Honestidade; em dois atos.

July 24, 2005

Dois argumentos principais fazem parte dos conceitos mais importantes sobre honestidade que meus pais e meus avós passaram à mim e às minhas irmãs.
O primeiro é que honestidade é honestidade no pouco ou no muito. Em dez reais ou em dez milhões, o conceito honestidade é o mesmo. Não há atenuantes. Dar um troco errado, sair sem pagar de algum lugar, roubar um copo em um bar, desviar canetas e blocos de papel da empresa onde se trabalha, etc, é tão errado quanto desviar dinheiro do INSS. Infelizmente pensar assim no Brasil soa ridículo, quase engraçado. É uma pena mesmo, pois não é. A despeito do alcance negativo de cada ato, ética é um conceito não flexível e não casuísta. O que é anti-ético, o é em qualquer dimensão. Com o tempo, entendi que quem é honesto no pouco, vai ser honesto no muito e vice-versa.
O segundo conceito é o de que uma ação errada não se torna correta porque muitos a praticam. Meus pais chegavam a dar risadas da insistência adolescente minha e de minha irmã: – Mas pai, todo mundo faz – A resposta invariavelmente apontava que era errado e se muitos faziam, muitos estavam errados. Vinha sempre aquela famosa frase indagando o que faríamos se muitos quisessem se jogar da ponte. Muitos são honestos porque tem medo de serem pegos, de serem punidos e por consequência se refestelam quando esta probabilidade é remota.
Honestidade é valor moral, é princípio.
A crise pela qual o país atravessa atualmente, se resume à falha do país em ensinar aos seus cidadãos estes dois conceitos básicos. Numa nação onde o pequeno delito é normal, não é de se espantar que hajam os grandes.
Luciano Queiroz
honestidade

Amizades Efêmeras

July 22, 2005

Esta semana uma grande amiga minha vai embora pra longe e não sei se a voltarei a ver. Acabo me dando conta de quanto são efêmeras nossas amizades. Ela irá se somar aos inúmeros amigos que já não vejo mais. Aqueles aos quais às vezes relembro e me pergunto por onde andarão. E nos raros casos em que descubro seu paradeiro, falta o pretexto para uma reaproximação.
Amizade é ponte, não chegada. É a identificação de almas que se encontram, se reconhecem companheiras e se perdem na névoa do esquecimento. Difícil é reconhecer que todos somos irreparavelmente sós. Viver é um ato individual e eliminar ilusões à este respeito é importante. Importante para seguirmos em frente quando estas pessoas a quem chamamos de amigos, nossos parceiros, que caminham ao nosso lado, se vão.
O que nos resta é saber que novas amizades nos esperam amanhã e talvez também, algumas antigas retornem.
Luciano Queiroz

Dica Literária

Werther
O Livro OS SOFRIMENTOS DO JOVEM WERTHER, escrito pelo alemão Johann Wolfgang GOETHE é a minha dica desta semana. Este livro, para mim, foi uma maneira agradável de começar a leitura de grandes clássicos. Bastante descritivo, o livro paradoxalmente é de leitura leve, mesmo considerando a enorme carga de sofrimento que ele relata. O autor narra através das cartas pessoais do protagonista, a história da paixão proibida deste. Vale à pena mesmo, é uma viagem no tempo. Além da própria trama, ainda ganhamos de brinde os dramas existenciais e os pensamentos filosóficos de Werther. Muito bom.
Esta obra, de 1774, foi o primeiro grande sucesso do Goethe.
O livro, vendido também no Brasil em formato Pocket Book, tem um preço bastante acessível.
Luciano Queiroz

“Tudo aquilo que me foi dado encontrar na história do pobre Werther, eu ajuntei com diligência e agora deposito à vossa frente, sabendo que havereis de me agradecer por isso. Não podereis negar vossa admiração e vosso amor ao seu espírito e ao seu caráter, nem esconder vossas lágrimas ao seu destino.
E tu, boa alma, que sentes o ímpeto da mesma forma que ele o sentia, busca consolo em seu sofrimento e deixa que o livro seja teu amigo se, por fado ou culpa própria, não puderes achar outro mais próximo do que ele.”

