Que mania de Príncipe herdeiro

October 29, 2005

Valéria GrassiBlog do Noblat

O calor está insuportável, o seu carro não tem ar condicionado e, no entanto, você está ali, agüentando firme um engarrafamento que vai acabar lhe atrasando para coisas urgentes, urgentíssimas. Todo congestionamento de trânsito é igual: não está nem aí para as suas urgências e, democraticamente, atropela todas elas. É quando você percebe que precisa entrar em contato com o seu lado zen para enfrentar o atraso com paciência. Você respira fundo e nada do carro andar. Você tenta cantarolar e nada do trânsito fluir. O seu lado zen começa a querer enfraquecer quando eis que de repente, não mais que de repente, surge ele, todo serelepe, todo ligeirinho. Ele quem? Aquele que vai sumir com o seu lado zen de uma vez por todas: o carro que, espertamente, ultrapassa você pelo acostamento. Câmera lenta, por favor, para essa ultrapassagem pela direita, e zoom no seu queixo, que cai lentamente, não acreditando no inusitado da cena.
Os 30 Km que ele consegue desenvolver no acostamento são para você, que está um tempão parado, velocidade de fórmula um. Você começa a calcular o quanto as suas coisas urgentes poderiam se beneficiar com os minutos ganhos se você tivesse a mesma atitude. 2 minutos? 3? Você se dá conta de que lá na frente o espertinho não só fica engarrafado também como consegue aumentar ainda mais a confusão do trânsito porque é claro que depois que um tem a idéia, sempre aparece quem acompanhe. Dá vontade de sair atrás do sujeito para fazer com que ele volte, respeite a fila, respeite os outros, considere a gota de suor que ensaia cair do seu rosto e preste atenção em todos os outros mortais com coisas urgentes para fazer que estão exatamente no lugar que lhes coube na fila e não cortando pelo acostamento.
Parece que foi outro dia que o velho guerreiro estava por aqui perguntando: – Vai para o trono ou não vai?
O calouro precisava fazer bonito para ir para o trono.
Na vida que a gente vive agora o que tem de gente fazendo feio, cortando pelo acostamento, fazendo um papelão danado e mesmo assim achando que tem condições de ir para o trono, não tá brincadeira.
Encontramos, cá por estas bandas, pessoas que ainda se comportam como se fossem da família real, verdadeiros príncipes herdeiros. Pessoas que acham que o trono já está garantido, mesmo que façam as maiores besteiras do mundo. A pessoa que pensa que é um príncipe herdeiro quer ir para o trono sem mérito nenhum porque acredita que só o fato de ter nascido já fará dele um dia, rei.
Precisamos avisar a essas pessoas que a República já foi proclamada. Cá por estas bandas, agora, o trono é de quem merece, de quem faz por onde, de quem mostra ao que veio e de quem, acima de tudo, nos respeita. Ou pelo menos não é assim que deveria ser?

Valéria Grassi é escritora e livreira

Sorvete de Café

October 28, 2005

Esta receita é uma contribuição da minha amiga Amanda, aqui do trabalho. Se alguém fizer, por favor me convida pra eu experimentar!

Sorvete de Café

Creme 1:
1 colher de sopa de café solúvel
1 lata de leite condensado
2 gemas
1 lata de leite

Creme 2:
1 lata de creme de leite (com soro)
2 claras em neve
4 colheres de açúcar

Calda:
1 xícara de açúcar
1 xicara de água
1 xicara de Nescau

Como fazer:

Creme 1: misture todos os ingredientes, não se esqueça de tirar a pele das gemas. Bata no liquidificador até ficar homogêneo. Reserve.
Creme 2: bata as claras em neve, depois coloque o açúcar ao pouco batendo sempre, coloque a lata de creme de leite e misture levemente.
Creme final: misture levemente o creme 1 e o creme 2.
Calda: queime o açúcar. Misture o Nescau com a água e junte ao açúcar queimado, cozinhe até virar uma calda. Deixe a calda esfriar direto na forma onde vc vai colocar o sorvete.
Coloque o creme final na forma sobre a calda e leve ao congelado por 6 horas, no mínimo. Desenforme e sirva.

Dica: para facilitar na hora de desenformar coloque em banho-maria com água quente para soltar da forma. Vire numa travessa como se fosse um pudim.

Máquina de dinheiro

October 25, 2005


Você provavelmente é como eu e usa os caixas eletrônicos espalhados por aí do banco onde tem conta. É muito prático mesmo. Dando de cara com estes estabelecimentos comerciais da idade da pedra, que não aceitam cartão, você (quase) sempre encontra pelas redondezas aquela capelinha monetária lhe oferecendo a redenção, diante dos que duvidam que você realmente tenha dinheiro pra comprar aquela coxinha de tres reais. Você já aproveita e tira trintão pra provar que se quisesse comprava dez. O fato estranho e quase místico, apesar dos que crêem que o universo conspira à seu favor, é que uma atitude tão simples esconde um universo de eventos irritantes (tá, tá, nem tanto mas vá ver aquele dia em que você deu uma canelada na mesa, xingou o chefe e tá atrasado pro médico… vai ficar irritado também, vamos ser honestos). Já começa que quando você chega tem sempre alguém na sua frente (claro que depende da sua pressa: se seu filho estiver no carro nascendo, a fila vai te fazer pensar que a maquininha tá vendendo ingresso pro jogo do Corinthias). É batata. E o pior é que sempre é alguém que não tem assim, digamos, aqueeeela familiaridade com o equipamento. O cara passa o cartão do lado errado, lê nos mínimos detalhes as intruções na tela, tira um papelote com a senha… E você pensando que a sessão do cinema já começou. O pior acontece quando, depois da senha, tem que apertar o botão “confirma” e o cara esquece. É um espera, espera, espera…. e o sistema reinicia. Nããããããõoooooo! O pior é que não dá nem pra ajudar. Vão te levar preso por tentativa de assalto. Finalmente ele acabou? Não. Tirou o dinheiro mas agora quer ver o saldo. SALDO?!? Me digam aí: tem coisa mais pobre do que tirar o saldo em caixa eletrônico? Fala sério No passado, vá lá, mas hoje?!? São mais dez anos de espera pela impressão do famigerado papelzinho. No final o cara ainda sai devagarinho pois ele quer ter certeza que a tela inicial vai reaparecer. Ele nunca conseguiu tirar dinheiro duas vezes sem o cartão, mas desconfia. Sabe-se lá né? Fica o impasse: você querendo avançar em direção à máquina e o cara fingindo que vai mas não indo. URGH!
Enfim chega a sua vez e você vai avançando pelas telas com voracidade. “Contrata o seguro sei lá o que?” (- Até parece!)... “sua forma de digitação de senha mudou para….” (- tá tá, whatever).... “passe o cartão mais uma vez” ... “de novo” ... “é você mesmo?” ... “aprovando a solicitação”... “aprovado”. – Há!! Óbvio que tá aprovado!! Tá pensando o quê?? Não ia aprovar não?? Meu dinheiro tá lá! Quem aprova sou eu! Ai dessa maquininha de m… se não soltasse meu dinheiro. O pau ia comer solto!
Você fica realmente triunfante e orgulhoso. Dá até umas olhadas pro lado pra conferir se alguém percebeu que você foi aprovado. Faz aquela pose de quem confia no seu próprio taco. Mas a dúvida começa a voltar à sua mente: começa um tal de “chakachakachakachakachaka”, mais um pouco de “trtrtrtrtrtrtrtrtrtrtrtrtrtrt” depois silêncio. Caramba, você pediu apenas três notinhas e parece que tão contando o prêmio da Mega-Sena lá dentro. Sua mão já tá na boca lá pra fisgar o peixe. Mais um pouco de “chakachakachakachakachaka”. Já começa a vir um pulga para atrás da orelha. “- Na verdade eles não aprovaram, fui enganado…” ou ainda “Acabou o dinheiro dessa joça!!”. Por um instante você vê a coxinha indo pro brejo e visualiza o sorriso banguela da balconista te mandando a mensagem: “- sai daqui pobretão. Ovo cozido aqui é pra quem pode.”
Mas a tecnologia é incrível mesmo e o dinheiro acaba vencendo a luta lá dentro e escapa da máquina. Você sai se achando o rei da cocada preta, afinal ninguém imagina que você tirou umas merrecas. Por via das dúvidas faça pose de quem tirou uns “milão”. De preferência saia com aquela cara de Marcos Valério, carregando o suficiente para uns dois mensalões pelo menos.
Caixas eletrônicos são mesmo o máximo!

