ela gosta de me chamar de “movedor de mundos”. Como se fosse uma voz interior, ela vem e me sopra:

- É isto meu querido “movedor de mundo”. Espero que você mova ‘seu mundo’ para um ‘mundo melhor’.

Obrigado pela brisa leve que me mandas…

Hoje, é hora e é tempo…

September 8, 2008

“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.”
Fernando Pessoa

Eu já havia usado este pensamento do Pessoa aqui em outra circunstância. Foi quando estava de partida para o Japão e me fez muito bem pensar desta forma naquele momento. Mas preciso reconhecer que as vezes é a vida que muda o clima, tornando obsoletas as roupas a que estávamos habituados. Às vezes há uma placa de “rua sem saída” que não esperávamos encontrar e que não aparecia em nosso mapa de vida.

Aprender novos caminhos dá medo. Haverá alguém pra nos dar a mão? haverá alguém para compartilhar as dores? Existirão sorrisos?

Sei que a única coisa a qual não sobrevivemos é à nossa própria desistência. E eu farei frente, “bravamente”, ao que Deus me oferecer…

O condomínio chamado Doha

July 30, 2008

Ok, a Rodada Doha falhou. Grandes novidades. Lembre você de alguma reunião que já participou, entre amigos, no condomínio, em algum momento no trabalho, qualquer uma: você consegue lembrar de alguma em que fosse fácil chegar a um consenso? Duvido. Agora imagine uma reunião com mais ou menos 150 participantes, todos com direito a veto, com culturas e idiomas diferentes, tentando chegar a um acordo. Some-se a isso as pressões políticas internas, vaidades e inabilidades pessoais, crise energética e de alimentos, e pronto: a receita do fracasso óbvio. Com Doha, morre mais um pouco a diplomacia idealista, aquela dos acordos mundiais multilaterais, a mesma do fracasso da Liga das Nações.
O caminho possível, na minha análise, é o crescimento dos blocos comerciais. Seguindo inclusive as leis da Física, a solução para acordos globais está no crescimento paulatino dos blocos regionais, até que não reste nenhum país avulso no cenário. Quando a água congela, ela não o faz instantaneamente, mas a partir de núcleos que vão crescendo e se fundindo até que o todo se solidifique. Quando sentarem na mesa 4 blocos – Américas, Europa, África e Ásia –, as possibilidades de um acordo aumentarão significativamente. Por enquanto, não há porque pensar que será diferente.
Nos próximos anos, veremos a proliferação dos acordos bilaterais, como alternativa imediata ao fracasso da Rodada. O problema é que os países mais pobres pouco têm a oferecer nesses casos e as injustiças que se procurava corrigir no fórum multilateral, serão cada vez mais aprofundadas. O Governo Lula, que optou por não fazer destes acordos um seguro para este momento, deve agora correr para conseguir um lugar ao sol.
O Brasil, que errou quando optou por depositar todas as fichas em Doha, coerentemente com o alinhamento ideológico dos diplomatas da vez, erra de novo ao não atuar no Mercosul como líder, ou pelo menos ao não definir claramente uma autoridade que seja aceita por todos os países-membros. Com isso, o Mercosul afunda nos mesmos problemas da Rodada Doha, sendo sabotado pelos interesses individuais – legítimos, ninguém duvida – e carecendo de uma força que arbitre as disputas internas. Fracassará, inexoravelmente, e será tragado por uma futura ALCA, que virá de um jeito ou de outro.

Xiiiii….

June 20, 2008

Ouvi no rádio hoje que o Canadá planeja investir 500 bilhões de dólares reequipando suas forças armadas nos próximos 12 anos. E aí me pergunto: onde isso vai parar. Já sabemos que o Brasil aumentou seu orçamento militar e que outros países fizeram o mesmo. Venezuela, Chile, Japão… Li em algum lugar que os gastos mundiais com forças armadas cresceu perto de 25% no último ano.
Acredito que, com exceção das armas nucleares, armamento comprado mais dia menos dia é utilizado. Misture-se a isso escassez de energia, de alimentos, de água, e tempere com o crescente populismo dos governantes, aproximando a esquerda da extrema direita e… vai dar m…

P.S.: Se não estiver convencido do risco, pode juntar na fervura algum fanatismo religioso também, pra ficar mais “calmo” o cenário.

Agradecimento

April 16, 2008

PREMIO%2B11%2BDE%2BABRIL

Alguém uma vez disse que escrever é um ato de resistência. Resistir às tiranias, resistir às mediocridades, à própria acomodação. E eu, que escrevo tão pouco envolvido que estou em minha vida profissional, as vezes me surpreendo com a maravilha daqueles que perfazem ombro a ombro comigo nesta trincheira. O Blog da Santa, pelo qual tenho uma admiração profunda e uma inveja indisfarçável pela qualidade que possui, divulga o prêmio 11 de Abril, para aqueles blogs que se dedicam à luta pela democracia. Ela, a Santa, que recebeu o prêmio mais que merecidamente, indicou este meu “armazém” de pequenas notas para a mesma láurea.
Eu não conhecia este prêmio, e confesso que não tenho a menor pretensão de conquistá-lo. Mas ter a sensação súbita de que, de alguma forma, eu ajudo a defender a Democracia, me fez ganhar o dia, o mês, o ano! Escrevo por convicção às minhas crenças e pela esperança de fazer alguma diferença. Hoje, três anos de blog fizeram sentido. Obrigado Santa, agora ninguém me aguenta!

P.S.: Pelo que entendi, eu deveria indicar outros blogs que também têm prestado um bom serviço à causa democrática. Mas, tenho zapeado pouco por aí, e os blogs que leio já foram indicados. Pra tentar não quebrar o meme, vou pesquisar e depois coloco por aqui.

Não há ideologia que justifique

February 16, 2008

Texto da Cora Rónai, em O Globo. Não há o que comentar, apenas tirar o chapéu e lamentar por quem não percebe o que está acontecendo…
E eu? Bem, eu vou juntar minhas coisas e vou embora, porque já não há mais nada a fazer.

“Não há ideologia que justifique

Eu ainda acredito, como diz o Millôr, que imprensa é oposição, o resto, armazém de secos e molhados (para quem chegou ontem: pequena loja de bairro, precursora dos supermercados). Acho o jornalismo uma das mais nobres profissões, sobretudo em sua filosofia básica; o mesmo eu poderia dizer da filosofia da profissão médica, por exemplo, embora, numa e noutra profissão, muitos nem percebam a glória do que fazem, tornando-se indignos da “missão” que exercem.

Pode ser efeito colateral do joelho quebrado, pode ser ataque de saudosismo, mas o fato é que já vivi um tempo em que o, digamos, “ecossistema”, me dava mais alegrias. É claro que havia, como sempre houve, jornalistas a favor – há quem diga a soldo—do governo. Bajular os poderosos dá lucro, quando não prestígio, que tantos perseguem.