Tanto Mar

July 19, 2005

Em 1976, Chico Buarque escrevia a música Tanto Mar, sob inspiração da Revolução dos Cravos de Portugal. Foi o fim do Governo de Salazar. Em um manifesto sutil como à crudeza da época exigia, produziu um dos gritos de liberdade mais bonitos que já pude ver. Tinha a esperança que os ventos da mudança pudessem soprar desde a Península Ibérica e atingissem nosso oprimido país. Queria eu ser um artista capaz de coisas assim tão belas.

Chico Buarque : Tanto mar
Letra e música: Chico Buarque
In: 1976
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“Foi bonita a festa, pá
fiquei contente
‘inda guardo renitente, um velho cravo para mim

Já murcharam tua festa, pá
mas, certamente
esqueceram uma semente nalgum canto de jardim

Sei que há leguas a nos separar
tanto mar, tanto mar
Sei também como é preciso, pá
navegar, navegar

Canta a Primavera, pá
cá estou carente
manda novamente algum cheirinho de alecrim”

Nota da Gerência

July 17, 2005

Bom, aí embaixo estão os posts que publiquei no blog antigo. Lá não havia espaço para comentários mas agora aqui tem. Sintam-se à vontade. Como política geral, não apagarei nenhum comentário, a não ser algum que eu considere ofensivo, preconceituoso ou outros adjetivos negativos.
Este site é meio enrolado e espero que todo mundo consiga usá-lo. Caso tenham críticas, mandem uma mensagem e sentem a lenha… Quem sabe não mudamos de blog mais uma vez não é mesmo?
Ainda nem consegui descobrir como deixar claro que quem escreve os posts sou eu… (Luciano Queiroz, pra quem não me conheçe…)
Abraços
Luciano

15 Julho 2005 - Conheço o Meu Lugar

Pense bem, leia com cuidado… esta música do Belchior (que eu adoro) tem muito a dizer sobre os dias atuais.
Conheço o meu Lugar
Belchior

Composição: Desconhecido

O que é que pode fazer o homem comum neste presente instante senão sangrar?
Tentar inaugurar a vida comovida, inteiramente livre e triunfante?
O que é que eu posso fazer com a minha juventude – quando a máxima saúde hoje é pretender usar a voz?

O que é que eu posso fazer – um simples cantador das coisas do porão? (Deus fez os cães da rua pra morder vocês que sob a luz da lua, os tratam como gente – é claro! – a pontapés.)
Era uma vez um homem e seu tempo… (Botas de sangue nas roupas de Lorca).
Olho de frente a cara do presente e sei que vou ouvir a mesma história porca.
Não há motivo para festa: ora esta! Eu não sei rir a toa!
Fique você com a mente positiva que eu quero a voz ativa (ela é que é uma boa!)
pois sou uma pessoa. Esta é minha canoa: eu nela embarco.
Eu sou pessoa! (A palavra “pessoa” hoje não soa bem – pouco me importa!)
Não! Você não me impediu de ser feliz! Nunca, jamais bateu a porta em meu nariz!
Ninguém é gente! Nordeste é uma ficção! Nordeste nunca houve!
Não! Eu não sou do lugar dos esquecidos! Não sou da nação dos condenados!
Não sou do sertão dos ofendidos! Você sabe bem: Conheço o meu lugar!

15 Julho 2005 - Um pouco de poesia

Eu vim daquelas terras, que se estendem de dourado. Vim do lugar sem nome, do sitio das coisas! Onde o vento nos trás mensagens de velhos sentados à sombra da giesta à espera da cotovia que cante ao fim da tarde!
Eu vim de para lá daqueles montes, para lá do verde, das àrvores.
Eu sou aquele que veio de para lá do teu corpo, dos teus olhos…
De ti, saudades!

