Prelúdio
A África do Sul segue o caminho do “político bom é aquele ignorante como a gente”, em moda na América Latina. Já descrevi esse risco há alguns dias. Quando troca-se Churchill e Lincoln pelo rei Shaka Zulu, já declara-se de que lado da civilização se está. Creio que aproxima-se do fim a existência de um país de primeiro mundo na África. Leia abaixo:
O guerreiro zulu que conduzirá a África do Sul
Zuma nunca foi à escola, é defensor da poligamia e tem 22 filhos de 6 mulheres diferentes
por Cristiano Dias
A ascensão de Jacob Zuma é uma ruptura na política sul-africana. Até então, o Congresso Nacional Africano (CNA), partido governista, pinçava seus líderes de uma elite ocidentalizada e piamente cristã. Zuma passa longe desse perfil. O senhor de 67 anos, cabeça raspada e careca cuidadosamente lustrada, nunca frequentou a escola e foi criado para ser um guerreiro zulu. Quando criança, corria descalço, caçava passarinho, nadava em rio e brincava com pedaços de pau.
Seus heróis não são Winston Churchill nem Abraham Lincoln. Recentemente, ele disse que admira o rei Shaka Zulu, cruento patriarca da nação zulu que esmagava o crânio de seus inimigos e aterrorizou os colonizadores britânicos no século 19. Como sumo representante da raça, ele defende a poligamia: os relatos mais puritanos dizem que ele tem 22 filhos de 6 mulheres diferentes – atualmente é casado com 2.
Zuma é carismático e popular, ao contrário de seu predecessor, Thabo Mbeki, um intelectual frio e orador sonolento. Enquanto Mbeki se esforçava para bancar o negro educado em universidade britânica, Zuma tem orgulho de sua origem modesta. Apesar de tropeçar às vezes no inglês, ele se tornou um líder capaz de falar aos miseráveis dos bairros pobres de Soweto e agradar a classe média branca. Carreirista do partido, Zuma é um populista de esquerda do tipo chavista.
Seu governo terá duas bases de sustentação, o Partido Comunista sul-africano e os sindicatos, as duas mãos que enxotaram Mbeki do palácio presidencial. Muitos analistas temem que Zuma siga à risca a cartilha tribal e se apoie em um conselho formado apenas por companheiros de luta.
Sindicalistas e comunistas sonham com o fim do liberalismo da era Mbeki e uma gigantesca política de inclusão social que passa pelo aumento inevitável do Estado. O economista Moeletsi Mbeki, irmão do ex-presidente, alerta para o risco que corre o país. Segundo ele, o governo é uma mãe: são 13 milhões de funcionários públicos – 30% da população. “Em um momento de crise, isso é uma bomba-relógio”, disse.

me pergunto se esses funcionarios vão perder o emprego nessa crise, como os funcionarios de inumeras mega-empresas mundo afora… liberal, tribal, populista, capitalista, esquerda, direita… nenhum governo vai passar incolume por esta crise…
Comment by Mariana — April 19, 2009 @ 9:35 pm
É verdade Mari. Cada um vai tentar sobreviver como pode. Lula já disse para Gordon Brown como vai se safar: botando a culpa nos EUA e Europa…
Comment by fermentocinico — April 20, 2009 @ 4:04 am