Pai punk, filho playboy?
Crescer e sentir os anos passando tem sido pra mim como estar em um elevador panorâmico. Talvez uma escada panorâmica, pois a gente vai subindo e vai batendo um certo cansaço. Mas da mesma forma a gente vai querendo aproveitar que está subindo pra tentar matar uma curiosidade que sempre teve de olhar pra baixo. Como é que tudo se parece lá embaixo? Como é que os daqui olham a juventude que ficou pra trás?
Então estou aqui, chegando no andar dos meus 31 e olhando a juventude que está ficando abaixo de mim. Olho os novos grupos de rock, os estudantes, os rebeldes, as turmas (que viraram tribos). E o que vejo ao olhar aqui desta altura intermediária, mas que já dá um certo frio na barriga, é que a juventude está estéril. Olho aqui pelo meu ponto de observação e vejo um deserto de idéias. Por certo uma coisa boa aqui outra ali, mas de forma geral se vê: nada.
Será que é um fenômeno do momento? Será que é assim que se parece a juventude olhando-se dos andares das idades mais avançadas? Woodstook, 68, rock nacional dos 80… Será que tudo é assim mesmo? Será que superdimensionei nossa própria importância? Eu esperava que a juventude que viesse na minha cola me incomodasse, me provocasse, me fizesse despertar para novas visões do mundo. Mas o que dá pra distinguir daqui, é muita diversão e só.
Me sinto um pouco desanimado, pois esperava mais de quem tem tudo aos seus pés. Tem tecnologia, independência, iniciativa, espaço. Mas as portas escancaradas das oportunidades estão esperando por mais dos que queiram atravessá-las. É por isso que nossos líderes intelectuais são vocalistas de bandas de rock dos anos oitenta. Qual é a concorrência que encontram?
E eu? que também cheguei aqui como um filósofo de quinta e em nada fui o jovem que eu hoje espero encontrar?
É notório que alienação, consumismo e coisas afins não são novidades desta geração. Apenas parece para mim que os jovens desistiram de resistir, ou fingir que resistiam, e se entregaram ao prazeres de seus Ipods, suas compras, roupas, computadores. Os punks envelheceram, e seus filhos querem ir à Disney…
Luciano Queiroz

The Clash

Tenho uma impressão parecida. Com destaque para a aridez criativa, e a atitude comprada puramente cosmética.
Queria a opinião de alguém com uns 45 sobre a nossa safra, para tentar um parâmetro honesto. hehehe
Bração!
Comment by Telli — March 21, 2006 @ 4:40 am