Honestidade; em dois atos.
Dois argumentos principais fazem parte dos conceitos mais importantes sobre honestidade que meus pais e meus avós passaram à mim e às minhas irmãs.
O primeiro é que honestidade é honestidade no pouco ou no muito. Em dez reais ou em dez milhões, o conceito honestidade é o mesmo. Não há atenuantes. Dar um troco errado, sair sem pagar de algum lugar, roubar um copo em um bar, desviar canetas e blocos de papel da empresa onde se trabalha, etc, é tão errado quanto desviar dinheiro do INSS. Infelizmente pensar assim no Brasil soa ridículo, quase engraçado. É uma pena mesmo, pois não é. A despeito do alcance negativo de cada ato, ética é um conceito não flexível e não casuísta. O que é anti-ético, o é em qualquer dimensão. Com o tempo, entendi que quem é honesto no pouco, vai ser honesto no muito e vice-versa.
O segundo conceito é o de que uma ação errada não se torna correta porque muitos a praticam. Meus pais chegavam a dar risadas da insistência adolescente minha e de minha irmã: – Mas pai, todo mundo faz – A resposta invariavelmente apontava que era errado e se muitos faziam, muitos estavam errados. Vinha sempre aquela famosa frase indagando o que faríamos se muitos quisessem se jogar da ponte. Muitos são honestos porque tem medo de serem pegos, de serem punidos e por consequência se refestelam quando esta probabilidade é remota.
Honestidade é valor moral, é princípio.
A crise pela qual o país atravessa atualmente, se resume à falha do país em ensinar aos seus cidadãos estes dois conceitos básicos. Numa nação onde o pequeno delito é normal, não é de se espantar que hajam os grandes.
Luciano Queiroz


“Hajam” não existe: o correto seria utilizar “haja”.
Comment by Ticapapel — June 5, 2007 @ 10:48 pm