Adeus açaí!!!
PARABÉNS, DIPLOMATA RAFAEL!!
Estou muito feliz, brother. A perseverança foi recompensada!
Abraço!
PARABÉNS, DIPLOMATA RAFAEL!!
Estou muito feliz, brother. A perseverança foi recompensada!
Abraço!
E viva o progressismo dessa gente! Fazendo a alegria de toda e qualquer ditadura mundo afora!
Brasil protege países que violam direitos humanos, diz ONG
Para Human Rights Watch, Brasil usa voto para proteger violadores.
Na ONU, Lula defendeu o diálogo para que direitos sejam respeitados.
Do G1, com informações do Jornal da Globo
Na ONU, em Genebra, o presidente Lula defendeu o diálogo como a melhor maneira de fazer com que os direitos humanos sejam respeitados. “Os países do conselho deveriam procurar o diálogo e não impor o caminho para proteger os direitos humanos. O exemplo é a melhor maneira de persuadir”, disse.
Mas, de acordo com ONGs de defesa dos direitos humanos, o exemplo que o Brasil tem dado nas reuniões do conselho da ONU é outro. Um relatório da respeitada ONU Human Rights Watch acusa o Brasil de usar seu voto para proteger países que violam os direitos humanos.
Quarenta e sete países têm direito a voto no conselho a cada ano, um terço deles é renovado.
No atual conselho, por exemplo, os Estados Unidos estão fora. Já França e Alemanha estão presentes.
Posições polêmicas
Quando o Conselho de Direitos Humanos da ONU se reuniu para condenar a Coreia do Norte por denúncias de tortura e trabalhos forçados para presos políticos, o Brasil se absteve. China, Rússia e Cuba, notariamente acusados de abusos contra seus cidadãos, votaram contra.
Mas a medida foi aprovada com 26 votos, entre eles os de Argentina, Japão e Inglaterra.
No caso do Sudão, destruído por uma guerra civil, o Brasil se absteve de novo quando o conselho propôs aumentar a presença de inspetores internacionais no país africano, desta vez junto com China e Rússia. A medida acabou derrotada por 22 votos a 12.
Diante dos crimes de guerra cometidos no Sri Lanka tanto pelo governo quanto pelos rebeldes que lutavam pelo poder o Brasil votou a favor de uma resolução que, segundo a Humans Rights Watch, não trazia nenhuma condenação ao massacre de civis.
O Brasil se alinhou à China, Cuba, Paquistão e Arábia Saudita. E ficou contra França, Reino Unido, Alemanha, Chile e México.
“Nós queríamos que o Brasil usasse sua influência regional para mostrar um exemplo mais positivo para a promoção e proteção dos direitos humanos. E, para fazer isso, o Brasil tem que acabar com essa ideia de que a situação de direitos humanos é uma questão interna porque não é. Nós queremos que o Brasil reconheça que por mais que diálogo seja importante, também haja necessidade de palavras mais forte e mais críticas contra quem viola os direitos humanos”, declara o diretor da Human Rights Watch, Iaian Levine.
O governo diz que não apoia nenhuma violação aos direitos humanos. E que o Itamaraty decidiu se abster na maioria das votações na ONU porque não considera eficiente dar atestado de mau comportamento a um país. Nas palavras de um integrante do governo, o melhor caminho é continuar negociando e não partir para o confronto. Para ele, uma sanção da ONU muitas vezes deixa o país isolado, aumenta o radicalismo interno e só piora a situação.
“Eu sei que há algumas restrições ao fato de o Brasil não assumir uma posição de ficar distribuindo certificados de bom comportamento ou de mau comportamento pelo mundo afora. Não é essa a tradição da política externa brasileira. Nós achamos que é muito mais importante uma ação de caráter positivo, que conduza o país a, b ou c a uma melhoria da situação interna a uma situação de caráter restritivo. Os bloqueios, as sanções econômicas, em geral, elas tem um efeito contrário”, diz o assessor especial da presidência, Marco Aurélio Garcia.
Na próxima semana, o conselho se reúne para discutir novamente a situação dos refugiados de Darfur, no Sudão. E o Brasil terá que decidir se é a favorável ou não à manutenção da presença de inspetores da ONU no país.
Tem muito policial ruim e corrupto no Brasil. Mas muitos, e diria a maioria, são pais de família trabalhando. Sabe o que eles tiveram que enfrentar quando foram na USP cumprir uma DECISÃO JUDICIAL? Veja abaixo:
Vou evitar desqualificar todo e qualquer movimento estudantil. Mas um bando de alunos costuma gerar uma multidão com a inteligência de uma ameba. Se fosse um bando de pessoas qualquer, a inteligência seria ainda menor. A massa costuma emburrecer os inteligentes e empolgar os celerados.
Viram o vídeo do post abaixo? Pois é, no Brasil os tanques são os chamados “movimentos populares”.
Se um bando de PMs fizesse o que esses bocós acabaram de fazer, qual voce acha que seria a reação da sociedade? O humanismo dessa gente serve só para alguns humanos…
Nojo!
Uma homenagem aos jovens que morreram tentando desfazer o que, em nome de uma ideologia, jovens menos espertos fizeram antes deles…
“É fácil montar num tigre. Difícil é desmontar dele.”
Li este ditado hoje e me peguei pensando como é importante validar os pensamentos, as idéias, no longo prazo. Tal coisa vale agora? Mas e depois? Faz-se uma revolucão socialista e a vida melhora – fica provado que o Socialismo funciona. Depois, quando toda a estrutura produzida pelo Capitalismo vai inexoravelmente pras cucuias (por fenômenos que não dá pra descrever rapidamente), não entende-se como é que tudo chegou onde chegou. Houve quem pensou: no Socialismo, a vida melhora! Houve quem disse: – Pelo menos ninguém morre de fome! Depois da melhora momentânea, vem o inexorável fracasso de quem não tem intimidade com análises de causa e efeito.
Um dos aspectos de longo prazo neste caso é que a fome, apesar de ser sim uma das necessidades mais imediatas do ser humano, está longe de ser a única. Os milhares de estudantes que protestavam em Tiananmen e que deram suas vidas por algo mais do que alimento são a prova que quem vive pra comer são as vacas. A ausência de famintos querendo embarcar para Cuba também grita que há algo errado com o argumento. Mas Luciano, se todo mundo come, está dada a condição para a felicidade. Sim, verdade. Desde que se consiga continuamente manter a população saciada e que se esteja preparado para suprir as outras necessidades básicas do ser humano (a liberdade entre elas). Mas vamos adiante.
Sou engenheiro e como tal não costumo refutar dados científicos. Camisinhas realmente evitam a transmissão do vírus da AIDS. Se quiser ficar 99% protegido (acho que não chega a 100%), use a dita cuja sempre. Recomendo! Mas como política estatal de combate à epidemia de HIV simplesmente não funciona. Como assim? Não acabei de dizer que é 99% eficaz? É... mas evitemos montar no tigre sem pensar no amanhã...
Ora, a distribuição de camisinha em escolas e ambientes públicos tem aumentado a sensação de segurança das pessoas e reduzido a idade de iniciação sexual de muitos jovens. E especialistas (não eu) apontam para o comportamento do jovem que, sentindo-se seguro, usa a camisinha QUASE sempre. Aí é que o caldo desanda.
Pra quem duvida, olhem a tuberculose, para ficar em só um exemplo. Remédios existem em qualquer farmácia, mas a sensação de melhora faz com que pacientes abandonem o tratamento. Até hoje ninguém conseguiu combater este fato. Se me perguntarem se o remédio para tuberculose funciona, eu respondo que sim. Já salvou muita gente? E como! Se me perguntarem então se devemos distribuir nas esquinas o remédio, respondo que é inócuo. Não é a falta do remédio o problema.
O paralelo com o HIV é óbvio. No Brasil tem professor levando pênis de borracha para ensinar às crianças como usar o preservativo. Um show de horror e o vírus agradece!
Olhar adiante. Pensar nos efeitos colaterais. Entender a cadeia de relações que cada atitude encerra. Enfim, entender que, mesmo fácil, talvez seja melhor não montar no tigre.
Está em curso uma tragédia humanitária de grandes proporções. No Paquistão, o conflito entre o Exército e o grupos radicais islâmicos (Talibãs, Al Qaeda, etc) já deixa 2 milhões e meio de refugiados e mil mortos.
Aos que gostam de posar de humanistas, progressistas e coisas “fashion” da mesma espécie, lembro que esses grupos estavam já a cem quilômetros da capital do país. País este que tem armas nucleares.
Mais um exemplo de como os milhares de dilemas que uma guerra – qualquer guerra – apresenta não aceitam maniqueísmos.
Eu acho inadimissível que radicais controlem armamento atômico. Assim como acho inadimissível que forcem pessoas a seguir esta ou aquela religião, usar véus pretos, e toda essa parafernália opressora. Mas também não dá pra ficar insensível a dois milhões e meio de refugiados. Numa época onde o mais parvo dos homens pratica a Realpolitik em nome de valores morais – numa contradição esmagadora – é preciso ser claro quanto a que mundo se quer.
As revoluções e grupos ideológicos se perpetuam porque seu objetivo de mundo é etéreo como uma névoa grossa. Todos acreditam que lá dentro da nuvem existe algo melhor. Quando são bem sucedidos, chegando ao poder e tendo que colocar no papel o que querem, começam a ver que cada um tem uma idéia diferente do que o mundo deve ser. Aï começa o fracasso inerente a qualquer revolução.
Então aconselho menos revolução, menos progressismo, menos “luta por um mundo melhor” e um pouco mais de realismo. No caso do Af-Paq (Afeganistão e Paquistão), que é como o assunto tem sido chamado, quem não sabe muito bem que mundo quer acaba ficando perdido. Por mais que eu considere a causa Palestina, o problema do Af-Paq tem dimensões maiores. Assim como teve Ruanda, mas já falei disso aqui. Um conselho: fujam das questões onde as torcidas se posicionam muito facilmente. Normalmente os dois lados estão errados.
Raramente as verdadeiras questões são de fácil compreensão das torcidas…
A pedagogia do cinismo
O Estado de S. Paulo – 05/05/2009
Ao desdenhar do noticiário sobre a farra das passagens áreas na Câmara dos Deputados – apenas uma de uma sequência ainda inesgotada de denúncias envolvendo parlamentares e altos funcionários do Legislativo -, o presidente Lula fez mais do que atender a uma presumível cobrança recebida dos presidentes das duas Casas do Congresso, o deputado Michel Temer e o senador José Sarney. Os dois hierarcas do PMDB queixaram-se a Lula de não ter ele dito em três meses uma única palavra que se contrapusesse aos efeitos junto à população da sequência de escândalos levantados pela imprensa. O presidente passou a cortejar com afã renovado o apoio do partido à candidatura Dilma Rousseff em 2010 desde que se tornou conhecido o problema de saúde da ministra.
A cobrança, em si, era já uma enormidade: nenhuma das revelações se comprovou infundada até agora e em nenhum momento a imprensa aproveitou os vexames destampados para acusar indistintamente os membros do Congresso e muito menos investir contra a instituição legislativa. Não tivesse Lula sacrificado na pira do mensalão o senso ético de que fazia praça em tempos idos, teria moral para rejeitar a indigna demanda da dupla peemedebista com o argumento de que o Legislativo, até por missão constitucional, pode se pronunciar sobre assuntos do Executivo, mas a recíproca não é verdadeira. Ou, não tivesse ele de há muito passado a acreditar no que viria a dizer sobre a exposição dos malfeitos parlamentares, poderia aplacar os aliados afirmando, por exemplo, que o Congresso, como instituição e por sua história, é maior do que a soma de suas partes e estas são predominantemente boas.
Mas isso seria pedir demais a quem, mandando às favas escrúpulos passados, aprendeu a juntar no mesmo saco a primazia dos seus interesses políticos e conveniências pessoais com uma visão cínica do sistema pelo qual se elegeu – o mensalão descende das contas da campanha de 2002 – e com o qual governa. Assim, quando declara que as denúncias dos abusos com as passagens aéreas dos deputados tratam “como se fosse uma novidade uma coisa que é mais velha do que a história do Brasil” (sic) e quando acrescenta que “temos coisas mais importantes para discutir”, ele afaga aqueles que outrora incluiria no rol dos “300 picaretas” do Legislativo e deixa à mostra o imitigado pragmatismo com que espera ver realizadas as suas prioridades. É a velha teoria de que os fins justificam os meios.
