Podemos extraditar Tarso Genro? Please?

January 28, 2009

Battisti: sua folha-corrida antes do terror. Os novos capítulos

–1. A folha de antecedentes criminais de Cesare Battisti, antes de aderir ao grupo terrorista Proletários Armados para o Comunismo (PAC), é objeto de destaque na mídia européia, em especial na italiana.
Battisti estava preso quando, em 1977, aproximou-se do encarcerado Arrigo Cavallina, um terrorista. Então, interessou-se em fazer parte do grupo terrorista e se tornou, com Piero Mutti, um operário da mesma idade de Battisti, o executor e o mandante de crimes de homicídio.
Antes de ingressar no PAC, Cesare Battisti ostentava uma folha corrida criminal a corar Fred Vargas, Bernard-Henry Lévy, Daniel Pennac e demais intelectuais do Partido Verde da França, da chamada “gauche-caviar” (esquerda do caviar), que lhe dão apoio, afirmam a sua inocência e protestam contra a extradição.
Os mesmos intelectuais que forçaram o então presidente Mitterand a dar abrigo, por meio de uma doutrina não escrita, a terroristas que, apesar de delitos de sangue, se comprometessem a abdicar da luta armada.
Miterrand, sob vários aspectos um homem de direita como Lula (confira-se o relacionamento com os banqueiros e a entrega a Meirelles do Banco Central, por exemplo), tinha um calcanhar de Aquiles e precisava de apoio da chamada “esquerda dos salões, do caviar e da champagne”.
O calcanhar de Aquiles devia-se ao fato de Miterrand ter trabalhado em agência a serviço do governo de Vichy, colaboracionista do nazismo e de perseguição aos judeus, sob o comando do marechal Phillipe Pettain. Pelo governo de Vichy, uma das vergonhas da França, Mitterand foi condecorado. Fora isso, manteve relações de amizade com René Bousquet e Paul Touvier, famosos caçadores de hebreus.
Com efeito. Cesare Battisti, nascido em 1954, começou a sua carreira criminal em 13 de março de 1972 ao consumar um crime de furto qualificado, na cidade italiana de Frascati, próxima de Roma.
Depois de do furto qualificado, em 19 de junho de 1974, foi processado por crime de lesões corporais dolosas.
No verão de 1974 resolveu praticar roubo e seqüestro em local turístico. Assim, em 2 de agosto do mesmo ano de 1974, na balneária cidade de Sabaudia (Latina), realizou um roubo qualificado e seqüestrou uma pessoa.
Para fins sexuais, Battisti, em 25 de agosto de 1974, seqüestrou pessoa incapaz e com violência obrigou-a à prática de atos libidinosos.
Preso em flagrante delito por crime de furto em 16 de abril de 1977, Battisti resolveu virar terrorista.
Battisti acabou preso na célula-sede do PAC, com armas e explosivos, daí mentir que já estava desassociado do grupo terrorista quando ocorreram os quatro homicídios pelos quais, como executor e mandante, acabou definitivamente condenado, nas três instâncias, sendo a última a Corte de Cassação, equivalente ao STF italiano.
Piero Mutti cumpriu 8 anos de prisão. Isto por ter, como colaborador de Justiça, mostrado como atuava o PAC e os crimes cometidos. Vale lembrar que, na Itália, aquele que, candidato a colaborador, é pego em mentira não é aceito.
Mutti apontou todos os membros do PAC e Battisti como seu companheiro de ações violentas. Mais, Battisti pertencia à cúpula do PAC que deliberava sobre os assassinatos, roubos e tiros nas pernas de autoridades, como vingança.
A delação de Mutti impressionou quando ele assumiu a co-autoria de dois homicídios dos quais não era acusado em processos.
Além de Mutti, testemunharam contra Battisti sua namorada e companheira de luta armada Maria Cecília. Ela, já com pena cumprida, é professora universitária. Cecília contou, em juízo, ter Battisti, depois de pessoalmente matar Santoro, comentado com ela a sensação de tirar a vida de uma pessoa. Aliás, com animação e nenhum remorso.
Parêntese: Santoro era carcereiro e Battisti e Mutti resolveram matá-lo porque certa vez, no presídio e quando jogavam futebol, Cavallina caiu e quebrou o braço. O carcereiro Santoro demorou para chamar a ambulância: Santoro deixou mulher e três filhos menores quando assassinado.
A família Fantone, composta pelo terrorista Sante, a mulher Ana e a sobrinha Rita, testemunharam contra Battisti. Ana chegou a procurar o marido Sante em Paris, onde esava fugido. Battisti a ameaçou de morte, caso voltasse.
Cavallina, que no cárcere fez o primeiro contato com Battisti e que também foi delatado por Mutti, disse que o mesmo, a respeito dos crimes a que foi condenado como membro do PAC, contou toda a verdade. Cavallina já está em liberdade, como Mutti que cumpiu 8 anos de prisão. Ao contrário do que sustentam os lobistas de Battisti, ele não está desaparecido e com outra identidade. Depois de cumprir 8 anos de pena voltou para sua antiga casa e trabalha como operário. Na semana passada, deu entrevista à imprensa e confirmou as acusações contra ele próprio e Battisti.
