Dica Literária

August 31, 2005

Vinho e Guerra

Neste livro, Don e Petie Kladstrup trazem uma narrativa da saga de tradicionais famílias de vinicultores franceses que impediram os nazistas de roubar um de seus símbolos mais genuínos – o vinho. Usando das incríveis artimanhas como a construção de paredes com teias de aranha para esconder safras preciosas, sabotagem de trens que transportavam vinho para a Alemanha, os produtores de vinho formaram uma espécie de Resistência paralela a fim de proteger a economia da França e preservar um de seus prazeres mais inebriantes e diletos.

Fonte:
http://www.temporeal.com.br/produtos.php?id=168019

Este livro é realmente um barato. Li em três dias. Pra quem gosta de vinho e de história, é imperdível.

Luciano Queiroz

Illusion!

August 30, 2005

As sem-razões do amor

“Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.”

Carlos Drummond de Andrade

Ser estagiário é uma m…

estagiário

Onde está a felicidade que você procura?

August 28, 2005

bruma
Onde está, onde dorme. Onde andam meus sonhos, que há muito não os vejo. Se em algum lugar do mundo, me diga. Irei onde for para encontrá-los. Só não me diga que dentro de mim eles estão, pois não se vendem passagens para este lugar. Não tenho seus mapas e nem a chave que abre suas portas. Que cruel ter a felicidade tão perto, que dorme comigo todos os dias, mas não poder senti-la, por não saber resgatá-la. Que humana ironia, buscar em todos os lugares o que não pode ser buscado, ter como alvo o que não pode ser atingido senão pelo tempo. Se me dão prego e martelo, faço uma casa? Mas me dizes: – o que precisas carregas consigo! – Como entender? Pois farei do mundo minha casa, não para encontrar a felicidade, mas a chave que me fará não mais correr o mundo em busca do que já tenho.

Luciano Queiroz

Choro Moderno

August 26, 2005

Vejam este trecho de uma matéria da revista Guitar Player, sobre o grupo Quatro a Zero. Conheço o grupo de perto pois o baterista é um grande amigo meu e já pude acompanhar alguns shows da banda. É material de primeira. Inventivo sem firulas, leve mas cheio de conteúdo. Talvez não seja de imediato entendimento para os menos acostumados à música instrumental, mas com certeza será um agradável aprendizado. O primeiro disco da banda vale cada centavo investido.
Lucas, estás convidado à escrever um artigo aqui. Deixo o tema à sua escolha.
Luciano Queiroz

4 a 0

Choro Moderno
Julho 2005

Eduardo Lobo explora a eletricidade da guitarra no grupo Quatro a Zero.
“Em seu primeiro álbum, Choro Elétrico, o Quatro a Zero procura modernizar, romper as barreiras e ampliar os horizontes do choro, mas sem destruir a essência de um gênero musical que surgiu no século 19. Formado por Eduardo Lobo (guitarra, violão de sete cordas e bandolim), Danilo Penteado (baixo elétrico e cavaquinho), Daniel Muller (piano, escaleta e acordeão) e Lucas da Rosa (bateria e percussão), o Quatro a Zero surgiu quando seus integrantes cursavam música popular na Universidade de Campinas (Unicamp), onde eles tiveram a idéia de tocar choro com uma base diferente da tradicional, composta por guitarra, piano, baixo e bateria.

ENTREVISTA

Como surgiu a idéia de criar um grupo de choro diferenciado?
Quando ingressei na Unicamp, em 1999, conheci o baterista Lucas da Rosa, e logo percebemos que nós dois gostávamos de choro. Começamos a correr atrás de material e gravações. Em 2001, na aula de Prática Instrumental, ministrada na época pelo pianista Paulo Braga, surgiu a possibilidade de tocar choro com base formada por guitarra, bateria, baixo elétrico e piano. Lembro-me que o Paulo comentou: “Vocês têm certeza de que querem estudar choro? Vai dar um baita trabalho!”

Como foi o processo de adaptação da linguagem e estrutura do choro tradicional ao formato elétrico do Quatro a Zero?
Foi bastante sistemático. A base da pesquisa foi o grupo regional – formado por violão, violão de sete cordas, cavaquinho, pandeiro e bandolim ou flauta como solista. Nesta formação, as funções dos instrumentos são bastante definidas: o solista expõe o tema e o ornamenta a seu critério; o pandeiro cuida da condução rítmica; o cavaquinho faz o ritmo e a condução harmônica, o sete-cordas toca os contracantos com a melodia. Tudo isso acontece com muita leveza e diálogo entre os instrumentistas. A partir daí, adaptamos as funções: o baixo pode fazer o sete-cordas ou o seis-cordas; a guitarra exerce as funções do cavaquinho, sete-cordas, violão ou do solista; o piano pode ser os violões e o solista; a bateria faz o pandeiro. O desafio é utilizar esta formação sem destruir a leveza e o diálogo entre os instrumentos. Além disso, tocamos temas clássicos do gênero com seus arranjos originais.
...”

