Cingapura, parte 1
Depois de um dia bem cansativo aqui em Cingapura já estou cheio de opiniões sobre esse pequeno, minúsculo país.
Alguns dados: Cingapura tem 42km por 23 km de área, e quase três milhões de habitantes. Desse reduzido território, 30% é resultado de aterro avançando mar ou rio adentro. A terra pra fazer novos aterros acabou e eles estão importando da Malásia. Praticamente não existem casas, pois não há espaço para elas, e fala-se quatro idiomas no país: inglês, tamil, mandarin e malay.
Sendo um país extremamente populoso, não esperava encontrar o que encontrei: um país verde, que divide com o Rio de Janeiro o privilégio de ter uma floresta tropical urbana. Isso além de muitas outras reservas. Tem uma estrutura incrível, com incontáveis shoppings, metrô, largas avenidas, viadutos, teatros, monumentos bem conservados, arranha-céus em bando. Uma organização invejável para receber bem o turista, com vários pontos de informação espalhados e mil folhetos indicativos que estão disponíveis gratuitamente em qualquer birosca. Para um país que acabou de fazer 41 anos, é impressionante. Agora tenho a dimensão real do que quer dizer o termo “tigres asiáticos”.
No entanto, é bem visível para o forasteiro que existe uma disritmia, uma falta de harmonia entre o país físico e sua população. Talvez a velocidade das mudanças tenha atropelado o povo local. Pelo menos é fácil perceber que eles não se sentem à vontade nesse novo país. Têm orgulho obviamente, mas ainda não parecem relaxados nesta superestrutura capitalista criada. O metrô é um bom exemplo: nas escadas rolantes eles não se colocam à esquerda para deixar os mais apressados passarem. Uns ficam, outros não. As pessoas se atrapalham nas máquinas de comprar os bilhetes e os vários painéis digitais dizendo quantos minutos faltam para o trem chegar sempre erram. Na hora que o trem chega, mesmo vazio, é uma correria para entrar.
Enfim, eles parecem ainda admirados com o que aconteceu, com o progresso que é realmente assustador. São como um retirante nordestino ao contrário, sendo São Paulo que veio para o sertão do dia para a noite.
Luciano Queiroz