Luciano Queiroz

Nota da Gerência

October 24, 2005

O Plebiscito passou e agora é bola pra frente. Não vou tecer grandes filosofias à respeito de um resultado que era mais do que esperado. É página virada. Espero que ninguém tenha mais uma brilhante idéia de democracia direta. Envelheço com as preocupações que tenho, típica de quem leva as coisas muito à sério.
Meu foco agora é escrever mais. Sinto que bons textos estão à caminho deste site.

Luciano Queiroz

SIM ou NÃO - A falsidade de um argumento

October 23, 2005

“Parei de fumar há dois anos. Minha mulher tentou, mas não conseguiu. A lei proibe o fumo em locais fechados. Nada deixa minha mulher mais irritada do que não poder fumar em restaurantes.
“Tenho o direito de fumar mesmo sabendo que me faz mal. Cassam meu direito ao fumo quando me impedem de fumar onde quero”, ela costuma se queixar.
Hoje, ela votará SIM no referendo que proibe a venda de armas. A maioria dos brasileiros votará NÃO.
Chico Santa Rita, o marqueteiro responsável pela campanha do NÃO, apontou em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo o argumento que melhor funcionou para convencer as pessoas a votarem NÃO: – Estão lhe cassando o direito de ter uma arma para se defender.
O mesmo marqueteiro fez a campanha do presidencialismo que derrotou o parlamentarismo no plebiscito de 1993. E usou o mesmo argumento: – Estão lhe cassando o direito de eleger o presidente da República.
Quando o Brasil estava prestes a abolir a escravatura, o direito de ter escravos foi invocado pelos antiabolicionistas, lembra o escritor Luiz Fernando Verissimo em sua crônica dominical.
O Brasil foi o último país a acabar com a escravatura.
Os cariocas foram vacinados na marra contra a varíola, e o cientista Oswaldo Cruz satanizado na época. Os cariocas se sentiram lesados no seu direito de dizer NÃO à vacina. Acreditavam que ela lhes faria mal.
O referendo de hoje não cassará o direito à posse de uma arma. Cercará esse direito de mais cuidados. Haverá mais exigências para que se possa ter uma arma.
As restrições ao fumo se tornam cada vez mais rigorosas por toda parte. Porque o fumo não ameaça apenas a vida do fumante – mas também a dos que não fumam.
Minha mulher sabe disso. E, no entanto, quer ter o direito de fumar onde bem deseje.
A posse de uma arma por quem não é exímio atirador ameaça a vida dele, a vida dos que cruzam com ele e faz a festa dos bandidos que podem tomá-la.
Alguns poucos milhares de brasileiros, em um país de 122 milhões de eleitores, têm armas em casa. É menor ainda o número daqueles que podem contratar seguranças armados.
É por tudo isso – mas não só – que votarei SIM daqui a pouco.”

Noblat

Manifesto dos ganhadores de Prêmio Nobel da Paz

October 21, 2005

“Nós, ganhadores do Prêmio Nobel da Paz, parabenizamos o povo brasileiro, o governo e, ativistas da paz da sociedade civil pelos seus esforços para frear a violência armada através do voto popular. Mesmo tendo abrangência nacional, o referendo pela proibição da venda de armas e munições no Brasil é altamente relevante para o aumento do controle internacional de armas e para prevenir a violência armada globalmente. O mundo estará assistindo aos resultados dessa votação estratégica de perto.

Nós recomendamos fortemente o referendo, considerando:

  • Que só no Brasil, em torno de 40 mil pessoas por ano são mortas por armas de fogo, fazendo com que o país tenha o maior número de homicídios por arma de fogo por ano no mundo, de acordo com as Nações Unidas;

  • Que a proliferação e o mal uso de armas pequenas aumente a letalidade de desentendimentos comuns, disputas domésticas, e crimes violentos no Brasil e no mundo;
    -Que a fraca regulação do comércio de armas no Brasil e internacionalmente contribui para impedir os esforços para o desenvolvimento, para a exacerbação dos abusos de direitos humanos, para minar a segurança pública e aterrorizar populações

O voto SIM no referendo do desarmamento irá mandar uma mensagem ousada de que as pessoas no Brasil não querem suas casas, ruas, escolas e espaços públicos inundados de armas. Será uma mensagem para o mundo de que a maioria das pessoas não acredita que possuir armas nas suas comunidades os faz mais seguros. Será uma mensagem de que a cultura da justiça, direitos humanos e paz deve prevalecer.

Nós, que estamos ativamente envolvidos em avançar na meta de paz ao redor do mundo, acreditamos que uma declaração como esta do Brasil – um país que não só está profundamente afetado pelo problema da violência armada, mas também é um importante produtor de armas pequenas – poderia incentivar outros países estreitar da mesma maneira a regulação de armas nacionais, regionais e internacionais.

Ainda mais, nós acreditamos que um movimento como este criará um apoio crucial para o Tratado do Comércio de Armas, rascunho de um instrumento internacional para regular o irresponsável comércio de armas que foi lançado e promovido pelos ganhadores do Prêmio Nobel da Paz desde 1997.

E, finalmente, nós temos esperança de que a população brasileira irá aproveitar esta oportunidade para criar um futuro livre de armas para as próximas gerações, e mostrará ao mundo que a paz está em nossas mãos.

Nós, ganhadores do Prêmio Nobel da Paz, declaramos o nosso irrestrito apoio à aprovação do referendo e sua bem-sucedida implementação na proibição da venda de armas de fogo e munição no Brasil.”