Gostou? Ficou curioso? Não deixe de visitar o site da banda, onde vc encontra alguns trechos das músicas e mais informações sobre a banda e sua agenda.

http://www.quatroazero.com.br/

CÍNICO!!!

August 25, 2005

“Quanto a cínico, o mesmo dicionário diz, entre outras coisas, o seguinte: «1 (em filosofia) relativo a ou adepto da doutrina dos filósofos gregos Antístenes de Atenas (444-365 a. C) e Diógenes de Sinope (400-325 a. C.), que se caracteriza esp. pela oposição aos valores sociais e culturais em vigor, com base na convicção de que não é possível conciliar leis e convenções estabelecidas com a vida natural autêntica e virtuosa; 2 (derivação: por extensão de sentido) que ou aquele que afronta ostensivamente as convenções e conveniências morais e sociais.»”

João P. Farinha

O blog é o mesmo mas o visual…

Estamos de cara nova Depois de dois meses este blog consegue a cara originalmente pensada para ele.
Agora é só rezar pra Royal não me processar

Quem já não passou por isso?

August 22, 2005

Chego em casa, me arrumo correndo pois a carona não tarda a chegar. São muitas informações que precisam ser processadas em segundos. Que sapato colocar, a roupa que está pra lavar, não esquecer o CD pra escutar na viagem, ligar pra desmarcar a aula de Francês. Cada atividade sendo executada enquanto o cérebro já prepara a execução da próxima. Faltam só dez minutos Já, já o interfone vai tocar. Escova o dente, bota o sapato, escolhe um casaco pro caso de esfriar, molha as plantas que estão secas, bebe uma água, e …. ESQUECI DE DESMARCAR A AULA Pego o telefone correndo, digitando mais rápido do que a maquininha consegue captar e….

Voz: – Alô???
(tempo em câmera lenta: o cérebro começa a trabalhar na velocidade da luz. Como assim alô? Que voz é essa? Não é da professora de Francês e nem de ninguém da casa dela! Mas não é uma voz desconhecida… que sotaque diferente é esse….)
Tento ganhar tempo.

Eu: -Q…Quem está falando?
(cérebro: Boa, sensacional!! Vc é um gênio!! Ganhou tempo pra pensar…. pense, pense, PENSE!)

Voz: – Quer falar com quem?
(cérebro: PUTZ! Como assim? O que é que eu falo agora?? Definitivamente não é da casa da professora de Francês! Pra quem que eu disquei?!? Droga$(&)&¨_* Bom, insiste na pergunta aí! INSISTE)

Eu: – É da casa de quem, por favor?
(cérebro: última chance, se esse estrupício não disser de onde é vou bater o telefone! Saio ileso!! Boa!! Vou fazer isso… é UM, é DOIS, é...)

Voz: – Luciano?!?
(cérebro: NÃÃÃÃÃOOOO! Pego no flagra Cueca na mão Relaxa a voz, pareça calmo por favor! Não é hora pra desespero… Taca aí uma pergunta genérica!!)

Eu: é....
(QUE QUE É ISSO??? È o melhor que vc consegue fazer??? Que lixo!! Vai ser difícil disfarçar agora!! Seu mané Por favor, piedade Me dê uma pista)

Voz: Nossa Que surpresa Quanto tempo!
Eu: Pois é... então, tava aqui de bobeira e resolvi ligar, figura… fazia tempo mesmo né, brother…
Voz: É verdade. Bom mesmo…
(pausa sem assunto…)
Eu: Olha tá tocando o interfone aqui, tenho que ir. Te ligo em seguida hein? Segura aí beleza?
Voz: Tranqüilo, abração!
Eu: Outro!!
Tu… tu… tu….tu…tu….

E assim acontece, em diversos momentos. O cérebro até tenta nos ajudar, mas às vezes a gente não colabora mesmo…

Luciano Queiroz

Dica Literária

MARES E CAMPOS
mares e campos

Poucos livros me dão mais prazer de divulgar aqui do que este de Virgílio Várzea. Acho leitura obrigatória pra quem ama o mar, sua cultura, sua vida simples. Pra quem é de Florianópolis então, é um mergulho na sua própria história. Veja a resenha:

“Virgílio Várzea soube colher com feliz precisão essa alma do povo, com seu otimismo, sua visão positiva da realidade, sua juventude abrindo-se em expansividade, não obstante a penúria ou os percalços sofridos. Entretanto, a nota dominante na maior parte das narrativas é a presença do mar, tanto na produção do sustento da família e na sua energia saudável sobre as pessoas, como também no seu aspecto trágico, ao sofrer as interferências dos ventos e das tempestades e conduzindo à implacável morte. Virgílio é o marinhista primeiro e mais sistemático da literatura brasileira e latino-americana. Esta reedição da obra tem o mérito de restituir à sociedade o direito de ler e conhecer uma obra fundamental da nossa literatura e de confrontar-se com a vivência popular de época distante há mais de cem anos. Sua leitura representará ameno prazer”.