Mas as águas de então estavam bem divididas: eles eram “eles”, nós éramos “nós”. Havia um inimigo comum. Além do que, e não é pouco!, tínhamos menos de 30 anos, às vezes pouco mais de 20. “Eles” tinham colunas e empregos públicos, candidatavam-se, enveredavam pela política sem constrangimento. “Nós” acreditávamos, sem duvidar, que o papel da imprensa era combater a ditadura, e que, derrotada esta, estariam derrotadas também a corrupção e a impunidade. Ganhávamos pouco, às vezes ridiculamente pouco. Não chegávamos, como a Amélia, a achar bonito não ter o que comer—mas não faltava muito para isso.

Até que, um dia, apareceu um agrupamento político chamado PT, e o meio de campo começou a embolar. Isso não ficou claro à primeira vista, pelo menos não para aqueles de nós que ou éramos mais ingênuos, ou já não andávamos diretamente envolvidos em política. Eu me enquadrava nas duas categorias, e ia em frente. Mas minha ficha caiu quando, um dia, voltando de uma feira de tecnologia, com a jaqueta enfeitada com lindos pins e buttons de sistemas operacionais e de chips, levei um dedo no nariz de uma estagiária do JB que, até então, me parecera boa pessoa:

— Por que não está usando o button do PT?!

Levei um susto. Aquele gesto e aquela voz autoritária podiam ter saído de qualquer zona histórica “alienígena”, sinistra.

— Exatamente por causa disso, respondi, mas acho que ela não entendeu. Eu, porém, entendi. Não havia mais “nós” e “eles”. Havia patrulha e rancor, também entre “nós”. Não havia mais o bom combate ou o livre pensar; havia apenas uma ideologia, como todas muito cômoda, construída com bloquinhos de lugares comuns que não exigiam grande raciocínio de ninguém. Ai de quem não compactuasse.

Quando Lula ganhou as eleições, achei que o mundo das redações voltaria à normalidade. Poder é poder. Imaginar que existe poder “de esquerda” é de uma ingenuidade que não combina com o cinismo e a desconfiança que, em tese, andam de mãos dadas com o jornalismo. Mas, obviamente, maior ingenuidade ainda é supor que quem se ajeita a uma bitola ideológica, por interesse ou por idealismo, guarda alguma capacidade de pensar por conta própria. Sobretudo quando a tal bitola começa a se mostrar lucrativa.

Já me prometi mil vezes não falar mais nisso e esquecer que hay gobierno soy contra, até porque o governo não está nem aí para o que nós, imbecis também conhecidos como contribuintes, achamos ou deixamos de achar. Quando o sangue me ferve nas veias (vale dizer todos os dias, quando pego o jornal), brinco de faz-de-conta: tento acompanhar o noticiário como se morasse em outra galáxia. O diabo é que há coisas que não há Star Trek que resolva. Agora mesmo, não sei o que me deixa mais perplexa e indignada na farra dos cartões corporativos, se o roubo descarado do nosso dinheiro, ou o contorcionismo mental de colegas, que já considerei gente de boa reflexão, tentando defender essa nojeira.

Os argumentos são espantosos. Aquela ex-ministra racista, que acha tão normal negros odiarem brancos, está, obviamente, sendo vítima de pessoas que não a conhecem; ora, se até o Zé Dirceu já garantiu que ela não agiu por má-fé! Roubou sem querer, a coitada, e a Grande Imprensa, branca e machista, lá, nos seus calcanhares. O outro comprou uma tapioca de míseros oito reais, e a Grande Imprensa, uivam os jornalistas amestrados, dá o fato em manchete. Como se o que estivesse em discussão não fosse o como, mas o quanto. Para não falar na eterna ladainha do governo, repetida como um press-release que, a essa altura, sequer tem o benefício da novidade: “na época do FhC era a mesma coisa”. Mas, perdão: não foi para isso que a atual corja foi eleita?! Para mudar tudo o que estava errado?! Para implantar um sentido ético no trato da coisa pública?!

O pior é que tanto faz quanto tanto fez. Enquanto o nosso dinheiro paga qualquer leviandade protegido pelo manto putrefato da “Segurança Nacional”, enquanto jornalistas arrastam a profissão na lama defendendo a corrupção, os poderosos, às nossas costas, se entendem. As famiglias ficarão a salvo.

“Eles” venceram.”

Bar Ruim é Lindo

August 21, 2007

Adorei esse texto. Muitos devem tê-lo recebido por e-mail, mas vale à pena ler de novo.