Assinam:
Adolfo Pérez Esquivel, 1980 (Argentina) – resistência não violenta e direitos humanos na América Latina
Albert Schweitzer, 1952 (Alemanha) – trabalhos humanitários e missionários (assinado pela Fundação Albert Schweitzer)
Anistia Internacional, 1977 – defesa dos direitos humanos no mundo
Betty Williams, 1976 (Irlanda do Norte) – fundadora do Movimento da Irlanda do Norte pela Paz
Desmond Tutu, 1984 (África do Sul) – luta contra o Apartheid
International Physicians for the Prevention of Nuclear War (IPPNW), 1985 (Estados Unidos) – prevenção de guerras nucleares
Jody Williams, 1997 – Fundadora da International Campaign to Ban Landmines (ICBL)
Mairead Corrigan, 1976 (Irlanda do Norte) – Fundadora do Movimento da Irlanda do Norte pela Paz
Oscar Arias Sánchez, 1988 (Costa Rica) – ex-Presidente de Costa Rica, e líder de acordos da paz em América Central
Shirin Ebadi, 2003 (Irã) – ativista e advogada na promoção dos direitos humanos e direitos da mulher

O cinema artesanal de Tim Burton

Para os fãs de “O Estranho Mundo de Jack” (The Nightmare before Christmas) como eu e meu amigo Telli, a expectativa para assistir “A Noiva-Cadáver” (Corpse Bride) é grande. Vejam este texto sobre o filme que estreiou hoje aqui em São Paulo.
Luciano Queiroz

21.10.2005 | ” Com “A Noiva-Cadáver”, animação que estréia hoje no Brasil, o cineasta Tim Burton confirma seu nome como o de principal artesão em atividade na Hollywood contemporânea. Co-dirigido por Mike Johnson, o filme é um excepcional exemplar de uso da técnica de “stop-motion” – em que bonecos são movidos manual e milimetricamente, quadro após quadro.

É um método muito mais dispendioso, demorado e trabalhoso que o da animação por computador, mas com um resultado de beleza única, com mais textura e profundidade. Para se ter uma idéia do trabalho, basta dizer que um piscar de olhos dos bonecos (feitos de aço e silicone) exigia 28 takes.

Não existe nada de errado com o uso de computador para a animação – e filmes brilhantes como “Toy Story”, “Procurando Nemo” e “Shrek”, estão aí para provar. Mas é fundamental garantir a sobrevivência das técnicas de exceção, como a do mestre japonês Hayao Miyazaki (“A Viagem de Chihiro”), que ainda faz seus desenhos à mão, ou do inglês Nick Park (“A Batalha dos Vegetais”, em cartaz no Brasil), grande nome da animação em massinha.

Com o excelente “O Estranho Mundo de Jack”, que produziu em 1993, Burton garantiu praticamente sozinho o renascimento da animação em “stop-motion”. Agora, com “A Noiva-Cadáver”, a técnica deve ganhar novo impulso.

O filme se baseia em uma lenda do folclore russo sobre o casamento acidental entre um homem infeliz e uma noiva morta – prato cheio para a imaginação delirante de Burton.

O cineasta transportou a lenda para uma cinzenta e austera cidade vitoriana e usou como ponto de partida da história o casamento arranjado entre dois jovens que não se conhecem: o tímido Victor (voz de Johnny Depp), herdeiro de novos-ricos sem classe, e a doce Victoria (Emily Watson), filha de um casal aristocrático, mas depauperado.

(more…)

Navegar é preciso

Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa:

“Navegar é preciso; viver não é preciso”.

Quero para mim o espírito [d]esta frase,

transformada a forma para a casar como eu sou:

Viver não é necessário; o que é necessário é criar.

Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso.

Só quero torná-la grande,

ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a (minha alma) a lenha desse fogo.

Só quero torná-la de toda a humanidade;

ainda que para isso tenha de a perder como minha.

Cada vez mais assim penso.

Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue

o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir

para a evolução da humanidade.

É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça.

Fernando Pessoa

Errata

October 20, 2005

No texto “Saio feliz do plebiscito” logo abaixo, sei que generalizei demais. Sei que as fronteiras entre uma e outra posição não estão tão claras. Mas acredito que em maior ou menor grau, no interior de cada um, existe uma disputa entre as duas visões que relatei, e o resultado desta guerra (ou desta batalha ao menos), vai definir o voto de cada um.

Luciano Queiroz

Comunismo X Capitalismo

Sob o comunismo os poloneses tinham uma piada à respeito daquela forma de governo: “Qual a diferença entre comunismo e capitalismo? Sob o capitalismo, as pessoas exploram as pessoas. Sob o comunismo é o contrário”

Saio feliz do plebiscito

Este é um plebiscito que não tem jeito de terminar mal para mim. Vou votar no Sim. Não votarei em protesto ao Governo Lula. Não votarei à favor do Governo Lula. Não votarei interessado no resultado e nem sei se acredito que nossa sociedade amanhecerá diferente. Sei que para alguns o resultado será a diferença entre a vida e a morte e sei que meu sim é uma resposta solidária e solitária à esse fato. Eu voto por coerência. Voto por ética. Voto por compromisso.
Tenho um compromisso com a vida e uma posição pessoal contra tudo o que ameaçe esta vida. Por isso a Ecologia, por isso a Justiça Social, por isso a Saúde. Nós, os que sobramos votando no Sim, somos os mesmos que acreditamos que o direito à vida é uma noção comunitária e solidária. Porque direito não é mérito. No Brasil que vota no Não, pobre e bandido têm que morrer. Não merecem o mesmo tratamento que o resto. O senso de justiça que prevaleçe em nosso país, estabelece que a minoria privilegiada tem todos os direitos e nega cinicamente os mesmos direitos aos de baixo. A classe do Não, pensa que o pobre não tem desculpa pra não ser honesto. Julga com dureza até as crianças que moram na rua, cobrando delas o que não deveria ser cobrado e negando o que deveria ser dado. Reservam à si toda a compreensão com seus erros e julgam como tiranos os inimigos na guerra social. A classe do Não pensa que se virou bem até agora, então não deve nada pra ninguém e não quer que ninguém venha se meter nos seus negócios. Defende o que julga ser seu direito, pois do seu portão pra fora cada um se vira por si.
Eu sei que generalizo, mas vejo uma postura em jogo. A postura de nossa sociedade que há muito perdeu a sensibilidade. Uma sociedade de classes que querem apenas cobrar a sua parte, querem se defender uns dos outros, cegamente defendendo o direito de resolver por si mesmo e negando o caminho coletivo. É a reafirmação das Raízes do Brasil de Sérgio Buarque, nossa tese existencial individualista, que mata no ninho qualquer traço de comunidade que o horizonte possa nos trazer. – Não toque no indivíduo!, clama a massa, nem que pra isso se penalize a sociedade. “-Que se dane a sociedade!” Esta é a história de nosso povo. Este é o princípio que nos faz recusar o mutirão, a cooperativa, a comunidade, e que nos empurra para a idolatria dos bem-afortunados, dos heróis, dos políticos salvadores, das estrelas de sucesso. Negamos nossa luta como povo, para defendermos à nós mesmos em nossas trincheiras. Pobre povo sem ideais. Quando os nazistas ordenaram a todos os judeus da Dinamarca que usassem a estrela amarela de Davi no braço, o rei da Dinamarca andou de bicicleta por toda a cidade de Copenhagen usando uma estrela. Logo a maioria dos dinamarqueses usava uma estrela também, e os nazistas não conseguiam saber quem era judeu e quem cristão. Nós estamos provando que seríamos incapazes deste ato de nobreza. Ficaríamos lamentando a sorte dos Judeus e celebrando nossa sorte. Pode ser que eu esteja errado, mas não encontro na nossa história uma prova do contrário.
Por isso é que fico feliz por ver o tamanho dos que ainda acreditam num país comunitário. Acreditam num país que pode resolver seus problemas em conjunto, encarando suas verdadeiras mazelas, ao invés de acreditar que “alguém” deve fazer alguma coisa. Podemos não ser a maioria mas estamos presentes e faremos a diferença, hoje, amanhã, ou algum dia…

Luciano Queiroz

he he he…. (bacaninha, vai!)