Se o crescimento econômico, a geração de empregos e a redução da desigualdade social são metas justas, Lula parece raciocinar, justo também se torna tirar o proveito possível dos piores vícios da política brasileira. Foi com esse espírito que ele chegou ao Planalto, reelegeu-se e trabalha para eleger a sua candidata à sucessão. Claro que as metas são indissociáveis da sua presença no poder e da perpetuação do lulismo. Por isso também, quando conta que usava passagens de sua cota como deputado para “convocar dirigentes da CUT e outras centrais sindicais” e quando comenta que, se o mal do Brasil fosse essa clamorosa apropriação indevida de dinheiro público, “o Brasil não tinha mal”, Lula deixa clara a perversão a que submeteu os valores políticos com os quais se identificava e que fizeram do sindicalista renovador transformado em líder partidário uma figura ímpar na cena nacional.
No passado, ele apregoava que as mudanças sociais no País dependiam de “acabar com isso que está aí”. Presidente, ele recorre com a maior naturalidade ao que está aí para mudar o País – decerto sob o seu mando ou patrocínio. Dirigente sindical, Lula denunciava o peleguismo, a submissão dos sindicatos aos governos de turno. Presidente, comprou a adesão entusiástica das centrais sindicais ao seu governo com os milhões do Imposto Sindical livres de fiscalização e premiando o pelegato com pencas de cargos federais. Pouco se lhe dá que o seu manejo indecente do poder e a pedagogia do cinismo que transborda de seus pronunciamentos desmoralizem as instituições. A degradação dos costumes políticos na era Lula não é um acaso: é a face mais ostensiva desse achincalhe que será a sua herança maldita.
Vez ou outra eu encontro um artigo que gostaria de ter escrito. Este é um deles. Principalmente porque, ao criticar sistematicamente este governo, já recebi o “carinhoso” apelido de neo-liberal pelos meus amigos mais irreverentes. Respondo-lhes sempre que contrapor Lula não é ser contra a esquerda. É ser contra a indecência.
O Novo Estado de Lula
Autor(es): Fernando De Barros e Silva
Folha de S. Paulo – 04/05/2009
Para um governo que se empenha em misturar pão e circo, as comemorações do 1º de Maio cumpriram a sua parte: entre shows e sorteios, sobraram palavras de elogio ao Estado nos eventos das centrais sindicais. Justo.
Em 2008, elas receberam só de imposto sindical quase R$ 150 milhões livres de qualquer fiscalização (10% do que foi descontado de forma compulsória do trabalhador) uma inovação do lulogetulismo.
Foi-se o tempo em que a CUT brigava para libertar o sindicalismo da tutela estatal e a Força pregava contra ideologização da pauta trabalhista pelo PT. Hoje estão unidas e satisfeitas sob o mesmo guarda-chuva, usufruindo o peleguismo de resultados. Reclamar do quê?
Quem aproveitou para reclamar no 1º de Maio foi Lula, mas da “hipocrisia” dos que se levantam contra o descalabro do Legislativo. E por que decidiu comprar essa briga, desqualificando a justa indignação do público? Defesa da democracia?
Antes fosse. Lula ouviu um apelo dos amigos José Sarney e Michel Temer, segundo quem a pressão popular por compostura está deixando muita gente insatisfeita no Congresso e isso cria riscos para o Planalto. Afinal, quem quer uma CPI da Petrobras, por exemplo?
Uma mão suja a outra, por assim dizer. Os eventos do 1º de Maio nos dão um retrato polaroid do lulismo.
Não se trata só de cooptação e aliciamento. Este é o governo do arrastão. De Sarney a Paulinho, do Congresso aos sindicatos, dos usineiros (“heróis nacionais”) ao MST, dos banqueiros à massa miserável do Bolsa Família, dos empreiteiros (que ressuscitaram) às ONGs que beliscam as bordas do Estado -todos parecem participar da nova comunhão nacional, uma espécie de “CarnaLula” que prescinde de regras claras e tripudia da moral.
Pai dos pobres, mãe dos ricos. Só por preguiça mental ou má-fé alguém ainda chama isso de esquerda. Reinvenção do patrimonialismo com ganhos sociais, esse arremedo do getulismo tem data de vencimento e alto custo institucional. Quem é que vai pagar a conta?
Deu em O Globo:
Bolsa Família atingirá 1 em cada 3 brasileiros em 2010
O Bolsa Família, maior programa social do governo Lula, atingirá em 2010, ano eleitoral, um em cada três brasileiros. Hoje o benefício já chega, direta ou indiretamente, a 29% da população – sendo que, em seis estados do Nordeste, mais da metade dos moradores vive do programa, segundo levantamento do GLOBO com base em dados oficiais. É o que mostra reportagem de Leila Suwwan, publicada na edição deste domingo de O GLOBO.
No Maranhão, no Piauí e em Alagoas, de 58% a 59% da população dependem do Bolsa Família. Na cidade de Junco do Maranhão, 95,7% das famílias vivem do programa. De acordo com o governador do Piauí, Wellington Dias, o alto número de beneficiários no estado reflete uma “situação dramática”.(...)
Meus caros, sem brincadeira, é uma palhaçada. Quer dizer que um terço da população brasileira vivia abaixo da linha da miséria? Por mais que sejamos preocupados com justiça social, não está na hora de desconfiar desses números não? E depois de 6 anos de um Governo que supostamente ia governar para os pobres, já não estava na hora deste número diminuir, ao invés de aumentar? Não é a própria declaração de incompetência?
Mas é óbvio que Lula não quer isso. Ele quer é dar mesada mesmo para o maior número possível de gente, pra mantê-los no cabresto. É um coronelzinho, daqueles a moda antiga. Alguém quer apostar que faltando dois meses para a eleição o PT vai espalhar aos quatro ventos que seu adversário vai acabar com o programa? Em 2006 foi o boato da privatização da Petrobras. O pior é que tem gente escolarizada que acredita nessa balela (escolarizada sim, inteligente?... talvez)
O Brasil virou uma grande fazenda, a do Nhô Lula, com os nhôzinhos e o resto da criadagem.
Contei para um amigo que trabalha comigo, filho de cubano, que eu tive um fusca 69. Ele riu e disse que seu tio, em Cuba, comprou um fusca 68 ano passado. Sabe quanto ele pagou pelo carro? Dez mil dólares.
Perguntei como é que se compra carro em Cuba e ele me explicou que apenas pessoas autorizadas pelo Governo podem comprar um carro, e que geralmente quem é da alta hierarquia do exército ou do governo pode. Ele me explicou que seu tio pôde comprar pois seu avô era militar de alta patente. De posse da autorização, ele conseguiu comprar o tal fusca.
Eu adorava meu fusca, mas ele dava problemas a todo momento, pois era muito velho. Imagino como ama a revolução quem tem que usar influência para ter o direito pagar 10.000 pela fubica.
Pelo que um outro amigo me disse, Fidel quando anda de carro, passa em comboio, cheio de carrões de vidro fumê.
Adianta a demagogia das cotas? Adianta proclamar a “Democratização da Universidade” quando, o resultado do ENEM nos mostra:
E 85% dos estudantes matriculados no ensino de nível médio estão em estabelecimentos públicos.
Continuando sobre o tema abaixo, penso que quem aprova a separação de cotas acha que negro precisa de esmola. E passa a ter a consciência tranquila da mesma forma daquele que dá a esmola, achando que ajudou. Desconhece que a cota, assim como a esmola, não ajuda, não resolve o problema, e até o agrava.
O brasileiro precisa ter seus direitos respeitados e o Estado não faz distinção neste ponto: ignora a maioria dos cidadãos independente de cor.
Inventou-se até o termo “afro-brasileiro” ou “afro-descendente”. E eu que pensava que éramos brasileiros… Talvez eu devesse me intitular luso-descendente. Outros ainda seriam germano-descendentes. É questão de tempo, se seguirmos por este caminho, para um grupo se achar superior ao outro. E aí teremos retrocedido 500 anos.
Nunca antes neste país…
Quando o assunto “Cotas para negros em Universidades Públicas” entrou em pauta, tive discussões acaloradas sobre o tema. Acontece que eu estava certo e que se faz hoje é um espetáculo de racismo oficial, patrocinado pelo Estado e pelas ONGs racialistas que inventaram a solução para um problema inexistente. Não que o racismo seja uma miragem. Mas não é ele o responsável pela miséria brasileira. Para o racismo já existia lei, inafiançável.
A razão é muito óbvia: uma pessoa mulata, filha de um pai negro e uma mãe branca, por exemplo, pode ter várias tonalidades de pele. QUEM É QUE ACHA JUSTO QUE UM IRMÃO TENHA ACESSO ÀS COTAS E OUTRO NÃO? QUEM?
Segue editorial da Folha sobre o tema.
Tribunais da raça
Folha de S. Paulo – 27/04/2009
Critérios raciais para ampliar acesso a escolas públicas produzem situações absurdas e devem ser abandonados
MULTIPLICAM-SE os exemplos de distorções geradas pela adoção de critérios raciais para o ingresso nas universidades públicas.
Na sexta-feira, esta Folha noticiou que 25% das matrículas de alunos que passaram no vestibular da Universidade Federal de São Carlos por meio dessa política foram canceladas, após questionamentos. O critério adotado para concorrer às vagas na instituição utilizando cotas raciais é a autodeclaração -o candidato precisa se declarar negro, pardo ou descendente direto de negros (pai ou mãe). Aprovado, o aluno faz a matrícula automaticamente. Se surgir contestação, porém, precisa “provar” o que declarou.
Foi o que aconteceu com uma caloura do curso de imagem e som da UFSCar. A universidade não aceitou documentos apresentados pela aluna, que deveriam ter indicação de cor e ser reconhecidos pela Justiça. Não bastou registro em cartório com uma autodeclaração de que é parda. Mesmo com a apresentação de documentos e fotos de parentes, a estudante não conseguiu reverter a decisão, que, segundo a universidade, será discutida judicialmente.
Já na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no Rio Grande do Sul, uma aluna disse que foi vítima de preconceito. A instituição, que destina parte de suas vagas para alunos cotistas, não considerou a estudante parda e retirou-lhe a vaga. A UFSM adotou um modelo de checagem para a reserva racial. O controle se baseia em entrevista feita por uma comissão que inclui professores, técnicos da universidade, estudantes e ativistas de organizações pró-direito dos negros: um autêntico e estapafúrdio tribunal racial.
Nas entrevistas, são feitas perguntas, como se a pessoa já se declarou negra ou parda em ocasiões anteriores ou se já foi vítima de preconceito. Segundo a caloura, como afirmou que nunca havia sofrido discriminação, foi excluída. Então a discriminamos nós, foi o sentido da resposta da banca racialista.
Outro vexame semelhante, talvez mais emblemático, ocorreu em 2007, na Universidade de Brasília (UnB). Dois gêmeos univitelinos tentaram ingressar na faculdade pelo sistema de cotas raciais. O comitê racial da instituição considerou um deles negro. O outro, não.
Todos esses casos são exemplos cristalinos da impossibilidade de categorizar pessoas segundo o parâmetro de raças -diferenciação que não encontra fundamento científico. Mais que isso: revelam a assombrosa banalização, em instituições de ensino superior, de tribunais raciais, uma prática segregacionista, ofensiva à democracia e estranha à história brasileira desde o fim da escravidão.
É possível ampliar o acesso de estratos tradicionalmente excluídos ao ensino superior de qualidade sem atropelar direitos fundamentais -e sem alimentar o monstro racialista. Para tanto, é preciso adotar, como único critério nacionalmente válido nas políticas de ação afirmativa, o fato, objetivo, de o vestibulando ser egresso de escola pública.
Estou vendo o filme “Shake hands with the Devil”, canadense, de 2007. Relata o massacre de Ruanda sob a ótica de um general canadense da ONU.