Segue ainda um breve relato sobre o autor, que por sinal dava nome à rua onde eu morava:

virgilio
Virgílio Várzea (1863-1941) nasceu na freguesia de Canasvieiras, na Ilha de Santa Catarina. Do pai, português minhoto, marinheiro de profissão, e da mãe açoriana de origem herdou a paixão pelo mar. Fez do mar seu companheiro de aventuras. Navegou, singrando oceanos, percorrendo os caminhos marítimos do mundo afora e voltou à sua Ilha e à sua gente. Voltou trazendo o mar na alma, e a maresia dos oceanos impregnada na pele. Foi contista e cronista, novelista e poeta. Prolífico escritor, enriqueceria a narrativa brasileira com uma esmerada produção literária regionalista.
Desenvolveu sua vida literária na antiga Desterro (hoje, Florianópolis) e na cidade do Rio de Janeiro, onde trabalhou e conviveu com a elite literária brasileira (Rui Barbosa, Olavo Bilac, entre outros). Chefiou, entre os anos de 1882-1887, a chamada Guerrilha Literária, grupo formado pela intelectualidade ilhoa que se opunha ao Romantismo e defendia as novas idéias do Parnasianismo e Simbolismo recém-chegadas da Europa. Desse grupo fez parte o poeta Cruz e Sousa, expoente do Simbolismo no Brasil, amigo e companheiro de letras (em Tropos e fantasias).
Reputado como o nosso primeiro marinhista, o nosso Herman Melville tropical, Virgílio Várzea consolidou, num estilo incomparável, a ficção descritiva paisagística. Sua literatura é a mais espacial, a mais visual prosa escrita. Integram a sua bibliografia os livros Traços azuis (poesia); Tropos e fantasias (em parceria com Cruz e Sousa); George Marcial, O brigue flibusteiro (romance); Rose-Castle (novela); Contos de amor, Histórias rústicas, Nas ondas, Mares e campos (contos) e o ensaio descritivo Santa Catarina – a Ilha, obra laureada pela Comissão Comemorativa do Quarto Centenário do Descobrimento do Brasil.
Virgílio Várzea soube como poucos retratar os tipos humanos, a paisagem, o folclore, os usos e costumes derivados de uma cultura açoriana do século XVIII. Na vasta obra ficcional, a reprodução fiel do modo de viver ilhéu, em seu próprio ritmo, nuances e rusticidade, realça a dimensão relevante do registro documental, como depositário de um tempo passado e da memória salvaguardada para as futuras gerações. Soube trabalhar com muita propriedade e talento, deixando fluir a história, a geografia e a vida “...Os habitantes são tão bons lavradores, como marinheiros: têm um físico robusto, um caráter decidido e valente. Arrostar o mar em todo tempo, superpondo-se ao perigo, é coisa que lhes anda no sangue e nos nervos. Cantam sobre as ondas revoltas com um meio às culturas tranqüilas onde não há nada a temer.” (“Canavieiras” in Santa Catarina – a Ilha).
A seu respeito escreveu com entusiasmo Olavo Bilac em artigo do jornal “A Gazeta de Notícias” (Rio de Janeiro, 1985): “Virgílio Várzea é um dos mais fecundos dos nossos escritores moços … As suas marinhas – telas vastíssimas … – têm uma vida intensa sentida, apanhada em flagrante por quem sabe observar … Vê-se bem que o autor dos Mares e campos não é um contador de casos sonhados, mas um historiador da sua terra, dos usos e costumes do seu povo”. ”
Lélia Pereira da Silva Nunes

Depoimentos

August 19, 2005

Alguns depoimentos deixados por frequentadores do site www.clicrbs.com.br, sobre o incêndio de hoje no Mercado Público da cidade de Florianópolis:

“Acretido que a população tenha sido ferida gravemente pois este era um espaço onde a diversidade dominava, éra muito bom ver e compartilhar de um espaço onde não havia preconceito, racismo, ou diferenças, ao sentar ali todos eramos manezinhos”
Adenilson Rodrigues

“Tenho muitas lembranças boas do mercado,costumo dizer que lá a gente encontra um povo ilhéu muito especial,querido e gente boa, sexta feira a tarde era de Lei passar por lá dar uma olhadinha na galera e sentir o alto astral.”
Ana Paula Silva

“A gente vê esta tragédia com muito sentimento, pois é um lugar Histórico, que sempre esteve a disposição do turismo. Um lugar que faz “Moldura” para a nossa Capital. Sentimos muito em Blumenau
Paulo Warmling

“O Mercado Público está na minha memória.Lembro-me de que quando criança vinha à Florianópolis e andava pelo Mercado Público,ficava encantada com a água do mar batendo em suas paredes. Hoje, embora a paisagem tenha mudado o seu entorno, sua arquitetura intacta me reporta as doces lembranças.”
Tânia Lemos

