Magda

March 27, 2009

Lula andou dizendo que a crise foi culpa de gente loira e de olhos azuis, e que não conhece nenhum banqueiro negro. Se falasse isso na minha casa, não voltaria mais. Uma pessoa que se presta a esse papel bocó, de aposta nos sentimentos mais mesquinhos, não vale o chão que pisa. Deixo ele com o comentário, mais contido, do Sardenberg:

“Só para informar o presidente Lula, que disse não conhecer nenhum banqueiro negro.

No auge do sistema financeiro americano, um dos nomes mais influentes era Stanley O`Neal, presidente do Merryll Linch, negro. Perdeu o emprego quando o banco de investimento, em crise, foi vendido, no final do ano passado.

E hoje, o presidente do Citi é Vikram Pandit, indiano, que não é negro, mas está muito lone de ser branco.”

Fora MST!

March 13, 2009

Li o texto abaixo e gostei. Não tenho pudores em falar do MST por medo de incluir num mesmo pote coisas ruins e coisas boas, porque já passou o momento desta história mudar: o que dá certo no campo brasileiro continuará a dar certo sem MST. Inclusive acho que se fará mais justiça social se estancarmos o vazamento grotesco de verbas para proselitismo ideológico vagabundo. É grana pra ajudar muita cooperativa que precisa se modernizar e gerar lucro, melhorando a vida de seus cooperados.

Autor(es): João Mellão Neto
O Estado de S. Paulo – 13/03/2009

Nos meados da década de 80, quando o MST ainda se esboçava, ocorreu uma invasão. Uma entre centenas, dirão. Pois é, mas essa eu tive a oportunidade de acompanhar. Estava iniciando como jornalista e buscava conhecer em detalhes todos os temas palpitantes da época. Reforma agrária era um deles.

Como se dizia, o esbulho aconteceu. E logo depois a área foi desapropriada. Passaram-se alguns meses e aqueles quase 3 mil hectares foram entregues aos tais trabalhadores sem-terra. Um político de esquerda da região não perdeu a oportunidade. Com um grande alicate, compareceu ao local e, perante uma plateia atenta, solenemente cortou a cerca de arame farpado da fazenda. “Neste momento”, declarou, “entrego estas terras ao povo brasileiro”.

O “povo brasileiro” não se interessou em tomar posse de imediato. Para tanto era necessário que alguém fosse lá demarcar os lotes e sortear quem seriam os proprietários de cada um. Esse processo demandou uns 20 meses, mas ninguém se esquentou. Sem a menor cerimônia, os briosos manifestantes montaram acampamento à beira da cidadezinha mais próxima e, a partir de então, munidos de cupons para alimentação, fornecidos pelo governo federal, tornaram-se consumidores urbanos.

Quando os lotes ficaram prontos, ocorreu um fato que em nada contribuía para o sucesso da causa agrária. Os felizes contemplados não se mostraram dispostos a trocar a doce vida urbana que tinham pelas agruras da condição de novos proprietários rurais. Pudera, os lotes não tinham água nem luz. Os cupons para alimentação deixariam de ser fornecidos tão logo se configurasse a posse. Ninguém ali estava a fim de se tornar herói.

Com muito custo o assentamento se configurou. Após a posse, voltaram todos para a cidade e passaram a reivindicar, novamente, o fornecimento de água, luz e comida.

Dez anos depois, a situação era a seguinte: quatro ou cinco famílias se aventuraram a mudar para seus lotes e lá viviam em condições precárias. Mais de 20 trataram de vender os seus direitos de posse e seus lotes passaram por inúmeros donos. Especulação imobiliária da pior espécie, algo absolutamente condenável pelos ideólogos esquerdistas que chefiavam o movimento.

A maioria agiu de forma ainda pior. Como havia uma usina de álcool nas redondezas, trataram todos de arrendar seus lotes a ela e continuaram a viver na cidade. Tornaram-se, com isso, burgueses rentistas. E isso era deplorável e intolerável.

No Brasil inteiro situações como essa se repetiram e nada foi mostrado à opinião pública. Os padres e organizadores dos movimentos eram todos socialistas, mas os invasores, curiosamente, não. Entregavam-se a práticas capitalistas as mais comezinhas e mesquinhas tão logo lhes surgisse uma oportunidade.