É muito, mas muito doloroso, triste e revoltante. Mas é obrigatório olhar o mundo de frente, nos olhos, como ele é, para não ter ilusões.
Estou chocado. Mesmo já sabendo o roteiro, vê-lo é expor a miséria humana em sua menor face.
Tenho dois blogs. Esse e um outro, pra manter a família e os amigos por dentro dos últimos acontecimentos. O último tem seu endereço colocado em muitas páginas de amigos, mas este aqui não… O Fermento Cínico tem sim é alguns links vindos de blogs desconhecidos, de gente que está acostumada a nadar contra a maré.
O que dizer?
Todo mundo acha maneiro dizer que quer um mundo mais justo. Quer comer salada e salvar o planeta.
Todo mundo acha Obama “O cara”. Mas todo mundo finge que não acha…
Pra galera, Lula era o povo no poder. Agora, todo mundo se diz desapontado, mas detestam FHC.
Todo mundo acha que Daniel Dantas é o dragão e que Protógenes é São Jorge.
Todo mundo acha que o mensalão foi coisa normal, de sempre.
Todo blogueiro adora a Palestina, e no íntimo quer ver Israel na fogueira.
Todo mundo tem pena da África, mas não sabe onde fica Ruanda.
Todo mundo acha que o mundo é ruim porque o Capitalismo estimula a cobiça.
O bom agora é respeitar as diferenças culturais.
Todo mundo acha que a polícia tá sempre errada. Todo mundo acha que em nome do povo tudo se justifica.
Esquerda é boa e a Direita é malvada. O rico é o inimigo.
E assim vai, nesta época de ativismo embalado à vácuo.
To fora!
Pelejei muito pra entender que a realidade é uma teia infinita de relações, de causas e consequencias. Pelejei pra entender que valores não são artigos de circunstância, de aplicabilidade variada e variável. Pelejei também pra entender que a vida é curta pra abdicar de pensar.
Quando Lula levou uma vaia no Maracanã, escutei de gente inteligente a justificativa de que a vaia vinha de gente rica. Foi quando entendi a profundidade do poço. Se continuarmos neste caminho, terminamos na guilhotina. Mas a sutileza é por demais leve para os dias atuais…
Cuba é um pequeno país no Caribe como tantos outros que não costumam ocupar as páginas dos jornais, a não ser as de Turismo. No entanto, desde que Fidel Castro conseguiu reunir um pequeno exército e derrubou a ditadura de Fulgêncio Baptista, o país passou a receber uma atenção só explicável pelo entendimento do que um país socialista na América representava, em plena Guerra Fria.
A vitória foi comemorada pelo povo no princípio, mas, como a história não cansa de ensinar, o apego ao poder faz com que todo governo revolucionário se torne tirano. Os agentes revolucionários passaram logo a procurar os “inimigos da revolução” e, num passo lógico, encontraram no Socialismo uma teoria política para justificar o horror. A revolução cubana não foi socialista como muitos acreditam. Foi se tornando socialista tão logo a Liberdade foi considerada artigo reacionário.
E Cuba virou notícia, cumprindo seu papel de componente ativo da guerra fria. Da irrelevância, passou a modelo de socialismo das Américas, farol para grupos armados e para a esquerda retrógrada. Fidel matou seus opositores, transformou a ilha em uma prisão, e, criou uma rede de proteção social que mantém os habitantes vivos. Seus defensores afirmam que a educação é de qualidade e que pelo menos ninguém morre de fome. Educação de qualidade é piada de mau gosto, num ambiente onde não existe debate, diferenças de opinião, acesso livre a livros nem internet. Isso não é educação, é treino. Quanto à ninguém morrer de fome, bem, tenho a dizer que, para uma prisão, nenhuma surpresa. Zoológicos também conseguem este feito e lá os animais também não morrem de fome. Todos os dias esperam sua ração, como zumbis despidos de dignidade. Não desejo isso nem ao sapinho azul da amazônia, muito menos aos cubanos.
Alguns diriam que é culpa do embargo americano. Por mais que o embargo há muito tempo não impeça Cuba de negociar com qualquer outro país do mundo, e que graças a ele Cuba tenha recebido uma generosa mesada da então URSS, pode-se supor que prejudique em certa extensão. Ora, se este embargo maléfico mantém o povo na miséria, bastaria ao Regime Castrista soltar seus prisioneiros e realizar eleições. O embargo cessaria no mês seguinte. Isso se fosse vontade sincera de Fidel deixar a população decidir o seu destino. Mas porque abandonar este emprego vitalício, cheio de privilégios, e correr o risco de descobrir que a população não pensa como o resto dos militantes latino-americanos? Édem socialista no país dos outros é refresco… Ou bastava ainda deixar sair quem assim quisesse. Ficaria alguém?
Teóricos socialistas pensam que é preciso proteger o “povo” de si mesmo. Não sei se Fidel é um teórico socialista. Pode ser que seja apenas um ditador comum.
Seguem dois blogs de jovens cubanos, tentando mostrar o que é viver em Cuba. Mas já aviso que o acesso é difícil, como se poderia imaginar…
Termino colocando aqui um texto extraído do portal Desde Cuba, sobre os 50 anos da Revolução:
“Las conmemoraciones obligan al balance, al inventario de lo alcanzado, al cómputo de lo que falta. Si buscáramos una expresión que sintetice un arqueo del 50 aniversario del triunfo de la revolución cubana diríamos, si somos optimistas, una sola palabra: insatisfacción.
Los medios oficiales han puesto su énfasis en la historia, en el relato heroico del calvario transitado por los mártires, el sacrificio de todo un pueblo que resiste, las agresiones sufridas, el acoso del imperio. En segundo plano, escenas de niños que nacen, escolares de uniforme saludando la bandera, jóvenes médicos salvando vidas en los sitios más apartados del mundo.
Los críticos hacen su fiesta mostrando la cara fea de la realidad: las ciudades destruidas, las industrias obsoletas, las cárceles multiplicadas, los campos sin cultivar, la gente haciendo largas colas o colgada de un ómnibus repleto, jóvenes persiguiendo turistas, policías persiguiendo jóvenes y el mar salpicado de balsas atestadas de cubanos que escapan.
Si no somos optimistas tenemos que usar otra palabra: frustración.
¿Dónde están los extensos pastizales ocupados por las vacas más productivas del mundo? ¿Dónde, la nueva arquitectura resistente al clima; el vergel de frutas, viandas y vegetales; el eficiente y puntual transporte público, los sitios donde el obrero lleva a su familia a recrearse.
¿Dónde está el hombre nuevo, libre y pleno, dueño de su destino?
Un balance serio estaría obligado a responder con claridad la pregunta de si hay una relación favorable entre el costo y la gratificación, si ha valido la pena recorrer el largo y tortuoso camino elegido para arribar al sitio donde estamos. Cincuenta años después deberíamos estar en la posibilidad de, evocando a Camilo Cienfuegos, preguntarnos si hemos llegado ya al día en que podamos decirle a los caídos: “Hermanos, la revolución está hecha, vuestra sangre no se derramó en vano”.
La historia deja cicatrices en los pueblos, pero deja también enseñanzas. Por suerte, estos no serán los últimos cincuenta años de la existencia de Cuba como nación, por suerte no somos pesimistas y no tenemos que elegir, para expresar la síntesis de nuestro balance, la peor de las palabras: naufragio.”
Tinha que vir de Hugo Chavez! Não esperava outro livro de cabeceira para um louco de pedra como nosso Chapolin venezuelano. Esse livro pega o complexo de inferioridade latino e lhe dá base teórica. Ou seja, joga cimento na areia movediça onde está empacado este povo.
Reinaldo Azevedo, parece que pensa como eu. Veja trecho:
As “véias” abertas da América Latina
“(...)
Pois bem: mesmo quando eu era menino, esquerdista, esse livro de Galeano, que era leitura obrigatória para todo perfeito idiota latino-americano, não me convencia. E a razão era (e é) simples: trata-se de uma coleção de lamúrias evidenciando como a América Latina foi vítima de sucessivos vilões, desde os espanhóis e portugueses (estes merecem menos atenção) até o imperialismo americano. Uma suposta vontade legítima do povo latino-americano (que estrovenga será essa?) teria sido continuamente fraudada.
Acho até que foi Galeano o primeiro a plantar em mim a semente da desconfiança — pelo que eu lhe deveria ser grato. “Ora diabos” — pensava nos meus 15, 16 anos, ainda menino, ainda esquerdista e ainda idiota — “mas por que a gente (os latino-americanos…) é assim tão banana, então? O que é que fez com que os opressores se tornassem opressores, e os oprimido, oprimidos? E por que a gente é sempre o oprimido?”
Vim a entender um pouco mais tarde, já na transição para a vida adulta, que esse vitimismo era uma fraude intelectual, que abria as portas para todo tipo de vigarista e demagogo. Olhem quem exibe o livro agora… Fazia pilhéria com o troço: chamava-o “As véias abertas da América Latina”.
Que esse livro tenha sido ressuscitado — e pelas mãos de Hugo Chávez, num presente a Obama —, eis uma prova da miséria intelectual que toma conta do nosso tempo e que não vai passar assim tão rapidamente. Sem contar que Galeano, que nem é historiador, tem ambições literárias, e isso o faz abusar de todas as metáforas e antíteses vagabundas de quem viaja nas “veias” da luta do “opressor” de manual contra o “oprimido” de manual. E o homem escreve pra chuchu. É uma espécie de Paulo Coelho da autocomiseração. Seus heróis da resistência costumam dizer frases de efeito para humilhar a prepotência do colonizador mesmo à beira da morte. Trata-se de uma daquelas fantasias que enchem de alegria e de espírito de vingança os impotentes.
Não duvido: Chávez deve sentir-se uma espécie de novo Túpac Amaru… Torço para que a escritura se cumpra até o fim.”
Reinaldo Azevedo
Abaixo vai um exemplo prático de como a Diplomacia Brasileira, despida de pragmatismo, alegra os salões mundo afora sem, no entanto, render nenhum fruto ao país. Essa gente é muito aborrecida. Previsível demais.
Afagos diplomáticos e oba-obamismos
Autor(es): Marcelo de Paiva Abreu
O Estado de S. Paulo – 20/04/2009
O que revela a autópsia da reunião do G-20 em Londres? Numa ótica global, dadas as expectativas modestas, houve avanço em alguns temas cruciais. Em torno deste núcleo duro de compromissos, ainda que meio nebulosos e envolvendo superposição com promessas anteriores, foram arrolados outros temas cuja menção é politicamente de rigueur em reuniões similares: comércio, clima e tratamento justo das economias menos desenvolvidas. Mais uma vez, foi reafirmado que são temas importantes e merecedores de grande atenção dos governos do G-20…
As duas questões mais importantes abordadas a sério na cúpula foram o aporte adicional de recursos a instituições multilaterais e o esforço coordenado para aprimorar o marco regulatório do sistema financeiro, incluindo disciplinas de abrangência global.
O sucesso quanto à mobilização de recursos adicionais para enfrentar a crise parece indiscutível: aportes adicionais ao Fundo Monetário Internacional (FMI), mobilização de Direitos Especiais de Saque, aportes a bancos multilaterais de desenvolvimento e agências de financiamento de comércio exterior somam US$ 1,1 trilhão. É claro que a operacionalização de tais compromissos envolverá dificuldades substanciais, mas o balizamento para ações de sustentação da demanda está delineado.
Em relação à construção de um marco regulatório multilateral, os circunlóquios no texto de declaração foram insuficientes para ocultar as grandes diferenças entre big players, como Estados Unidos, China e França, tanto em relação à conciliação de interesses nacionais e globais no novo marco regulatório quanto à aceitação de critérios de aplicação não controvertida para caracterizar “jurisdições não cooperativas”, ou seja, paraísos fiscais.