Tudo se encontra nos autos, que Tarso Genro afirmou ter lido e, ontem no blog do jornalista Josias de Souza, sustentou que tais provas só serviam para condenar àquela época. Segundo Genro, nenhum juiz, hoje, condenaria Battisti, com tais provas.
Parêntese: Tarso Genro não me consultou a respeito de condenação de Battisti. Talvez por já estar aposentado ele apenas consultou todos os magistrados da ativa, para essa canhestra afirmação.
De se destacar, mais uma vez, que não cabe a Genro entrar no mérito do acerto ou erro das condenações pela Justiça italiana. Ainda, é ridícula sua afirmação, pois existia prova suficiente e induvidosa sobre a participação, ativa ou como mandante, de Battisti nos quatro homicídios.
–2. Os advogados de Cesare Battisti, –que antes de entrar para o grupo Proletários Armados para o Comunismo (PAC), era ladrão, abusou sexualmente de pessoa incapaz e seqüestrou uma pessoa–, defendem a tese da extinção imediata do processo de extradição, sem exame do merecimento do pedido do Estado italiano.
Pela tese jurídica apresentada pelos supracitados advogados, a concessão de status de refugiado político outorgada pelo ministro Tarso Genro impediria o exame, pelo Supremo Tribunal Federal, do merecimento (mérito) do pedido de extradição formulado pelo Estado italiano.
O procurador geral da República, Antonio Fernando Souza, que é o chefe do ministério público federal e atua junto ao STF, teve, ontem, o mesmo entendimento dos advogados de Battisti.
Em outras palavras, sobre o pedido de extradição formulado pelo Estado italiano, o procurador geral é favorável. Ou seja, entende ser caso de concessão de extradição. Mas, diante do fato novo representado pela concessão administrativa de refúgio a Battisti, entendeu o procurador geral da República, no seu parecer, não poder o STF apreciar o mérito do pedido de extradição. Até porque Battisti, com a decisão de Genro, recebeu um status que lhe protege contra toda e qualquer tentativa de retirá-lo do Brasil.
O parecer do procurador-geral da República é técnico-jurídico. Ele apreciou os efeitos da decisão concessiva de refúgio de Tarso Genro.
Com o parecer, duas questões legais aparecem.
Primeira, o exame da extinção do processo de extradição, sem exame do mérito, poderá ser feita pelo ministro que atende ao plantão Judiciário, nesta época de recesso ?
Se o ministro de plantão julgar extinto o processo, terá, necessariamente, de colocar Battisti em liberdade, expedindo alvará de soltura.
Na hipótese de encaminhar a decisão para o plenário (11 ministros), só em fevereiro, pós recesso de férias do STF, haverá solução. Cautelarmente, Battisti poderá ser colocado em prisão domiciliar. Na França, quando colocado em prisão domiciliar com obrigação de semanalmente comparecer à Justiça, Battisti fugiu, pois já imaginava que a extradição seria concedida pela Justiça francesa.
Como a nossa Constituição da República estabelece que nenhuma questão pode ser excluída da apreciação do Judiciário, há, no caso Battisti, uma controvérsia a ser solucionada. Ou seja, um conflito entre o pedido do Estado italiano (extradição) e uma posterior decisão administrativa do ministro da Justiça. Assim, penso que o STF poderá apreciar a legalidade e o mérito da decisão de Genro: risco de perda de vida por parte de Battisti em face de o Estado italiano não ter condições de lhe dar segurança, caso extraditado.
Deixo destacado que as duas soluções são defensáveis juridicamente, embora prefira a segunda, pela absoluta falta de suporte fático-real na decisão do ministro. Aliás, ele esqueceu que a lei que citou para fundamentar a sua absurda decisão estabelece, expressamente, a proibição de concessão refúgio político a terrorista.
O correto será o ministro de plantão encaminhar ao Plenário a decisão. Mas, desde que o ministro Gilmar Mendes soltou, por habeas-corpus que não era da competência do STF o banqueiro Daniel Dantas, não há segurança quanto a ausência de futuros atropelos. Tudo a transformar o STF, que é colegiado, em órgão monocrático, pela atuação do plantonista de turno.
Vale lembrar, também, que, depois de um juiz federal, do Tribunal Regional Federal e do Superior Tribunal de Justiça, terem negado habeas-corpus a Salvatore Cacciola, o ministro-plantonista, Marco Aurélio de Mello, por liminar, deu-lhe ordem de soltura. Dispensável dizer que Cacciola fugiu, como até a torcida do Flamengo imaginava, menos o ministro Marco Aurélio.
–3. A folha de antecedentes de Cesare Battisti foi estampada na mídia italiana.
–4. PANO RÁPIDO. Battisti luta contra o tempo. A indignação aumenta. Os factóides criados pelo ministro Tarso Genro são destruídos diariamente.
Apostar na patriotada, — da decisão soberana–, representa típico arroubo autoritário, de quem não percebe a importância da cooperação internacional e despreza valores humanitários.
A dor dos familiares das vítimas de Battisti não contam para Tarso Genro e, Lula, que não leu o processo e só conhece os fatos por embargos auriculares, só perde prestígio, infelizmente.
–Wálter Fanganiello Maierovitch–

