Yoga- Guia do Praticante Cético
Hoje saí do trabalho, como sempre meio cansado do corre-corre rotineiro e fui experimentar um aula de Yoga. Nunca tinha feito uma aula dessas na vida e relato aqui a primeira impressão.
Eu estava esperando um negócio meio alternativo, cheio de incensos e símbolos indianos e acertei em cheio. A diferença é que, como tudo o que é alternativo hoje em dia, existe um “business” por trás. Nitidamente os alternativos dos anos 70 não teriam grana pra frequentar esses espaços. Mas é o que chamo de Movimento New Hippie Chic: usa-se uma saia hiponga, com aparência de feita em casa, que custa 400 reais. Alternativo hoje é pra quem pode – melhor ir de calça jeans e camiseta.
Dito isso, posso dizer que gostei do lugar, bem decorado, com uma atendente calma e eficiente e tudo bem limpo. Cheguei meia hora antes do horário e fiquei esperando. Chegou uma mulher, depois uma garota, depois outra, depois outras. Fiquei com vontade de perguntar quando era a aula masculina, mas melhor não chamar a atenção para a situação. Senti uns olhares que se cruzavam e perguntavam: – Será que o barrigudo de óculos aí vai fazer a aula? Sim era eu, e fiz uma cara de “eu sou corajoso e venho aqui, o que eu quero saber é se voces enfrentariam aulas de engenharia”. Senti-me vingado, na minha esquizofrenia.
Finalmente as pessoas foram em direção à sala e a professora me cumprimentou e se apresentou, assim, no corredor, informalmente. Foi muito simpática e me deixou bem a vontade para começar a aula sem muito medo. Aliás, depois de muita saia justa nesta vida estou ficando mais descolado nesses momentos. Basta não ter nenhuma iniciativa genial e se resumir a fazer o que todo mundo faz. Se alguma gafe acontecer (quase inevitável) o negócio é a tirrar sarro de si mesmo. As pessoas estão mais propensas a compreender quem não se leva muito a sério.
Notei um pequeno altar com figuras de Deuses Hindus e aquilo me incomodou. Eu não gosto de entrar no templo de nenhuma religião como quem entra em uma academia. É a parte do homem ocidental que me incomoda: pega-se as coisas pela metade, e vende-se o que for vendável. Se o homem moderno precisa se desestressar, vende-se uma dose de hinduísmo duas vezes por semana. Me soa estranho, mas um dia ainda falo mais com a professora pra ver se não estou tendo a impressão errada. Não esqueçam que é meu primeiro dia. Eu não esqueço. De qualquer forma, o Hinduísmo é mais do que Yoga e me parece uma certa falta de respeito. Bem, deixo para os Hindus a tarefa de reclamar se for o caso. Já tenho muitos problemas e não vou começar uma cruzada (ipsis literis) para moralizar as academias de Yoga.
E lá vou eu para a prática, com a habitual flexibilidade de um jabuti da terceira idade. E confesso que gostei bastante da mistura de ultra-hiper-mega alongamento com respiração e concentração. Dói, claro. Aliás, dói não: tortura. É como usar um macacão muitos tamanhos menor do que o seu. Voce quer esticar a perna mas seus músculos tem vários centímetros a menos. Aí, em vez de um ginasta, você fica parecendo uma perereca num colchonete. Mas é bastante renovador e saí da aula bem disposto e relaxado. Gostei do clima, sem muita conversa, sem muitas vaidades. Colocando em perspectiva, fazer musculação pra mim é pior que injeção na testa. Portanto a Yoga caiu como um doce de jaca (já provou? se provou porque não me convidou lazarento!!)
O que não gostei muito é o negócio dos mantras. Não gosto de falar o que não entendo. Mesmo a professora explicando que queria dizer paz, etc, eu prefiro saber palavra por palavra. E mesmo assim: não dá pra ficar em silêncio?!?
Amanhã vou na “prática” (já peguei o jeito!) de um outro estilo. Se tiver paciência, escrevo aqui.
Abraços.
