Estamos distantes da civilização
E os eventos relatados nos posts abaixo ocorrem justo quando estou no Japão.
Hoje fui ao Museu Nacional aqui em Tóquio com um amigo japonês. Lá pelas tantas ele se vira pra mim, constrangido e fala:
- Sabe Luciano, eu sinto vergonha. Vergonha da não conhecer melhor a história do meu país…
Nessas horas um brasileiro não sabe se ri ou se emociona. Rir seria da própria desgraça, e a emoção seria pela beleza do pedido intrínseco de perdão à si mesmo.
Este mesmo amigo, quando eu perguntei o que acontece quando alguém é atropelado em cima da faixa de pedestres, me olhou incrédulo e mandou:
- Ué... um acidente!!
Achei que ele não tinha entendido a pergunta e repeti, dando ênfase ao que aconteceria com o motorista. Ele nem me deu mais bola, não entendendo porque eu perguntava coisas tão óbvias e, entre risos, respondeu:
- Vai preso, claro.
É evidente que eu sei que o Japão é um país sério, mas a cara que ele me fez como quem diz “- que pergunta ridícula, o que mais poderia acontecer?” me fez sentir um matuto da civilização, praticamente um Neandertal.
Preciso respirar fundo e encarar sem ilusões o buraco que se enfiou nosso país.
Luciano Queiroz
