Lucia Malla

February 16, 2007

Do site da Lúcia Malla:

“Poste as 3 atitudes ecoconscientes que você praticou/pratica/pretende praticar na sua vida (ou na sua casa, no seu trabalho, no boteco, etc.) para melhorar a situação ambiental do planeta Terra.”

Pois bem:

1º atitude: Eu decidi abdicar de quaisquer sacolas plásticas que me dão por aí. Acho desnecessário que usemos sacolas plásticas para qualquer coisinha que compramos, da farmácia à padaria.

2º atitude: Recuso copos plásticos. Tomo na lata mesmo, ou no gargalo.

3º atitude: Mantenho plantas em qualquer espaço que me seja disponível.

Li esses dias que escolher alimentos da estação seria uma poderosa maneira de economizar energia. Estou pensando em adotar essa atitude também. O problema é fazer uma lista confiável do que pertence à cada estação…

E aí Lili? Valeu?

Luciano Queiroz

Meu manguezal

February 15, 2007

Era um dia de novas resoluções, e por isso mesmo, sentia-se diferente naquela tarde. Havia chegado da aula e decidido que iria usar seu caiaque depois do almoço. Não era de hábito fazer isso, descer até a praia, a não ser durante as férias, quando seu tio ou seu avô o visitavam. Mas era como se precisasse conferir algo. Como se houvesse uma conversa particular a ser feita. Tinha um encontro marcado, não sabia bem com quem, ou o quê.
E assim fez. Após trocar de roupa foi até a praia e pôs-se a remar.
O caiaque deslizava fácil e fazia quase nenhum barulho. Assim, as gaivotas e os biguás pousados pelas pedras permitiam-lhe aproximar sem que voassem assustados. Peixes pulavam surpreendentemente perto, alarmados por aquela presença inesperada e sorrateira. Enquanto a casa ficava para trás, esses pequenos acontecimentos revelavam ao menino um segredo reservado a poucos humanos: a Natureza é amiga do silêncio. Entendeu essa lição instantaneamente, e imprimiu com força na alma para jamais esquecer.
Enquanto remava cautelosamente, sentia-se pela primeira vez acolhido naquele ambiente. Pela primeira vez, depois de tantas e tantas vezes passar de barco por ali, não parecia ser uma presença agressora. E foi envolto nesses pensamentos que virou a ponta da praia, abrindo à seus olhos a visão total do manguezal, quieto, imenso, solitário. Remou decidido por uns vinte minutos, até atingir a entrada de um dos canais que desaguavam na enseada e que irrigavam toda aquela floresta de lama, galhos e caranguejos. Chegou na boca do rio… e entrou. E viu sua vida mudar para sempre. Entrou sozinho, em silêncio, e no silêncio observou calmamente os cardumes numerosos de peixes filhotes. Contemplou os caranguejos em seu vai e vem, às vezes lento, às vezes frenético. As raízes imponentes, a floresta escura. Teve medo. Sentiu-se sozinho, e como tal, embaixador de sua raça. Viu muitas aves, viu colhereiros, que nunca havia visto, no topo dos mangues mais altos. E eles não se importaram com sua presença. Nenhum deles se importou.
E o menino pela primeira vez se sentiu insignificante. E na sua insignificância, viu que era menor do que aquilo tudo que via. Foi quando aquele monte de lama ganhou divindade, ganhou-lhe a alma e virou sangue de seu sangue. Até então, não havia entendido os sussurros, as mudanças sutis, a delicadeza das coisas vivas. Mas lhe foi permitido olhar por uma pequena fresta.
Jamais pode voltar ali sem que seu coração ajoelhasse em profunda reverência, por ter aprendido a lição de mil livros. O menino jamais foi o mesmo, e ele divide agora, com vocês, sua gratidão ao seu querido manguezal.
Luciano Queiroz