October 19, 2005

O que não faz a preguiça…

October 18, 2005

Pelo sim

Zuenir VenturaNo Mínimo

18.10.2005 | “Sem intenção ou pretensão de influenciar alguém, vou declarar meu voto pelo “sim” nessa reta final do referendo. Nada do que disser vai alterar o resultado que, segundo as pesquisas, já está praticamente decidido a favor do “não”, ainda que, calcula-se, por uma diferença pequena, demonstrando como o desarmamento dividiu o país – o país, as famílias, os amigos.

Tenho um quase irmão com quem há quase 40 anos compartilho as mesmas opiniões políticas e agora, pela primeira vez, vamos discordar. O exemplo mais curioso é o do “dois filhos de Francisco”: Zezé di Camargo vota “não” e Luciano optou pelo “sim”. Ou é o contrário? O fato é que ninguém ficou indiferente, nem mesmo os que vão anular o voto, não por desinteresse, mas pela impossibilidade de se definir.

Com todo os equívocos – inoportunidade, pergunta mal formulada, maniqueísmo das respostas a um tema tão complexo –, o referendo teve o mérito de servir de teste de tolerância. Estamos aprendendo a lição básica da democracia: aceitar a diferença, suportar a opinião contrária, conviver com o oposto. Claro que as campanhas têm tido baixarias, manipulações, mentiras.

Na internet, houve até textos apócrifos adulterando artigos, como fizeram com Luis Fernando Verissimo. Por ter declarado meu voto no “Globo”, recebi… (more…)

Urucubaca

October 17, 2005

Mais segurança: com ou sem armas?

Professores da Universidade e pesquisadores da violência tendem a votar no desarmamento, convencidos de que justificar a posse de armas para defender a vida é contraditório
MIGUEL GLUGOSKI

“Comprar, portar e usar armas é um direito constitucional da pessoa? Proibi-las é cercear a legítima defesa? O que é legítima defesa: uma tradição da cultura norte-americana, que enfatiza excessivamente o direito do indivíduo, ou uma prática universal? No Brasil, a maioria dos crimes de morte é cometida por bandidos, ou em desavenças familiares ou desentendimentos por motivos fúteis? Quem distorce estatísticas? Ou ninguém as distorce, porque não existem ou não são confiáveis? Dia 23, votar sim ou votar não no referendo sobre proibição de venda de armas e munição?

A questão divide acadêmicos, embora a maior parte deles tenda a defender a aprovação do desarmamento. Divide até juristas irmãos, como os Dallari: Dalmo, professor aposentado de Teoria Geral do Estado da Faculdade de Direito da USP, vai votar a favor da lei, argumentando que a sociedade está sujeita a regras democráticas e a liberdade não é absoluta. Ao Estado compete cuidar da segurança do patrimônio e das pessoas; se cada indivíduo recorrer à autodefesa, ficar carregando metralhadoras pelas ruas, “será um faroeste geral”. Mas Adilson, professor de Direito Administrativo da PUC de São Paulo, votará “não”, declarando-se a favor do direito de defesa, porque o Estado, segundo ele, é incapaz de garantir a segurança das pessoas o tempo todo. “Conseqüentemente, o Estado não pode impedir que as pessoas se defendam, até porque isso é uma garantia constitucional.”

Nenhuma dúvida sobre a necessidade de desarmamento tem, na USP, o Núcleo de Estudos da Violência (NEV), cujos pesquisadores estão convencidos de que liberar a venda de armas de fogo é aprofundar a desigualdade social, uma vez que as comunidades que, teoricamente, mais precisariam delas não possuem recursos para adquiri-las. O coordenador do núcleo, professor Sérgio Adorno, alerta que a aprovação da proibição é só o começo da luta por maior segurança; no dia seguinte ao sim vitorioso, como ele espera, devem seguir-se ações práticas de implementação da lei. Por exemplo, a marcação segura de armas e munição, para que, em caso de crimes, se chegue à autoria; providências na área da polícia, que precisa ser mais bem selecionada, remunerada e treinada. Só assim, acredita o sociólogo, a lei “pega”, como pegou a do uso obrigatório do cinto de segurança nos automóveis.

Antes da utopia

Voltando a Dalmo Dallari, o jurista entende que as pessoas favoráveis à liberação da compra e uso de armas agem assim porque (more…)

O que a Veja quer afinal?

Bem, vamos tentar desmontar os argumentos utilizados por Veja para orientar seus leitores à votar no não.

Primeiro: A Veja argumenta que o plebiscito é um embuste uma vez que mesmo que o sim vença, comércio ilegal continuará à todo o vapor.

Ora, apesar de verdadeira, a afirmação de Veja é um sofisma barato. O comércio ilegal já é ilegal e portanto não faria sentido um referendo para decidir sobre o que já está decidido. O plebiscito pergunta se queremos proibir o comércio legal de armas e apenas isso. O problema do contrabando deve ser combatido por outros meios.

Segundo : Veja diz que, para funcionar, o referendo da proibição do comércio de armas no Brasil precisa da concordância de outros países (que vendem armas ilegalmente aos bandidos brasileiros) e de grupos particulares de interesse (os criminosos e seus asseclas na polícia).

Outra vez, o comércio ilegal já é (ora vejam!) ilegal, já é proibido e portanto não está em discussão neste plebiscito. Para fechar o comércio brasileiro legal de armas é necessário apenas a lei. Para o ilegal basta que se cumpram as leis que já existem.

Terceiro: A pergunta “O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?” esconde uma enorme complexidade. Pedir às pessoas que respondam sim ou não a essa pergunta, além de ser inócuo, como se viu, reduz um problema social grave ao que parece ser apenas uma disputa entre pessoas de índole pacífica (os antiarmas) e pessoas belicosas (os pró-armas).

Corretíssimo: o referendo é um erro absurdo. Mas saber que é um erro não deve ser um incentivo para nenhum dos lados.

Quarto: Como uma possível vitória do SIM não terá efeito positivo algum – ao contrário, vai ajudar a aumentar ainda mais o poder de fogo dos bandidos –, as pessoas vão se sentir culpadas pelos crimes que continuarão acontecendo.

Como exatamente a Veja acha que o poder dos bandidos vai aumentar se o sim ganhar?!? Porque nós estaremos desarmados?? E já não estamos??? E o que isso tem a ver com a venda de armas já que o porte é regulado pelo Estatuto do Desarmamento, já em vigor?

Quinto: Se vencer o SIM, ele apenas vai desequilibrar ainda mais o balanço de forças entre as pessoas comuns e os bandidos – a favor dos bandidos.

De novo, como a Veja acha que isso vai acontecer se o porte e a posse de armas estão restritos pelo Estatuto? Aliás, o cidadão comum armado contribui de alguma forma para a redução da violência? Se isso é verdade, como isso ocorre? Dando tiros pra cima no quintal? Se a Veja defende o equilíbrio de forças entre o cidadão comum e o bandido, ignorando a Polícia, não deveríamos defender a venda legal de granadas, fuzis AR-15, etc? Estaríamos começando a equilibrar o jogo…

Sexto: O referendo carece dessa racionalidade. Cria um problema falso (o excesso de armas no Brasil) e uma solução enganosa (acabar com as armas legalizadas) de forma a evitar a questão real (a criminalidade e a ineficiência da política).