Para o Brasil os resultados da reunião de 2 de abril foram desapontadores, não obstante o oba-obamismo que caracterizou boa parte das avaliações que tenderam a confundir espuma com resultados concretos. Na fotografia oficial dos chefes de Estado que compareceram ao jantar oferecido pela rainha, o presidente Lula foi colocado pelo protocolo imediatamente à esquerda de Elisabeth II, com Gordon Brown à direita. Barack Obama efetivamente disse: “Este é o cara…, é o político mais popular do planeta.” Depois continuou: “É por ser boa pinta.” O vídeo da BBC mostra que Lula, espertamente, não responde e parece suspeitar de que “esse cara está de brincadeira…”
A posição protocolar nas fotografias oficiais e os comentários simpáticos e brincalhões de Obama deram margem a comentários não muito ponderados sobre a importância crescente do Brasil no cenário mundial. Mesmo em arraiais de esquerda radical as referências de Obama, presidente da potência imperial, foram de algum modo interpretadas positivamente. Elogio, até do diabo vale. Desde a reunião, incontáveis matérias e caricaturas especularam sobre quão enciumado estaria Fernando Henrique Cardoso com a proeminência de Lula.
O vezo nacional por plumas e espumas – um travo de vaidade misturada com ingenuidade – é algo percebido pelos nossos parceiros que tentam explorá-lo em seu benefício. Tal fraqueza era percebida até mesmo no caso de estadistas mais circunspectos. Em 1941, por exemplo, o primeiro-ministro britânico Winston Churchill instruiu o Foreign Office a adotar como pilar da política britânica para o Brasil: “Acariciar Vargas”, “petting Vargas” (minuta de 27/10/41, Arquivos do Foreign Office, FO 371, General Correspondence: Political, A8705/190/6). Barack Obama é certamente mais simpático e habilidoso, mas a tecla parece familiar.
Há abordagens analíticas menos dependentes de, literalmente, “ficar bem na foto”, para avaliar o Brasil no G-20. Não cabe qualquer dúvida quanto à posição de Lula como representante destacado das economias emergentes no foro do G-20. É fruto da combinação do sucesso de sua carreira política – misturando pertinácia, argúcia e capacidade de negociação – com, ironicamente, boa gestão da herança de políticas macroeconômicas prudentes que lhe foi legada pelo governo anterior.
Mas o que mais interessa não é simplesmente constatar o crescente peso de Lula no cenário internacional. É avaliar em que medida essa influência está sendo utilizada para alcançar os objetivos da política externa brasileira.
Antes de Londres, o discurso presidencial recente concentrou-se na denúncia do protecionismo. O G-20, na declaração após a reunião de Washington, em novembro de 2008, havia explicitado que faria os melhores esforços para viabilizar a Rodada Doha até o final de 2008. Compromisso renegado. Em Londres, a ênfase brasileira centrou-se, de novo, em assegurar a conclusão da Rodada Doha. Mas a declaração final não foi além da repetição de que haverá esforço para não aumentar a proteção e que concluir a rodada “em bases ambiciosas e equilibradas” permanece um objetivo central. Não é convincente a justificativa de que o avanço foi possível porque a administração Obama não preencheu cargos cruciais para viabilizar a negociação. A demora em preencher cargos pode ser interpretada como explicitação da baixa prioridade do tema na agenda atual dos Estados Unidos.
A ótica substantiva que poderia levar a uma avaliação otimista da reunião de Londres estaria relacionada às pretensões do Brasil em relação ao Conselho de Segurança da ONU - teimosa reivindicação do Itamaraty, cuja racionalidade continua discutível. No mais, espuma e afagos. No ego do presidente e no País.
A vida de estudante secundarista pode parecer bastante vulgar para quem tem mais de 30 anos. E realmente, a não ser para os próprios adolescentes, não há muito do que se orgulhar nesta fase da vida, onde estamos mais preocupados em entender todas as mudanças pelas quais passamos, em decifrar o que as garotas pensam, e, enfim, nos divertir com qualquer coisa.
Ter participado do Grêmio Estudantil do meu colégio foi minha tentativa de fazer algo realmente memorável. Claro que outras motivações (a saber: autorizações especiais para deixar a classe) também tinham peso, mas nossa chapa caracterizava-se justamente por sermos os mais intelectuais, nerds mesmo. Eramos progressistas realistas, numa salada ideológica que fazíamos, sem resultado prático nenhum. Tinha de Paulo Freire, passando por Marx e chegando em MDB. Até um fã do Brizola tínhamos. Nesta época, em meu colégio, o simples fato de se ter ALGUMA opinião sobre política significava ser realmente “cabeça”. Passando longe de títulos, como socialistas ou liberais, nos orgulhávamos antes de tudo, secretamente, de nossa inteligência. Sim, éramos rápidos no gatilho. Não à toa, “vencemos” os debates patrocinados pelo colégio. Concorremos com uma chapa de alunos em grande parte repetentes e populares, chamada de “Restos do Nada” (que hoje, ironicamente, acho um nome sensacional). E confesso, não me lembro mais de muita coisa. Acho que por fim não fiz nada digno de memória, a não ser um jornalzinho politizado que não teve mais do que duas edições.
Me lembro bem, no entanto, que como órgão representante dos alunos do meu colégio, fomos convidados para a Assembléia dos Estudantes Secundaristas de Florianópolis. Nunca ninguém do riquinho e alienado Colégio Catarinense tinha dado as caras por lá. O convite era mera formalidade. Não havia a menor expectativa de comparecimento dos “filhinhos de papai”. Pois qual não foi a surpresa da tal assembléia quando entramos no salão com uma delegação muito numerosa pois, pela proporcionalidade, tínhamos de longe o maior número de representantes – éramos o maior colégio da cidade. E me lembro bem de ver as caras espantadas, de alunos “profissionais”, que tinham mais de 20 anos com certeza, vendo ali um risco iminente aos seus planos políticos. Na época, não existia PSTU e o PT era a sigla radical, acolhendo inclusive a UJS (União da Juventude Socialista), espécie de Al Qaeda jovem, querendo destruir a civilização judáico-cristã ocidental.
O que aconteceu depois foi um despertar da minha consciência, vislumbrando um mundo onde a razão pode predominar sobre a ignorância. A cada item em votação da pauta de posicionamentos da entidade, nós nos comunicávamos por sinais, chegávamos em segundos a um denominador comum e votávamos em bloco, impondo uma das raras derrotas aos manipuladores ideológicos de plantão. “Pelo não pagamento da Dívida Externa”- CONTRA!. “Pela expulsão do FMI” – CONTRA! “Impedir a internacionalização da Amazônia” – CONTRA! O riso me volta ainda hoje…
Não éramos necessariamente contra todas estas posições políticas, pelo menos não unanimemente. Mas tínhamos bom senso para saber que uma entidade daquelas tinha que ocupar seu tempo em exigir qualidade de ensino ao invés de servir de massa de manobra para grupelhos de esquerda. Por fim, elegemos uma diretoria que parecia ser mais sensata e fomos embora, rindo espetáculo de manipulação que tínhamos presenciado e em grande parte conseguido evitar.
E assim consegui finalmente meu feito memorável, aquele do qual não esqueço. É claro que hoje vejo que muitas outras coisas foram tão ou mais importantes naquela época para minha vida. Mas olhar o inimigo na face e vencer não tem preço.
A África do Sul segue o caminho do “político bom é aquele ignorante como a gente”, em moda na América Latina. Já descrevi esse risco há alguns dias. Quando troca-se Churchill e Lincoln pelo rei Shaka Zulu, já declara-se de que lado da civilização se está. Creio que aproxima-se do fim a existência de um país de primeiro mundo na África. Leia abaixo:
O guerreiro zulu que conduzirá a África do Sul
Zuma nunca foi à escola, é defensor da poligamia e tem 22 filhos de 6 mulheres diferentes
por Cristiano Dias
A ascensão de Jacob Zuma é uma ruptura na política sul-africana. Até então, o Congresso Nacional Africano (CNA), partido governista, pinçava seus líderes de uma elite ocidentalizada e piamente cristã. Zuma passa longe desse perfil. O senhor de 67 anos, cabeça raspada e careca cuidadosamente lustrada, nunca frequentou a escola e foi criado para ser um guerreiro zulu. Quando criança, corria descalço, caçava passarinho, nadava em rio e brincava com pedaços de pau.
Seus heróis não são Winston Churchill nem Abraham Lincoln. Recentemente, ele disse que admira o rei Shaka Zulu, cruento patriarca da nação zulu que esmagava o crânio de seus inimigos e aterrorizou os colonizadores britânicos no século 19. Como sumo representante da raça, ele defende a poligamia: os relatos mais puritanos dizem que ele tem 22 filhos de 6 mulheres diferentes – atualmente é casado com 2.
Zuma é carismático e popular, ao contrário de seu predecessor, Thabo Mbeki, um intelectual frio e orador sonolento. Enquanto Mbeki se esforçava para bancar o negro educado em universidade britânica, Zuma tem orgulho de sua origem modesta. Apesar de tropeçar às vezes no inglês, ele se tornou um líder capaz de falar aos miseráveis dos bairros pobres de Soweto e agradar a classe média branca. Carreirista do partido, Zuma é um populista de esquerda do tipo chavista.
Seu governo terá duas bases de sustentação, o Partido Comunista sul-africano e os sindicatos, as duas mãos que enxotaram Mbeki do palácio presidencial. Muitos analistas temem que Zuma siga à risca a cartilha tribal e se apoie em um conselho formado apenas por companheiros de luta.
Sindicalistas e comunistas sonham com o fim do liberalismo da era Mbeki e uma gigantesca política de inclusão social que passa pelo aumento inevitável do Estado. O economista Moeletsi Mbeki, irmão do ex-presidente, alerta para o risco que corre o país. Segundo ele, o governo é uma mãe: são 13 milhões de funcionários públicos – 30% da população. “Em um momento de crise, isso é uma bomba-relógio”, disse.
A Diplomacia, e toda sua complexidade, não é muito diferente do esforço que cada um fez, em sua infância, durante os anos de estudos secundaristas. Os países, assim como alunos em uma sala de aula, procuram proteção, amizades, se unem com colegas com os quais nutrem afinidades. As vezes se aproximam com o único intuito de obter alguma vantagem específica – um convite para uma festa, ou a participação em algum fórum, dependendo do exemplo. Outras vezes, a aproximação é definida pelos interesses comuns, o que chamamos normalmente de amizade.
De qualquer forma, tanto na escola quanto na política internacional, mesmo que na maioria das vezes isso aconteça de forma difusa, as relações são sempre baseadas em benefícios angariados. Mesmo nas amizades que consideramos as mais puras, procuramos sempre um ganho, seja ele segurança, divertimento, aceitação.
Seria fácil se fosse só isso. Entretanto, cada um tem sua prioridade, seu entendimento do que seja este ganho, do que seja capaz de lhe proporcionar satisfação. As diferentes escalas de valores, trazidas de casa, turvam e complicam os relacionamentos, estabelecendo que não basta um esforço de conquista de aliados simplesmente, mas que é preciso também a identificação de valores alheios, compatíveis com os nossos. Esta necessidade faz com que a união de esforços seja sempre um processo complexo e pontual. E faz também que a amizade seja uma construção, um processo de estabelecimento de confiança. A diferença entre a escala de valores de cada “aluno” torna difícil a compatibilidade total entre dois entes, fazendo a sobrevivência depender de uma infinidade de pequenas e constantes negociações. Por isso é importante que, no caso ampliado, a chancelaria de um país não siga os ventos das marés políticas internas, mas que tente estabelecer uma personalidade coerente que se mantenha com o tempo. Tanto para permitir que outros nos identifiquem como parceiros, tanto para permitir que conquistemos aqueles que nos interessam. Coerência é um dos componentes principais da amizade, seja na ONU, seja na escolinha.
O Governo Lula tem pervertido este princípio. Ao estabelecer a nova ênfase de nossa política externa, não se limitou apenas à trocar de estratégia. Agiu como se houvesse conquistado o poder e estabeleceu uma mudança na própria personalidade diplomática nacional. No colégio, quem se comportava assim, erraticamente, era considerado “traíra”. Quando estabelecemos a confiança, sedimentamos os fundamentos da amizade. Amigos que não respeitam estes fundamentos são tratados sem perdão. É por esse paralelo singelo que é possível entender a fabulosa coleção de derrotas da diplomacia atual. Mesmo quando logramos alguma vitória, não fica muito claro o que se ganhou, pois não sendo mais confiáveis, não podemos mais oferecer confiança, restando-nos ceder para manter relacionamentos. Estes por sua vez são cada vez mais atraídos unicamente pela perspectiva de ganho.