Dois pensamentos, de graça

January 23, 2009

O pessimista se queixa do vento; o otimista espera que ele mude; o realista ajusta as velas.

William George Ward

É melhor acender uma vela do que amaldiçoar a escuridão.

Confúcio

Govermentium

January 22, 2009

Recebi por email, sem créditos…

Heaviest element known to science just discovered

A major research institution (MRI) has recently announced the discovery of the heaviest chemical element yet known to science. The new element has been tentatively named Governmentium. Govermentium (Gv) has one neutron, 25 assistant neutrons, 88 deputy neutrons, and 198 assistant deputy neutrons, giving it an atomic mass of 312. These 312 particles are held together by forces called morons, which are surrounded by vast quantities oflepton-like particles called peons.

Since Governmentium has no electrons, it is inert; however, it can be detected, because it impedes every reaction with which it comes into contact. A minute amount of Governmentium can cause a reaction that would normally take less than a second to take from four days to four years to complete.

Governmentium has a normal half-life of 2-6 years; It does not decay, but instead undergoes a reorganization in which a portion of the assistant neutrons and deputy neutrons exchange places. In fact, Governmentium’s mass will actually increase over time, since each reorganization will cause more morons to become neutrons, forming isodopes.

This characteristic of moron promotion leads some scientists to believe that Governmentium is formed whenever morons reach a critical concentration. This hypothetical quantity is referred to as critical morass. When catalyzed with money, Governmentium becomes Administratium, an element that radiates just as much energy as Governmentium since it has half as many peons but twice as many morons.

Na minha.

Quanto a Obama, prefiro ser discreto. Se, daqui há alguns anos, seu Governo for excelente, estarei eu comemorando na praça. Outros, no entanto, estarão tímidos, presos pelo tamanho de suas expectativas.

Se for ruim estarei na frente, pois já comecei desde agora a tentar entender o porque.

PS.: Mas nada que deva impedir a emoção de assistir a um momento que só se repetiu 44 vezes na história.

Políticos italianos iniciam greve de fome pela extradição de Battisti

January 20, 2009

Da Ansa, em Roma

Quatro expoentes da organização política conservadora MPI (Movimento pela Itália) iniciaram nesta terça-feira uma greve de fome para protestar contra a concessão de refúgio político por parte do Brasil ao ex-ativista italiano Cesare Battisti.
Segundo a direção do MPI em Roma, os políticos Fabio Sabbatani Schiuma, Paola Marraro, Massimo Larcinese e Michele Lunetta protestam pela extradição de Battisti, condenado em 1993 pela Justiça italiana à prisão perpétua.
O Movimento pela Itália também anunciou uma manifestação na próxima quinta-feira, às 14h, em frente à embaixada brasileira em Roma, “onde simbolicamente serão recordados quatro homicídios cometidos pelo terrorista vermelho”.

Tarso Genro que se vire pra explicar porque concedeu asilo a um assassino. Quem pariu Mateus que o embale. Mais uma piada de mau gosto da nossa República Bananeira.