“Trabalhei por 2anos na Deodoro, e no intervalo do almoço, ficava sentada no Largo da Alfândega ou no vão do Mercado Público, fascinada com o vai e vem dos mais variados tipos de pessoas. Andava entre os corredores do mercado,só pelo prazer de andar dentro daquela edificação que respira história….”
Raquel de Medeiros Santana

“Ao ir trabalhar hoje em direcao ao Estreito ja havistei da via expressa uma fumaça estranha…pensava ser algo em Coqueiros e pra minha surpresa era na ilha! Depois dos olhares assustadores das pessoas na rua e de saber que era no mercado público, tristeza total de quem ama a ilha e sua historia…”
Aline Menezes

“Meu pai tinha loja de calçados a 30 anos ali dentro, todo o sustento da familia vinha dali, e hj, acabou tudo, nao fazemos a minima ideia doque vai ser, complicado d+, desde que nasci eu frequento o mercado, fiz amigos, e agora nao sei mais oque vai ser. e minha facul particular, jah era…”
Andre Damasco

“O mercado foi um lugar muito frequentado por mim…e numa dessas visitas ao mercado numa sexta feira a noite conheci um grande amor de minha vida…..fiquei muito triste com tudo q vi,trabalho no Saco Grande e pude ver daki a nuvem de fumaça..me senti muito triste!!”
Patricia Roesner

“É uma pena ver algumas histórias serem apagadas como vimos hoje; é muito fácil dizer que construiremos novamente, mas o que era não volta mais, fica apenas na lembrança. O pouco que temos, por favor vamos cuidar!”
Eduardo Canever

O Fogo no Mercado

Hoje o Mercado Público de Florianópolis pegou fogo. Eu aqui mesmo nesta lonjura me emocionei, com os olhos cheios d’água diante das imagens. Percebi como todo cidadão de Floripa tem uma ligação afetiva com o Mercado. É um símbolo da cidade talvez mais do que a ponte, porque enquanto esta é um monumento frio e esquelético, o outro é dinâmico, vivo, é o coração da cidade pulsando e mostrando o que é ser manezinho. Se nós ilhéus temos uma alma comum, que nasce do amor pela terra, a nossa terra, ela hoje está ferida.

Minha irmã, que é arquiteta da prefeitura há alguns meses, estava lá e me enviou este relato.

“Bom dia amigos,

Fui testemunha hoje de uma enorme desgraça na cidade de Florianópolis.
Por trabalhar no centro da cidade fui uma das primeiras pessoas a chegar no terrível incêndio do nosso Mercado.
A tristeza estampava o rosto de todas as pessoas que por ali passavam, ao constatar que não havia água nos hidrantes das proximidades.
A água dos caminhões acabava rápido demais e, enquanto isso, as labaredas atingiam 3 m de altura sobre a cobertura do Mercado.
O vento soprava na direção do centro comercial ARS levando uma assustadora fumaça preta de encontro a lojistas que dali tentavam desesperadamente despejar água sobre o fogo.
Ao olhar tudo aquilo fiquei desolada. Chorei. Eu e várias pessoas a minha volta.
Chorei ao ver o desespero dos bombeiros que não conseguiam apagar o fogo, ao ver os lojistas desesperados. Chorei ao ver meus colegas, arquitetos e engenheiros da Prefeitura de Florianópolis desolados vendo nosso objeto de trabalho, parte importante da história da cidade ser destruída aos poucos e sem cerimônia.
O fogo ainda era forte quando voltei ao trabalho com uma enorme sensação de impotência.
O quê sobrou?
O quê aprendemos depois disso tudo?
Já é o segundo incêndio no Mercado Público de Florianópolis. Existem vários laudos técnicos alertando quando ao risco de incêndios e outros acidentes no Mercado com data de cinco anos atrás. Os próprios lojistas do Mercado já foram notificados inúmeras vezes. Porque não foi tomada nenhuma providência quando ocorreu o primeiro incêndio?
O quê estamos esperando?
Quem já foi ao mercado já deve ter olhado para cima e visto aquele emaranhado de fios e cabos elétricos sob a estrutura do telhado em meio à infinidade de caixas e quinquilharias por lá depositadas.
E porque não havia água para apagar o fogo?
E se o incêndio fosse em outro prédio antigo do centro da cidade?
Quantas vítimas faria?
Se não temos estrutura na cidade para apagar o fogo de uma construção térrea, que dirá de uma com muitos andares.
E agora, de quem é a culpa?
Já que estamos sempre procurando culpados para as desgraças, de quem é a culpa desta vez?
Do coitado que deixou uma panela no fogo?
Do bombeiro que não tinha água para apagar?
Dos fiscais?
Da administração do Mercado?
Das autoridades?
De Deus?
Ou somos nós? Você e eu?
De quem é mesmo o Mercado? O Mercado Público?
É do público.
O que é ser do público?
Significa que é de Todos.
Ao contrário do que a maioria pensa, o patrimônio público não é o que não tem dono, mas sim o que é de uso comum. É seu, é meu é do cara que está aí do lado. É de nossa responsabilidade zelar por ele.
E se o incêndio fosse na minha casa ou na sua?
De quem seria a culpa?
Quanto tempo levará para tomarmos consciência das nossas responsabilidades sociais?
Quê desgraça ainda teremos de testemunhar até que alguém tome uma providência?
Espero que desta vez cada um assuma a sua responsabilidade e faça a sua parte para evitar esta ou outra desgraça anunciada.
Como os heróis anônimos nas janelas do ARS que assumiram as suas responsabilidades e com a pouca água que tinham, ajudaram a apagar o fogo no Mercado.
Abraço a todos,
Cíntia.”