Como um bom fingido, que procura vantagens sem o ônus da coerência, falamos sem parar. Nunca se ouviu tanto a voz de nosso Chanceler. Fala muito, canta suas próprias glórias, mas sempre há uma falta de conteúdo, uma falta de verdade, que foi jogada fora junto a um século de história.
Muito tempo passará até que reconquistemos a confiança da turma, restando-nos o papel de presença peculiar, de animadores de festa. Somos “os caras”, afinal. Ainda bem que somos bonitos…
A Mariana e eu temos trocado algumas idéias ultimamente, no espaço reservado aos comentários do post “Ainda o tema do momento.”. Seu último comentário, sobre princípios e exemplos, despertou-me vários pensamentos e achei que ele merecia um post novo, só sobre o assunto.
Apesar de alguns dicionários o definirem como opinião, entendo que um princípio deva ser uma lei pessoal, uma espécie de Carta Magna de escala de valores. Alguns livros o definem: “regras fundamentais admitidas como base de uma ciência, de uma arte etc.” Outros ainda: “norma, preceito moral”. Se não for assim, não é princípio. Pode ser uma idéia, uma preferência. Mas princípio não é.
Assim definido, uma opinião, uma tese, só se torna princípio quando testada pela realidade, ou formulada a partir dela. Afinal, é para a própria vida a que são destinados tais preceitos, caso contrário tornando-se estéril exercício de intelectualidade. Não existe moral teórica. Se em determinada situação específica, única em suas particularidades – que redundância! os específicos são sempre únicos – não somos capazes de agir de acordo com nossos princípios, temos então uma prova que nosso pensar precisa de uma nova constituição. E é maravilhoso que seja assim, em um processo de lapidação contínua, próprio de quem é capaz de ir construindo sua personalidade.
Alguém diria: – ah Luciano, mas um princípio é apenas um ponto de partida teórico, que deve ser adaptado para cada caso. Sim, é verdade. Só que, no momento seguinte o ponto de partida já será outro, uma vez acumulada a mais nova experiência. Não deixou de existir uma mudança de conceitos e um reconhecimento de que o ponto de partida não era adequado.
No meu caso particular, ser contra ou a favor do aborto não é um princípio, é apenas uma opinião. No entanto penso que toda a vida vale a pena. Isto é para mim um valor fundante de minha intelectualidade, um verdadeiro princípio! Nem sempre foi assim, é só é assim porque, em todos os casos particulares que encontrei pelo caminho, ele aplicou-se inteiramente.
Um dos grandes males do populismo é referendar como verdade algumas visões simplórias e comumente erradas da realidade de um país. O populista quer sempre simplificar, quer reduzir o raciocínio a uma ou duas escolhas para que, invariavelmente, seja ele o santo redentor. Este foi o caminho percorrido por muitos países em diferentes épocas, e por nós mesmos, antes e agora.
Uma visão que se encaixa neste cenário é aquela que atribui às elites a culpa por todos os males do Brasil. Expediente adotado ao extremo pelo Presidente da República, esta mentira é também fermento da degradação moral da nação e “tampa de caixão” que impede qualquer lampejo de reação.
Culpar a elite por todos os males nacionais é tão falso como uma nota de três reais. Este pensamento, profundamente enraizado na pseudo-ideologia socialista universitária, santifica o povo, de onde apenas viria o bem e a justiça, e demoniza a elite, de onde só se espera exploração e dominação. É uma idéia compreensível aos alunos do pré-primário e seus equivalentes mais adultos, mas reduz a complexidade da teia social à meia dúzia de leis simplórias que nem de longe fazem justiça à história brasileira e de sua sociedade. Efetivamente, a elite brasileira foi protagonista de muitos lances maléficos ao desenvolvimento nacional. No entanto, foi também de seu meio que surgiram a quase totalidade das iniciativas engrandecedoras da nação. É dela que devemos esperar a defesa dos ideais mais altos, da justiça mais digna. Veja o que dizia Rui Barbosa:
E assim Rui Barbosa ajuda a mostrar, como incontáveis outros, o valor de nossos melhores homens.
É mandatório notar porém que o Brasil não estimula e, na verdade, dificulta, a formação desta classe de pessoas capazes de pensar. A educação que permite que nos EUA surjam grandes intelectuais em todas as classes, em nosso quintal só está acessível a quem pode pagar. Mais do que isso, vivemos mesmo uma desmoralização do saber, relegado à condição de luxo supérfluo. Neste ambiente o futuro do país é depositado nas mãos daqueles que não tem nada mais do que ambições imediatas, sem nenhum senso superior de civismo e sem a menor capacidade de abstração. Vivemos do circo, do show, da política tosca, dos conchavos, dos favores. E isso tudo porque deixamos a elite de fora e fomos buscar “gente como a gente”. Os ideais democráticos e humanistas, o pensamento superior enfim, no entanto, só conseguem se desenvolver em quem teve treino, em quem se acostumou ao desafio intelectual, ao lapidar diário da mente e da consciência. É de nosso meio que devem vir os governantes, os juízes, os parlamentares. Eu entendo que ao ler estas linhas, vozes se avolumem acusando o nosso suposto distanciamento dos problemas sociais que insistem em acompanhar o Brasil. Pois a resposta que dou, firme, é que a vida na miséria não é capaz de despertar, por si, esta consciência, restando ao decidido desejo daquele que tem as ferramentas intelectuais executar a tarefa de sintonia entre as duas realidades que são, ao fim e ao cabo, a mesma.
Nós, da elite, que estudamos em universidades, que temos oportunidades de leitura, de formação, de viagens, somos sim quem tem a obrigação de conduzir o país. É nosso dever também criar as condições para que o saber não seja exclusividade de uma classe social, assim como conduzir o país para um futuro melhor, o que só é capaz quem consegue ver além do amanhã. É importante que criemos um país onde o intelecto encontre incentivo em todas as classes. Sabemos que a associação mandatória do saber com o dinheiro não produz sociedades livres. Mas não dá pra botar a carroça na frente dos bois e esperar que “gente como a gente” dê conta do recado.
Lula andou dizendo que a crise foi culpa de gente loira e de olhos azuis, e que não conhece nenhum banqueiro negro. Se falasse isso na minha casa, não voltaria mais. Uma pessoa que se presta a esse papel bocó, de aposta nos sentimentos mais mesquinhos, não vale o chão que pisa. Deixo ele com o comentário, mais contido, do Sardenberg:
“Só para informar o presidente Lula, que disse não conhecer nenhum banqueiro negro.
No auge do sistema financeiro americano, um dos nomes mais influentes era Stanley O`Neal, presidente do Merryll Linch, negro. Perdeu o emprego quando o banco de investimento, em crise, foi vendido, no final do ano passado.
E hoje, o presidente do Citi é Vikram Pandit, indiano, que não é negro, mas está muito lone de ser branco.”
Li o texto abaixo e gostei. Não tenho pudores em falar do MST por medo de incluir num mesmo pote coisas ruins e coisas boas, porque já passou o momento desta história mudar: o que dá certo no campo brasileiro continuará a dar certo sem MST. Inclusive acho que se fará mais justiça social se estancarmos o vazamento grotesco de verbas para proselitismo ideológico vagabundo. É grana pra ajudar muita cooperativa que precisa se modernizar e gerar lucro, melhorando a vida de seus cooperados.
Autor(es): João Mellão Neto
O Estado de S. Paulo – 13/03/2009
Nos meados da década de 80, quando o MST ainda se esboçava, ocorreu uma invasão. Uma entre centenas, dirão. Pois é, mas essa eu tive a oportunidade de acompanhar. Estava iniciando como jornalista e buscava conhecer em detalhes todos os temas palpitantes da época. Reforma agrária era um deles.
Como se dizia, o esbulho aconteceu. E logo depois a área foi desapropriada. Passaram-se alguns meses e aqueles quase 3 mil hectares foram entregues aos tais trabalhadores sem-terra. Um político de esquerda da região não perdeu a oportunidade. Com um grande alicate, compareceu ao local e, perante uma plateia atenta, solenemente cortou a cerca de arame farpado da fazenda. “Neste momento”, declarou, “entrego estas terras ao povo brasileiro”.
O “povo brasileiro” não se interessou em tomar posse de imediato. Para tanto era necessário que alguém fosse lá demarcar os lotes e sortear quem seriam os proprietários de cada um. Esse processo demandou uns 20 meses, mas ninguém se esquentou. Sem a menor cerimônia, os briosos manifestantes montaram acampamento à beira da cidadezinha mais próxima e, a partir de então, munidos de cupons para alimentação, fornecidos pelo governo federal, tornaram-se consumidores urbanos.
Quando os lotes ficaram prontos, ocorreu um fato que em nada contribuía para o sucesso da causa agrária. Os felizes contemplados não se mostraram dispostos a trocar a doce vida urbana que tinham pelas agruras da condição de novos proprietários rurais. Pudera, os lotes não tinham água nem luz. Os cupons para alimentação deixariam de ser fornecidos tão logo se configurasse a posse. Ninguém ali estava a fim de se tornar herói.
Com muito custo o assentamento se configurou. Após a posse, voltaram todos para a cidade e passaram a reivindicar, novamente, o fornecimento de água, luz e comida.
Dez anos depois, a situação era a seguinte: quatro ou cinco famílias se aventuraram a mudar para seus lotes e lá viviam em condições precárias. Mais de 20 trataram de vender os seus direitos de posse e seus lotes passaram por inúmeros donos. Especulação imobiliária da pior espécie, algo absolutamente condenável pelos ideólogos esquerdistas que chefiavam o movimento.
A maioria agiu de forma ainda pior. Como havia uma usina de álcool nas redondezas, trataram todos de arrendar seus lotes a ela e continuaram a viver na cidade. Tornaram-se, com isso, burgueses rentistas. E isso era deplorável e intolerável.
No Brasil inteiro situações como essa se repetiram e nada foi mostrado à opinião pública. Os padres e organizadores dos movimentos eram todos socialistas, mas os invasores, curiosamente, não. Entregavam-se a práticas capitalistas as mais comezinhas e mesquinhas tão logo lhes surgisse uma oportunidade.
Paciência. Estava patente, para os ideólogos, que o povo brasileiro, em geral, era tacanho. Não tinha a largueza de visão e o desprendimento necessários para a condução de uma revolução vitoriosa. Essa tarefa, então, como sempre, teria de ficar por conta das vanguardas – as camadas mais instruídas e esclarecidas dos movimentos. E essas, na época, eram compostas pelos padres e intelectuais.
Foi dessa forma, ideologicamente cambaleante, que nasceram os movimentos agrários. Agora eles são muito mais organizados, lograram se estabelecer. E o dinheiro para tanto? Ora, obviamente vem do Estado. E este, assim, segundo as tais vanguardas, cumpre uma de suas funções mais básicas e edificantes: está subsidiando a reforma agrária. E não pode existir uma destinação de verbas mais nobre e meritória.
Os contribuintes não concordam. Foi-se o tempo em que a opinião pública se embevecia com a causa fundiária. Hoje em dia todos acompanham, contrariados, o noticiário que reporta o desperdício de recursos em tudo o que diz respeito ao tema.
Até mesmo a razão de ser dos movimentos sociais do campo deixou de existir. A causa original, todos se recordam, era o combate aos latifúndios improdutivos. Pois bem, esses não existem mais. Quem tinha terra, e não produzia, tratou de vendê-la para quem o fazia.
Adotou-se então a tese de que a função dos movimentos era a de combater as grandes plantações feitas com sementes geneticamente modificadas. Não colou. Ninguém se comoveu com a causa.
O inimigo, agora, é o agronegócio. Havia pudores no passado quanto a se atacar propriedades reconhecidamente produtivas. Agora não há mais. Não se discute mais a questão da produtividade da terra, mas sim a que essa produtividade serve.
Segundo esta ótica obtusa, 100 hectares de terra nas mãos de um microproprietário rural – mesmo que esse alcance patamares medíocres de produção – cumprem melhor a sua função social do que o mesmo quinhão de terra pertencendo a uma grande usina de açúcar ou a uma fábrica de papel e celulose.
