Dernière
Tinha me proposto não escrever mais sobre política por aqui. Perdi muito do gosto de acompanhar e comentar os eventos, e também porque acabava escrevendo aqui de forma diferente do que me expressaria em uma conversa. E se antes eu escrevia muito mal, agora acho que é o diálogo que precisa ser treinado.
Mas esse post é a pedidos…rs
Vamos lá: Obama ganhou!
De certa forma aconteceu o que eu já tinha dito aqui que gostaria que acontecesse. Acho que McCain perdeu seu momento, já não tinha energias para conduzir o país. E além do mais, Sara Palin foi um erro. Eu não a queria nem como vice-presidente. É isso que tenho a dizer sobre a vitória de Obama. Sucesso pra ele, que consiga pacificar o Iraque, o Afeganistão, que resolva a crise, e que lidere o mundo para uma fase de mais diálogo. Tomara.
Mas (tem sempre um "mas") eu sempre acreditei que o racismo tem duas vias. Uma óbvia, outra escondida, mas uma fruto e causa da outra. Vou exemplificar: hoje, no rádio, uma mulher gritava e dizia que Obama era a vitória dos negros. Outra, da comunidade negra, dizia que os EUA tinham provado ao mundo isso e aquilo. Tudo muito compreensível, não é mesmo? Mas eu, nessa implicância que tenho com o mundo, acho que esse comportamento perpetua a diferença. Digamos que não é exatamento um discurso em prol da igualdade. É muito parecido com um, mas é segregador em sua essência.
Sou radical neste assunto: cores não me dizem nada. Não é assim que deve ser? Então a razão pela qual as pessoas comemoram a vitória de Obama me incomoda. Quer dizer que ele ser negro significa algo? Então ele é diferente? Ele é um Democrata diferente de Bill Clinton em quê? Na cor da pele? Porque existe uma "comunidade negra"? Me incomoda uma "comunidade negra" do mesmo jeito que me incomoda uma "comunidade branca". Não gosto de guetos, não gosto de sociedades onde os grupos tem mais voz do que os indivíduos. Nesses casos geralmente o mais fraco é massacrado e a democracia é a vítima. Além do mais, eleições são democráticas porque pressupõem que ambos os resultados são possíveis. Nesta de agora, a impressão que tive foi que só um resultado seria considerado a vitória da Democracia. Quem não viu, que procure ver o discurso de McCain reconhecendo a derrota. É uma aula de civismo.
E mais, não acho que os EUA precisassem provar nada. Ora, Obama eleito ou não, a sociedade norte-americana não é mais ou menos preconceituosa por causa disso. Eleger um presidente negro não deveria ser como uma prova de formatura.
Quando comparei os dois candidatos para fazer minha escolha, Obama não foi a escolha óbvia. Ele tem falhas bem evidentes de caráter, além de não ter experiência nenhuma. Ora, se ele não foi uma escolha óbvia, eu poderia ter escolhido McCain. Mas tenho certeza que seria chamado de racista, ou de retrógrado. E isso é injusto além de ser um golpe na própria eleição. Até porque, antes desse processo todo começar, McCain era o cara considerado "independente" pela mídia.
Por fim, toda idealização traz consigo sua carga inerente de decepção. Portanto pela frente vejo muito mais decepções do que realizações. O que é uma pena, mas talvez um mal necessário.
É isso. Mas nem estou vendo as reportagens e noticiários. Gostei das eleições e só. To de saco cheio de simbolismos e tietagem. O que já vi de camiseta do Obama não tá no gibi. Se ele for assassinado então, vira santo…
