Brumas invisíveis

Cada vez me convenço mais que existe uma força invisível que atravessa o mundo. Uma leve bruma, que enche os corações mais atentos. Não lhe vejo, mas a sinto no abraço da criança que me ama. Quando a criança se vai, fica esta sensação. Uma força sutil e tímida, que abre a janela da alma sem que uma palavra sequer seja pronunciada.
Me dizia uma escultora hoje que ao observar crianças perto de um rio, imaginou-as criadoras de arco-iris e se inspirou para mais uma obra. Estávamos a conversar sobre isso, quando um velhinho passou e comecaram uma dialogo animado. Depois ela me confidenciou que muitos idosos passavam por ali, sempre puxando papo, e que por causa de seu trabalho conversava com pessoas muito interessantes. Vi nitidamente a sutil força em ação, quando ambos abandonaram suas barreiras e se entregaram a uma conversa de mutua admiração.
Nao é tarefa fácil, encher a vida de significado em cada momento. Mas é possível se entregar com sede a cada descoberta. É possível buscar compreensões diferentes sempre, na maravilha que é cada ser humano, de seus esforços para buscar o mínimo de felicidade.
É preciso optar pela verdade, pela sinceridade. É preciso optar por viver como quem vê um belo por do sol, onde palavras são desnecessárias, e nenhum disfarce fica em pé.
Luciano Queiroz

“There are more things in heaven and earth, Horatio, Than are dreamt of in your philosophy” William Shakespeare
Comment by Kety — March 14, 2006 @ 5:37 pm