Essa nova razão de ser dos movimentos “sem-terra” seria digna de debate não fosse ela a quinta ou a sexta evocada pelos seus líderes para justificarem a sua existência. Eles se dispõem até mesmo a contrariar os mais óbvios interesses nacionais, ajudando o novo governo populista do Paraguai a expulsar os fazendeiros brasileiros de lá.
Os padres e intelectuais socialistas que no passado recente ainda podiam dizer-se idealistas, tornaram-se todos velhacos e parasitas. Apelam, agora, para qualquer nova bandeira que mantenha os movimentos que dirigem existindo. Para, assim, continuar recebendo preciosas verbas do governo.
Moral da história: sem-terra, que nada! Não passam de uns sem-vergonha que vivem à nossa custa e desperdiçam o nosso dinheiro. Não precisamos mais dessa gente. Tchau! Fora! Abaixo o MST!
Que não fiquem por aí por falta de despedida. Adeus!
Ando lendo "Os Sertões", de Euclides da Cunha. E ando embalado pela beleza, pelo ritmo, pelo encadeamento encantador das palavras, que me fazem viajar no que há de belo no ser humano. Somos isso, humanos, pois também somos capazes de capturar a poesia do mundo, mesmo em realidades duras e ressequidas. Um amostra, pra quem não leu, do trecho onde ele compara o gaúcho com o vaqueiro do norte:
"O vaqueiro do norte é sua antítese. Na postura, no gesto, na palavra, na índole e nos hábitos não há equipará-los. O primeiro, filho dos plainos sem fins, afeito às correrias fáceis nos pampas e adaptado a uma natureza carinhosa que o encanta, tem, certo, feição mais cavalheirosa e atraente. A luta pela vida não lhe assume o caráter selvagem da dos sertões do norte. Não conhece os horrores da seca e os combates cruentos com a terra árida e exsicada. Não o entristecem as cenas periódicas da devastação e da miséria, o quadro assombrador da absoluta pobreza do solo calcinado, exaurido pela adustão dos sóis bravios do equador. Não tem, no meio das horas tranqüilas da felicidade, a preocupação do futuro, que é sempre uma ameaça, tornando aquela instável e fugitiva. Desperta para a vida amando a natureza deslumbrante que o aviventa; e passa pela vida, aventureiro, jovial, disserto, valente e fanfarrão, despreocupado, tendo o trabalho como uma diversão que lhe permite as disparadas, domando distâncias, nas pastagens planas, tendo aos ombros, palpitando aos ventos, o pala inseparável, como uma flâmula festivamente desdobrada.”Os Sertões, Euclides da Cunha

Queria deixar algo claro: o que defendo é que se entenda o que é o aborto. As pessoas só são livres para decidir, como querem as feministas, se conhecem todas as implicações de seus atos. O que gostaria é que os indivíduos, quando se deparassem com essas situações em suas vidas, pudessem entender a extensão de cada possibilidade em seu futuro.
Ninguém sabe como vai reagir ao se deparar com estas circunstâncias. Por isso rezamos para que em todas as situações possamos tomar as melhores atitudes. O que não muda, no entanto, são os instrumentos morais que construímos durante a vida e que vão ajudar nestes momentos. E aqui falo de moral, não de religião. A postura a favor ou contra o aborto é antes de mais nada uma postura moral e reduzi-la a um dilema religioso é uma simplificação inaceitável. Significaria dizer que todos os não-religiosos não possuem posições quanto ao assassinato, ou quanto o roubo, ou outros assuntos aos quais a moral religiosa também se manifesta. Portanto, ser contra ou a favor do aborto PODE ser uma postura religiosa, mas é antes de mais nada resultado da postura moral de cada um.
A minha moral, que no meu caso é também resultado de algumas escolhas religiosas, está preparada para aceitar o aborto como um procedimento normal. MAS, para tanto, alguém deve me provar em qual momento o feto deixa de ser feto e passa a ser criança. Como até agora ninguém foi capaz desta proeza, de me explicar que “até tantos meses é feto e de um dia pro outro vira criança”, eu continuo pensando que abortar é matar uma criança.
E a liberdade de escolha? Ora, todo mundo é livre pra fazer o que quiser na vida. Desde que disposto a enfrentar as consequencias de seus atos. Quem defende esta liberdade deve estar preparado para explicar as consequencias dos atos praticados. E no caso do aborto elas são muitas. Os grupos de defesa da “Liberdade de Escolha” da mulher, me parecem mais grupos que querem um mundo onde possamos eliminar os indesejáveis sem enfrentar as consequencias deste ato. Como se isto fosse possível fora da esfera legal. E que mundo terrível seria esse onde estas consequencias não existissem, não é mesmo?
O Estado teria muitas opções para acolher a mulher, sem o dilema tão falsamente expresso pelo nosso presidente (como Cristão sou contra mas como Presidente sou a favor). O Estado poderia assumir a guarda das crianças nascidas de estupros e, num programa de proteção de identidade, conseguir novos lares para estes inocentes. Me parece viável, não?
Se o assassinato for uma questão de escolha, onde é a próxima fronteira? Vamos em breve lutar pelo direito de abortar crianças que não atendam ao nosso padrão de beleza? Ou que, por não terem sido planejadas, atrapalhem um mestrado, ou uma viagem?
A vida humana vale tão pouco assim?
Do blog Cartas de Estocolmo.
“Volta e meia, ouço ou leio comentários críticos à Igreja Católica, principalmente no que se refere às suas posições frente à sexualidade humana e ao direito à vida.
Tenho dificuldades sérias em entender por que razão não seguidores da religião católica se preocupam tanto com o que a Igreja Católica tem a dizer. Afinal, só aqueles que “sofrem” tentando seguir a Igreja Católica deveriam gastar seu tempo e energia criticando-a.
Se a Igreja é totalmente contrária ao aborto e você não é católico, qual o problema, então?
Ou se a Igreja é contrária ao uso de camisinha, como proteção contra a Aids, e você não concorda, como querer obrigar a Igreja a autorizar o uso de anticonceptivos? Deixe-a para lá e use o seu método preferido!
Que a Igreja faça lobby junto ao governo, no Judiciário e no Parlamento? Mas quem não faz? Por que à Igreja deveria ser vedado o direito de lutar, palmo a palmo, por suas crenças?
Aqui na Suécia, alguns políticos cristãos ainda tentam influenciar decisões, como a permissão para abortar até as 22 semanas de gravidez, ou para o casamento civil de pessoas do mesmo sexo. Só que não conseguem. O grau de secularização da sociedade é tão alto, que a influência da Igreja Católica não se sente, pelo menos não pelos não católicos. E, aqui, as demais igrejas cristãs costumam adotar posições menos conservadoras ou mais pragmáticas.
Ainda assim, surpreendem-me a energia e a força com que se debatem e se criticam as posições adotadas pela hierarquia da Igreja, ou pelo Papa.
Eu só posso entender as críticas, quando ocorrem fatos como os recentes acontecimentos em Recife. Se for mesmo verdade que o bispo tentou, junto ao hospital, impedir o aborto terapêutico, na menina vítima de violência, fica difícil, principalmente para quem não é católico, não criticar o religioso.
Mas eu duvido de algo assim acontecendo aqui na Suécia. Porque, acima da Igreja Católica e de todas as suas regras, há o respeito pelo ser humano, por sua integridade, sua individualidade, seu livre arbítrio.
Não se concebe, aqui na Suécia, um bispo telefonar para um hospital e solicitar a interrupção de um procedimento, em nome do Direito Canônico. Ninguém lhe daria ouvidos, sequer! Os direitos do cidadão, em um Estado laico, estão acima de qualquer religião.
Caberia, sim, um artigo de jornal para debate, criticando a legislação que autoriza o aborto, ou, mesmo, os hospitais que realizam interrupções de gravidez. Ou sermões recomendando aos fiéis não fazerem nem autorizarem abortos.
Mas as pessoas, todas elas, católicas, budistas, protestantes, hinduistas, atéias ou não, têm o direito de escolher o caminho a seguir em suas vidas.
Todos nós, cristãos, somos pecadores e sabemos disso. É isso o que nos ensina nossa religião. Nosso caminho na Terra é o de buscar não pecar e arrepender-nos e pedir perdão a Deus quando, sucumbindo à nossa fraqueza, não conseguimos nos livrar da tentação.
Mas, nenhuma religião, no sentido de busca da conexão com Deus, pode ser professada sob autoritarismo e sem liberdade. Seguir, ou não, os designios da Igreja Católica deve ser uma escolha pessoal de cada um, uma convicção profunda; do contrário a religião praticada não vale.
Não vale misturar alhos com bugalhos, Direito Canônico com Direito Civil, os Dez Mandamentos com ditames sobre moral e ética.
Que cada um possa deixar a Igreja e a religião ocupar, em sua vida, o espaço que acredita a ela caber. Ou nenhum espaço. Não cabe a nenhum de nós julgar os demais.
Essa é uma das coisas de que mais gosto, aqui na Suécia. “
Sandra Paulsen, casada, mãe de dois filhos, é baiana de Itabuna. Fez mestrado em Economia na UnB. Morou em Santiago do Chile nos anos 90. Vive há quase uma década em Estocolmo, onde concluiu doutorado em Economia Ambiental.
Aos que ainda achavam que a UNE valia alguma coisa, é extremamente educativo notar que não se ouviu um pio da instituição sobre o reaparecimento de Collor, alçado a Presidente de Comissão pela base parlamentar do Governo Lula. Para não jogar sua história mais uma vez na lata do lixo, era obrigação a manifestação pública de repúdio ao balcão de negócios rasteiros que propiciaram o retorno do ex-Presidente. Afinal, não foi a UNE que liderou o clamor popular pelo Impeachment?
O que mudou desde então? Collor ou a UNE?
A UNE hoje é um grupelho insignificante, comprado pelo Governo.
Escrever sobre temas muito complexos e para uma platéia genérica exige habilidade. É preciso evitar que frases mal colocadas levem a conclusões prematuras e a uma condenação do pensamento antes mesmo de concluído. Afinal não é isso que as pessoas procuram: dividir tudo entre o bem e o mal? Se você se dispõe a argumentar que o universo não é tão maniqueísta assim, tem que ser hábil para não ser de pronto catalogado como mais um do lado negro.
Pois mesmo ciente que corro esse risco, hoje decidi tirar a poeira do teclado e escrever. E o assunto que me motiva é desses que insufla as torcidas. Aliás torcidas não, torcida – quando a Igreja Católica proclama sua doutrina, só se ouve um coro uníssono que cobra da Instituição a acomodação com os novos valores de nosso tempo. Quando o Arcebispo de Olinda e Recife comunicou, que no caso da menina de 9 anos estuprada, os envolvidos no aborto estavam excomungados, levantou-se o furor dos que entendem que a Igreja deve calar-se ou abandonar seus valores e modernizar-se.
Nessas horas, certo jornalismo apressado mais atrapalha do que ajuda. O Bispo não excomunhou ninguém, já que a excomunhão nesses casos é automática. Outra bobagem é gritar que a Igreja acha o aborto mais grave do que o estupro sem entender que a “escala de pecados” sim já foi abolida há muito tempo e que a avaliação da gravidade de um pecado é tarefa para os confessionários, onde duas almas se encontram com Deus e conversam.
É claro que o assunto é delicado e talvez o Bispo devesse ter medido mais as palavras, ou mesmo ter silenciado, como poderia. Teria sido provavelmente mais sensível para poupar a menina, inclusive. Mas a razão da histeria é uma só, não mais do que uma: nossa sociedade acha que uma vida de alguns meses vale menos do que uma vida que tem anos de duração. Matar dois de 4 meses para salvar uma de nove anos é uma opção que nem gera um momento de dúvida na maioria das pessoas. Fico chocado ao ver que pessoas defendem o aborto, mesmo em casos legais, sem um segundo de dúvida. Pois a Igreja não tem como negar sua doutrina onde todo o ser humano tem igual valor. E isso é base do Cristianismo. É a essência mesma da mensagem do Cristo. Nessa ótica a manchete seria: Igreja acha assassinato mais grave do que estupro. Como já disse, não existe tabela mas já fica mais aceitável, não? Pois se existem pessoas que não entendem o aborto como assassinato, a Igreja não pode parar de fazer sua defesa da vida para se adaptar aos novos tempos. Quando Jesus veio, o aborto era uma prática comum e mesmo o assassinato de meninas jovens. Um dos motivos do sucesso do Cristianismo entre as mulheres da época foi justamente essa defesa de quem era indefeso, foi a mensagem de que toda a vida vale.