Aí senti-te por inteiro. Sorri-te, respondeste… Ficámos abraçados em jeito de quem não quer amanhecer, nem que o sol se renda e a lua teime em não acordar.
Nem que este fogo nos queime e as arestas do teu corpo me julguem por não te saber segurar…

Nem que as horas nos fujam…

Fonte: http://madrugaemmim.blogs.sapo.pt

14 Julho 2005 - A Alienação de Minha Geração

Diante de toda a crise pela qual o país passa, perspectivas sombrias, crimes atrás de crimes, corrupção no âmago do poder, me espanta ver a surpreendente alienação da maioria das pessoas do meu habitat social. A maioria das pessoas ainda sabe apenas “por cima” do que está acontecendo. Generaliza, se perde em teorias conspiratórias que ouviram no cafezinho, se sentem satisfeitas ao ver o mar de lama de longe e aceitá-lo como inevitável. Não entendo! O que houve com minha geração?!? Nós, jovens de 20, 30 ou 40 anos, profissionais movendo este país, como nos contentamos com e-mails de fonte duvidosa que recebemos como única fonte de informações sobre o destino do nosso país? Onde está nossa indignação? Porque não somos ávidos leitores de jornais, revistas, sites? Se fazemos julgamentos sobre política com informações pífias, distorcidas e preconceituosas, que dirá de quem não tem o mesmo acesso à tanta informação? Nós, que poderíamos ajudar na educação política da sociedade como tal, não trazemos contribuição nenhuma ao debate. Onde estão nossos manifestos? Nossas análises? Nossas propostas? Nossa reação?...

MST, FMI, Parlamentarismo, voto distrital, Casa Civil, COPOM, Déficit primário, etc… Não sabemos com profundidade o que são estas coisas! E nos arriscamos a formar nossas opiniões sem entender as regras do jogo. Ah, é tudo culpa do neo-liberalismo O que é isso gente Vamos nos mexer, entender, procurar as respostas pra poder opinar com entendimento, com consciência e ajudar este país a melhorar. Se não fizermos isso, Lula será sempre popular porque ele já foi pobre e todo mundo “tem peninha dele”.

E quem vai ter pena de nós?!?

09 Julho 2005 - Comunicado da Chefia

To gostando desta geringonça Já tenho 4 leitores! Estou falando para multidões Influenciando o pensamento no novo milênio para uma humanidade melhor!! Em breve nas bancas! rs

Prometo que (se meu amigo Gira der uma força) logo logo haverá espaço para comentários e democratizaremos este espaço. Todo mundo poderá meter a colher.
Pereira: manda alguma coisa sua pra eu colocar por aqui!
Amita: obrigado pelos elogios Vou considerar que com vc presente, isto aqui já tá internacional (pra quem não sabe, a Amita é indiana)
Giraffa: Vai dizer que meu blog não tá bombando???
Mari: Vc é suspeita….rs

e se alguem mais estiver lendo, manda um sinal aí que me incentiva a continuar. (e melhorar, de preferência) Pode ser email, orkut, sinal de fumaça, o que for.

Agora sério: escrevo aqui o que eu tenho na mente, sem restrições (até porque ninguem lia mesmo…rs). Esta é a idéia e não vou abrir mão. Isso pra que no futuro eu me conheça um pouco melhor e, talvez, vcs tambem.

Abraços

06 Juho 2005 - Ventos que nos levam…

Mudanças são inevitáveis. Existem as que planejamos e existem as que nos atropelam. As últimas nos pegam sem que esperemos, sem que estejamos preparados. É mergulhar no rio da vida, rumo ao desconhecido, sem bóia. Antes do pulo, existem poucas pistas. Em minutos, você avalia sua musculatura, vê se vai agüentar o tranco sem se afogar. Pensa que se, talvez, quiser voltar para o ponto de partida terá que nadar contra a corrente. Ao mesmo tempo olha ao redor e tudo é muito familiar. Isso traz conforto mas traz monotonia, traz a rotina. Então se trata basicamente de uma grande aposta. Como quem recebe cartas e, sem vê-las, dá seu lance.

Na verdade, acho que às vezes você nem consegue se preparar muito. O que acontece é que a enxurrada vem e te leva. O seu único momento de escolha é quando você vê um galho onde se agarrar. Você agarra o galho e fica? Ou se solta e vai? Como medir o maior benefício? Onde está a felicidade, a escolha certa?

E o que é felicidade? Felicidade é estar junto de quem se ama… Já li isso em algum lugar e concordo. Mas e a curiosidade? E a vontade de crescer? A vida, com seus novos sabores, suas novas paisagens? E o medo avassalador de viver com a sombra de decisões não tomadas? E o medo do arrependimento?? É difícil ter respostas. Creio que há que se confiar naquilo que acreditamos que está sempre dentro de nós, nosso “bote salva-vidas”. Nossa capacidade de cativar pessoas, nossa inteligência, nossa flexibilidade, nossa fé. É só isso que pode nos acalmar um pouco e indicar que estaremos bem, onde quer que estejamos.