Paciência. Estava patente, para os ideólogos, que o povo brasileiro, em geral, era tacanho. Não tinha a largueza de visão e o desprendimento necessários para a condução de uma revolução vitoriosa. Essa tarefa, então, como sempre, teria de ficar por conta das vanguardas – as camadas mais instruídas e esclarecidas dos movimentos. E essas, na época, eram compostas pelos padres e intelectuais.

Foi dessa forma, ideologicamente cambaleante, que nasceram os movimentos agrários. Agora eles são muito mais organizados, lograram se estabelecer. E o dinheiro para tanto? Ora, obviamente vem do Estado. E este, assim, segundo as tais vanguardas, cumpre uma de suas funções mais básicas e edificantes: está subsidiando a reforma agrária. E não pode existir uma destinação de verbas mais nobre e meritória.

Os contribuintes não concordam. Foi-se o tempo em que a opinião pública se embevecia com a causa fundiária. Hoje em dia todos acompanham, contrariados, o noticiário que reporta o desperdício de recursos em tudo o que diz respeito ao tema.

Até mesmo a razão de ser dos movimentos sociais do campo deixou de existir. A causa original, todos se recordam, era o combate aos latifúndios improdutivos. Pois bem, esses não existem mais. Quem tinha terra, e não produzia, tratou de vendê-la para quem o fazia.

Adotou-se então a tese de que a função dos movimentos era a de combater as grandes plantações feitas com sementes geneticamente modificadas. Não colou. Ninguém se comoveu com a causa.

O inimigo, agora, é o agronegócio. Havia pudores no passado quanto a se atacar propriedades reconhecidamente produtivas. Agora não há mais. Não se discute mais a questão da produtividade da terra, mas sim a que essa produtividade serve.

Segundo esta ótica obtusa, 100 hectares de terra nas mãos de um microproprietário rural – mesmo que esse alcance patamares medíocres de produção – cumprem melhor a sua função social do que o mesmo quinhão de terra pertencendo a uma grande usina de açúcar ou a uma fábrica de papel e celulose.

Essa nova razão de ser dos movimentos “sem-terra” seria digna de debate não fosse ela a quinta ou a sexta evocada pelos seus líderes para justificarem a sua existência. Eles se dispõem até mesmo a contrariar os mais óbvios interesses nacionais, ajudando o novo governo populista do Paraguai a expulsar os fazendeiros brasileiros de lá.

Os padres e intelectuais socialistas que no passado recente ainda podiam dizer-se idealistas, tornaram-se todos velhacos e parasitas. Apelam, agora, para qualquer nova bandeira que mantenha os movimentos que dirigem existindo. Para, assim, continuar recebendo preciosas verbas do governo.

Moral da história: sem-terra, que nada! Não passam de uns sem-vergonha que vivem à nossa custa e desperdiçam o nosso dinheiro. Não precisamos mais dessa gente. Tchau! Fora! Abaixo o MST!

Que não fiquem por aí por falta de despedida. Adeus!

Os Sertões

Ando lendo "Os Sertões", de Euclides da Cunha. E ando embalado pela beleza, pelo ritmo, pelo encadeamento encantador das palavras, que me fazem viajar no que há de belo no ser humano. Somos isso, humanos, pois também somos capazes de capturar a poesia do mundo, mesmo em realidades duras e ressequidas. Um amostra, pra quem não leu, do trecho onde ele compara o gaúcho com o vaqueiro do norte:

"O vaqueiro do norte é sua antítese. Na postura, no gesto, na palavra, na índole e nos hábitos não há equipará-los. O primeiro, filho dos plainos sem fins, afeito às correrias fáceis nos pampas e adaptado a uma natureza carinhosa que o encanta, tem, certo, feição mais cavalheirosa e atraente. A luta pela vida não lhe assume o caráter selvagem da dos sertões do norte. Não conhece os horrores da seca e os combates cruentos com a terra árida e exsicada. Não o entristecem as cenas periódicas da devastação e da miséria, o quadro assombrador da absoluta pobreza do solo calcinado, exaurido pela adustão dos sóis bravios do equador. Não tem, no meio das horas tranqüilas da felicidade, a preocupação do futuro, que é sempre uma ameaça, tornando aquela instável e fugitiva. Desperta para a vida amando a natureza deslumbrante que o aviventa; e passa pela vida, aventureiro, jovial, disserto, valente e fanfarrão, despreocupado, tendo o trabalho como uma diversão que lhe permite as disparadas, domando distâncias, nas pastagens planas, tendo aos ombros, palpitando aos ventos, o pala inseparável, como uma flâmula festivamente desdobrada.”
Os Sertões, Euclides da Cunha

 

 

Ainda o tema do momento.

March 11, 2009

Queria deixar algo claro: o que defendo é que se entenda o que é o aborto. As pessoas só são livres para decidir, como querem as feministas, se conhecem todas as implicações de seus atos. O que gostaria é que os indivíduos, quando se deparassem com essas situações em suas vidas, pudessem entender a extensão de cada possibilidade em seu futuro.

Ninguém sabe como vai reagir ao se deparar com estas circunstâncias. Por isso rezamos para que em todas as situações possamos tomar as melhores atitudes. O que não muda, no entanto, são os instrumentos morais que construímos durante a vida e que vão ajudar nestes momentos. E aqui falo de moral, não de religião. A postura a favor ou contra o aborto é antes de mais nada uma postura moral e reduzi-la a um dilema religioso é uma simplificação inaceitável. Significaria dizer que todos os não-religiosos não possuem posições quanto ao assassinato, ou quanto o roubo, ou outros assuntos aos quais a moral religiosa também se manifesta. Portanto, ser contra ou a favor do aborto PODE ser uma postura religiosa, mas é antes de mais nada resultado da postura moral de cada um.

A minha moral, que no meu caso é também resultado de algumas escolhas religiosas, está preparada para aceitar o aborto como um procedimento normal. MAS, para tanto, alguém deve me provar em qual momento o feto deixa de ser feto e passa a ser criança. Como até agora ninguém foi capaz desta proeza, de me explicar que “até tantos meses é feto e de um dia pro outro vira criança”, eu continuo pensando que abortar é matar uma criança.

E a liberdade de escolha? Ora, todo mundo é livre pra fazer o que quiser na vida. Desde que disposto a enfrentar as consequencias de seus atos. Quem defende esta liberdade deve estar preparado para explicar as consequencias dos atos praticados. E no caso do aborto elas são muitas. Os grupos de defesa da “Liberdade de Escolha” da mulher, me parecem mais grupos que querem um mundo onde possamos eliminar os indesejáveis sem enfrentar as consequencias deste ato. Como se isto fosse possível fora da esfera legal. E que mundo terrível seria esse onde estas consequencias não existissem, não é mesmo?

O Estado teria muitas opções para acolher a mulher, sem o dilema tão falsamente expresso pelo nosso presidente (como Cristão sou contra mas como Presidente sou a favor). O Estado poderia assumir a guarda das crianças nascidas de estupros e, num programa de proteção de identidade, conseguir novos lares para estes inocentes. Me parece viável, não?

Se o assassinato for uma questão de escolha, onde é a próxima fronteira? Vamos em breve lutar pelo direito de abortar crianças que não atendam ao nosso padrão de beleza? Ou que, por não terem sido planejadas, atrapalhem um mestrado, ou uma viagem?

A vida humana vale tão pouco assim?

Alhos com bugalhos

March 10, 2009

Do blog Cartas de Estocolmo.

“Volta e meia, ouço ou leio comentários críticos à Igreja Católica, principalmente no que se refere às suas posições frente à sexualidade humana e ao direito à vida.

Tenho dificuldades sérias em entender por que razão não seguidores da religião católica se preocupam tanto com o que a Igreja Católica tem a dizer. Afinal, só aqueles que “sofrem” tentando seguir a Igreja Católica deveriam gastar seu tempo e energia criticando-a.

Se a Igreja é totalmente contrária ao aborto e você não é católico, qual o problema, então?

