Reflexões…

November 13, 2008

“Se Obama fracassar, a frustração será tão grande, que serão necessários muitos séculos para que um negro seja de novo eleito presidente dos Estados Unidos”.

Lula

Pois é. Eis aí o fruto de mistificações e equívocos. Obama deixou claro que é Presidente de todos os americanos, mas não faltarão aqueles adeptos do ‘” nós contra eles”. Todo fracasso de Obama seria uma vitória do racismo, e suas vitórias, um fracasso dos conservadores brancos. Ao elevar Obama a condição de vitória particular da “raça”, brancos e negros mundo afora colocaram o avanço da igualdade racial sob risco. Se Obama fizer o que presidentes normalmente fazem – desapontar seus governados – na ótica de Lula a sociedade americana iria demorar a apostar em um negro novamente. Lula mal disfarça seu próprio racismo. Só será assim se Obama fizer como querem alguns setores que o privatizaram: Obama seria a vitória de um país contra o outro. Um país negro contra outro branco. Se for porta-bandeira de uma raça, Obama fatalmente vai desapontar a muitos. Em vez de ser mais um presidente, talvez um bom presidente, será a pá que cavará um fosso de segregação a mais.

Obama deve ser a vitória dos Estados Unidos. Assim como McCain também seria. Pois a Democracia, que permitiu que Obama fosse eleito, deve ser sempre a vencedora. Caso contrário, Obama conquistou uma vitória de Piro, ferindo o próprio sistema que permitiu seu sucesso. Além do mais, os EUA não mudaram quando elegeram Obama. Mudaram antes. Obama é sintoma, não causa. E a beleza da mudança é poder eleger um negro. Triste é ter que eleger alguém por causa de sua cor de pele. McCain disse bem: “Ele era meu adversário, agora é meu Presidente.” Igualdade é imaginar que Obama poderia dizer a mesma coisa se fosse derrotado. Essa é a beleza do ideal americano. Nem sempre honrado, mas ainda assim bonito. E Obama não deixou dúvidas. Em seu discurso da vitória conclamou as tradições mais caras aos americanos:

E para todos aqueles que se perguntam se o farol dos EUA ainda brilha com a mesma intensidade, esta noite nós provamos uma vez mais que a verdadeira força de nossa nação não emana da capacidade de nossas armas ou do tamanho de nossa riqueza, mas do poder persistente de nossos ideais: democracia, liberdade, oportunidade e inflexível esperança.

Gosto de Obama porque ele sinaliza novos ventos. Sinaliza um país talvez mais aberto ao diálogo, mais sólido economicamente, mais atento às Nações Unidas. Mas por mim ele podia ser rosa choque com bolinhas…

E assim, é só uma opinião minha, de acordo com o mundo que vejo. Mas consigo entender que é muito legal ver que o mundo pode ser assim, tão plural. Fico feliz também. Só tento ver o lado ruim também, para estar preparado. Se alguém quiser uma opinião diferente, mas que respeito muito, pode olhar aqui: Blog da Ila

1 Comment »

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  1. Lulu,

    Continuo discordando MUITO de você, e agora do Lula. Acho que a eleição do Obama tem muito menos a ver com a raça do que tem a ver com HOPE, CHANGE, falência da administração Bush e reação econômica.

    Acho que Lula está sendo simplista ou ingênuo, o que no fim bate muito bem com o perfil de discurso dele.

    Acho que o problema do racismo hoje afeta uma minoria nos Estados Unidos, e essa eleição mostra isso. It’s over as a major issue. É claro que 40% da população lá ainda pode ter sua cultura ancestral racista, mas já não são maioria.

    Sobre a decepção, tell me something new! É óbvio que quanto melhor time, maior será a decepção, se ela acontecer. Nada mais natural. Mas e agora? Fica-se aguardando o fracasso porque achamos que há esperança demais? No way. Tô fora. Eu quero ver Obama lá.

    Comment by Nando — November 14, 2008 @ 11:21 am

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