Bar Ruim é Lindo – Antônio Prata

Eu sou meio intelectual, meio de esquerda, por isso freqüento bares meio ruins.
Não sei se você sabe, mas nós, meio intelectuais, meio de esquerda, nos julgamos a vanguarda do proletariado, há mais de 150 anos. (Deve ter alguma coisa de errado com uma vanguarda de mais de 150 anos, mas tudo bem).
No bar ruim que ando freqüentando nas últimas semanas o proletariado é o Betão, garçom, que cumprimento com um tapinha nas costas acreditando resolver aí 500 anos de história. Nós, meio intelectuais, meio de esquerda,adoramos ficar “amigos” do garçom, com quem falamos sobre futebol enquanto nossos amigos não chegam para falarmos de literatura.
“Ô Betão, traz mais uma pra gente”, eu digo, com os cotovelos apoiados na mesa bamba de lata, e me sinto parte do Brasil.
Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos fazer parte do Brasil, por isso vamos a bares ruins, que tem mais a cara do Brasil que os bares bons, onde se serve petit gateau e não tem frango à passarinho ou carne de sol com macaxeira que são os pratos tradicionais de nossa cozinha.
Se bem que nós, meio intelectuais, quando convidamos uma moça para sair pela primeira vez, atacamos mais de petit gateau do que de frango à passarinho, porque a gente gosta do Brasil e tal, mas na hora do vamos ver uma europazinha bem que ajuda. A gente gosta do Brasil, mas muito bem diagramado. Não é qualquer Brasil. Assim como não é qualquer bar ruim. Tem que ser um bar ruim autêntico, um boteco, com mesa de lata, copo americano e, se tiver porção de carne de sol, a gente bate uma ali mesmo.
Quando um de nós, meio intelectuais, meio de esquerda, descobre um novo bar ruim que nenhum outro meio intelectual, meio de esquerda freqüenta, não nos contemos: ligamos pra turma inteira de meio intelectuais, meio de esquerda e decretamos que aquele lá é o nosso novo bar ruim. Porque a gente acha que o bar ruim é autêntico e o bar bom não é, como eu já disse.
O problema é que aos poucos o bar ruim vai se tornando cult, vai sendo freqüentado por vários meio intelectuais, meio de esquerda e universitárias mais ou menos gostosas. Até que uma hora sai na Vejinha como ponto freqüentado por artistas, cineastas e universitários e nesse ponto a gente já se sente incomodado e quando chega no bar ruim e tá cheio de gente que não é nem meio intelectual, nem meio de esquerda e foi lá para ver se tem mesmo artistas, cineastas e universitários, a gente diz: eu gostava disso aqui antes, quando só vinha a minha turma de meio intelectuais, meio de esquerda, as universitárias mais ou menos gostosas e uns velhos bêbados que jogavam dominó.
Porque nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos dizer que freqüentávamos o bar antes de ele ficar famoso, íamos a tal praia antes de ela encher de gente, ouvíamos a banda antes de tocar na MTV. Nós gostamos dos pobres que estavam na praia antes, uns pobres que sabem subir em coqueiro e usam sandália de couro, isso a gente acha lindo, mas a gente detesta os pobres que chegam depois, de Chevete e chinelo Rider. Esse pobre não, a gente gosta do pobre autêntico, do Brasil autêntico.
E a gente abomina a Vejinha, abomina mesmo, acima de tudo. Os donos dos bares ruins que a gente freqüenta se dividem em dois tipos:os que entendem a gente e os que não entendem. Os que entendem percebem qual é a nossa, mantém o bar autenticamente ruim, chamam uns primos do cunhado para tocar samba de roda toda sexta-feira, introduzem bolinho de bacalhau no cardápio e aumentam em 50% o preço de tudo. Eles sacam que nós, meio intelectuais, meio de esquerda, somos meio bem de vida e nos dispomos a pagar caro por aquilo que tem cara de barato. Os donos que não entendem qual é a nossa, diante da invasão, trocam as mesas de lata por umas de fórmica imitando mármore, azulejam a parede e põem um som estéreo tocando reggae.
Aí eles se fodem, porque a gente odeia isso, a gente gosta, como já disse algumas vezes, é daquela coisa autêntica, tão brasileira, tão raiz.
Não pense que é fácil ser meio intelectual, meio de esquerda, no Brasil! Ainda mais porque a cada dia está mais difícil encontrar bares ruins do jeito que a gente gosta, os pobres estão todos de chinelo Rider e a Vejinha sempre alerta, pronta para encher nossos bares ruins de gente jovem e bonita e a difundir o petit gateau pelos quatro cantos do globo. Para desespero dos meio intelectuais, meio de esquerda, como eu que, por questões ideológicas, preferem frango a passarinho e carne de sol com macaxeira (que é a mesma coisa que mandioca mas é como se diz lá no nordeste e nós, meio intelectuais, meio de esquerda, achamos que o nordeste é muito mais autêntico que o sudeste e preferimos esse termo, macaxeira, que é mais assim Câmara Cascudo,saca? ).
-Ô Betão, vê um cachaça aqui pra mim. De Salinas quais que tem?

Amazônia por um Sulista

March 11, 2007

Tenho um amigo, antigo companheiro de viagem, que esteve na Amazônia recentemente e está começando uma série de relatos sobre o que ele viu. Carregando um gravador e um livro de notas, ele colecionou relatos e percepões sobre a realidade amazônica, que é tão falada e tão desconhecida por nós. O primeiro artigo está disponível no site Amazônia por um sulista. O texto é muito interessante e vale a leitura.

Um trecho:

“Na conversa com Jonilson perguntei se ele não achava perigoso isso, ele respondeu: “não tem perigo não, quando estás garimpando de repente tu sentes uma parada, uma calmaria, como se fosse um ar, uma brisa dentro d’água, aí tu mais ou menos sabes que o negócio vai desmoronar, aí é só sair”.”
Rafael Leal

Caos previsível

November 21, 2006

Esse mês está sendo de pouca escrita. Reformular minha vida tem dado um certo trabalho.
A única coisa que tem me estimulado a continuar escrevendo e refletindo sobre o comportamento humano é essa crise no tráfego aéreo brasileiro. De um lado, a necessidade de encontrar culpados, de simplificar para acalmar a turba ansiosa entre gritos de “-crucifica!”. De outro um poder público que não quer assumir suas próprias incompetências. E ainda um terceiro lado (sim, existem mais que dois…) dos passageiros que querem embarcar e acham que os controladores de vôo, estes “frouxos”, estão fazendo corpo mole.

Como trabalhei com aviação, conheço controladores de vôo, conheço investigadores de acidentes aeronáuticos, conheço os fabricantes e as operadoras, e analisei o projeto na ANAC antes de entrar em vigor, sei que:
1. O governo brasileiro ignorou o problema do trafego aéreo crescente e a carência de equipamentos e profissionais adequados. Os diversos incidentes anteriores ao acidente da GOL apontavam o problema e estes dados estão disponíveis ao público, a despeito de Valdir Pires declarar que nada sabia.

  1. A ANAC nasceu sob o lobby da Infraero que retirou parte da sua importância. O Governo Lula acabou de matá-la quando fez nomeações políticas para a agência.


  2. Os países sérios usam os incidentes para prevenir acidentes. O Brasil não tem comissões parlamentares para analisar incidentes e fiscalizar a autoridade aeronáutica.


  3. Acidentes aéreos nunca tem uma causa apenas. São sempre uma cadeia de eventos que pode ou não conter falha humana. O fato de alguém ter cometido erro, não significa culpa. É necessário entender porque os erros aconteceram.
    No entanto, nesse caso a falta de equipamentos adequados para o controle de vôo pode fazer recair responsabilidade civil sobre a ANAC, por negligência.


  4. Os controladores de vôo no Brasil vinham há muito tempo trabalhando sob pressão e compensando as carências no sistema trabalhando acima dos limites internacionais. É importante que a partir de agora eles se recusem à colocar vidas em risco. Eles não são culpados pela situação, e sim este governo.


  5. O processo de desmilitarização do controle aéreo e da aviação civil em geral, é importante. Não que os militares não sejam competentes, mas eles são submetidos à rotinas militares que prejudicam o exercício da função. Empresas como a Embraer sofrem com isso, apesar de todo o reconhecido esforço dos militares em cooperar e contornar os problemas.


Por último é importante saber que, se a situação melhorar do dia pra noite, é porque trocamos filas nos aeroportos por risco nos ares. E a situação não vai mudar tão cedo porque a ANAC é um diretório do PT, incompetente e evasivo.
Já aviso: antes de melhorar, vai piorar…


Luciano Queiroz

Dekassegui

September 17, 2006

Quando eu vim para o Japão, não tinha a menor idéia do que ia encontrar. A gente vem com aquela visão esterotipada, que é uma mistura de filmes japoneses, restaurantes de Sushi, do bairro da Liberdade, etc. e na chegada, já nas primeiras horas o choque é grande. Principalmente para um gaijin como eu. Depois, dia após dia, este choque vai sendo renovado em cada paradigma seu que cai por terra. As diferenças culturais são esmagadoras, e por isso creio que viver no Japão é uma experiência da qual ninguém sai impune.
Dos meus contatos com brasileiros aqui conheci alguns dekasseguis. Pra minha surpresa, por mais que eu tivesse um bom entendimento do que eles vem fazer, jamais cheguei a ter uma noção no Brasil que fosse pelo menos perto da realidade. São muitas histórias, de sofrimento, trabalho e pequenas alegrias. Fiz alguns amigos e eles têm toda a minha admiração.
Minha amiga Fátima, jornalista e minha assessora especial para assuntos nipônicos, me indicou este curta-metragem que compartilho com vocês. Ele dá uma boa idéia do que é ser dekassegui. A criação é de Roberto maxwell.