Ou se a Igreja é contrária ao uso de camisinha, como proteção contra a Aids, e você não concorda, como querer obrigar a Igreja a autorizar o uso de anticonceptivos? Deixe-a para lá e use o seu método preferido!

Que a Igreja faça lobby junto ao governo, no Judiciário e no Parlamento? Mas quem não faz? Por que à Igreja deveria ser vedado o direito de lutar, palmo a palmo, por suas crenças?

Aqui na Suécia, alguns políticos cristãos ainda tentam influenciar decisões, como a permissão para abortar até as 22 semanas de gravidez, ou para o casamento civil de pessoas do mesmo sexo. Só que não conseguem. O grau de secularização da sociedade é tão alto, que a influência da Igreja Católica não se sente, pelo menos não pelos não católicos. E, aqui, as demais igrejas cristãs costumam adotar posições menos conservadoras ou mais pragmáticas.

Ainda assim, surpreendem-me a energia e a força com que se debatem e se criticam as posições adotadas pela hierarquia da Igreja, ou pelo Papa.

Eu só posso entender as críticas, quando ocorrem fatos como os recentes acontecimentos em Recife. Se for mesmo verdade que o bispo tentou, junto ao hospital, impedir o aborto terapêutico, na menina vítima de violência, fica difícil, principalmente para quem não é católico, não criticar o religioso.

Mas eu duvido de algo assim acontecendo aqui na Suécia. Porque, acima da Igreja Católica e de todas as suas regras, há o respeito pelo ser humano, por sua integridade, sua individualidade, seu livre arbítrio.

Não se concebe, aqui na Suécia, um bispo telefonar para um hospital e solicitar a interrupção de um procedimento, em nome do Direito Canônico. Ninguém lhe daria ouvidos, sequer! Os direitos do cidadão, em um Estado laico, estão acima de qualquer religião.

Caberia, sim, um artigo de jornal para debate, criticando a legislação que autoriza o aborto, ou, mesmo, os hospitais que realizam interrupções de gravidez. Ou sermões recomendando aos fiéis não fazerem nem autorizarem abortos.

Mas as pessoas, todas elas, católicas, budistas, protestantes, hinduistas, atéias ou não, têm o direito de escolher o caminho a seguir em suas vidas.

Todos nós, cristãos, somos pecadores e sabemos disso. É isso o que nos ensina nossa religião. Nosso caminho na Terra é o de buscar não pecar e arrepender-nos e pedir perdão a Deus quando, sucumbindo à nossa fraqueza, não conseguimos nos livrar da tentação.

Mas, nenhuma religião, no sentido de busca da conexão com Deus, pode ser professada sob autoritarismo e sem liberdade. Seguir, ou não, os designios da Igreja Católica deve ser uma escolha pessoal de cada um, uma convicção profunda; do contrário a religião praticada não vale.

Não vale misturar alhos com bugalhos, Direito Canônico com Direito Civil, os Dez Mandamentos com ditames sobre moral e ética.

Que cada um possa deixar a Igreja e a religião ocupar, em sua vida, o espaço que acredita a ela caber. Ou nenhum espaço. Não cabe a nenhum de nós julgar os demais.

Essa é uma das coisas de que mais gosto, aqui na Suécia. “

Sandra Paulsen, casada, mãe de dois filhos, é baiana de Itabuna. Fez mestrado em Economia na UnB. Morou em Santiago do Chile nos anos 90. Vive há quase uma década em Estocolmo, onde concluiu doutorado em Economia Ambiental.

Ainda a UNE?

March 9, 2009

Aos que ainda achavam que a UNE valia alguma coisa, é extremamente educativo notar que não se ouviu um pio da instituição sobre o reaparecimento de Collor, alçado a Presidente de Comissão pela base parlamentar do Governo Lula. Para não jogar sua história mais uma vez na lata do lixo, era obrigação a manifestação pública de repúdio ao balcão de negócios rasteiros que propiciaram o retorno do ex-Presidente. Afinal, não foi a UNE que liderou o clamor popular pelo Impeachment?

O que mudou desde então? Collor ou a UNE?

A UNE hoje é um grupelho insignificante, comprado pelo Governo.