O excesso de armas é um problema falso? Elas não são em excesso? São poucas? E mais: a Veja é que propõe uma dicotomia falsa, quando cria para o plebiscito um objetivo que ele não tem. Acabar com o comércio legal de armas não irá acabar com a criminalidade nem com a ineficiência política. E não há ninguém que imagine isso, mas a Veja sim.

Sétimo: O próprio nome da campanha – pelo desarmamento – é enganoso. O título tem apelo popular, mas não traduz com fidelidade o que está sendo proposto. Não se trata de uma consulta sobre o desarmamento, mas a respeito da proibição ou não do comércio de armas.

Ora, a própria Veja faz esta confusão quando apresenta todos os seus argumentos contra o desarmamento do cidadão, o que é regido pelo Estatuto do Desarmamento. A revista pouco ou quase nada cita como argumento pela defesa do comércio legal e depois deposita no colo dos outros a confusão que ela mesma faz.

Oitavo: A pergunta do referendo de 23 outubro poderia ser formulada de modo mais honesto e realista da seguinte maneira: “O Estado brasileiro pode tirar das pessoas o direito de comprar uma arma de fogo?”

Bem, não sei se a pergunta como está é mal ou bem formulada, mas desde quando comprar uma arma de fogo é um direito? Comprar maconha é um direito? Escutar música alta de noite é um direito? Andar de carro à 200 km/h é um direito?
Se a atual pergunta é acusada de induzir a resposta sim, esta proposta pela revista não induz ao não? E se o sim ganhar nesta pergunta proposta, teremos dado ao Estado o poder de tirar o direito, como uma possibilidade, e não como uma obrigação em função do resultado das urnas. Em resposta à pergunta, cabe à resposta: “sim, pode”. E daí? Vai ou não tirar?

Nono: Os bandidos, como se sabe, são fora-da-lei. Já é ilegal matar, e eles matam. É ilegal roubar, e eles roubam. Se o comércio de armas se tornar ilegal, os bandidos vão continuar fortalecendo seu arsenal no mercado negro como sempre fizeram.

E daí? Se tudo continua na mesma no campo da criminalidade, não devemos então tentar analisar o impacto da proibição sobre os crimes passionais, acidentes, etc? Porque a revista ignora estas mortes? Quer dizer que se fica tudo igual em um aspecto, que se danem os outros?

A revista fala o que quer. É um pacote completo de argumentos. Mas não são tão melhores ou menos distorcidos do que os que se vê por aí. A revista recomenda o NÃO mas para mim ela dá argumentos para que se vote no que se quiser. A conclusão que se tira da reportagem, e confirmada no editorial da edição seguinte, é que o plebiscito é inócuo. Se isso for verdade, cada um vota como quiser e fica incompreensível a posição da revista.

Luciano Queiroz

Um dia comum…

De novo insisto em usar este meu espaço para a defesa de uma sociedade menos armada. Não é fácil me eximir deste posicionamento quando todos seremos diretamente afetados pelo resultado do plebiscito. Pelo menos quem quer motivos para votar no sim, encontra por aqui bons argumentos.
O pessoal de Portugal não deve estar entendendo muito nem gostando da discussão. Prometo variar mais o assunto.
Os destaques de hoje ficam para as possíveis renúncias dos deputados cassáveis, para a suspeita de sobrepreço de 405 milhões na obra da transposição do Rio São Francisco (que nem começou!!) e para o prêmio que Lula ganhou da FAO por sua atuação no combate à fome…
Que dia comum no Brasil!

Benefícios do Desarmamento

Luiz Eduardo Soares
(Professor da UCAM e da UERJ – ex-secretário nacional de segurança pública)

“A pergunta chave, cuja resposta deve orientar o voto no referendo, é a seguinte: há razões e evidências consistentes que justifiquem a suposição de que haja elevada probabilidade de que a eventual proibição do comércio de armas e munição contribua para salvar vidas e preservar a integridade física de cidadãs e cidadãos, os quais, de outro modo, estariam submetidos a graves riscos? Minha resposta é sim.
Para fundamentá-la, vou tratar dos quatro usos das armas de fogo, por não profissionais da segurança pública e das Forças Armadas: o uso criminoso planejado; o uso criminoso não-planejado; o uso involuntário ou acidental; e o uso defensivo e legítimo. A questão básica está em saber se a proibição incidirá, significativamente, sobre os três primeiros usos, inibindo-os, e se os benefícios deste efeito serão maiores do que as eventuais perdas advindas da inviabilização do uso defensivo. Respondo também afirmativamente a essas duas perguntas.
Com base nos dados do IBGE (SIM/DATASUS), Waiselfisz demonstrou que, entre 1979 e 2003, mais de 550 mil pessoas morreram no Brasil por disparos de arma de fogo –44,1% das vítimas eram jovens, entre 15 e 24 anos, os quais, entretanto, não passam de 20% da população. O aumento do número de vítimas de homicídios dolosos, com armas de fogo, entre os jovens desta faixa etária, foi de 742,9%, no mesmo período. Estamos falando, portanto, de uma tragédia nacional, que atinge, sobretudo, os jovens do sexo masculino, em geral pobres e freqüentemente negros.
Estudo de Dreyfus e Nascimento estima que há 17.325.704 milhões de armas de fogo, no país: 1.031.386 com integrantes das Forças Armadas (na ativa e na reserva); 715.224 com profissionais da segurança pública, magistrados, oficiais de justiça e categorias vinculadas ao sistema judiciário; 6.815.445 com civis, incluindo-se colecionadores e esportistas; e 8.763.614 armas ilegais, nas mãos de civis (das quais 3.995.970 estariam com criminosos).
Ao contrário das drogas, cujo processo é ilegal do início ao fim isto é, da produção à distribuição, até o consumo, as armas ilegais a serviço do crime começam seu percurso dentro da lei e são desviadas, em algum ponto do caminho. A migração de armas para o circuito ilegal decorre de furtos, roubos ou negociações informais. No Rio de Janeiro, 25,6% das armas de fogo que foram apreendidas pelas polícias entre 1981 e 2003, tinham sido registradas por proprietários legais –pesquisas de Dreyfus, Rivera e Cano confirmam esses números. Em São Paulo, esses casos corresponderam a 52% das armas apreendidas entre 2000 e 2003. Em Brasília, foram 29%, no período 2001 a 2003 (fontes: DFAE, RJ; SSP, SP; DAME, DF).
Com que armas atuam os criminosos? Não nos iludamos com os mitos das armas de guerra, contrabandeadas do exterior. Elas existem em um número muito alto, mas nem de longe constituem o principal problema. Tomando-se os casos dos estados do Rio e de São Paulo, que, no ano 2000, foram responsáveis por metade (50,5%) dos homicídios que ocorreram no Brasil, inclusive daqueles cometidos com armas de fogo (51%), descobriremos dados surpreendentes: das 44.437 armas apreendidas, no Rio, entre novembro de 1996 e abril de 1999, Cano demonstra que 72,9% eram nacionais. Cerca de 80% eram revólveres e pistolas. Em São Paulo, em 2003, apenas 4% das armas apreendidas não se originaram do mercado legal e nacional. Além disso, observe-se que 66% eram revólveres; 20%, pistolas; 10% armas de brinquedo. Grande parte do armamento pesado também era de fabricação nacional. (more…)

Seios de silicone podem tocar MP3

Chips embutidos em próteses de silicone podem transformar os seios da mulher em tocadores de música digital, anunciam pesquisadores da British Telecom.

