China’s Charter 08

December 30, 2008

China’s Charter 08
The New York Review of Books, Volume 56, Number 1 · January 15, 2009
Translated from the Chinese by Perry Link

The document below, signed by more than two thousand Chinese citizens, was conceived and written in conscious admiration of the founding of Charter 77 in Czechoslovakia, where, in January 1977, more than two hundred Czech and Slovak intellectuals formed a loose, informal, and open association of people…united by the will to strive individually and collectively for respect for human and civil rights in our country and throughout the world.

The Chinese document calls not for ameliorative reform of the current political system but for an end to some of its essential features, including one-party rule, and their replacement with a system based on human rights and democracy.

The prominent citizens who have signed the document are from both outside and inside the government, and include not only well-known dissidents and intellectuals, but also middle-level officials and rural leaders. They chose December 10, the anniversary of the Universal Declaration of Human Rights, as the day on which to express their political ideas and to outline their vision of a constitutional, democratic China. They want Charter 08 to serve as a blueprint for fundamental political change in China in the years to come. The signers of the document will form an informal group, open-ended in size but united by a determination to promote democratization and protection of human rights in China and beyond.

Following the text is a postscript describing some of the regime’s recent reactions to it.
—Perry Link

I. FOREWORD
A hundred years have passed since the writing of China’s first constitution. 2008 also marks the sixtieth anniversary of the promulgation of the Universal Declaration of Human Rights, the thirtieth anniversary of the appearance of the Democracy Wall in Beijing, and the tenth of China’s signing of the International Covenant on Civil and Political Rights. We are approaching the twentieth anniversary of the 1989 Tiananmen massacre of pro-democracy student protesters. The Chinese people, who have endured human rights disasters and uncountable struggles across these same years, now include many who see clearly that freedom, equality, and human rights are universal values of humankind and that democracy and constitutional government are the fundamental framework for protecting these values. (more…)

Duas ou três coisas que sei sobre o Natal.

December 28, 2008

Eu acredito que o ser humano não existe desvinculado da história, tanto sua e de sua família, quanto da sociedade em que vive. É através do entendimento histórico que podemos entender por que motivo agimos desta ou daquela maneira. Talvez por isso as tradições de povos outros nos pareçam tão carentes de sentido. É que nos falta a linha do tempo pela qual estes povos são moldados, como água em pedra, durante séculos e séculos. Por conta deste mecanismo de identidade é que as respostas que queremos para o comportamento de nosso tempo devem ser buscadas no passado. E falo isso para explicar como entendo o Natal.

Houve um tempo no qual as tradições eram necessárias para unir as pessoas de uma mesma comunidade. Era a forma como identificávamos nosso grupo. Não é preciso ir muito longe: no Brasil existe a capoeira e seu ritual, o boi-de-mamão ou boi-bumbá, o reizado e muitas outras. Todas essas manifestações serviam de cola para determinados grupos. Um símbolo, antes de mais nada, de unidade. Hoje nossa identidade é determinada por uma infinidade de símbolos que vem e vão em grande velocidade, mas que não permanecem por tempo suficiente para merecer mais atenção das gerações futuras. As músicas e suas danças não duram muito, a tecnologia muda hábitos e necessidades, a Natureza nos impõe limites. Mesmo assim muita coisa ainda permanece. Todo o brasileiro tem orgulho do seu carnaval, pra ficar só em um exemplo. O carnaval ajuda a identificar o brasileiro. É nossa tradição. Mesmo o brasileiro que não gosta da festa, sabe que ela faz parte de sua identidade.

E as antigas tradições que recebemos de nossos avós? Muitas delas não parecem fazer sentido pois o tempo no século XX foi o primeiro talvez a não respeitar uma regra de ouro de tudo o que é relacionado à identidade: mudar lentamente. E aqui estamos nós com fragmentos de rituais de um mundo que não existe mais. Aí é que entra o Natal, uma festa um tanto estranha para muitos de nós. Mas a primeira coisa talvez a ser feita antes de etiquetarmos o Natal como festa esquizofrênica e consumista, pervertida pelo mundo moderno, é olhar de onde vem essa festa e porque a celebramos.

O primeiro passo é entender que o Natal existia antes de Cristo. Numa tentativa de fortalecer o Sol, aparentemente debilitado durante o inverno, diferentes culturas (Gregos, Mesopotâmios, Persas, Romanos…) celebravam uma festa para o Deus Sol na época do solstício. Foi só algum tempo após a morte de Cristo que os cristãos passaram a usar a festa do solstício para celebrar o “Natal”, ou festa da natividade, e adaptaram vários de seus símbolos que, afinal, tanto se encaixavam para celebrar o Deus que vem dar a vida. É daí que vem o hábito das luzes nas janelas (para “ajudar” o Sol) ou mesmo o hábito da troca de presentes. Dar presentes, em praticamente todas as culturas, significa generosidade e esta é frequentemente associada ao Sol (o ser generoso mor). Os paralelos com o astro celeste são inúmeros. E para a infelicidade dos povos do hemisfério sul, é por essa razão que as principais festas Cristãs são quando são: o Natal no solstício e a Páscoa no início da primavera no Norte.

Aqui insiro minha primeira reflexão: cristãos, o Natal não é, para todas as pessoas, a celebração do nascimento de Cristo. Não devemos ficar tristes pelo mundo ter desvirtuado o sentido da festa. Nós é que marcamos a nossa festa na mesma data de uma festa mais antiga. Segunda reflexão: símbolos tem um significado vago e elástico e estritamente pessoal. A cruz significava vergonha mas para os cristãos passou a ser caminho de salvação. Nós herdamos esses símbolos da história. História feita também por mãos cristãs. O que eles significam para os cristãos não deve ser afetado se o resto da humanidade resolver lhes dar outra tradução. Mais ainda quando fomos nós a mudar o significado. Natal é celebração de alegria pelo nascimento de Jesus, mas pode ter outra definição para o seu vizinho. Qualquer tentativa de condená-lo por não entender a festa como nós entendemos é a negação mesma do que é ser cristão.

E somos por isso obrigados a engolir esse velhinho encasacado? Claro que não. Podemos viver nossa vida como desejarmos. Mas entender que somos parte de um legado nos poupará bastante sofrimento. O Natal como ele é hoje, com troca de presentes, mesa farta, luzes, não é fruto do consumismo. Ele é resultado de nossa própria história, veio para o Brasil quando nossos antepassados vieram, resistiram a miscigenação que nos fez brasileiros, foi mudado por ela, e está aqui para ser vivido. Para algumas pessoas, a árvore de Natal, o Papai-Noel, as luzinhas, não significam nada, o que é perfeitamente normal. Mas para outras têm a ver com a sua identidade, assim como o carnaval para a maioria dos brasileiros. Para estas pessoas dar presentes no Natal, enfeitar a casa e ter uma bonita ceia é a sua definição mesma como indivíduos pertencentes a um grupo. Nesse ponto, sem pretender ser maior do que o nascimento de Cristo, o Natal tem outros significados até mesmo para nós cristãos. E não há nada de mal nisso.

Quadrilha

December 24, 2008

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