fogo

Se nevasse no Rio…

neve

O Lobo e o Cordeiro

Jean de La Fontaine

A razão do mais forte é a que vence no final
(nem sempre o Bem derrota o Mal).

Um cordeiro a sede matava
nas águas limpas de um regato.
Eis que se avista um lobo que por lá passava
em forçado jejum, aventureiro inato,
e lhe diz irritado: – “Que ousadia
a tua, de turvar, em pleno dia,
a água que bebo! Hei de castigar-te!” – “Majestade, permiti-me um aparte” – diz o cordeiro. – “Vede
que estou matando a sede
água a jusante,
bem uns vinte passos adiante
de onde vos encontrais. Assim, por conseguinte,
para mim seria impossível
cometer tão grosseiro acinte.” – “Mas turvas, e ainda mais horrível
foi que falaste mal de mim no ano passado. – “Mas como poderia” – pergunta assustado
o cordeiro -, “se eu não era nascido?” – “Ah, não? Então deve ter sido
teu irmão.” – “Peço-vos perdão
mais uma vez, mas deve ser engano,
pois eu não tenho mano.” – “Então, algum parente: teus tios, teus pais. . .
Cordeiros, cães, pastores, vós não me poupais;
por isso, hei de vingar-me” – e o leva até o recesso
da mata, onde o esquarteja e come sem processo.

(Comentário meu: estou cansado destas mensagens com final feliz que rodam por aí. Por isso me diverti com essa fábula. Ela é mais realista e, provavelmente mais útil do que as outras. Luciano Queiroz)

Olá, há quanto tempo!

August 17, 2005

Olá
Agora te escrevo. Precisava de um pretexto para tal e como já o fiz por motivos mais adolescentes, juntei lápis e papel e prossegui. Hoje está nublado. Os minutos passam preguiçosos e o CD parou de tocar. Acabo de passar por uma experiência intensa que resgatou meus sonhos e sorrisos de garoto. “Porque se chamavam sonhos, e sonhos não envelhecem…”. Assim disse a música, assim disse o livro que li. Esses mesmos sonhos me envolvem agora como bruma tênue e clara, com pinta de amanhecer no pasto. Aquele, que nos é tão familiar. Lembra? Pois não consigo segurar as lágrimas. Ríamos felizes, apaixonados pelo dom de viver. Será que ignorávamos a vida que já dobrava a esquina logo à nossa frente? Nosso universo de fitas K7, discos, barracas, violão, festas, celebrações de vida e comunhão com Deus, não pôde segurar uma realidade menos jovem e menos disposta à aceitar nossa maneira de simplesmente ser. Minha certeza de que juntos resolveríamos tudo, como sempre realmente fazíamos (com ajuda Divina é claro), já esmorece. Os adultos não parecem tão dispostos a se deixar seduzir pelo nosso “charme” de pessoas tão orgulhosamente sem charme. (risos)
Nossas trilhas sonoras só ecoam num violão solitário e as novas não parecem adequadas para substituir as antigas. Me lembro vivamente quando ainda adolescente me destes preciosas lições: -não reclames, foi alí que Ele te carregou no colo…
E assim vamos, dias bons seguidos de dias nem tanto. Sem entender exatamente o que fazer com esta saudade do tempo que não volta, da pessoa que um dia fomos, num mundo que não existe mais.
Hoje o dia está nublado. tudo bem. Vou tomar um chimarrão e tocar a viola…
Um abraço com saudades.

Luciano Queiroz

O Brasil é atemporal!

August 15, 2005

“Estamos perdidos há muito tempo…
O país perdeu a inteligência e a consciência moral.
Os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandada.
Os caracteres corrompidos.
A prática da vida tem por única direção a conveniência.
Não há princípio que não seja desmentido.
Não há instituição que não seja escarnecida.
Ninguém se respeita.
Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos.
Ninguém crê na honestidade dos homens públicos.
Alguns agiotas felizes exploram.
A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia.
O povo está na miséria.
Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente.
O Estado é considerado na sua ação fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo.
A certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências.
Diz-se por toda a parte, o país está perdido!”