São Paulo – Há alguns anos atrás, o futurologista britânico Ian Pears imaginou que seios de silicone pudessem servir também como reprodutores de música digital. “Se uma mulher tem algo implantado permanentemente, é bom que seja algo útil, também”, disse Pearson ao jornal inglês The Sun.

Em princípio, a idéia de Pearson soava como algo muito louco, impossível de acontecer. Mas, recentemente, pesquisadores da British Telecom anunciaram que seria possível realizar a proeza.

Eles explicaram ao The Sun que, por meio de chips, um dos seios funcionaria como player enquanto o outro guardaria a coleção de músicas preferidas da dona da prótese. O dispositivo seria controlado via Bluetooth , através de um painel colocado no pulso.

Os blogueiros, sempre atentos às novidades da tecnologia, acolheram a notícia com muito bom humor: “A invenção tornará os momentos de amor bem mais interessantes”, eles comentam seus diários pessoais online.

Fonte: O Estado de São Paulo

Direito às armas não é direito

Pedro DoriaSite No Mínimo

15.10.2005 | A discussão sobre a proibição da venda de armas dividiu os brasileiros com uma polarização inédita. Esta polarização causa surpresa, discussões ácidas. Não quer dizer que seja ruim. Grandes questões, questões polêmicas, costumam dividir mais as democracias maduras do que a escolha de um ou outro presidente.

Este é o truque dos plebiscitos. É nesta hora que o cidadão está convocado não a dizer quem acha mais simpático mas o que acha sobre um assunto. Talvez exista uma vantagem na incompetência de ambas as campanhas. Desde a eleição de Fernando Collor, nos acostumamos cada vez mais à propaganda sofisticada que tratou, justamente, de eliminar as questões relevantes do discurso de candidatos. O negócio é vender um sujeito bacana que foge de polêmica, não enfrenta.

Com um problema de verdade pela frente é difícil escolher qual o caminho melhor, pois é. Perdemos uma grande chance no plebiscito do sistema de governo. O parlamentarismo merecia melhor defesa. Mas de repente este plebiscito pegou fogo. Não está sendo ideal. Está confuso. A discussão começou muito tarde. Quando chegar o momento do voto a questão não estará madura para grande parte dos eleitores.

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Por que sim - Luis Fernando Veríssimo

October 16, 2005

“O debate sobre a proibição ou não de armas é uma guerra de hipóteses. Discutem-se teses que pouco têm a ver com a realidade pessoal de cada um, já que a grande maioria dos que são a favor ou contra nunca pegou ou pegará numa arma. O embate é sobre o direito dos outros, entre pressupostos e previsões — portanto abstrações — diferentes.

A turma do “Sim” defende a tese lógica de que, quanto menos armas à disposição, menos armas serão usadas, e adota a hipótese de que o acesso dos bandidos às armas também será limitado e o combate ao crime facilitado. A turma do “Não” diz que os cidadãos ficarão indefesos contra bandidos cujo acesso a armas ilegais não será afetado pela proibição, avança a tese da interferência indevida do Estado nas nossas vidas e acena com a hipótese do caos.

Escolha a sua racionalização.

Eu escolhi a lógica do “Sim” porque os argumentos do “Não”, sei não. Dizer que o desarmamento da população a deixaria vulnerável ao crime equivale a dizer que, até agora, a população armada fez um bom trabalho de se defender, o que não é o que mostram as estatísticas. As estatísticas e o bom senso (e a polícia) mandam não reagir ao criminoso armado. Uma vitória do “Não” no referendo teria que — pela lógica — ser seguida de medidas que encorajassem a compra de armas por particulares, eliminassem as restrições legais ao seu uso, e estimulassem o “vigilantismo”. Um real, e não mais apenas teórico, engajamento da população numa guerra a tiros com os bandidos. Ou seja, aí sim o caos.

Prefiro a hipótese do desarmamento geral, que dá mais recursos à autoridade para pegar o criminoso antes do crime, à “banditização” de todo o mundo.

Quanto à limitação, pelo Estado, do direito do cidadão, ela é justificada em vários casos, dos sinais de trânsito que o impedem de se matar em cruzamentos à proibição de fumar em lugar público que o impede de matar seu vizinho. No caso da proibição das armas o Estado também interfere para proteger o cidadão de si mesmo. ”
Luis Fernando Veríssimo

Carta para meu melhor amigo.

October 7, 2005


Acredite em mim. Você vai crescer e isso não vai demorar tanto quanto parece. Desta vida de adulto, tenho coisas boas e ruins pra te contar.
Saiba que você terá que tomar decisões importantes quase todos os dias. Você vai ter dinheiro pra comprar todo o chocolate que consegue comer, mas não vai querer fazer isso. Você conseguirá ir sozinho à loja de brinquedos e poderá escolher o que você quiser, mas não irá. Aliás, seus brinquedos serão para colecionar e não mais quebrarão e ficarão sujos com suas brincadeiras na lama. Você poderá escolher a sua roupa, abandonando de vez estas que sua mãe acha que ficam bem em você.
Será uma dificuldade se sentir feliz no trabalho como você se sente na escola. Nas horas vagas, preocupações invadirão a sua cabeça e atrapalharão suas brincadeiras. Meninas vão se interessar por você e você por elas, e isso sim será uma novidade boa que você vai ter que aprender a conviver. Por outro lado entendê-las será um desafio diário. E você vai querer se casar com a que você tem mais dificuldade de entender. Não se pergunte porquê. É assim que a vida funciona. Escovar os dentes, pentear o cabelo, limpar a casa: você vai querer fazer isso sem ninguém implorar. Banhos serão apenas para ficar limpo e você vai gostar deles, mas inundações no banheiro não serão mais perdoadas tão facilmente. Você vai ter que começar a maneirar sua vontade de imitar as pessoas em público, terá que comer comidas estranhas que te oferecem e aprenderá que nem tudo o que pensamos podemos falar. Os apelidos de seus amigos mudarão de banha, meleca e vareta para outros não tão bacanas como Ale, Fred, Japa. Voce não se orgulhará mais de trazer areia no tênis da escola, de ter um binóculo, de saber lutar judô. Estará preocupado com sua aparência e sua perna fina e seu óculos te deixarão um pouco infeliz. Dormirá quando quiser e a televisão estará sempre liberada: isso será bom. Mas passará a acordar cansado e não vão te deixar dormir no trabalho. Aliás, no trabalho você não poderá brincar nos intervalos, não vão fazer expedições pela fábrica, e joguinhos no computador (voce vai saber o que é isso) serão bloqueados. Guerrinhas de papel e competições de aviãozinho te trarão complicações. Você vai resolver problemas que outros inventaram. Terá um tempinho para inventar uns também, mas não vai poder fazer isso só pra divertir todo mundo: eles não ficarão tão felizes. As pessoas não estarão tão propensas a te ajudar como fazem agora, a te compreender. Por falar nisso, pregar peças nos seus amigos poderá magoar alguns, é melhor você maneirar.
Tenho que me despedir, desculpe. Não consegui falar tudo o que queria e muito mais você vai perceber que mudou. Não se desespere. Lembre-se sempre de manter sua alegria, sua criatividade, sua capacidade de sonhar e de admirar o que é simples. Tardes de sol poderão ser igualmente divertidas, basta que você não se esqueça de quem você é, neste coração que mal começou a explorar o mundo e que já é tão apaixonado pela vida. Boa sorte. Estaremos sempre juntos.