Luciano Queiroz

Frase do Dia

“Compreendo a função política na democracia como o instrumento mais eficaz para a transformação e aperfeiçoamento das estruturas sociais. Fui dela afastado, compulsoriamente, pela ditadura. A ela voltei pelo único caminho legítimo: o voto popular. Asseguro, sem vacilação, que é possível conciliar política e ética, política e honra, política e mudança.”

Mário Covas – 1989

Vamos celebrar a estupidez humana…

September 10, 2006

A espiral da sabedoria

September 2, 2006


Acredito que a verdadeira sabedoria da vida vem invariavelmente quando percorremos uma espiral imaginária, que nos faz progredir ao mesmo tempo que dá novos sentidos à pensamentos antigos. Começamos com nossos entendimentos infantis e vamos ganhando complexidade, acumulando experiências, exigindo explicações complicadas para tudo e assumindo camadas de verdades sobrepostas. Depois, vamos derrubando toda essa teorização da existência à medida que a vida se impõem sobre nossos ombros. E acabamos por ver que nos resta nas mãos as idéias que lá já estavam, nos tempos de menino.

É claro que não voltamos ao ponto de partida impunes, pois seria tolice. A criança não sabe porque pensa o que pensa. Já a sabedoria sabe bem o que faz, e ela precisa percorrer um caminho para evoluir. Fazer o homem compreender que os sentimentos infantis de ausência de rancor, da fraternidade, de autenticidade, de sinceridade, se nas crianças é ingenuidade, pode para os adultos no entanto ser a resposta que procuramos.

E eu, como em uma parada para olhar o mapa, sempre tento me situar neste espaço espiral imaginário e resgatar como é que cheguei até aqui. Porque me tornei este alguém, que acredita que a solução para a humanidade vem de dentro dos seres humanos pra fora?
Fui vasculhar e encontrei várias lembranças.

No colégio, eu percebia que os garotos populares anulavam os mais tímidos sob sua asa para satisfazerem seus egos inchados fruto de pais super-protetores. Na faculdade, vi a ditadura dos diretórios de estudantes, com seus líderes mal disfarçando sua necessidade de auto-promoção. Todos invariavelmente escolhendo dentre suas habilidades qual lhes renderia mais para seus próprios egos. Muitas amizades terminaram, namoros se romperam, e emprestei meu ombro para muitas dessas pessoas.
Vi algumas guerras, vi algumas brigas.
No trabalho como engenheiro, vi sindicalistas, com a mesma ambição dos garotos de colégio, apenas aumentada e instrumentalizada, se agarrarem à mentiras como escada rolante para a promoção pessoal. Passei por um plano Cruzado 1, Cruzado 2, Cruzado novo, Plano Collor… os eternos salvadores da pátria, até que a vida se impusesse novamente, cada vez, e de novo.

Sempre os mesmos sentimentos pobres por trás de tudo.

Por outro lado, todos os idealistas autênticos que conheci, os genuinamente abnegados, possuem características comuns: não tentam convencer ninguém além deles mesmos, respeitam idéias opostas com a tranquilidade e a segurança de quem tem profundidade em seu caminho, sua vida é seu discurso. Tentam lutar contra a vaidade, a ambição sem freios, a inveja, a indisciplina, como verdadeiro inimigo à ser derrotado.

Foi com estes últimos que aprendi que a luta por um mundo melhor, pelo Reino de Deus, é uma luta travada dentro do homem, e não fora. Este mundo mais justo, este Reino, não é uma obra que um dia se verá completa por e para todos, mas que completa pode ser, na alma de quem O busca. Essa é a vanguarda da transformação. É nessas pessoas que deposito minhas esperanças de um mundo mais justo. Jamais naqueles que querem se impor, imaginado-se donos de uma percepção superior de realidade, que ao fazerem alimentam a batalha humana. Batalha a qual apenas difere da guerra pelo uso de armamentos, e que naturalmente conduz à esta última. A guerra não começa no primeiro tiro, mas no primeiro pensamento agressivo. O tiro real e o tiro verbal, pertencem à mesma natureza, e são efeito e causa da desgraça humana.

Dentro da espiral da evolução da sabedoria, é no começo e no fim, onde as diferenças são resolvidas num chá com biscoitos. Por isso, se olhamos a espiral de lado, esses dois pontos são tão distantes, e de cima, de onde Deus olha, eles são iguais. Ambos donos do Reino dos Céus.

Luciano Queiroz

Monte Fuji

August 25, 2006

Amanhã escalo o Monte Fuji. Desejem-me sorte. E fôlego!

Ajuda para entender o conflito no Oriente Médio

O conflito Árabe-Israelense não pode ser entendido sem uma perspectiva histórica. Temos que retornar ao Egito do século 19, quando se construiu o Canal de Suez.

As obras do Canal iniciaram em 1859 e terminaram dez anos mais tarde com um custo de 17 milhões de libras esterlinas

Os defensores do projeto argumentavam que o canal diminuiría a distância entre a Europa e o sul da Ásia. Os navios que partiam do Mar Mediterrâneo não precisariam mais circundar a África e contornar o cabo da Boa Esperança para atingir os Oceanos Índico e Pacífico.

O projeto de construção do canal foi coordenado pelo engenheiro e diplomata francês Ferdinand de Lesseps, que adquiriu do paxá Said os direitos de abertura e exploração pelo período de 99 anos. Para isso ele montou uma empresa, a Companhia Universal do Canal Marítimo de Suez, que teve como principais acionistas França e Reino Unido.

Para a inauguração, no dia 17 de novembro de 1869, o italiano Giuseppe Verdi (1813-1901) compõe a ópera Aída.