Eça de Queirós , 1871

Relíquia

August 14, 2005

Era de minha mãe: é um pobre xale,
Que tem p’ra mim uma carícia de asa.
Vou-lhe pedir ainda que me fale
da que ele agasalhou em nossa casa.

Na sua trama, já puída e lassa,
Deixo os meus dedos p’ra senti-la ainda;
E Ela vem, é Ela que me abraça,
Fala de coisas que a saudade alinda.

É a minha mãe mais perto, mais pertinho,
Que eu sinto quando toco o velho xale,
Que guarda não sei quê do seu carinho.

E quando a vida mais me dói, no escuro,
Sinto ao tocá-la como alguém que embale
E beije a minha sede de amor puro.

António Patrício
in “Poesias”


http://2dedosprosaepoesia.blogs.sapo.pt/arquivo/2005_05.html

Globalização

Globalização é uma Princesa inglesa, que estava com um playboy egípcio, num carro alemão com motor holandês, dirigido por um motorista belga, embriagado com úisque escocês, capotando num viaduto francês, perseguidos por paparazzi italianos e que foi socorrida por um médico brasileiro com medicamentos americanos. Resultado: morreu!! =)

Nota da Gerência

August 13, 2005

Acho que é um bom momento pra relembrar a razão de ser deste espaço. Basicamente é pra eu poder dar palpite em tudo mesmo. (risos) O que me dá vontade de escrever, escrevo aqui. E convido os raros visitantes eventuais (Amita, voce não se enquadra nesta categoria! Voce já é sócia por aqui!) que deixem seus comentários. Pode discordar, protestar, elogiar… não apagarei nada. Só o que eu julgar medíocre. Aí apago sem dó.
Quem quiser escrever um artigo e me enviar, eu acho bacana. Se eu gostar, publico aqui pra enriquecer o espaço.
Luciano Queiroz

Dica Literária

papa
Mais uma dica de leitura: Sua Santidade João Paulo II e a História Oculta do Nosso Tempo. Dos vaticanistas Carl Bernstein e Marco Politi, este livro incrível, grande, mas de leitura prazerosa, traz um relato vívido da história pessoal do Papa Joao Paulo II desde sua infância na Polônia até a derrocada da URSS. O livro mostra em detalhes a participação deste Papa nos bastidores dos incríveis acontecimentos daquela época, sua determinação e inteligência, além da dinâmica delicada, cheia de tensão, medo e conchavos, que pontuava todos os momentos. É a história real, não contada abertamente ao mundo, que está à sua disposição para melhor conhecer como é que se deu uma das maiores transformações de nossa história.

Acompanhe este trecho:

“No curso de suas conversas, João Paulo II espantou seus visitantes predizendo secamente que os comunistas iam perder a batalha na Polônia. Geremek, que posteriormente seria preso duas vezes, disse que as palavras do Papa nesse dia haviam incutido nele e em outros uma sensação de que, a despeito de todas as dificuldades, sua causa iria triunfar:

Finalmente, [disse o Papa] aconteceu algo na Polônia que é irreversível. As pessoas não vão mais ficar passivas. A passividade é uma das armas do autoritarismo. E agora essa passividade acabou e, por isso, o destino deles está selado. Eles vão perder.

Editora: Objetiva
Ano: 1996
Nº de páginas: 591

Maçã com Sorvete

August 11, 2005

Bom, se você quiser comer alguma coisa gostosa enquanto acompanha uma sessão de CPI na televisão, aí vai minha dica:

Pegue uma maça e retire o miolo, sem cortar a maçã no meio. Vai ficar um “furo” no centro da fruta, de um lado ao outro. Coloque esta maça em pé (apoiada no furo) numa forma pequena, encha o furo de açucar cristal e depois tape com margarina. Leve ao forno. Depois de algum tempo (não sei bem quanto, vai da sua sensibilidade) vc tira ela do forno e serve ainda quente com sorvete…..

ai, ai…. bom demais!

