Sobre opiniões e princípios.

April 13, 2009

A Mariana e eu temos trocado algumas idéias ultimamente, no espaço reservado aos comentários do post “Ainda o tema do momento.”. Seu último comentário, sobre princípios e exemplos, despertou-me vários pensamentos e achei que ele merecia um post novo, só sobre o assunto.

Apesar de alguns dicionários o definirem como opinião, entendo que um princípio deva ser uma lei pessoal, uma espécie de Carta Magna de escala de valores. Alguns livros o definem: “regras fundamentais admitidas como base de uma ciência, de uma arte etc.” Outros ainda: “norma, preceito moral”. Se não for assim, não é princípio. Pode ser uma idéia, uma preferência. Mas princípio não é.

Assim definido, uma opinião, uma tese, só se torna princípio quando testada pela realidade, ou formulada a partir dela. Afinal, é para a própria vida a que são destinados tais preceitos, caso contrário tornando-se estéril exercício de intelectualidade. Não existe moral teórica. Se em determinada situação específica, única em suas particularidades – que redundância! os específicos são sempre únicos – não somos capazes de agir de acordo com nossos princípios, temos então uma prova que nosso pensar precisa de uma nova constituição. E é maravilhoso que seja assim, em um processo de lapidação contínua, próprio de quem é capaz de ir construindo sua personalidade.

Alguém diria: – ah Luciano, mas um princípio é apenas um ponto de partida teórico, que deve ser adaptado para cada caso. Sim, é verdade. Só que, no momento seguinte o ponto de partida já será outro, uma vez acumulada a mais nova experiência. Não deixou de existir uma mudança de conceitos e um reconhecimento de que o ponto de partida não era adequado.

No meu caso particular, ser contra ou a favor do aborto não é um princípio, é apenas uma opinião. No entanto penso que toda a vida vale a pena. Isto é para mim um valor fundante de minha intelectualidade, um verdadeiro princípio! Nem sempre foi assim, é só é assim porque, em todos os casos particulares que encontrei pelo caminho, ele aplicou-se inteiramente.

1 Comment »

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  1. Exatamente! O seu texto é uma opinião baseada num principio “toda vida vale a pena”. E mais, num outro principio que abriu um dos teus textos sobre o tema, que a vida começa assim que a fecundação acontece. é justamente ae que discordamos. No principio (em seu duplo sentido). Não sei se toda a vida vale a pena (essa expressão pressupõe que deve valer a pena para a pessoa dona da vida – então não sei não, acho que muita gente REALMENTE preferiria não ter nascido, pelo menos não neste mundo – e além disso não concordo com esse principio de que a vida nasce na fecundação. Acredito que a vida nasce quando a gestante opta pela gestação e diz: “sim, este bebê vai nascer, vou nutri-lo e protegê-lo até ele vir ao mundo”. Penso assim, pois até então, a gestante pode realmente rever a situação e parar a geração da nova vida, com ou sem a permissão da lei. A vida começa quando se estabelece que ela existe, e vai continuar existindo… Num mundo perfeito, em que estupros e abusos não existem, o planejamento familiar é excelente, as condições e processos para a adoção são inquestionaveis e infaliveis, e todos os seres humanos nascidos tem as mesmas oportunidades e acesso às mesmas riquezas, o aborto seria desnecessario (isso sem considerar toda a questão do corpo da mulher). Mas infelizmente não vivemos neste mundo. E além de toda a culpa de abandonar uma criança e de toda a natural violência de uma gestação não desejada, existe essa duvida permanente sobre o que o mundo em que vivemos vai reservar à criança abandonada por aqueles que o geraram. alguns tem sorte, muitos outros não. sera que eles pensam que viver vale a pena, não importa em que condições? Ninguém confrontado com esta questão vai simplesmente parar e pensar: ta certo, vou me matar agora porque viver assim não vale à pena! Mas talvez pense um milhão de vezes se o principio é valido e se realmente vale a pena colocar alguém nesse mundo…
    Sem duvida, discordamos em nossos principios!

    Comment by Mariana — April 14, 2009 @ 9:36 am

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