(more…)

Cingapura, parte 3

August 17, 2006

Cingapura é realmente um lugar para quebrar paradigmas. Hoje foi um dia que fiz perguntas sobre o sistema de governo. Descobri que o país tem eleições diretas mas não tem propriamente uma oposição livre. Me parece que tudo é bem controlado e existem algumas restrições, apesar de me garantirem que qualquer um pode se candidatar a presidente.
Todos em Cingapura têm um teto. O Governo constrói apartamentos para todo mundo mas as pessoas têm que pagar por eles. Nada é de graça e se você não tem emprego o governo arranja um pra você poder pagar pelo teto que eles lhe dão. O Imposto é sobre o consumo, mesmo modelo que o EUA, e 20% do salário das pessoas vai para uma conta aposentadoria que a pessoa pode fazer aplicações, mas não pode sacar. A única exceção é para a compra do apartamento próprio (esses do governo) quando a pessoa casa. Os muito ricos podem comprar uma casa sem ser do governo, mas num país minúsculo o preço é exorbitante.
Cingapura é uma meritocracia, onde todos têm trabalho, mas quem trabalha mais, ganha mais.
Um dos meus amigos daqui disse que é mais ou menos como no filme Matrix. O Sistema mantém todos bem, nada falta, e os dois lados podem tocar os negócios numa boa. Funciona. Mas esses meus amigos dizem que sentem falta do Japão, pois tinham mais liberdade.
Resumindo, é um país onde todos têm uma vida digna, mas falta liberdade. Comunismo? Não, Comunismo é crime em Cingapura e dá cadeia.

Então? É ou não é de quebrar paradigmas?

Luciano Queiroz

Cingapura, parte 2

August 16, 2006

Porque Florianópolis não pode ter um museu decente? Um que mostre a história da ilha, seus índios, colonizadores, lendas, costumes, e faça tudo isso com alto padrão de detalhes e tenha uma lojinha de souvenires no final? Algo como copos de cachaça de Floripa, camisetas, cartões, baleias de pelúcia, fantoches, bonecos do boi de mamão, etc… Porque Florianópolis não pode ter um aquário municipal, um teleférico, um chafariz, bonde, uma torre com restaurante panorâmico? Pessoalmente eu preferia a pequena e pacata cidadezinha de 25 anos atrás, mas como nem o tempo nem os que vieram de fora voltam, seria bom aproveitarmos o turismo para com ele melhorarmos a vida da população, proteger os mangues, as praias, a cultura local. Enfim, tudo o que Cingapura faz.
Aliás, todo mundo respeita a lei por aqui. Sabem o motivo? Só por comer no trem a multa é US$ 500. Se apertar o botão de emergência sem uma boa razão, a multa é de US$3500. Tráfico de drogas a pena é de morte.
Enfim: a rapaziada não vacila por aqui.

Luciano Queiroz

Cingapura, parte 1

August 15, 2006

Depois de um dia bem cansativo aqui em Cingapura já estou cheio de opiniões sobre esse pequeno, minúsculo país.

Alguns dados: Cingapura tem 42km por 23 km de área, e quase três milhões de habitantes. Desse reduzido território, 30% é resultado de aterro avançando mar ou rio adentro. A terra pra fazer novos aterros acabou e eles estão importando da Malásia. Praticamente não existem casas, pois não há espaço para elas, e fala-se quatro idiomas no país: inglês, tamil, mandarin e malay.
Sendo um país extremamente populoso, não esperava encontrar o que encontrei: um país verde, que divide com o Rio de Janeiro o privilégio de ter uma floresta tropical urbana. Isso além de muitas outras reservas. Tem uma estrutura incrível, com incontáveis shoppings, metrô, largas avenidas, viadutos, teatros, monumentos bem conservados, arranha-céus em bando. Uma organização invejável para receber bem o turista, com vários pontos de informação espalhados e mil folhetos indicativos que estão disponíveis gratuitamente em qualquer birosca. Para um país que acabou de fazer 41 anos, é impressionante. Agora tenho a dimensão real do que quer dizer o termo “tigres asiáticos”.
No entanto, é bem visível para o forasteiro que existe uma disritmia, uma falta de harmonia entre o país físico e sua população. Talvez a velocidade das mudanças tenha atropelado o povo local. Pelo menos é fácil perceber que eles não se sentem à vontade nesse novo país. Têm orgulho obviamente, mas ainda não parecem relaxados nesta superestrutura capitalista criada. O metrô é um bom exemplo: nas escadas rolantes eles não se colocam à esquerda para deixar os mais apressados passarem. Uns ficam, outros não. As pessoas se atrapalham nas máquinas de comprar os bilhetes e os vários painéis digitais dizendo quantos minutos faltam para o trem chegar sempre erram. Na hora que o trem chega, mesmo vazio, é uma correria para entrar.
Enfim, eles parecem ainda admirados com o que aconteceu, com o progresso que é realmente assustador. São como um retirante nordestino ao contrário, sendo São Paulo que veio para o sertão do dia para a noite.

Luciano Queiroz

Cingapura, de férias…

August 13, 2006

Passarei uma semana em Cingapura e provavelmente não vou escrever neste tempo.
Deixo algumas reflexões que me atormentam:

Eu e minha namorada temos muitas visões distintas sobre a situação política brasileira e porque não dizer, do mundo. Com ela, e por ela, sinto mais responsabilidade no que escrevo. Tudo, absolutamente tudo na vida tem vários aspectos e emitir opiniões pressupõe se estar disposto a escutar os dois lados. Escutá-la me faz um ser humano melhor. Exemplos?

Cuba é complexa. Eu condeno as ditaduras, qualquer uma, mas sou capaz de tentar entender as razões envolvidas, a complexidade de um povo, a sua história, para entender o que há por trás desta ditadura.

Israel tem direito à uma terra. Mas os Palestinos também. Israelenses e palestinos para mim dividem o mesmo DNA, a despeito do que eles possam acreditar sobre este tema.

O PCC é um grupo terrorista e deve ser preso e condenado. Políticos ligados à eles devem ser igualmente presos. Mas não posso deixar de entender que o sistema carcerário é falido e torturador.

E por aí vai, reforçando que a adoção de bandeiras impede o senso crítico, impede que vejamos uma sombra da verdade. E impede que sejamos melhores que qualquer um dos lados, empacando o mundo nesta situação que se encontra.

Luciano Queiroz

Vídeo - Cruz Vermelha do México

August 9, 2006

Gosto da Cruz Vermelha, e acho que o mundo ainda precisa deles. Bonito e bem humorado vídeo sobre a Cruz Vermelha mexicana.

Estou fora do ar.

July 17, 2006

Estou recebendo uma visita aqui no Japão estes dias e não estou sabendo de nada que se passa no mundo. Não leio nada, não sei de nada.

Daqui a quinze dias volto a escrever.

Abraços!

Luciano Queiroz

Acho que é assim que funciona.

July 13, 2006

Só uma reflexão sobre esses atentados. Acho que o fluxograma é bem maior, mas quem quiser que continue. A PF, por exemplo…

Luciano Queiroz

Errei!

Corrigindo o post anterior: Nariz Gelado me passou um pito e me explicou que o que costuma ser cortado fora em caso de atraso no conteúdo do ano letivo é a Revolução Americana e não a Francesa.

Da Rev. Francesa os professores não abrem mão.

Bem, menos mal! Obrigado Nariz!