De: Luciano Queiroz, 2005
Para: Luciano Queiroz, 1985.

Carta da CNBB ao Presidente

October 6, 2005

É bom pra ficar mais bem informado à respeito do assunto.

“Excelentíssimo Senhor Luiz Inácio Lula da Silva
Presidente da República Federativa do Brasil

          Dirigimo-nos a Vossa Excelência com a saudação de “paz e bem”!

Estamos impressionados e preocupados com a atitude do nosso irmão no episcopado, Dom Frei Luís Flávio Cappio, OFM, Bispo de Barra, Bahia. Trata-se de um apelo extremo em defesa da vida do rio São Francisco e do povo ribeirinho.

Somos interpelados por este gesto profético, fruto de um discernimento espiritual feito ao longo de anos de convívio com a realidade de pobreza e sofrimento das populações que sobrevivem do rio São Francisco.

Sem entrar no mérito dos aspectos técnicos do projeto, a atitude do nosso irmão expressa o grito angustiante das populações ribeirinhas e as divergências de opinião sobre o projeto.

Senhor Presidente, apelamos para que reconsidere a decisão política que, ainda longe de um consenso na região nordestina a respeito da viabilidade e dos resultados sócio-ambientais da transposição do rio São Francisco, divide as mentes e os corações. Esperamos uma atitude sua em favor da unidade do povo nordestino. É preciso intensificar o diálogo capaz de superar as divergências que existem na região e construir um projeto que seja do conjunto da sociedade.

Apelamos para a sua responsabilidade de Presidente da República, para adiar o início das obras de transposição do rio e garantir, antes de tudo, a sua revitalização.

Confiados em Deus, esperamos contar com a sua compreensão e solidariedade, para olhar com carinho o nosso irmão e nos ajudar a preservar-lhe a vida.

Com o nosso respeito.

Cardeal Geraldo Majella Agnelo
Arcebispo de Salvador (BA)
Presidente da CNBB

Dom Antônio Celso de Queirós
Bispo de Catanduva (SP)
Vice-presidente da CNBB

Dom Odilo Pedro Scherer
Bispo Auxiliar de São Paulo
Secretário-geral da CNBB

Batata teve origem no sul do Peru

October 5, 2005

Mais uma notícia de importância incomensurável na sua vida….

Batata teve origem no sul do Peru, há 7 mil anos

“Washington – Cientistas americanos descobriram que todas as variedades modernas de batatas tiveram origem em uma única fonte – batatas criadas no Peru há 7 mil anos. Acreditava-se que a região de origem das batatas era muito mais vasta, incluindo o Peru e o norte da Argentina.
A equipe de pesquisadores, liderada por David Spooner, da Universidade de Wisconsin-Madison, analisou o DNA de 359 batatas – 261 de variedades silvestres e 98 de produtos cultivados.
“Ao contrário de todas as hipóteses da origem das batatas cultivadas, nós identificamos uma única origem em uma região no sul do Peru”, afirma Spooner, professor de horticultura que passa dois meses por ano recolhendo batatas silvestres em trilhas de regiões montanhosas na América do Sul.
As batatas foram levadas à Espanha por volta de 1570 e depois se espalharam pela Europa. Elas foram depois introduzidas na América do Norte por colonizadores britânicos.
Cerca de 300 milhões de toneladas de batatas são produzidas no mundo todo a cada ano. A pesquisa foi patrocinada pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos. ”
Fonte: O Estado de S. Paulo

Homem x Mulher

Irônico

Não deixa de ser irônico ouvir o argumento que o sim ao plebiscito irá cercear o direito de possuir uma arma quando o Estatuto do Desarmamento já praticamente extinguiu esta possibilidade e ninguém se pronunciou. Aparentemente nossa consciência tem data e hora pra acordar, antes de dormir de novo.

Direito? Que direito?

October 4, 2005

Falando em direitos, cabe a reflexão: o que é um direito? Na história da organização humana através dos séculos, o conceito de direitos individuais variou bastante. Ouve uma época, onde possuir escravos era um direito, desde que se pudesse pagar por eles. Em outra, mulheres não tinham direito à voto, nem pobres. Se vivêssemos na antiguidade teríamos o direito de ver homens se degladiando na arena.
Mesmo hoje em dia, os direitos mudam geograficamente. Há lugares onde é possível ter várias esposas e onde eu posso apedrejar uma delas caso pega em adultério. Em alguns países eu posso fumar e jogar a fumaça na cara de quem eu quiser, em outros, isso é proibido. Em alguns países, eu tenho o direito de matar baleias.
Geralmente, a evolução humana e de sua sociedade foram extinguindo alguns direitos, que ficaram inadequados, e criando outros. A evolução do conceito de liberdade acontece à medida que amadurece na sociedade a noção que todos os seres humanos são iguais. Esta idéia faz com que os direitos antes considerados devidos e adequados, passem a não ser mais quando invadem o direito de um outro ser humano, que antes era desprezado. Me parece que é o equilibrio dos direitos individuais que gerará enfim uma sociedade justa.
Chego então ao ponto que queria chegar: até onde eu tenho realmente o direito de possuir uma arma em casa? Quem me dá esse direito? E mais: esta arma quando usada não fere o direito do outro, de viver? Não é uma arma de fogo justamente um instrumento de supressão de direitos?
Mudemos de foco talvez. Não seria então o caso do “direito que eu tenho de amedrontar quem porventura quiser me fazer mal”? Sim, talvez o ser humano hoje tenha este direito. Mas ele pode fazer isso ao preço de colocar em risco a sociedade? Quem me garante que este indivíduo, ao exercer seu direito à intimidação, não vai colocar outro ser humano em risco quando por exemplo souber que está sendo traído por sua esposa? Por mais que a traição conjugal seja condenável, em poucos lugares ela ainda é punida sumariamente com a morte. E é possível, até provável, que o indivíduo que possui uma arma utilize-a em uma situação de intensa traição como essa. É um caso onde o direito à intimidação, criou um risco real ao direito de outras pessoas. É também o caso do cidadão que mata o bandido que lhe invade a casa para roubar uma galinha. Roubar galinhas não se pune com a morte no Brasil. E existem muitos outros casos.
Há muito o que se falar à respeito, pra quem quiser escutar.
Luciano Queiroz

Ainda sobre armas…

Para os que acham que proibir apenas a venda não adianta, saibam que o plebiscito é parte de uma iniciativa maior chamada Estatuto do Desarmamento. Ele já está em vigor e abaixo estão alguns esclarecimentos sobre o tema, retirados do site do Ministério da Justiça.