Dito isto, entendamos que a Igreja fala para seus fiéis. Ela aponta a direção. Podemos dizer aos católicos que sejam menos católicos, ou aos muçulmanos, ou aos judeus, cada um na sua fé? Claro que não. Se a Igreja condena o divórcio, seremos menos amados se nos divorciarmos? Pra quem entendeu algo do que Cristo fez a resposta é clara. E a Igreja lembra a quem acredita que existe uma direção para caminhar. Existe um norte. Existe um modelo. O modelo se fez homem. Não ser perfeito é algo inerente ao homem e, logo, ao cristão. Tentar ser melhor é que devemos. Jesus ressuscitou Lázaro porque ele era bom? Não. O fez porque gostava dele… Todos somos pecadores, mas Jesus nos amou assim. Todos os pecados podem ser perdoados, até mesmo o aborto, até mesmo o estupro.
Aborto é assassinato e talvez essa chaga vá agravar ainda mais o sofrimento desta menina. Talvez ela estivesse correndo risco, mas suspeito que os fetos foram moeda barata, tratados como procedimento médico e não como pessoas. Passadas as manchetes, os dilemas permanecerão, mas ninguém vai mais estar lá para entender. Talvez só a Igreja…
Como era previsível, virou moda. O que vai acontecer? Provavelmente muitos deixarão de se expor a platéias por medo de levar uma sapatada. O diálogo perde para a patacoada.
Pode ser rebelde, pode ser um desabafo, mas quem acaba levando uma sapatada é a liberdade de expressão, justamente o princípio pelo qual alguns advogam que jogar sapatos é um direito. Não é não.
Battisti: sua folha-corrida antes do terror. Os novos capítulos
–1. A folha de antecedentes criminais de Cesare Battisti, antes de aderir ao grupo terrorista Proletários Armados para o Comunismo (PAC), é objeto de destaque na mídia européia, em especial na italiana.
Battisti estava preso quando, em 1977, aproximou-se do encarcerado Arrigo Cavallina, um terrorista. Então, interessou-se em fazer parte do grupo terrorista e se tornou, com Piero Mutti, um operário da mesma idade de Battisti, o executor e o mandante de crimes de homicídio.
Antes de ingressar no PAC, Cesare Battisti ostentava uma folha corrida criminal a corar Fred Vargas, Bernard-Henry Lévy, Daniel Pennac e demais intelectuais do Partido Verde da França, da chamada “gauche-caviar” (esquerda do caviar), que lhe dão apoio, afirmam a sua inocência e protestam contra a extradição.
Os mesmos intelectuais que forçaram o então presidente Mitterand a dar abrigo, por meio de uma doutrina não escrita, a terroristas que, apesar de delitos de sangue, se comprometessem a abdicar da luta armada.
Miterrand, sob vários aspectos um homem de direita como Lula (confira-se o relacionamento com os banqueiros e a entrega a Meirelles do Banco Central, por exemplo), tinha um calcanhar de Aquiles e precisava de apoio da chamada “esquerda dos salões, do caviar e da champagne”.
O calcanhar de Aquiles devia-se ao fato de Miterrand ter trabalhado em agência a serviço do governo de Vichy, colaboracionista do nazismo e de perseguição aos judeus, sob o comando do marechal Phillipe Pettain. Pelo governo de Vichy, uma das vergonhas da França, Mitterand foi condecorado. Fora isso, manteve relações de amizade com René Bousquet e Paul Touvier, famosos caçadores de hebreus.
Com efeito. Cesare Battisti, nascido em 1954, começou a sua carreira criminal em 13 de março de 1972 ao consumar um crime de furto qualificado, na cidade italiana de Frascati, próxima de Roma.
Depois de do furto qualificado, em 19 de junho de 1974, foi processado por crime de lesões corporais dolosas.
No verão de 1974 resolveu praticar roubo e seqüestro em local turístico. Assim, em 2 de agosto do mesmo ano de 1974, na balneária cidade de Sabaudia (Latina), realizou um roubo qualificado e seqüestrou uma pessoa.
Para fins sexuais, Battisti, em 25 de agosto de 1974, seqüestrou pessoa incapaz e com violência obrigou-a à prática de atos libidinosos.
Preso em flagrante delito por crime de furto em 16 de abril de 1977, Battisti resolveu virar terrorista.
Battisti acabou preso na célula-sede do PAC, com armas e explosivos, daí mentir que já estava desassociado do grupo terrorista quando ocorreram os quatro homicídios pelos quais, como executor e mandante, acabou definitivamente condenado, nas três instâncias, sendo a última a Corte de Cassação, equivalente ao STF italiano.
Piero Mutti cumpriu 8 anos de prisão. Isto por ter, como colaborador de Justiça, mostrado como atuava o PAC e os crimes cometidos. Vale lembrar que, na Itália, aquele que, candidato a colaborador, é pego em mentira não é aceito.
Mutti apontou todos os membros do PAC e Battisti como seu companheiro de ações violentas. Mais, Battisti pertencia à cúpula do PAC que deliberava sobre os assassinatos, roubos e tiros nas pernas de autoridades, como vingança.
A delação de Mutti impressionou quando ele assumiu a co-autoria de dois homicídios dos quais não era acusado em processos.
Além de Mutti, testemunharam contra Battisti sua namorada e companheira de luta armada Maria Cecília. Ela, já com pena cumprida, é professora universitária. Cecília contou, em juízo, ter Battisti, depois de pessoalmente matar Santoro, comentado com ela a sensação de tirar a vida de uma pessoa. Aliás, com animação e nenhum remorso.
Parêntese: Santoro era carcereiro e Battisti e Mutti resolveram matá-lo porque certa vez, no presídio e quando jogavam futebol, Cavallina caiu e quebrou o braço. O carcereiro Santoro demorou para chamar a ambulância: Santoro deixou mulher e três filhos menores quando assassinado.
A família Fantone, composta pelo terrorista Sante, a mulher Ana e a sobrinha Rita, testemunharam contra Battisti. Ana chegou a procurar o marido Sante em Paris, onde esava fugido. Battisti a ameaçou de morte, caso voltasse.
Cavallina, que no cárcere fez o primeiro contato com Battisti e que também foi delatado por Mutti, disse que o mesmo, a respeito dos crimes a que foi condenado como membro do PAC, contou toda a verdade. Cavallina já está em liberdade, como Mutti que cumpiu 8 anos de prisão. Ao contrário do que sustentam os lobistas de Battisti, ele não está desaparecido e com outra identidade. Depois de cumprir 8 anos de pena voltou para sua antiga casa e trabalha como operário. Na semana passada, deu entrevista à imprensa e confirmou as acusações contra ele próprio e Battisti.
Tudo se encontra nos autos, que Tarso Genro afirmou ter lido e, ontem no blog do jornalista Josias de Souza, sustentou que tais provas só serviam para condenar àquela época. Segundo Genro, nenhum juiz, hoje, condenaria Battisti, com tais provas.
Parêntese: Tarso Genro não me consultou a respeito de condenação de Battisti. Talvez por já estar aposentado ele apenas consultou todos os magistrados da ativa, para essa canhestra afirmação.
De se destacar, mais uma vez, que não cabe a Genro entrar no mérito do acerto ou erro das condenações pela Justiça italiana. Ainda, é ridícula sua afirmação, pois existia prova suficiente e induvidosa sobre a participação, ativa ou como mandante, de Battisti nos quatro homicídios.
–2. Os advogados de Cesare Battisti, –que antes de entrar para o grupo Proletários Armados para o Comunismo (PAC), era ladrão, abusou sexualmente de pessoa incapaz e seqüestrou uma pessoa–, defendem a tese da extinção imediata do processo de extradição, sem exame do merecimento do pedido do Estado italiano.
Pela tese jurídica apresentada pelos supracitados advogados, a concessão de status de refugiado político outorgada pelo ministro Tarso Genro impediria o exame, pelo Supremo Tribunal Federal, do merecimento (mérito) do pedido de extradição formulado pelo Estado italiano.
O procurador geral da República, Antonio Fernando Souza, que é o chefe do ministério público federal e atua junto ao STF, teve, ontem, o mesmo entendimento dos advogados de Battisti.
Em outras palavras, sobre o pedido de extradição formulado pelo Estado italiano, o procurador geral é favorável. Ou seja, entende ser caso de concessão de extradição. Mas, diante do fato novo representado pela concessão administrativa de refúgio a Battisti, entendeu o procurador geral da República, no seu parecer, não poder o STF apreciar o mérito do pedido de extradição. Até porque Battisti, com a decisão de Genro, recebeu um status que lhe protege contra toda e qualquer tentativa de retirá-lo do Brasil.
O parecer do procurador-geral da República é técnico-jurídico. Ele apreciou os efeitos da decisão concessiva de refúgio de Tarso Genro.
Com o parecer, duas questões legais aparecem.
Primeira, o exame da extinção do processo de extradição, sem exame do mérito, poderá ser feita pelo ministro que atende ao plantão Judiciário, nesta época de recesso ?
Se o ministro de plantão julgar extinto o processo, terá, necessariamente, de colocar Battisti em liberdade, expedindo alvará de soltura.
Na hipótese de encaminhar a decisão para o plenário (11 ministros), só em fevereiro, pós recesso de férias do STF, haverá solução. Cautelarmente, Battisti poderá ser colocado em prisão domiciliar. Na França, quando colocado em prisão domiciliar com obrigação de semanalmente comparecer à Justiça, Battisti fugiu, pois já imaginava que a extradição seria concedida pela Justiça francesa.
Como a nossa Constituição da República estabelece que nenhuma questão pode ser excluída da apreciação do Judiciário, há, no caso Battisti, uma controvérsia a ser solucionada. Ou seja, um conflito entre o pedido do Estado italiano (extradição) e uma posterior decisão administrativa do ministro da Justiça. Assim, penso que o STF poderá apreciar a legalidade e o mérito da decisão de Genro: risco de perda de vida por parte de Battisti em face de o Estado italiano não ter condições de lhe dar segurança, caso extraditado.
Deixo destacado que as duas soluções são defensáveis juridicamente, embora prefira a segunda, pela absoluta falta de suporte fático-real na decisão do ministro. Aliás, ele esqueceu que a lei que citou para fundamentar a sua absurda decisão estabelece, expressamente, a proibição de concessão refúgio político a terrorista.
O correto será o ministro de plantão encaminhar ao Plenário a decisão. Mas, desde que o ministro Gilmar Mendes soltou, por habeas-corpus que não era da competência do STF o banqueiro Daniel Dantas, não há segurança quanto a ausência de futuros atropelos. Tudo a transformar o STF, que é colegiado, em órgão monocrático, pela atuação do plantonista de turno.
Vale lembrar, também, que, depois de um juiz federal, do Tribunal Regional Federal e do Superior Tribunal de Justiça, terem negado habeas-corpus a Salvatore Cacciola, o ministro-plantonista, Marco Aurélio de Mello, por liminar, deu-lhe ordem de soltura. Dispensável dizer que Cacciola fugiu, como até a torcida do Flamengo imaginava, menos o ministro Marco Aurélio.
–3. A folha de antecedentes de Cesare Battisti foi estampada na mídia italiana.
–4. PANO RÁPIDO. Battisti luta contra o tempo. A indignação aumenta. Os factóides criados pelo ministro Tarso Genro são destruídos diariamente.
Apostar na patriotada, — da decisão soberana–, representa típico arroubo autoritário, de quem não percebe a importância da cooperação internacional e despreza valores humanitários.
A dor dos familiares das vítimas de Battisti não contam para Tarso Genro e, Lula, que não leu o processo e só conhece os fatos por embargos auriculares, só perde prestígio, infelizmente.