Luciano Queiroz

Revolução Mexicana

July 12, 2006

Hoje foi um dia desses de trabalho sem muito o que fazer. Não é normal, mas às vezes acontece. Entrei no Blog do Noblat pra dar uma olhada rápida e peguei uma discussão sobre Rev. Francesa. Nariz Gelado afirmava que as escolas ensinam muito mal sobre a Rev. Francesa e pior ainda sobre a Rev. Americana. Quando se atrasam no currículo, estes dois temas são alguns dos primeiros a serem guilhotinados (sacou o trocadilho, hein, hein??). NG defende que aprendamos prioritariamente sobre história das Américas, o que faz sentido. Concordo com ela. Se não soubermos nossa história, quem vai? Os japoneses?

Pois não é que NG me contou que as crianças de hoje aprendem sobre Rev. Russa e nada sobre Rev. Mexicana? Fiquei chocado! Revolução no México? Que revolução? Zorro?

Depois de muito queimar fostato me lembrei de Zapata. Emiliano Zapata! É, ele está metido neste angú aí....


Zapata

É bem embaraçoso admitir que não se sabe alguma coisa. E correndo o risco do meu blog ficar parecendo site de curso de História, achei um link bem interessante sobre o assunto que coloco aí em baixo. Por sinal, há muito mais a se aprender sobre nós mesmos na Revolução Mexicana do que eu poderia supor. Vale a leitura. É claro que a história dos países, não pode ser entendida em alguns parágrafos. É preciso reflexão, contexto, relações. Não quero contribuir aqui com aquele tipo de pessoa que repete frases feitas, que eu tanto condeno, mas espero despertar o interesse pelo assunto, se não nos outros, em mim mesmo.

História por Voltaire Schilling – Revolução Mexicana

Estamos distantes da civilização

July 9, 2006

E os eventos relatados nos posts abaixo ocorrem justo quando estou no Japão.

Hoje fui ao Museu Nacional aqui em Tóquio com um amigo japonês. Lá pelas tantas ele se vira pra mim, constrangido e fala:

- Sabe Luciano, eu sinto vergonha. Vergonha da não conhecer melhor a história do meu país…

Nessas horas um brasileiro não sabe se ri ou se emociona. Rir seria da própria desgraça, e a emoção seria pela beleza do pedido intrínseco de perdão à si mesmo.
Este mesmo amigo, quando eu perguntei o que acontece quando alguém é atropelado em cima da faixa de pedestres, me olhou incrédulo e mandou:

- Ué... um acidente!!

Achei que ele não tinha entendido a pergunta e repeti, dando ênfase ao que aconteceria com o motorista. Ele nem me deu mais bola, não entendendo porque eu perguntava coisas tão óbvias e, entre risos, respondeu:

- Vai preso, claro.

É evidente que eu sei que o Japão é um país sério, mas a cara que ele me fez como quem diz “- que pergunta ridícula, o que mais poderia acontecer?” me fez sentir um matuto da civilização, praticamente um Neandertal.

Preciso respirar fundo e encarar sem ilusões o buraco que se enfiou nosso país.

Luciano Queiroz

Diretas Show

July 7, 2006

Morreu Dante de Oliveira. Autor da emenda das Diretas, Dante faleceu de infecção generalizada. Ironicamente foi da mesma forma que Tancredo morreu.

O movimento das Diretas, talvez o mais bonito que o país já teve, dá bem a dimensão do caráter das revoltas populares no Brasil. Apesar de todo o clamor das ruas, as passeatas renderam mais em termos de imagens e programas sentimentalóides para a rede Globo e outras, do que efeitos práticos para o país.

Luciano Queiroz

Cotas Preconceituosas

July 6, 2006

Este é um bom texto sobre esse projeto de cotas para negros nas universidades públicas. E também revela bastante a forma de agir do atual governo.

Ainda acredito que as cotas sejam um equívoco histórico, a despeito de todos os argumentos sinceros que minha amiga Lili teve o carinho e a paciência de me mostrar. Atacaremos moinhos de vento enquanto a pobreza, verdadeiro problema que não faz distinção de raça, continuará fazendo suas vítimas impunemente.

Luciano Queiroz

Mikhail Bakunin

June 19, 2006

O anarquista russo do século 19, Mikhail Bakunin (1814-1876):

“Assim, sob qualquer ângulo que se esteja situado para considerar esta questão, chega-se ao mesmo resultado execrável: o governo da imensa maioria das massas populares se faz por uma minoria privilegiada. Esta minoria, porém, dizem os marxistas, compor-se-á de operários. Sim, com certeza, de antigos operários, mas que, tão logo se tornem governantes ou representantes do povo, cessarão de ser operários e pôr-se-ão a observar o mundo proletário de cima do Estado; não mais representarão o povo, mas a si mesmos e suas pretensões de governá-lo.
Quem duvida disso não conhece a natureza humana.”

O Pior dos Enganos

June 15, 2006

Qual é o elemento que caracteriza uma sociedade como tal? Que característica deve estar presente à um grupo de indivíduos para que o chamemos de comunidade?

Entendo que um sistema que valha para todos deve ser a resposta e a própria natureza dos sistemas sociais. Mesmo aqueles espontâneos, em comunidades sem leis escritas, os indivíduos se reconhecem como grupo por obedecerem ao mesmo código de convivência. É assim em tribos indígenas, foi assim na Antiguidade. Esse é o princípio das civilizações, sejam elas de que credo ou cor forem. Assim também é a Democracia. O que vale pra um, tem que valer pra todos.

Olhando mais de perto, encontramos os movimentos sociais inseridos em qualquer sociedade, e são e devem ser partes de uma Democracia sólida. Estão previstos no conceito democrático e são necessários por amplificarem demandas urgentes que são consenso dentro de um determinado grupo.

Em paises não democráticos, pega-se em armas. Quem pode mais, faz valer sua vontade. (vide as FARC, ou o massacre do Congo, pra ficar só nesses). Em países democráticos, esses grupos obedecem leis comuns à todos, pois não é prevista distinção de aplicabilidade da lei de acordo com a demanda ou motivação de cada um. Atenuações talvez, mas a lei continua valendo pra todos. Daí deduz-se que a Democracia tem como uma de suas mais nobres vantagens, a proteção do indivíduo mais fraco.


Rocinha. Não é culpa da Democracia mas, ao contrário, da falta da mesma.

Posto isso, temos que decidir o que o Brasil é, ou quer ser. Uma vez que se escolha a democracia, e essa não é uma escolha obrigatória, um conjunto de princípios básicos amplamente aceito deve ser estabelecido.

Essa premissa básica, fundamento tão caro à igualdade dos seres humanos, passou por um processo de desmoralização intenso no último ano no Brasil, com a impunidade sendo defendida abertamente, sem rodeios pelo governo federal, e aceita cinicamente pela oposição. O Brasil flertou com a não democracia sem escrúpulos nos últimos meses. E pior, flertou sem um rumo alternativo à seguir.