1. Quando entrou em vigor o Estatuto do Desarmamento? E quando foi regulamentado?
A Lei 10.826, de 22 de dezembro de 2003, conhecida como Estatuto do Desarmamento, entrou em vigor no dia seguinte à sanção do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, quando foi publicada no Diário Oficial da União. Portanto, começou a vigorar no dia 23 de dezembro de 2003.
O decreto que a regulamentou, nº 5.123 de 01/07/2004, foi publicado no Diário Oficial da União no dia 02 de julho de 2004, começando a vigorar naquela data.

2. Por que foi preciso regulamentar o estatuto? Como foi esse processo?
Porque alguns artigos não eram auto-aplicáveis, como por exemplo o teste psicotécnico para a aquisição e porte de armas de fogo, marcação de munição e indenização para quem entregar sua arma. O governo federal constituiu, então, uma comissão especial para elaborar o texto do decreto, pela portaria 388 de 04/02/2004, composta por técnicos dos ministérios da Justiça e da Defesa. Os trabalhos da comissão foram coordenados pela secretária de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça, Ivete Lund Viegas.
Esse trabalho esteve disponível nas páginas da internet desses ministérios, por 15 dias, com o objetivo de receber sugestões da população (consulta pública), além da audiência pública, realizada no auditório do MJ, e que contou com mais de 100 pessoas representativas dos vários segmentos da sociedade.
Após três meses e meio de discussões, no dia 20 de maio, a comissão entregou o texto proposto aos ministros da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, e da Defesa, José Viegas, em solenidade simbólica no Ministério da Justiça.

3. Quais são os principais pontos da nova lei?
Em regra, a lei proíbe o porte de armas por civis, com exceção para casos onde há ameaça à vida da pessoa;
O porte de arma terá duração previamente determinada, estará sujeita à demonstração de efetiva necessidade, a requisitos para a obtenção de registro;
O porte poderá ser cassado a qualquer tempo, principalmente se o portador for abordado com sua arma em estado de embriaguez ou sob efeito de drogas ou medicamentos que provoquem alteração do desempenho intelectual ou motor;
As taxas cobradas para a emissão de autorização para porte e registro de armas de fogo foram aumentadas, de maneira a dissuadir o pedido de novas permissões. Para novo registro, renovação ou segunda via, a taxa é de R$ 300. Para a expedição de porte, renovação ou segunda via do mesmo, a taxa é de R$ 1 mil.
Em outubro de 2005, o governo promoverá um referendo popular para saber se a população concorda com a proibição da venda de arma de fogo e munição em todo o território nacional. Em caso de aprovação, a medida entrará em vigor na data de publicação do resultado pelo Tribunal Superior Eleitoral.

(more…)

Abaixo o plebiscito

Tudo o que eu imaginei que ia acontecer neste plebiscito está acontecendo. Manipulações, radicalizações, um achismo generalizado… Me lembro bem do plebiscito para escolher entre Parlamentarismo e Presidencialismo. No fundo ninguém sabia muito bem o que era um ou o outro mas a campanha pelo Presidencialismo foi mais bem feita e continuamos neste presidencialismo tosco. Parecia campeonato de futebol. Todo mundo torcendo sem saber porque. Uma pena.
E agora é a mesma coisa. Quando o Governo é omisso e foge de suas responsabilidades, delega ao povo o erro para poder se eximir da culpa. Proibição do comércio de armas não é assunto para leigos decidirem. É para os especialistas, estudiosos, etc. Até Outubro vai ser este inferno, ver um show de insensatez. Daqui a pouco vão dizer que a Argentina vai invadir o Brasil se o comércio de armas for proibido. Duvida?
É uma pena. Uma pena mesmo que não possamos replanejar uma sociedade, e que prefiramos ficar em casa entricheirados defendendo nosso “direito” de andar armado. Esquecendo do direito (esse sim sem aspas) à vida dos milhares de mortos em acidentes, brigas entre amigos, crimes passionais, brigas de trânsito, etc, que foi desrespeitado porque outros queriam ter o direito de matar. Pra mim, não existe este direito.

Luciano Queiroz

Maioria das armas do crime teve origem legal

“Quase dois terços das das armas apreendidas com criminosos no Rio de Janeiro nos últimos seis anos estão ou estiveram nas mãos de pessoas físicas sem antecedentes criminais. É o que mostram dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado, analisados pelo Instituto de Estudos da Religião (Iser) e pelo Viva Rio. Os números indicam que, de 86 mil armas apreendidas em ocorrências criminosas desde 1999 e registradas nas 79 Delegacias Legais do estado, 61% pertencem ou pertenceram aos chamados cidadãos de bem, sem envolvimento com o crime.
Do total de armas apreendidas, 33% eram do chamado estoque legal — com registro nos cadastros estadual ou nacional, seja em nome de pessoa física ou de pessoa jurídica. Outras 39% eram do estoque informal — originalmente pertenciam a pessoas sem antecedentes criminais, mas nunca foram registradas oficialmente. Apenas 28% tinham origem criminosa e eram produto de contrabando.
A pesquisa mostra também que, do total de armas registradas, cerca de dois terços pertenciam a pessoas físicas, contra um terço pertencente ao patrimônio do Estado (polícias, Forças Armadas etc.).
Para Rubem César Fernandes, do Viva Rio, a pesquisa é um argumento único a favor do desarmamento no Brasil, em termos de estatísticas de secretarias de Segurança Pública quanto à origem das armas por tipo de crime.
No tráfico, 51% das armas são de origem legal
Outro dado que ele considera surpreendente é o das armas do tráfico: 51% eram revólveres que pertenceram a cidadãos sem antecedentes criminais. Isto mostra que os soldados da primeira linha do tráfico não têm o poderio de fogo de gerentes e demais traficantes, que se valem de fuzis.
— Essas armas (das pessoas de bem) estão parando nas mãos dos bandidos. Então nós estamos comprovando que nós temos que desarmar — disse a governadora Rosinha Garotinho (PMDB), que declarou seu voto pelo “Sim” no referendo do próximo dia 23.
Segundo ela, no primeiro semestre deste ano o índice de homicídios foi 25% menor do que o do primeiro semestre de 1995. Ela aproveitou a divulgação da pesquisa para pedir providências ao governo federal no combate ao tráfico de drogas e à entrada ilegal de armas.
A grande maioria das armas é brasileira, mesmo no estoque informal: 81% delas foram fabricadas no Brasil, contra apenas 19% de estrangeiras. Mas muitas das armas brasileiras saíram do Brasil para o Paraguai e de lá retornaram ilegalmente. “

Toni Marques – em O Globo

Foi a Tati!!

October 3, 2005

PARABÉNS TATIANA (que trabalha comigo) PELO MILÉSIMO ACESSO!! rs

Mil acessos

Quase mil acessos e eu ainda não sei direito que cara deve ter este blog. Mas acho que melhorei muito desde o princípio. Escrevo um pouco de tudo o que eu gosto, apostando que o ser humano é complexo por natureza.
Mas sempre acho que escrevendo poesia incomodo os que gostam de política e que escrevendo de política incomodarei os que querem crônicas. Tento evitar o excesso de opiniões sem fundamento que, em última análise, são contra o espírito de inteligência que pretendo para este espaço. Vamos ver, vou continuar tentando melhorar sempre, sem perder de vista que pessoa que tem que gostar deste blog sou eu mesmo.