Quando defender a vida é mais doloroso…

Escrever sobre temas muito complexos e para uma platéia genérica exige habilidade. É preciso evitar que frases mal colocadas levem a conclusões prematuras e a uma condenação do pensamento antes mesmo de concluído. Afinal não é isso que as pessoas procuram: dividir tudo entre o bem e o mal? Se você se dispõe a argumentar que o universo não é tão maniqueísta assim, tem que ser hábil para não ser de pronto catalogado como mais um do lado negro.

Pois mesmo ciente que corro esse risco, hoje decidi tirar a poeira do teclado e escrever. E o assunto que me motiva é desses que insufla as torcidas. Aliás torcidas não, torcida – quando a Igreja Católica proclama sua doutrina, só se ouve um coro uníssono que cobra da Instituição a acomodação com os novos valores de nosso tempo. Quando o Arcebispo de Olinda e Recife comunicou, que no caso da menina de 9 anos estuprada, os envolvidos no aborto estavam excomungados, levantou-se o furor dos que entendem que a Igreja deve calar-se ou abandonar seus valores e modernizar-se.

Nessas horas, certo jornalismo apressado mais atrapalha do que ajuda. O Bispo não excomunhou ninguém, já que a excomunhão nesses casos é automática. Outra bobagem é gritar que a Igreja acha o aborto mais grave do que o estupro sem entender que a “escala de pecados” sim já foi abolida há muito tempo e que a avaliação da gravidade de um pecado é tarefa para os confessionários, onde duas almas se encontram com Deus e conversam.

É claro que o assunto é delicado e talvez o Bispo devesse ter medido mais as palavras, ou mesmo ter silenciado, como poderia. Teria sido provavelmente mais sensível para poupar a menina, inclusive. Mas a razão da histeria é uma só, não mais do que uma: nossa sociedade acha que uma vida de alguns meses vale menos do que uma vida que tem anos de duração. Matar dois de 4 meses para salvar uma de nove anos é uma opção que nem gera um momento de dúvida na maioria das pessoas. Fico chocado ao ver que pessoas defendem o aborto, mesmo em casos legais, sem um segundo de dúvida. Pois a Igreja não tem como negar sua doutrina onde todo o ser humano tem igual valor. E isso é base do Cristianismo. É a essência mesma da mensagem do Cristo. Nessa ótica a manchete seria: Igreja acha assassinato mais grave do que estupro. Como já disse, não existe tabela mas já fica mais aceitável, não? Pois se existem pessoas que não entendem o aborto como assassinato, a Igreja não pode parar de fazer sua defesa da vida para se adaptar aos novos tempos. Quando Jesus veio, o aborto era uma prática comum e mesmo o assassinato de meninas jovens. Um dos motivos do sucesso do Cristianismo entre as mulheres da época foi justamente essa defesa de quem era indefeso, foi a mensagem de que toda a vida vale.

Dito isto, entendamos que a Igreja fala para seus fiéis. Ela aponta a direção. Podemos dizer aos católicos que sejam menos católicos, ou aos muçulmanos, ou aos judeus, cada um na sua fé? Claro que não. Se a Igreja condena o divórcio, seremos menos amados se nos divorciarmos? Pra quem entendeu algo do que Cristo fez a resposta é clara. E a Igreja lembra a quem acredita que existe uma direção para caminhar. Existe um norte. Existe um modelo. O modelo se fez homem. Não ser perfeito é algo inerente ao homem e, logo, ao cristão. Tentar ser melhor é que devemos. Jesus ressuscitou Lázaro porque ele era bom? Não. O fez porque gostava dele… Todos somos pecadores, mas Jesus nos amou assim. Todos os pecados podem ser perdoados, até mesmo o aborto, até mesmo o estupro.

Aborto é assassinato e talvez essa chaga vá agravar ainda mais o sofrimento desta menina. Talvez ela estivesse correndo risco, mas suspeito que os fetos foram moeda barata, tratados como procedimento médico e não como pessoas. Passadas as manchetes, os dilemas permanecerão, mas ninguém vai mais estar lá para entender. Talvez só a Igreja…