11 Junho 2005 - Flores
Rita me falou sobre o que só um homem que aprecia uma flor é capaz de entender. Compreendi o que ela disse instintivamente. Sei o que me separa e sei o que me une. Só quem pode esperar meses a planta que se faz imóvel entende. Só quem usa sua sensibilidade hoje quase sempre adormecida pra entender o que uma planta expressa, pode entender o que significa para o universo o surgimento de uma flor. Nos faz entender que o universo caminha com ou sem nossa presença e que como parte deste mesmo universo, nossa luta é como a da planta para produzir seu maior objetivo. Falamos também da dor que é descobrir que não são muitas as pessoas que querem contribuir para que a harmonia prevaleça ou que até mesmo entendem que existe uma harmonia a ser conquistada. Um homem pode se sentir bastante só ao não encontrar eco de suas percepções em lugar algum. Mas eles existem.
Penso muito em qual a utilidade de se sentir parte do universo, feito da mesma matéria. Entendo o mundo como jamais senti, mas não consigo traduzir este sentimento forte que me toma em ações avassaladoras. Talvez o amor seja uma arte discreta. Mas, de qualquer forma, como torná-lo ao menos um pouco visível? E como estar sempre atento para não colocar tudo a perder por medo, inveja, orgulho, ambições?
É bom entender que os períodos de crise são necessários. Só pode entender a paz quem experimentou o conflito. Este pensamento que li me confortou muito. É assim que entendo o funcionamento da vida. Não existe compreensão do amor sem que se saiba o que é o ódio. Só compreende quem sabe o que é a incompreensão. Só vive a paz, quem caminhou pelo conflito. É necessário estar a caminho sempre buscando viver o que é oferecido. Se é a dor, vamos viver a dor para que a felicidade me encontre preparado para vivê-la. Se é a angústia, fiquemos firmes sem negá-la pois ela nos fará serenos para os dias de paz. É assim que envelhecemos sem perder a juventude. Tendo a tranqüilidade que um dia se sucede ao outro e que tudo é necessário. TUDO é necessário.