22 Junho 2005

No Panamá, vc compra um imóvel dando menos de 5% de entrada e financiando o resto com 3% de juros ao ano….

Nao vou comentar pois é óbvio demais

22 Junho 2005

Agora ferrou, né? Meu blog chegou à incrível marca de dois leitores. Agora tenho que ser mais responsável e escrever sempre nessa joça.

Pereira, realmente se tivesse um lugar pra comentar aqui ia ser bem melhor mesmo. Fica esse silencio, uma depressao só...rs

E por hoje é só porque estou no Panamá e escrever neste laptop tá dando nó nos meus dedos. E como por aí as coisas continuam surrealistas, tenho muito o que falar na volta. Isso além dos causos que peguei por aqui. Aguardem

(o público delira! milhares de leitores parecem dois mas sao MILHARES de leitores…)

19 Junho 2005

Minha amiga Bianca uma vez escreveu isso pra mim, quando eu morava na Alemanha… guardei até hoje e agora partilho com vcs.

O HOMEM DE BEM

O homem de bem é aquele homem que chora, que se comove e sente emoções. Pensa em todos, menos em si. E quando pensa em si, é só para corrigir alguns detalhes das suas atitudes.

O homem de bem pára em meio ao agito urbano, respira fundo e sorri… Não por gostar de correria, mas por respeitar o mundo em que vive. E por respeitar, o homem preserva a natureza, e cuida dela como se cuidasse da si…

Este homem sabe ouvir, e fala muito pouco. E normalmente nos faz perguntas, ao invés de dar respostas autoritárias. E nos ouve, como se nós pudéssemos também ensiná-lo coisas da vida.

O homem de bem ajuda o outro. E não só o outro de sua cor. Para o homem de bem, o branco e o negro são os seus "outro", e o índio também é filósofo. Ele senta-se no meio de tribos e ouve seus conhecimentos. Ele aprende com os negros outros valores da vida. O homem de bem entende o mundo como mundo, e não como alguns países ricos que comandam os muitos pobres.

O homem de bem admira as mulheres. E sonha em um dia possuir a força que elas possuem. E sobe os morros das favelas e escuta as histórias… e ouve os pagodes, e também aprende assim. Este homem sabe que a vida vai além dos livros e das paredes da escola. Ele sabe estudar a vida… Ele pára o carro numa reta só para olhar a paisagem em volta. Ele colhe plantas, sente o perfume e se comove.

A dor do pobre é também a sua dor. O homem de bem também sofre… quando não consegue ter sido útil. Porque ele vive para servir, e se não pode ajudar os homens de alguma maneira, fica muito, muito decepcionado..

Ele é um homem que ama. Ama os outros e também ama a vida. E não tem vergonha do amor. Respeita sua família e tem todos os homens do mundo como parte dessa família. E os chama de irmãos…

O homem de bem brinca e ri alto. E senta-se junto às crianças… Aprende com suas histórias e entra nas fantasias, como se ele próprio ainda sonhasse como as crianças costumam sonhar.

Ele respeita os idosos. Chora com suas tristezas e sorri com suas alegrias. Porque sabe que será idoso um dia, e sonha em poder ser ouvido , mesmo quando chegar a hora de delirar em seus devaneios de velhice.

Este homem tem Deus na mente, e O leva consigo para todos os lugares. O homem de bem não nos obriga a amar a Deus. Nós amamos sem perceber, ao ver o tamanho de sua fé. O homem de bem não faz discursos… Pelo contrário, fala baixo, e só ouve-o quem realmente quer ouvir, porque ele respeita o silêncio, e respeita o direito de ficar calado.

Este homem, ao contrário do que se pensa, nasce e morre sem ser notado. Não vem a ser famoso, e sabe que não precisa disso. Pois sabe que a sua parcela de ajuda, por mais simples e discreta, é de grande importância para o reino de Deus. Ele sabe ser discreto. Porque ele é humilde. Ele reconhece seus erros, e acredite, sabe pedir perdão. E pede olhando-nos nos olhos, porque ele não mente e é sincero nas suas palavras.