O interessante é que nem um, nem ao menos um movimento organizado da sociedade civil veio a público condenar o que se passou. Nenhum dos movimentos em defesa de minorias, ou que defendem justiça social, se posicionou inequivocamente na defesa da igualdade de direitos e deveres. Muito pelo contrário, observamos uma compactuação com essa ameaça ao país, beirando o oportunismo, levando alguns grupos organizados a usar o mesmo expediente, seguindo o exemplo de seus líderes políticos. “A lei que não vale pra eles, tambem não vale pra nós.” Muito justo. No entanto, igualmente perigoso. Perigoso porque é o caminho pavimentado para o retrocesso.

A Democracia foi o sistema que melhor organizou os homens em sociedade inventado até hoje. Criado pelos gregos e aperfeicoado pelos americanos, ainda nao surgiu nada que lhe fosse superior. Em nome de alternativas, já se assassinaram mais de 10 milhões de pessoas só no século passado. Não tiveram sucesso. Se queremos então abolir nosso sistema através da sabotagem para que algo novo melhor surja, temos que ter a consciência de que voltaremos sem demora à um período pré-helenístico: o dos bárbaros. Exagero? Pois acredite que é exatamente a mesma forma que vivem inúmeras sociedades no mundo atual. Os massacres que tanto condenamos mundo afora são geralmente fruto dessa injusta forma de organização baseada na força. Se a Democracia vacila, o mais fraco é a primeira vítima.

Neste contexto, o movimento social brasileiro foi e é, em geral, mal sucedido. Não conseguem as suas lideranças perceber, ou percebem mas usam seus postos como trampolim ao status-quo, que está na Democracia a resposta para seus anseios. Buscam, antes disso, combatê-la como se esta fosse a causa de seu mal. E o discurso inatacável identificado com o rótulo de correto, arrasta multidões de vítimas da falta de democracia que nos atinge, para o lado errado. Propõem ao doente, mais da doença como cura. Essas vítimas são os sem estudo, sem qualificação, sem saúde, enfim, menos iguais que outros. E é essa dinâmica que faz a justiça social brasileira caminhar para o lado errado. São líderes travestidos de defensores do povo, mas são uma das principais causas do atraso de nossa evolução para uma sociedade mais igual. E como cruzam o limite da lei ao sabor de sua estratégia, se juntam e se confundem com outros grupos que habitam esse mesmo espaço. Isso explica em grande parte a profusão de criminosos que infestaram as instâncias do governo federal desde que o PT chegou ao poder.

Curiosa ainda é essa última constatação. O PT chegou ao poder, e ao poder democrático. Mas como a Democracia lhe cobra o preço da negociação, da não imposição unilateral de sua vontade, o partido nao abre mão de ser também o anti-stablishment. Numa situação surreal, o PT é oposição de si mesmo, financiado pelo dinheiro público. Enquanto uma parte da sociedade se cala com medo de ser taxada de preconceituosa e insensível, a outra segue acreditando que a cura está logo ali na frente, enquanto bebe os venenos dos curandeiros.

É a hora do aperfeiçoamento da Democracia. Precisamos de mais poder de controle sobre os políticos, leis ágeis, menos níveis de apelação, leis anti-corrupção severas, isonomia de penas, fidelidade partidária, voto distrital. Um governo que não cobre impostos como a Alemanha e que ofereça serviços como o Haiti. Precisamos investir em tecnologia, em ciência. Foi o caminho Chileno, que hoje reduziu drasticamente sua miséria. Singapura deixou o Brasil pra trás e erradicou a pobreza. A Coréia do Sul também.

Podemos optar pelo outro caminho, o tal do pré-helenistico que citei. Não estaremos sozinhos. Mas é bom começarmos a praticar tiro ao alvo….

Luciano Queiroz

Tirando a poeira

June 11, 2006

O lindo papel da Filosofia é tirar as teias de aranha dos depósitos mentais, onde colocamos nossas mais profundas verdades sem, de fato, termos nos realmente questionado à respeito delas.

Neste trecho do livro “A Rebelião das Massas”, Ortega y Gasset comenta a definição de linguagem, na qual ela é a maneira como o ser humano expressa seus pensamentos.

Veja que provocante:

“Não; o mais perigoso daquela definição é o acréscimo otimista com que costumamos escutá-la.
Porque ela mesma não nos assegura que mediante a linguagem possamos manifestar, com suficiente justeza, todos os nossos pensamentos. Não se arrisca a tanto, mas tampouco nos faz ver francamente a verdade estrita: que sendo ao homem impossível entender-se com seus semelhantes, estando condenado à radical solidão, esgota-se em esforços para chegar ao próximo. Desses esforços é a linguagem que
consegue às vezes declarar com maior aproximação algumas das coisas que acontecem dentro de nós.
Apenas. Mas, habitualmente, não usamos estas reservas. Ao contrário, quando o homem se põe a falar, isto faz porque crê que vai poder dizer tudo que pensa.
Pois bem, isso é o ilusório. A linguagem não dá para tanto. Diz, mais ou menos, uma parte do que pensamos e põe uma barreira infranqueável à transfusão do resto. Serve bastantemente para enunciados e provas matemáticas; já ao falar de física começa a ser equívoco e insuficiente. Porém quanto mais a conversação se ocupa de temas mais importantes que esses, mais humanos, mais “reais”, tanto mais aumenta sua imprecisão, sua inépcia e seu confusionismo. Dóceis ao prejuízo inveterado de que falando nos entendemos, dizemos e ouvimos com tão boa fé que acabamos muitas vezes por não nos entendermos, muito mais do que se, mudos, procurássemos adivinhar-nos.”

E deixo aqui um puxão de orelha à alguns amigos avessos à leitura. Às vezes, outros já trilharam os caminhos que tentamos percorrer, e nos deixaram boas pistas. Não seremos maiores do que eles, se ficarmos sempre tentando reinventar a roda. Portanto, mãos à obra.

Luciano Queiroz

Houdini

May 26, 2006

Enquanto procurava a foto para o post mais abaixo (da mulher segurando uma caneta) achei esta do mágico Houdini. Sua história para mim é fascinante. Desde os truques até sua morte tragicamente tola.

Mas o que mais me chama a atenção foi tentativa de Houdini de desmascarar o Espiritismo. Descobri isso num programa muito interessante do Discovery Channel. O programa era todo voltado para desvendar as origens da crença.

(Nota importante: credo não se discute. Não tenho essa pretensão. Cada um acredita no que quer. Apenas acho muito interessante as nuances da natureza humana.)

