Palestra

January 31, 2006

A luz das lampadas fluorescentes, dispersas pelo teto da grande sala, nao ajudam a quebrar a monotonia da palestra. O forro sem graca, padrao industrial, combina com as mesas compridas dispostas em fileiras, onde uma cinquentena de japoneses uniformizados estao concentrados numa voz monotonica que vem de algum lugar perto da tela. Uma apresentacao branca, com simbolos monocromaticos sem nenhum apelo visual lhes hipnotiza. Sou o unico disperso. Uma maquina de Coca-Cola ao fundo leva minha atencao embora, para perto dos momentos coloridos, longe do preto e branco melancolico da fabrica…

Luciano Queiroz

Evolucao das especies

O homem busca a guerra
o homem gosta da guerra
Cria motivos, inventa desculpas
Por seu instinto primitivo de dominacao
Guerras nao sao inevitaveis, mas inevitavel ainda eh o caminho humano em direcao a elas
Enquanto isso, um novo ser humano mais evoluido, que conseguiu subjugar seus instintos primitivos
se ve perdido em meio a esta raca que nao eh sua, em meio a esta gente que ele nao reconhece.
Usurpadores de ideias, que transformam religiao em odio, idiomas em sentencas de morte.
Esta eh mais uma pagina da evolucao
No passado o homo-sapiens foi vitorioso.
Agora eh hora do Homo-Sapiens Pacificus mostrar seu valor ou sumir do mapa…

Luciano Queiroz

“Rushiano no hon…” - 1

January 27, 2006

Tive uma iluminacao Jah sei sobre o que vai ser meu primeiro livro!! Estou super empolgado pois a ideia eh genial!! Vai demandar um tempo de pesquisa, muita leitura, mas vou escrever sobre coisas que eu gosto muito: Japao, Floripa… Alguem se habilita a matar a charada??
Eh um desafio e tanto mas vai ser uma viagem no tempo maravilhosa!!

Por enquanto mantenho segredo, mas mal posso esperar pra chegar em casa e comecar a escrever. Com o tempo vou dando pistas sobre o que eh o livro, pra criar expectativas!! :-)

Estou meio chateado pois perdi dois posts muito bacanas que tinha escrito pois meu computador as vezes tem vontade propria. E eles eram extensos entao ainda nao tive paciencia de reescreve-los.

Hoje a noite tento de novo…

Luciano Queiroz

Quantas vezes?

January 25, 2006

How many roads must a man walk down before you call him a man?
How many seas must a white dove sail before she sleeps in the sand?

Yes and how many times must the cannon balls fly before they’re forever banned?

The answer my friend is blowing in the wind

How many years can a mountain exist before it is washed to the sea?
Yes and how many years can some people exist before they’re allowed to be free?

Yes and how many times can a man turn his head pretending that he just didn’t see?

The answer my friend is blowing in the wind

Yes and how many times must a man look up before he can see the sky?

Yes and how many ears must one man have before he can hear people cry?

Yes and how many deaths will it take till he knows that too many people have died?

The answer my friend is blowing in the wind
The answer is blowing in the wind

Bob Dylan

In my life

There are places I’ll remember
All my life, though some have changed
Some forever, not for better
Some have gone, and some remain
All these places had their moments
With lovers and friends, I still can recall
Some are dead and some are living
In my life, I’ve loved them all
But of all these friends and lovers
There is no one compares with you
And these memories lose their meaning
When I think of love as something new
Though I know I’ll never lose affection
For people and things that went before
I know I’ll often stop and think about them
In my life, I’ll love you more
Though I know I’ll never lose affection
For people and things that went before
I know I’ll often stop and think about them
In my life, I’ll love you more
In my life, I’ll love you more

Nao consigo escutar esta musica sem lagrimas nos olhos. Um filme passa na minha cabeca, com os sorrisos de todos os meus amigos queridos, desde os tempos de crianca. Eh como um monumento, um templo, onde passo pra reverenciar os presentes que a vida me deu.

Luciano Queiroz

Filosofia e chocolate

January 22, 2006


Frio como sempre, chovendo como nunca. Pelo vidro, a rua de servico. Carregadores agitados pra salvar seus pacotes na noite soh pronunciada. A dona da loja de jogos de azar lutando contra a agua que lhe invade o estabelecimento. Transeuntes encapotados atravessando apressados a minha frente, dando vida frenetica as molduras de neon.
Mas aqui, ao lado de uma agradavel xicara de chocolate quente, me aninho na cafeteria que adotei como minha. A musica cult de trinta anos atras, filtrada pela luz indireta, completa o aroma de cafeh que perfuma o ambiente. Aqui, soh o calor dos sorrisos, conversas vadias sem o peso dos casacos. Aqui saboreio o momento de felicidade e de paz, me dando ao prazer de filosofar numa folha de papel em branco, antes de sumir na noite pela rua escura e fria.

Luciano Queiroz

O que te transforma?

January 5, 2006

Voce eh quem voce eh e isso nao eh tao obvio assim. Estive num templo japones, daqueles com o qual sempre sonhei. Isolado, calmo, com muita paz. Mas nem por isso me tornei um monge, nao me transformei, nao me tornei “outro”. Estive em Londres, ao lado do Big Ben. Estive em Berlin, no portao de Bradenburg. Estive na India. E lah sempre fui eu, um brasileiro comum, passeando por aih.
Este eh o lado desapontador das viagens. As piramides do Egito devem ser lindas, mas no fundo sao um amontoado de pedras. Nao ha viagem no tempo possivel, nao ha como se aproximar mais de realidades tao distantes, por mais que minha curiosidade implore por saber como era, o que se passou, como sentiam…
Isso me faz crer que as experiencias realmente trasformadoras sao etereas. Estao aih do seu lado, escondidas, soh esperando voce se distrair para chacoalharem o seu mundo. Eh um riso de crianca, o abraco de um amigo, uma decepcao, um amor. Sao instrumentos da vida mais poderosos que a Muralha da China.

Luciano Queiroz

Obrigado Pessoa!

January 1, 2006

“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.”

Fernando Pessoa

Era esta verdade que sentia quando decidi vir para o Japao. Obrigado Pessoa! Estah tudo aih, sem tirar nem por.
Luciano Queiroz