Luciano Queiroz

Oklahoma

August 10, 2005

Estive semana retrasada em Oklahoma – USA. Basicamente fazendo um curso e tentando encontrar as diversas encomendas que, acredito eu, todo brasileiro em viagem aos Estados Unidos recebe. Mas, no intervalo destas atividades pude visitar o memorial do atentado ocorrido em 1995 contra um prédio federal no centro da cidade. Se trata de um museu e um singelo parque ao lado, muito bonito e cheio de significados. Eu não tinha muita certeza se queria entrar no museu mas como todos se dispuseram, fui sem grandes resistências.
O museu é de um capricho impressionante. Traz muitas imagens, relatos, simulações que tentam nos fazer sentir como as vítimas se sentiram. Um sem fim de depoimentos, objetos pessoais, jornais da época, repercussões, as investigações, tudo. Está tudo lá. Me emocionei mesmo.
Mas durante a visita um sentimento começou a me incomodar. Já no final da visita, na lojinha (detalhe: lojinha?!? pra que?!? pra comprar uma lembrancinha do atentado?!?) um colega me perguntou se eu já tinha estado em um lugar mais deprimente que aquele e eu disse que sim: nos porões de tortura da Gestapo. Mas essa pergunta despretensiosa me trouxe esta reflexão que agora vou transcrever e que conseguiu me mostrar o que estava me incomodando.
Em todas as ações de reação ao atentado, é possível notar uma dose forte de nacionalismo por parte dos americanos. Frases como: – Eles não vão nos derrotar! – e uma profusão exagerada de bandeiras americanas dão a tônica do sentimento de pátria daquele povo. E por isso eu entendi como os americanos estão longe da verdade. E digo mais, como o mundo está longe da verdade. Entendi porque Berlin me emocionou mais.
Os autores daquele atentado são americanos. Sim, americanos médios sem nenhum grande destaque nem positivo e pasmem, nem negativo. Os motivos alegados para o atentado nada têm de religioso ou de ataque ao imperialismo selvagem. Seus motivos foram baseados em alienação pura.
Contra o que então os americanos estão revoltados e porque motivo revolvem até os milímetros de destroços para poder mostrar a morte trágica de mais de cem de seus cidadãos, provocada por dois destes mesmos cidadãos? Não é por acaso o próprio atentado, a mostra de que algo de podre existe no reino da Dinamarca?
E agora, indo no centro do meu raciocínio: porque que a reação das pessoas não é pela vida em si? Porque não há tristeza nos Estados Unidos pelos muitos milhares de mortos japoneses assassinados instantaneamente pelas bombas nucleares? Pelos que morrem de fome a cada minuto? Pelo massacre da candelária? Alemães? Africanos? Civis iraquianos? Vítimas do tsunami? Qual a razão das bandeiras americanas, quando o inimigo é a própria irracionalidade, a própria selvageria da alma humana?
Hoje há somente espaço no mundo para uma solidariedades sem fronteiras. É hora dos justos se levantarem pra defender a vida independente da cor de sua bandeira. É hora de igualar o valor da vida. É hora de olhar para o lado. É hora da humanidade emergir e lutar contra as sombras que habitam todos os países. Não existem países bons nem países maus, existem homens bons e homens maus.

É isso que entristece meu coração. Vi a tristeza nos olhos dos Judeus, vi o desespero dos Palestinos, vi a desesperança das crianças subnutridas africanas, vejo a vida sem valor dos garotos de rua no Brasil, as favelas na Colombia, a dor dos estudantes russos, a revolta Iuguslava. Tudo porque o ser humano é capaz destas coisas. É capaz de atrocidades ainda impensáveis.
Em Berlin o nacionalismo está ausente. Paira no ar a tristeza do passado, do que o ser humano é capaz. Cada cela coloca em confronto dois seres humanos e tudo se torna um memorial de que a intolerância, a irracionalidade jamais deve prevalecer. Não há desculpas, não existem defesas. Somos todos culpados, sem hipocrisias.
Já é hora da humanidade reagir, vencer o mal e não o inimigo. O inimigo não é cidadão do outro lado da fronteira. O inimigo está dentro de cada um e é lá onde deve ser travada a verdadeira batalha. Todo este sofrimento tem origem na incompreensão, no egoísmo, no ódio. Este é o inimigo.
Luciano Queiroz
okl

Desarmamento sim

August 5, 2005

Muito tenho lido e ouvido sobre este ilustre plebiscito mas infelizmente nenhum texto conseguiu traduzir meus sentimentos à respeito deste tema. E como estou devendo mais opniões por aqui, vou usar a pena.
Defensores da manutenção da venda e do porte de armas, são geralmente pessoas mais assertivas, mais audazes. Fazem sua mensagem chegar longe, mesmo que sejam uma minoria considerável pelo relato das pesquisas de opnião. Então, para equilibrar o jogo a maioria deve se manifestar (paradoxal, não?). Como eu citei abaixo, é necessário ter a audácia dos canalhas…
O argumento corrente é que a proibição não irá necessariamente implicar em uma redução nos índices de criminalidade. Concordo. Também se diz muito que não teremos como nos defender. Concordo também. Outros ainda dizem que os criminosos estão à margem da lei e para eles tudo continuará como antes. É verdade.
Bom, para os que já acham que eu sou mesmo é contra a proibição, me explico: estes argumentos são irrelevantes. A pergunta que está por trás do plebiscito é se a sociedade acha normal indíviduos andarem armados. Quer-se saber quem é responsável pela defesa da ordem e da lei. Sob esta ótica é que está apoiado o meu voto. Eu acho intrinsicamente errado o poder de tirar a vida. Acho inconsequente que este poder esteja distribuído entre pessoas de índoles diversas. A sociedade humana evoluiu (também) quando entendeu que o código de leis deveria ser defendido por uma força formada pelo consenso (polícia). Se esta força está esfacelada neste país, algo deve ser feito para reverter este quadro pois não é a incompetência em implantar uma idéia que desqualifica a mesma. Qualquer retorno para padrões de defesa individual, nos fará mais próximos do “velho oeste”. Além do mais, a polícia em tese é democrática e deveria proteger sem distinção de classes. Um mundo pacífico, sem guerras ou crimes começa com atitudes coerentes com esse ideal, tomadas de maneira firme e consistente.
Luciano Queiroz
violencia

Solidão Litorânea

As aulas de engenharia, principalmente as mais deprimentes, rendiam coisas interessantes. Eis aí o fruto de uma delas que guardei anotado e agora salvo aqui. Pode ser meio tolinho, mas eu o adoro.