Não precisamos todos sermos "homens de bem". Mas precisamos saber o que é, e que no meio de milhares há sempre um. De aparência e alma humilde sentado num banco de praça, dando comida aos pombos, amando e admirando a vida. Se tiveres a sorte de encontrá-lo, aprenda um pouco com ele, e tente ser um mínimo do que ele é. E jamais se pergunte "O que ele tem que eu não tenho?" Sejamos humildes.

Não precisamos ser um homem de bem, mas devemos sempre tentar, estar em busca disso a todo momento. Porque o homem de bem será o primeiro a bater no seu ombro e dizer que vê Deus em você, e você verá que valeu a pena ter tentado acertar. E então você entenderá que ele não era um homem de bem. Na verdade ele era um homem de Deus.

12 Junho 2005 - Gari

Vcs sabem aquele gengibre que tem em restaurante japonês? Eu adoro aquilo. O nome é Gari e esta receita eu peguei na net. Ficou muito bom…

Gari: – 400 g de gengibre fresco – 300 ml de vinagre de arroz – 200 g de açúcar – 10 g de sal

Para o Gari: tire a pele do gengibre corte em lâminas finas, e cozinhe-os em água quente com sal por 10 minutos. Escorra a água, coloque o gengibre num pano limpo e dá uma torcida até sair toda água. Coloque uma panela no fogo e ferva o vinagre e o açúcar. A seguir, acrescente o gengibre e deixa levantar fervura. Depois de pronto deixa esfriar naturalmente na panela e guarda na geladeira. Tem duração de 1 mês.

11 Junho 2005 - Flores

Rita me falou sobre o que só um homem que aprecia uma flor é capaz de entender. Compreendi o que ela disse instintivamente. Sei o que me separa e sei o que me une. Só quem pode esperar meses a planta que se faz imóvel entende. Só quem usa sua sensibilidade hoje quase sempre adormecida pra entender o que uma planta expressa, pode entender o que significa para o universo o surgimento de uma flor. Nos faz entender que o universo caminha com ou sem nossa presença e que como parte deste mesmo universo, nossa luta é como a da planta para produzir seu maior objetivo. Falamos também da dor que é descobrir que não são muitas as pessoas que querem contribuir para que a harmonia prevaleça ou que até mesmo entendem que existe uma harmonia a ser conquistada. Um homem pode se sentir bastante só ao não encontrar eco de suas percepções em lugar algum. Mas eles existem.

Penso muito em qual a utilidade de se sentir parte do universo, feito da mesma matéria. Entendo o mundo como jamais senti, mas não consigo traduzir este sentimento forte que me toma em ações avassaladoras. Talvez o amor seja uma arte discreta. Mas, de qualquer forma, como torná-lo ao menos um pouco visível? E como estar sempre atento para não colocar tudo a perder por medo, inveja, orgulho, ambições?

É bom entender que os períodos de crise são necessários. Só pode entender a paz quem experimentou o conflito. Este pensamento que li me confortou muito. É assim que entendo o funcionamento da vida. Não existe compreensão do amor sem que se saiba o que é o ódio. Só compreende quem sabe o que é a incompreensão. Só vive a paz, quem caminhou pelo conflito. É necessário estar a caminho sempre buscando viver o que é oferecido. Se é a dor, vamos viver a dor para que a felicidade me encontre preparado para vivê-la. Se é a angústia, fiquemos firmes sem negá-la pois ela nos fará serenos para os dias de paz. É assim que envelhecemos sem perder a juventude. Tendo a tranqüilidade que um dia se sucede ao outro e que tudo é necessário. TUDO é necessário.

11 Junho 2005

Gosto deste texto….

“Eu estava no Tibete, escalando um monte. Junto comigo e com meu guia, havia um homem mais velho. Ele tinha a pele vincada, enrugada, de um moreno desbotado. Seus olhos vivos de um intenso negro azulado tinham a parte branca riscada por vasos sanguíneos, o que lhe dava uma aparência cansada, ou talvez tensa.

Quando chegamos ao pico, eu e o guia ficamos parados olhando maravilhados para a natureza que nos cercava. “lá”, disse o velho apontando

“o que é?”, perguntei

“Lá, o monte de rochas”

Olhando na direção apontada, vi então uma espécie de pilha circular de grandes rochas, como se preenchessem um grande buraco no chão. Olhei para o velho, notando que lágrimas começavam a escorrer por sua face. Olhei também para o guia, que tinha os olhos vermelhos, visivelmente comovido com alguma coisa que eu não conseguia compreender ainda.

