06 Juho 2005 - Ventos que nos levam…
Mudanças são inevitáveis. Existem as que planejamos e existem as que nos atropelam. As últimas nos pegam sem que esperemos, sem que estejamos preparados. É mergulhar no rio da vida, rumo ao desconhecido, sem bóia. Antes do pulo, existem poucas pistas. Em minutos, você avalia sua musculatura, vê se vai agüentar o tranco sem se afogar. Pensa que se, talvez, quiser voltar para o ponto de partida terá que nadar contra a corrente. Ao mesmo tempo olha ao redor e tudo é muito familiar. Isso traz conforto mas traz monotonia, traz a rotina. Então se trata basicamente de uma grande aposta. Como quem recebe cartas e, sem vê-las, dá seu lance.
Na verdade, acho que às vezes você nem consegue se preparar muito. O que acontece é que a enxurrada vem e te leva. O seu único momento de escolha é quando você vê um galho onde se agarrar. Você agarra o galho e fica? Ou se solta e vai? Como medir o maior benefício? Onde está a felicidade, a escolha certa?
E o que é felicidade? Felicidade é estar junto de quem se ama… Já li isso em algum lugar e concordo. Mas e a curiosidade? E a vontade de crescer? A vida, com seus novos sabores, suas novas paisagens? E o medo avassalador de viver com a sombra de decisões não tomadas? E o medo do arrependimento?? É difícil ter respostas. Creio que há que se confiar naquilo que acreditamos que está sempre dentro de nós, nosso “bote salva-vidas”. Nossa capacidade de cativar pessoas, nossa inteligência, nossa flexibilidade, nossa fé. É só isso que pode nos acalmar um pouco e indicar que estaremos bem, onde quer que estejamos.