Como o mar que ousa tocar a areia
ouso agora cantar, tocando a lua cheia
sabendo porém que o mar
assim como vem, vai embora
assim também meu cantar
onde esperas mergulhar
cessa com o chegar da aurora.

Da imensidão deste oceano
de luzes, cores, escuridão
vem o roteiro de uma vida
onde as ondas percebidas
não revelam o silêncio
de um momento de oração.

Se na praia só há risos
coisas que se esperam de nós,
no profundo dos abismos
estou só
esperando teu colo a chorar, a chorar em dó...

Luciano Queiroz

Frase

August 4, 2005

“É preciso que os homens de bem tenham a audácia dos canalhas”

                                                         <em>do poeta ingl&#234;s Disraeli</em>

HAHAHAHA

“CPIs: Nunca tantos disseram tanto que não conhecem tanta gente e não sabem de tanta coisa.”

                                     </em><em>Ricardo A. Setti</em>

Shakespeare brasileiro

— Do jeito que o mundo anda, ser honesto é (igual) a ser escolhido entre dez mil.

— As coisas mais mesquinhas enchem de orgulho os indivíduos baixos.

William Shakespeare

Não só Deus, mas Shakespeare também era brasileiro!

Internacionalização da Amazonia

August 2, 2005

Minha opnião sobre este tema:
A Amazonia vem sendo privatizada e internacionalizada paulatinamente com a aquisição de grandes áreas por empresas internacionais interessadas em seus recursos. Como estas empresas não tem o menor compromisso com o país e nem sofrem nenhuma espécie de fiscalização séria, agem sem nenhum compromisso ambiental. Isto é fato.
A solução? No meu ponto de vista a preservação pode ser feita através da criação de uma área internacional sim, sujeita à fiscalização e à punições de organismos internacionais. Não tenho nenhuma vergonha de falar nisso. Enquanto os brasileiros se escandalizam com a teoria conspiratória de internacionalização da floresta (que não passa de uma teoria conspiratória mesmo), a floresta vai indo pro brejo porque no fundo achamos longe pacas e não damos a mínima.
Este argumento de que eles destruíram a deles e agora querem destruir a nossa, ou ainda que se eles fizeram por lá, podemos fazer aqui e ninguém tem nada com isso é insustentável. A Europa destruiu suas florestas a mil anos atrás e a América do Norte a mais de duzentos anos, apesar de grandes áreas de preservação no Canadá e no Alasca. Isso fizeram quando o mundo ainda achava que tudo era inesgotável. Aliás, que são “eles” senão nossos tataravós? Então nada mais natural que pagarmos uma dívida “familiar” que temos para com o planeta.
Hoje o mundo tem que mudar. A Antartida é um exemplo disso. Área internacional, ela só pode ser explorada em pesquisa e turismo de observação. Ponto. Parece que nós brasileiros nos sentimos no direito de cometer o erro dos outros. Não temos este direito.
Eu não me importaria que fosse como no Quênia: quem se aproxima das reservas sem autorização leva bala. Atira primeiro e pergunta depois. Só assim pra bicho ter alguma chance.
E os resultados das possíveis pesquisas amazônicas? Domínio público! Simples assim.
É uma pena que um assunto tão urgente, que envolve bio-diversidade e abastecimento de água entre outros, seja tratado pelos brasileiros como final de Copa do Mundo, onde o fanatismo fala mais alto e o senso de realidade é nulo.
Luciano Queiroz

Nota da Gerência

August 1, 2005

Tudo bem, foi mal… passei a semana sem escrever mas é que eu estava em curso nos EUA. Estava em Oklahoma, que é uma cidadezinha bem sem graça do interior americano. Bem no umbigo mesmo. E conseguir um micro lá pra escrever com calma não foi possível.
O pior é que a viagem de ida foi com emoção, com direito à uma decolagem abortada e tudo. Vou procurar o registro no DAC pra escrever aqui direitinho o que aconteceu.
Cheguei aqui e fui me informar sobre a crise e, pasmado, vi que tudo piorou ainda mais essa semana. Tá feia a coisa. Hoje o rádio já falava em 240 envolvidos. Quê que é isso… repito: tá feia a coisa….
Luciano Queiroz