Monte Fuji
Amanhã escalo o Monte Fuji. Desejem-me sorte. E fôlego!
Amanhã escalo o Monte Fuji. Desejem-me sorte. E fôlego!
O conflito Árabe-Israelense não pode ser entendido sem uma perspectiva histórica. Temos que retornar ao Egito do século 19, quando se construiu o Canal de Suez.
As obras do Canal iniciaram em 1859 e terminaram dez anos mais tarde com um custo de 17 milhões de libras esterlinas
Os defensores do projeto argumentavam que o canal diminuiría a distância entre a Europa e o sul da Ásia. Os navios que partiam do Mar Mediterrâneo não precisariam mais circundar a África e contornar o cabo da Boa Esperança para atingir os Oceanos Índico e Pacífico.
O projeto de construção do canal foi coordenado pelo engenheiro e diplomata francês Ferdinand de Lesseps, que adquiriu do paxá Said os direitos de abertura e exploração pelo período de 99 anos. Para isso ele montou uma empresa, a Companhia Universal do Canal Marítimo de Suez, que teve como principais acionistas França e Reino Unido.
Para a inauguração, no dia 17 de novembro de 1869, o italiano Giuseppe Verdi (1813-1901) compõe a ópera Aída.
(more…)Nas faxinas periódicas da memória, ainda não se apagaram muitas cenas de minha infância. São pessoas, locais, sabores… fotografias de um tempo que já vai longe levando com ele a lembrança dos detalhes. Os nomes me falham, alguns rostos importantes, datas, tudo pra sempre desconectado nas sinapses desfeitas de meus neurônios.
Mas ainda mantenho guardado aqueles momentos que, por terem sido mais marcantes, meu cérebro se recusa a abandonar-lhes de todo, mantendo pelo menos alguma imagem para que as lições não se percam. E é assim que ainda lembro dos meus pequenos amigos de brincadeira na praia. Perdão, eu disse amigos? Bem, talvez tenham sido apenas colegas. E é justamente a história desse coleguismo que nunca virou amizade que resisto em esquecer, pela importante marca que deixou em meu peito.
Quando ainda era um molequinho de 4 anos de idade, minha família se mudou para um bairro afastado do centro da cidade, que mantinha um ar ainda bem rural, com famílias de pescadores vivendo ao longo da rua. Meu pai vinha com boas condições, e se esmerou em construir uma casa que fosse à altura de seus sonhos. Foi assim que me tornei uma criança privilegiada, tendo uma infância cercada de conforto.
Mas, algumas vezes por ano eu ia até a praia que ficava nos fundos do terreno e encontrava as crianças de uma pequena viela de casas paupérrimas que ficavam à 50 metros de distância do nosso portão. Eram sempre mal vestidas, e constantemente sujos ou de cabelos raspados como solução para os piolhos. Suas casas, bem próximas à água, jogavam o esgoto direto na praia exalando um cheiro bem desagradável. E todos esses detalhes não me passavam despercebidos. Éramos crianças e eu tinha um desejo enorme de brincar com eles, chamá-los para tomar um suco, comer uns biscoitos. Eram uns quatro ou cinco garotos, alguns irmãos, que viviam de pé na areia, brincando pela praia quando não estavam pescando pra valer para ajudar os pais. E eu queria fazer parte daquilo, mas minhas roupas eram muito novas, eu não entendia o que eles falavam, e tinha medo de que ficassem envergonhados de entrar na minha casa, medo que minha mãe não gostasse, medo que eles quisessem se aproveitar de minha amizade. E no entanto, quando eu cedia e os convidava para jogar bola no gramado lá do canto do terreno, longe da casa, eram tardes de diversão sem preço.
Hoje vejo que não fui capaz de transpor o muro social que se colocou entre nós. A crueldade da realidade se apresentou com toda a sua força na minha frente, quando ainda era uma criança, de maneira silenciosa, me dando boas vindas ao mundo do lado de lá da cerca.
Ter perdido amigos assim de maneira tão cruel, numa fase da vida onde eles eram tão importantes, me deixou marcas permanentes.
Luciano Serra de Queiroz

Minha praia vista de casa, de onde ficava imaginando onde estariam eles…
Cingapura é realmente um lugar para quebrar paradigmas. Hoje foi um dia que fiz perguntas sobre o sistema de governo. Descobri que o país tem eleições diretas mas não tem propriamente uma oposição livre. Me parece que tudo é bem controlado e existem algumas restrições, apesar de me garantirem que qualquer um pode se candidatar a presidente.
Todos em Cingapura têm um teto. O Governo constrói apartamentos para todo mundo mas as pessoas têm que pagar por eles. Nada é de graça e se você não tem emprego o governo arranja um pra você poder pagar pelo teto que eles lhe dão. O Imposto é sobre o consumo, mesmo modelo que o EUA, e 20% do salário das pessoas vai para uma conta aposentadoria que a pessoa pode fazer aplicações, mas não pode sacar. A única exceção é para a compra do apartamento próprio (esses do governo) quando a pessoa casa. Os muito ricos podem comprar uma casa sem ser do governo, mas num país minúsculo o preço é exorbitante.
Cingapura é uma meritocracia, onde todos têm trabalho, mas quem trabalha mais, ganha mais.
Um dos meus amigos daqui disse que é mais ou menos como no filme Matrix. O Sistema mantém todos bem, nada falta, e os dois lados podem tocar os negócios numa boa. Funciona. Mas esses meus amigos dizem que sentem falta do Japão, pois tinham mais liberdade.