Neste site você encontra a história do mágico, do qual destaco o seguinte trecho:

Nos seus últimos anos de vida gastou parte de seu tempo desmascarando espiritualistas e mostrando como eram cometidas fraudes em espetáculos de parapsicologia e sessões espíritas. Seu interesse por destruir outros profissionais, teve início após a morte de sua mãe Cecilia Weisz. Por causa de seu passado como ilusionista, ele conhecia a maioria das técnicas utilizadas por médiuns para estabelecer contato com o mundo dos espíritos. Houdini criou uma espécie de cruzada contra os charlatães que tungavam o dinheiro de famílias inteiras que tentavam contactar seus mortos. Ele frequentemente comparecia disfarçado em sessões espíritas, para desmascarar os médiuns.
Houdini apregoava que se houvesse uma forma verdadeira de contactar os mortos, somente ele poderia conseguir tal proeza.
Houdini inclusive atacou o mito de Robert Houdin, de quem emprestou o nome com o qual alcançou a fama.

Neste outro site você encontra outros médiuns da história que foram desmascarados ou que revelaram seus segredos. Por ser um site Católico, alguém pode supor uma distorção dos fatos. Afirmo apenas que os dados são os mesmos que os usados pelo Discovery Channel.

Luciano Queiroz

A multiplicação dos blogs

May 23, 2006

De Elis Monteiro em O Globo, hoje:

“O número de blogs no ciberespaço tem crescido de forma exponencial. De acordo com a Technorati, ferramenta de buscas especializada no assunto, em apenas dois meses e 11 dias mais de dez milhões de weblogs — diários na rede — foram criados na internet, um crescimento considerado surpreendente. Na última pesquisa, divulgada em março pela Technorati, eram cerca de 30 milhões de blogs ativados no mundo. Agora, o número ultrapassou a casa dos 40 milhões.

Ainda segundo a pesquisa, intitulada “Estado da Blogosfera”, o número de blogs cresceu 60 vezes nos últimos três anos e dobra a cada seis meses. Ou seja, daqui a seis meses o ciberespaço poderá somar um total de 80 milhões de blogs ativados. Por dia, 75 mil blogs são criados, numa média de um a cada segundo. Outro dado importante: a cada hora, 50 mil posts (anotação no diário) são criados, num fenômeno poucas vezes visto na web.”

Alguém ainda duvida da força deste fenômeno?

O país que não deu certo

May 17, 2006

Para os que lêem o blog e não me conhecem, vou me expôr agora como pouco faço por aqui. Pelo menos não com os fatos, apesar de expôr minhas idéias de maneira digna de uma lobotomia.

E lhes partilho o fato de ter achado uma parceirinha pra dividir o álbum de fotografias. Ficamos estes dias todos das últimas semanas envoltos nas pequenas maravilhosas coisas que fazem da paixão este sentimento inebriante e intenso. Torcemos muito para que vire amor duradouro.

Ocupando todo meu coração em viver até a ultima gota este sentimento, bateu fundo a dor do contraste quando vi as imagens de um Brasil afundado em violência. Foi como se, quando criança, me derrubassem da jaboticabeira. Entendam, continuo apaixonado. Mas a vida se encarregou de me lembrar do que é feita.

É duro ver o Brasil, terra adorada, ser sangrado indefeso. Sim, filhos teus nós fugimos a luta. Da mãe gentil pouco restou. Gentileza dos apaixonados como eu, que não faz sentido numa realidade tão brutal quanto a que se encontra o florão da América.

Que pelo menos desta vez não fiquemos à margem do Ipiranga esperando o brado retumbante. Ele não virá. A vida não é dos que esperam pelo sol da liberdade com seus raios fúlgidos, mas daqueles que plantam e colhem, dia à dia.

É chegada a hora de lutarmos nós pela paz no futuro que cantamos desde crianças, porque ela está se esvaindo entre nossos dedos, banhando a terra que amamos com o sangue de nossos filhos, de meus filhos que ainda não nasceram.


Pense agora no seu país, na sua vida, no futuro que você sonhou pra quem você ama e clique no link abaixo. Fiz isso, e não pude evitar algumas lágrimas…

Brasil

Quick Drops - 2

May 11, 2006

Mais Quick Drops pra vocês!

Sinceridade japonesa - O Partido Liberal Democrático anunciou que esta considerando mudar de nome para algo como Partido da Democracia da Liberdade. Eles justificam dizendo que o partido não é liberal.

Sinceridade estrangeira – O Japan Times publicou que em 2004, 80% dos estrangeiros que receberam vistos no Japão consideraram a si mesmos “entertainers”...

Sortudo – Um ladrão teve o que merecia quando por um erro invadiu a sala de 30 lutadores aprendizes de Sumô. Um deles sentou no assaltante ate a polícia chegar.

Coke Wine – Latas de vinho estão sendo vendidas em máquinas localizadas em regiões cuidadosamente selecionadas.

Riding and learning – Em Guma um trem de um vagão só que estava perdendo dinheiro, decidiu liberar a passagem de professores de inglês, desde que eles se disponham a conversar durante o trajeto. O trem passou a ficar lotado e a empresa está pensando em expandir o serviço.

ECA! - Uma loja chamada Mimi Kurin em Tokyo, limpa seus ouvidos por aprox. 4 dólares. Está sendo um sucesso e já estão nos planos uma nova unidade em Yokohama.

O governo decidiu que uma maneira de incentivar os casais a terem filhos é oferecer redução de impostos. Quanto mais filhos, menos imposto. (eles deveriam experimentar tirar as televisões do ar por duas horas, duas vezes por semana…)

Tamo rico!! – Pesquisadores da Universidade de Agricultura e Tecnologia de Tokyo descobriram uma maneira de produzir gasolina a partir de cocô de vaca. Fazendeiros estão exultantes. Espera-se que o processo possa ser comercializado dentro de cinco anos.

ACME – Pesquisadores da Universidade de Ciencia e Tecnologia Marinha de Tokyo imaginam que uma boa maneira de salvar o atum da extinção pela pesca excessiva, é inserir esperma de atum em uma outra espécie de peixe, que passaria a produzir atum por ai. Os cientistas estao empenhados em manipular genes para viabilizar a façanha. Até agora eles já conseguiram fazer com que trutas arco-íris passem a brilhar inserindo os gens de águas-vivas luminescentes. Eles acreditam que já é um passo na direção certa.

Produtores de maça em Aomori, em vista dos preços cada vez menores da cotação da fruta internacionalmente, estão tentando melhorar a imagem de seu produto de forma que as pessoas pensem em suas maças como pensam em Chanel, Prada, e outras marcas internacionais. No momento uma loja de departamentos de Beijing está vendendo uma maça japonesa perfeita por algo em torno de 22 dólares.
(daqui a pouco vão começar a falsificar maça…)

Eficaz? - A Honda está produzindo airbags para motos.

Só no Japão mesmo… – Quatro moradores de Chiba tiveram negados seus pedidos para que seus nomes fossem excluidos do Registro Nacional. Eles argumentaram que nao querem ser tratados como números…

Fonte: Metropolis Magazine

May the “farm” be with you…

March 28, 2006

Estava revirando meus emails antigos e achei este link. É divertido. Se alguém ainda não viu, vale à pena. Mas é em inglês…

http://www.storewars.org/flash/index.html

Luciano Queiroz