O assunto Cuba dominou o encontro da Cúpula das Américas. Então, comento aqui…
Cuba é um pequeno país no Caribe como tantos outros que não costumam ocupar as páginas dos jornais, a não ser as de Turismo. No entanto, desde que Fidel Castro conseguiu reunir um pequeno exército e derrubou a ditadura de Fulgêncio Baptista, o país passou a receber uma atenção só explicável pelo entendimento do que um país socialista na América representava, em plena Guerra Fria.
A vitória foi comemorada pelo povo no princípio, mas, como a história não cansa de ensinar, o apego ao poder faz com que todo governo revolucionário se torne tirano. Os agentes revolucionários passaram logo a procurar os “inimigos da revolução” e, num passo lógico, encontraram no Socialismo uma teoria política para justificar o horror. A revolução cubana não foi socialista como muitos acreditam. Foi se tornando socialista tão logo a Liberdade foi considerada artigo reacionário.
E Cuba virou notícia, cumprindo seu papel de componente ativo da guerra fria. Da irrelevância, passou a modelo de socialismo das Américas, farol para grupos armados e para a esquerda retrógrada. Fidel matou seus opositores, transformou a ilha em uma prisão, e, criou uma rede de proteção social que mantém os habitantes vivos. Seus defensores afirmam que a educação é de qualidade e que pelo menos ninguém morre de fome. Educação de qualidade é piada de mau gosto, num ambiente onde não existe debate, diferenças de opinião, acesso livre a livros nem internet. Isso não é educação, é treino. Quanto à ninguém morrer de fome, bem, tenho a dizer que, para uma prisão, nenhuma surpresa. Zoológicos também conseguem este feito e lá os animais também não morrem de fome. Todos os dias esperam sua ração, como zumbis despidos de dignidade. Não desejo isso nem ao sapinho azul da amazônia, muito menos aos cubanos.
Alguns diriam que é culpa do embargo americano. Por mais que o embargo há muito tempo não impeça Cuba de negociar com qualquer outro país do mundo, e que graças a ele Cuba tenha recebido uma generosa mesada da então URSS, pode-se supor que prejudique em certa extensão. Ora, se este embargo maléfico mantém o povo na miséria, bastaria ao Regime Castrista soltar seus prisioneiros e realizar eleições. O embargo cessaria no mês seguinte. Isso se fosse vontade sincera de Fidel deixar a população decidir o seu destino. Mas porque abandonar este emprego vitalício, cheio de privilégios, e correr o risco de descobrir que a população não pensa como o resto dos militantes latino-americanos? Édem socialista no país dos outros é refresco… Ou bastava ainda deixar sair quem assim quisesse. Ficaria alguém?
Teóricos socialistas pensam que é preciso proteger o “povo” de si mesmo. Não sei se Fidel é um teórico socialista. Pode ser que seja apenas um ditador comum.
Seguem dois blogs de jovens cubanos, tentando mostrar o que é viver em Cuba. Mas já aviso que o acesso é difícil, como se poderia imaginar…
Termino colocando aqui um texto extraído do portal Desde Cuba, sobre os 50 anos da Revolução:
“Las conmemoraciones obligan al balance, al inventario de lo alcanzado, al cómputo de lo que falta. Si buscáramos una expresión que sintetice un arqueo del 50 aniversario del triunfo de la revolución cubana diríamos, si somos optimistas, una sola palabra: insatisfacción.
Los medios oficiales han puesto su énfasis en la historia, en el relato heroico del calvario transitado por los mártires, el sacrificio de todo un pueblo que resiste, las agresiones sufridas, el acoso del imperio. En segundo plano, escenas de niños que nacen, escolares de uniforme saludando la bandera, jóvenes médicos salvando vidas en los sitios más apartados del mundo.
Los críticos hacen su fiesta mostrando la cara fea de la realidad: las ciudades destruidas, las industrias obsoletas, las cárceles multiplicadas, los campos sin cultivar, la gente haciendo largas colas o colgada de un ómnibus repleto, jóvenes persiguiendo turistas, policías persiguiendo jóvenes y el mar salpicado de balsas atestadas de cubanos que escapan.
Si no somos optimistas tenemos que usar otra palabra: frustración.
¿Dónde están los extensos pastizales ocupados por las vacas más productivas del mundo? ¿Dónde, la nueva arquitectura resistente al clima; el vergel de frutas, viandas y vegetales; el eficiente y puntual transporte público, los sitios donde el obrero lleva a su familia a recrearse.
¿Dónde está el hombre nuevo, libre y pleno, dueño de su destino?
Un balance serio estaría obligado a responder con claridad la pregunta de si hay una relación favorable entre el costo y la gratificación, si ha valido la pena recorrer el largo y tortuoso camino elegido para arribar al sitio donde estamos. Cincuenta años después deberíamos estar en la posibilidad de, evocando a Camilo Cienfuegos, preguntarnos si hemos llegado ya al día en que podamos decirle a los caídos: “Hermanos, la revolución está hecha, vuestra sangre no se derramó en vano”.
La historia deja cicatrices en los pueblos, pero deja también enseñanzas. Por suerte, estos no serán los últimos cincuenta años de la existencia de Cuba como nación, por suerte no somos pesimistas y no tenemos que elegir, para expresar la síntesis de nuestro balance, la peor de las palabras: naufragio.”

Colocando tudo no mesmo saco de novo, cher ami… O Chavez é o fim do fim. é a vergonha senão a indignação mais profunda de todo esquerdista esclarecido e ponderado. Ja o Galeano é um classico da literatura politica. A noção da consciência da opressão historica que a América Latina sofreu e sofre (ah, come on, né? Negar isso é chamar a gente de estupido!) não deve ser base para discursos que nos levem a auto-vitimização e à paralisação das lutas. Muito pelo contrario. é para ser um estimulo à luta contra a opressão, venha de onde for, de que pais for, de que governo for, em que século for… Claro que o governo do Chavez não é simbolo desta luta, ainda que ele venda este slogan. Ele inclusive também utiliza meios opressivos para se manter no poder, nada mais condenavel que isso.
Comment by Mariana — April 21, 2009 @ 7:23 pm
Esse comentario era pro post abaixo… Foi mal.
Comment by Mariana — April 21, 2009 @ 11:09 pm