O Japão que mora em mim

November 24, 2008

Acabei de ver um programa sobre Ikebana, em Kyoto, e mergulhei em memórias que fazem minha alma aquietar-se. E senti uma necessidade de escrever sobre isso.

O Japão que mora em mim… é um Japão difícil de colocar em palavras. Porque palavras são pouco comuns a este Japão. É o lugar das coisas não ditas, da arte e da beleza da expressão, sem o atalho fácil da fala. Lugar onde a harmonia é valor fundamental e fundante. Onde o corte da espada e o podar de uma flor, obedecem aos mesmos preceitos. A casa do silêncio, das águas que correm, dos sabores sutis. Nada se impõe. A música, os sabores, o teatro, os olhares… são convites a expressão de nossos valores, da beleza que todo ser humano carrega consigo.
Japão frágil, que desperta e convida para um novo olhar. Um olhar de convívio, de paz, de entendimento. Onde as pessoas não sabem dizer não, pois perguntas que nos obrigam a dizer não, não deveriam ser feitas. Onde as pessoas sabem que, mesmo nas coisas mais simples, existe um Deus a ser reverenciado. Onde o mais singelo dos papéis é dobrado como se fosse uma jóia. Nada sendo feito com desleixo, nada sendo feito sem uma alma e um coração dedicados. Onde cada pessoa é insubstituível, como são insubstituíveis todos aqueles que me mostraram essa ilha escondida, e que se despediram de mim com lágrimas nos olhos. Japão meu, que olha seu Fuji ao longe, nos olhos enrrugados, pela janela de um trem. Japão sem fim, no sorriso curioso da criança que acaba de ganhar algodão doce, e corre ajeitando seu pequeno yukata, e leva meu coraçao embora pra nunca mais devolver. Ela ainda o tem. Ele ainda mora em algum lugar nos arredores de Tóquio.