A cotação das almas.

January 7, 2009

O mundo tenta me convencer que é hipócrita por natureza. Todos os que hoje se levantam pela defesa dos direitos humanos, se calaram para o que relato abaixo. E isto é só um capítulo. Tenho muito mais a contar.

O genocídio em Rwanda

No início dos anos noventa, Rwanda vivia uma guerra civil aberta. Expulsos em episódios anteriores, a população Tutsi retornava ao país e uma disputa com a etnia Hutu pelo poder começava. Entre vários grupos rivais, estavam entre eles o RPF (Rwandan Patriotic Front), da etnia Tutsi, e o CDR (Coalition for the Defence of the Republic) dos Hutus extremistas, que detinham o poder. Em 1993 um acordo de paz é assinado, criando as bases para um governo compartilhado do país, mantendo o CDR no comando do governo. No entanto a ideologia “Hutu Power” já tinha sido difundida pelos Hutus extremistas, em resposta ao desejo Tutsi de formar uma nação – tinha sido incluida nos programas escolares e evidenciada na criação de um exército exclusivamente Hutu. Rádios e jornais começam a pregar o extermínio dos Tutsi, incluindo o estupro e morte das mulheres e crianças.

Em Abril de 1994, Hutus extremistas começam colocar em prática o plano da solução final, em uma operação meticulosamente preparada. Imediatamente após o início do genocídio, as forças da RPF entram em ação e a guerra civil recomeça, em paralelo ao massacre. Depois de 100 dias a RPF, liderada por Paul Kagame (futuro presidente do país), toma o poder e controla a situação, mas aproximadamente 800 mil pessoas já tinham sido assassinadas. Os genocidas então se misturam aos dois milhões de Hutus civis que estavam fugindo do país, como resultado da guerra. No primeiro mês de caminhada em direção ao Zaire, a cólera e a desinteria matam pelo menos 50 mil refugiados. A ONU entra com ajuda humanitária e ajuda a manter campos no Zaire e na Tanzânia (perto da fronteira com Rwanda), ao custo de 1 milhão de dólares por dia, custeado pelos governos ocidentais.

Os genocidas logo começam a comandar os campos de refugiados e de lá, orquestrar ataques ao território de Rwanda e aos Tutsis. Os grupos de ajuda humanitária não tem como controlar a situação. Apenas Bangladesh aceita enviar uma força de capacetes azuis, de um total de 39 países requisitados. Sem saída, a UNHCR (UN High Commissioner for Refugees) paga ao governo do Zaire pelos serviços de seu exército para prover segurança nos acampamentos de refugiados.

A situação permanece instável até Agosto de 1996, quando o exército de Kagame invade o Zaire para fechar os campos e eliminar os Hutus de uma vez por todas. Eles se unem ao movimento rebelde do Zaire, comandado por Laurent-Désiré Kabila, um “warlord” marxista de 56 anos, desejoso de tomar o poder no Zaire, derrubando o presidente Mobutu. 250 mil pessoas fogem dos acampamentos atacados em direção aos ainda preservados. Mas estava claro que nenhum acampamento seria preservado. A UNHCR tenta de todas as formas preservar a integridade dos acampamentos remanescentes. De um lado lutam as tropas de Mobutu e os genocidas Hutus, e do outro perfilam-se o exército de Kagame e o movimento de Kabila.

Neste interim, mais de 500 mil refugiados que fugiram para a Tanzania, começam a ser obrigados a voltar para Rwanda da noite para o dia, sem saber o que lhes iria acontecer, numa operação conduzida com muita violência pelo governo daquele país.

Em Maio de 1997 Kabila assume o poder no Zaire e funda a Republica Democratica do Congo.

Acredita-se que mais de 213 mil refugiados devem ter morrido desde que fugiram de Rwanda, totalizando mais de um milhão de mortos no conflito.

Fontes:
The Economist Magazine
Wikipedia (http://en.wikipedia.org/wiki/Rwandan_Genocide),
Chasing the Flame, Samantha Power, 2008.

É isso aí. Nos anos noventa um milhão de africanos foram mortos e você nem ficou sabendo. Entre 2003 e 2004, mais 250 mil deles foram assassinados. Hoje, mais de 2 milhões são refugiados, em conflitos que ainda vou contar por aqui.

Enquanto escolhermos os seres humanos que queremos defender, como civilização estamos fadados ao fracasso.