“Toda minha família está enterrada lá...”

“O que aconteceu?” perguntei novamente

“Você sabe o que significa este gesto?” perguntou-me o velho, unido suas mãos, palma contra palma, com os dedos apontando para o céu, em frente ao seu peito.

“Sim”, acenei. Por todo o Tibete e o Himalaia é um sinal de respeito, de cumprimento e de prece.

“Em 1959 o exército chinês pribiu-nos de rezar. Um dia, eu encontrei um velho amigo e, num sinal de respeito, eu o saudei da maneira tradicional e disse ‘Tashi deley’, que significa ‘eu reverencio a grandeza em você’ e paramos para conversar. Um oficial do exército chinês me viu fazer o gesto e disse ‘Prendam este homem. Ele está rezando e propagando sua religião. Ele desafiou a lei.’. No dia seguinte o exército reuniu minha familia e os obrigou a cavar um grande buraco” – apontou para o monte de rochas – “ Sob a ameaça de armas. Terminado o buraco, eles anunciaram minha punição. Eu lhes implrei que punissem a mim, que só eu sofresse e ninguém mais. Eles responderam ‘não re preocupe, você vai sofrer bastante.’ Os oficiais riam enquanto um grupo de soldados ateava fogo na minha mulher, meus filhos, meus pais e meus irmãos e os jogava dentro do buraco. Os soldados os enterraram vivos, queimando”

Lentamente, o velho olhou pra mim e enxugou seu rosto. Ele me olhava através de meus olhos.

“Fale-me de sua vida, e da América”

Eu não pude acreditar. “Minha vida? A América? Como pode falar sobre uma perda tão devastadora e simplesmente deixar pra lá?”
“Deixar pra lá? Eu nunca vou deixar pra lá. Foi o acntecimento mais terrível da minha vida. E eu quis que você soubesse. Você pode aprender alguma coisa com essa história. Além disso, sem conhecê-la, você não me conheceria. Você não poderia confiar em mim, ou compartilhar um objetivo comigo e confiar em mim. Agora eu sou real, não sou apenas um nome. Tenho um coração, uma voz e uma história. Não sou apenas o estrangeiro que subiu a montanha com você. Isso não é algo inventado pela mente. Isto é parte do coração”, disse tocando o peito “e quando nossas ações partem daqui, de dentro, podemos falar aberta e honestamente um com o outro, e dizer coisas que sentimos profundamente, mesmo quando é difícil dizê-las”

Livro Inteligencia Emocional

P.S.:O livro é meio fraquinho… mas este trecho resume bem o que eu entendo que a amizade deve ser.

07 Junho 2005

Estou no Equador agora. Trabalho, sabe como é... Mas continuo dando uma espiada no a que acontece na terrinha.

Comentários sobre Quito:

Cidade linda Reserve um tempo na sua vida pra conhecer. De preferência nao deixe que seja durante uma viagem de trabalho o que te deixará com pressa de conhecer tudo. Como o vento daqui é feito com alguma coisa que nao é oxigenio, vc irá se sentir MUITO cansado… 2800 m de altitude fazem seu trabalho. Prometo nunca mais chamar od jogadores da seleçao de molengas e mocinhas por se cansarem na altitude.

E o povo? Todos muito educados. Talvez nao exatamente cultos mas, com certeza, muito educados. Muchas Gracias pra cá, muchas gracias pra lá, sempre simpáticos e dispostos a uma boa conversa.

As mulheres sao lindas e os homens… bem pra falar a verdade nao reparei nos homens.

Agora sério: temos o que aprender com a América Espanhola… eles tem uma identidade nacional. Nós nao tivemos a capacidade de manter, ou de entender, ou de criar a nossa.

Nova Casa!

YEAH! We’re back baby
Bom, isto aqui é BEM mais complicado que o anterior mas, pelo menos, todos poderão comentar! Aos poucos vou aprendendo como melhorar. De cara vou postar tudo o que foi escrito lá no bloglines para que nada se perca. Aí haverá espaço para comentários mesmo dos posts antigos.
Abraços à todos