Resumindo, é um país onde todos têm uma vida digna, mas falta liberdade. Comunismo? Não, Comunismo é crime em Cingapura e dá cadeia.
Então? É ou não é de quebrar paradigmas?
Luciano Queiroz
Porque Florianópolis não pode ter um museu decente? Um que mostre a história da ilha, seus índios, colonizadores, lendas, costumes, e faça tudo isso com alto padrão de detalhes e tenha uma lojinha de souvenires no final? Algo como copos de cachaça de Floripa, camisetas, cartões, baleias de pelúcia, fantoches, bonecos do boi de mamão, etc… Porque Florianópolis não pode ter um aquário municipal, um teleférico, um chafariz, bonde, uma torre com restaurante panorâmico? Pessoalmente eu preferia a pequena e pacata cidadezinha de 25 anos atrás, mas como nem o tempo nem os que vieram de fora voltam, seria bom aproveitarmos o turismo para com ele melhorarmos a vida da população, proteger os mangues, as praias, a cultura local. Enfim, tudo o que Cingapura faz.
Aliás, todo mundo respeita a lei por aqui. Sabem o motivo? Só por comer no trem a multa é US$ 500. Se apertar o botão de emergência sem uma boa razão, a multa é de US$3500. Tráfico de drogas a pena é de morte.
Enfim: a rapaziada não vacila por aqui.
Luciano Queiroz
Depois de um dia bem cansativo aqui em Cingapura já estou cheio de opiniões sobre esse pequeno, minúsculo país.
Alguns dados: Cingapura tem 42km por 23 km de área, e quase três milhões de habitantes. Desse reduzido território, 30% é resultado de aterro avançando mar ou rio adentro. A terra pra fazer novos aterros acabou e eles estão importando da Malásia. Praticamente não existem casas, pois não há espaço para elas, e fala-se quatro idiomas no país: inglês, tamil, mandarin e malay.
Sendo um país extremamente populoso, não esperava encontrar o que encontrei: um país verde, que divide com o Rio de Janeiro o privilégio de ter uma floresta tropical urbana. Isso além de muitas outras reservas. Tem uma estrutura incrível, com incontáveis shoppings, metrô, largas avenidas, viadutos, teatros, monumentos bem conservados, arranha-céus em bando. Uma organização invejável para receber bem o turista, com vários pontos de informação espalhados e mil folhetos indicativos que estão disponíveis gratuitamente em qualquer birosca. Para um país que acabou de fazer 41 anos, é impressionante. Agora tenho a dimensão real do que quer dizer o termo “tigres asiáticos”.
No entanto, é bem visível para o forasteiro que existe uma disritmia, uma falta de harmonia entre o país físico e sua população. Talvez a velocidade das mudanças tenha atropelado o povo local. Pelo menos é fácil perceber que eles não se sentem à vontade nesse novo país. Têm orgulho obviamente, mas ainda não parecem relaxados nesta superestrutura capitalista criada. O metrô é um bom exemplo: nas escadas rolantes eles não se colocam à esquerda para deixar os mais apressados passarem. Uns ficam, outros não. As pessoas se atrapalham nas máquinas de comprar os bilhetes e os vários painéis digitais dizendo quantos minutos faltam para o trem chegar sempre erram. Na hora que o trem chega, mesmo vazio, é uma correria para entrar.
Enfim, eles parecem ainda admirados com o que aconteceu, com o progresso que é realmente assustador. São como um retirante nordestino ao contrário, sendo São Paulo que veio para o sertão do dia para a noite.
Luciano Queiroz
Passarei uma semana em Cingapura e provavelmente não vou escrever neste tempo.
Deixo algumas reflexões que me atormentam:
Eu e minha namorada temos muitas visões distintas sobre a situação política brasileira e porque não dizer, do mundo. Com ela, e por ela, sinto mais responsabilidade no que escrevo. Tudo, absolutamente tudo na vida tem vários aspectos e emitir opiniões pressupõe se estar disposto a escutar os dois lados. Escutá-la me faz um ser humano melhor. Exemplos?
Cuba é complexa. Eu condeno as ditaduras, qualquer uma, mas sou capaz de tentar entender as razões envolvidas, a complexidade de um povo, a sua história, para entender o que há por trás desta ditadura.
Israel tem direito à uma terra. Mas os Palestinos também. Israelenses e palestinos para mim dividem o mesmo DNA, a despeito do que eles possam acreditar sobre este tema.
O PCC é um grupo terrorista e deve ser preso e condenado. Políticos ligados à eles devem ser igualmente presos. Mas não posso deixar de entender que o sistema carcerário é falido e torturador.
E por aí vai, reforçando que a adoção de bandeiras impede o senso crítico, impede que vejamos uma sombra da verdade. E impede que sejamos melhores que qualquer um dos lados, empacando o mundo nesta situação que se encontra.
Luciano Queiroz
Gosto da Cruz Vermelha, e acho que o mundo ainda precisa deles. Bonito e bem humorado vídeo sobre a Cruz Vermelha mexicana.
“Em meio a tantos sofrimentos, e quando via serem levados ao “paredón” de fuzilamento tantos de meus companheiros de cárcere, que morriam bradando “Viva Cristo Rei”, compreendi, como numa súbita revelação, que Cristo não era para ser invocado apenas para pedir que não me matassem, mas também para dar à minha vida, e inclusive à minha morte, se isto acontecesse no
cárcere, um sentido que as dignificasse.”
(Armando Valladares, poeta que passou 22 anos nas masmorras cubanas)