–Wálter Fanganiello Maierovitch–
O pessimista se queixa do vento; o otimista espera que ele mude; o realista ajusta as velas.
William George Ward
É melhor acender uma vela do que amaldiçoar a escuridão.
Confúcio
Recebi por email, sem créditos…
Heaviest element known to science just discovered
A major research institution (MRI) has recently announced the discovery of the heaviest chemical element yet known to science. The new element has been tentatively named Governmentium. Govermentium (Gv) has one neutron, 25 assistant neutrons, 88 deputy neutrons, and 198 assistant deputy neutrons, giving it an atomic mass of 312. These 312 particles are held together by forces called morons, which are surrounded by vast quantities oflepton-like particles called peons.
Since Governmentium has no electrons, it is inert; however, it can be detected, because it impedes every reaction with which it comes into contact. A minute amount of Governmentium can cause a reaction that would normally take less than a second to take from four days to four years to complete.
Governmentium has a normal half-life of 2-6 years; It does not decay, but instead undergoes a reorganization in which a portion of the assistant neutrons and deputy neutrons exchange places. In fact, Governmentium’s mass will actually increase over time, since each reorganization will cause more morons to become neutrons, forming isodopes.
This characteristic of moron promotion leads some scientists to believe that Governmentium is formed whenever morons reach a critical concentration. This hypothetical quantity is referred to as critical morass. When catalyzed with money, Governmentium becomes Administratium, an element that radiates just as much energy as Governmentium since it has half as many peons but twice as many morons.
Quanto a Obama, prefiro ser discreto. Se, daqui há alguns anos, seu Governo for excelente, estarei eu comemorando na praça. Outros, no entanto, estarão tímidos, presos pelo tamanho de suas expectativas.
Se for ruim estarei na frente, pois já comecei desde agora a tentar entender o porque.
PS.: Mas nada que deva impedir a emoção de assistir a um momento que só se repetiu 44 vezes na história.
Da Ansa, em Roma
Quatro expoentes da organização política conservadora MPI (Movimento pela Itália) iniciaram nesta terça-feira uma greve de fome para protestar contra a concessão de refúgio político por parte do Brasil ao ex-ativista italiano Cesare Battisti.
Segundo a direção do MPI em Roma, os políticos Fabio Sabbatani Schiuma, Paola Marraro, Massimo Larcinese e Michele Lunetta protestam pela extradição de Battisti, condenado em 1993 pela Justiça italiana à prisão perpétua.
O Movimento pela Itália também anunciou uma manifestação na próxima quinta-feira, às 14h, em frente à embaixada brasileira em Roma, “onde simbolicamente serão recordados quatro homicídios cometidos pelo terrorista vermelho”.
Tarso Genro que se vire pra explicar porque concedeu asilo a um assassino. Quem pariu Mateus que o embale. Mais uma piada de mau gosto da nossa República Bananeira.
O mundo tenta me convencer que é hipócrita por natureza. Todos os que hoje se levantam pela defesa dos direitos humanos, se calaram para o que relato abaixo. E isto é só um capítulo. Tenho muito mais a contar.
O genocídio em Rwanda
No início dos anos noventa, Rwanda vivia uma guerra civil aberta. Expulsos em episódios anteriores, a população Tutsi retornava ao país e uma disputa com a etnia Hutu pelo poder começava. Entre vários grupos rivais, estavam entre eles o RPF (Rwandan Patriotic Front), da etnia Tutsi, e o CDR (Coalition for the Defence of the Republic) dos Hutus extremistas, que detinham o poder. Em 1993 um acordo de paz é assinado, criando as bases para um governo compartilhado do país, mantendo o CDR no comando do governo. No entanto a ideologia “Hutu Power” já tinha sido difundida pelos Hutus extremistas, em resposta ao desejo Tutsi de formar uma nação – tinha sido incluida nos programas escolares e evidenciada na criação de um exército exclusivamente Hutu. Rádios e jornais começam a pregar o extermínio dos Tutsi, incluindo o estupro e morte das mulheres e crianças.
Em Abril de 1994, Hutus extremistas começam colocar em prática o plano da solução final, em uma operação meticulosamente preparada. Imediatamente após o início do genocídio, as forças da RPF entram em ação e a guerra civil recomeça, em paralelo ao massacre. Depois de 100 dias a RPF, liderada por Paul Kagame (futuro presidente do país), toma o poder e controla a situação, mas aproximadamente 800 mil pessoas já tinham sido assassinadas. Os genocidas então se misturam aos dois milhões de Hutus civis que estavam fugindo do país, como resultado da guerra. No primeiro mês de caminhada em direção ao Zaire, a cólera e a desinteria matam pelo menos 50 mil refugiados. A ONU entra com ajuda humanitária e ajuda a manter campos no Zaire e na Tanzânia (perto da fronteira com Rwanda), ao custo de 1 milhão de dólares por dia, custeado pelos governos ocidentais.
Os genocidas logo começam a comandar os campos de refugiados e de lá, orquestrar ataques ao território de Rwanda e aos Tutsis. Os grupos de ajuda humanitária não tem como controlar a situação. Apenas Bangladesh aceita enviar uma força de capacetes azuis, de um total de 39 países requisitados. Sem saída, a UNHCR (UN High Commissioner for Refugees) paga ao governo do Zaire pelos serviços de seu exército para prover segurança nos acampamentos de refugiados.
A situação permanece instável até Agosto de 1996, quando o exército de Kagame invade o Zaire para fechar os campos e eliminar os Hutus de uma vez por todas. Eles se unem ao movimento rebelde do Zaire, comandado por Laurent-Désiré Kabila, um “warlord” marxista de 56 anos, desejoso de tomar o poder no Zaire, derrubando o presidente Mobutu. 250 mil pessoas fogem dos acampamentos atacados em direção aos ainda preservados. Mas estava claro que nenhum acampamento seria preservado. A UNHCR tenta de todas as formas preservar a integridade dos acampamentos remanescentes. De um lado lutam as tropas de Mobutu e os genocidas Hutus, e do outro perfilam-se o exército de Kagame e o movimento de Kabila.
Neste interim, mais de 500 mil refugiados que fugiram para a Tanzania, começam a ser obrigados a voltar para Rwanda da noite para o dia, sem saber o que lhes iria acontecer, numa operação conduzida com muita violência pelo governo daquele país.
Em Maio de 1997 Kabila assume o poder no Zaire e funda a Republica Democratica do Congo.
Acredita-se que mais de 213 mil refugiados devem ter morrido desde que fugiram de Rwanda, totalizando mais de um milhão de mortos no conflito.
Fontes:
The Economist Magazine
Wikipedia (http://en.wikipedia.org/wiki/Rwandan_Genocide),
Chasing the Flame, Samantha Power, 2008.
É isso aí. Nos anos noventa um milhão de africanos foram mortos e você nem ficou sabendo. Entre 2003 e 2004, mais 250 mil deles foram assassinados. Hoje, mais de 2 milhões são refugiados, em conflitos que ainda vou contar por aqui.
Enquanto escolhermos os seres humanos que queremos defender, como civilização estamos fadados ao fracasso.
China’s Charter 08
The New York Review of Books, Volume 56, Number 1 · January 15, 2009
Translated from the Chinese by Perry Link
The document below, signed by more than two thousand Chinese citizens, was conceived and written in conscious admiration of the founding of Charter 77 in Czechoslovakia, where, in January 1977, more than two hundred Czech and Slovak intellectuals formed a loose, informal, and open association of people…united by the will to strive individually and collectively for respect for human and civil rights in our country and throughout the world.
The Chinese document calls not for ameliorative reform of the current political system but for an end to some of its essential features, including one-party rule, and their replacement with a system based on human rights and democracy.
The prominent citizens who have signed the document are from both outside and inside the government, and include not only well-known dissidents and intellectuals, but also middle-level officials and rural leaders. They chose December 10, the anniversary of the Universal Declaration of Human Rights, as the day on which to express their political ideas and to outline their vision of a constitutional, democratic China. They want Charter 08 to serve as a blueprint for fundamental political change in China in the years to come. The signers of the document will form an informal group, open-ended in size but united by a determination to promote democratization and protection of human rights in China and beyond.
Following the text is a postscript describing some of the regime’s recent reactions to it.
—Perry Link
I. FOREWORD
A hundred years have passed since the writing of China’s first constitution. 2008 also marks the sixtieth anniversary of the promulgation of the Universal Declaration of Human Rights, the thirtieth anniversary of the appearance of the Democracy Wall in Beijing, and the tenth of China’s signing of the International Covenant on Civil and Political Rights. We are approaching the twentieth anniversary of the 1989 Tiananmen massacre of pro-democracy student protesters. The Chinese people, who have endured human rights disasters and uncountable struggles across these same years, now include many who see clearly that freedom, equality, and human rights are universal values of humankind and that democracy and constitutional government are the fundamental framework for protecting these values. (more…)
Eu acredito que o ser humano não existe desvinculado da história, tanto sua e de sua família, quanto da sociedade em que vive. É através do entendimento histórico que podemos entender por que motivo agimos desta ou daquela maneira. Talvez por isso as tradições de povos outros nos pareçam tão carentes de sentido. É que nos falta a linha do tempo pela qual estes povos são moldados, como água em pedra, durante séculos e séculos. Por conta deste mecanismo de identidade é que as respostas que queremos para o comportamento de nosso tempo devem ser buscadas no passado. E falo isso para explicar como entendo o Natal.
Houve um tempo no qual as tradições eram necessárias para unir as pessoas de uma mesma comunidade. Era a forma como identificávamos nosso grupo. Não é preciso ir muito longe: no Brasil existe a capoeira e seu ritual, o boi-de-mamão ou boi-bumbá, o reizado e muitas outras. Todas essas manifestações serviam de cola para determinados grupos. Um símbolo, antes de mais nada, de unidade. Hoje nossa identidade é determinada por uma infinidade de símbolos que vem e vão em grande velocidade, mas que não permanecem por tempo suficiente para merecer mais atenção das gerações futuras. As músicas e suas danças não duram muito, a tecnologia muda hábitos e necessidades, a Natureza nos impõe limites. Mesmo assim muita coisa ainda permanece. Todo o brasileiro tem orgulho do seu carnaval, pra ficar só em um exemplo. O carnaval ajuda a identificar o brasileiro. É nossa tradição. Mesmo o brasileiro que não gosta da festa, sabe que ela faz parte de sua identidade.
E as antigas tradições que recebemos de nossos avós? Muitas delas não parecem fazer sentido pois o tempo no século XX foi o primeiro talvez a não respeitar uma regra de ouro de tudo o que é relacionado à identidade: mudar lentamente. E aqui estamos nós com fragmentos de rituais de um mundo que não existe mais. Aí é que entra o Natal, uma festa um tanto estranha para muitos de nós. Mas a primeira coisa talvez a ser feita antes de etiquetarmos o Natal como festa esquizofrênica e consumista, pervertida pelo mundo moderno, é olhar de onde vem essa festa e porque a celebramos.
O primeiro passo é entender que o Natal existia antes de Cristo. Numa tentativa de fortalecer o Sol, aparentemente debilitado durante o inverno, diferentes culturas (Gregos, Mesopotâmios, Persas, Romanos…) celebravam uma festa para o Deus Sol na época do solstício. Foi só algum tempo após a morte de Cristo que os cristãos passaram a usar a festa do solstício para celebrar o “Natal”, ou festa da natividade, e adaptaram vários de seus símbolos que, afinal, tanto se encaixavam para celebrar o Deus que vem dar a vida. É daí que vem o hábito das luzes nas janelas (para “ajudar” o Sol) ou mesmo o hábito da troca de presentes. Dar presentes, em praticamente todas as culturas, significa generosidade e esta é frequentemente associada ao Sol (o ser generoso mor). Os paralelos com o astro celeste são inúmeros. E para a infelicidade dos povos do hemisfério sul, é por essa razão que as principais festas Cristãs são quando são: o Natal no solstício e a Páscoa no início da primavera no Norte.
Aqui insiro minha primeira reflexão: cristãos, o Natal não é, para todas as pessoas, a celebração do nascimento de Cristo. Não devemos ficar tristes pelo mundo ter desvirtuado o sentido da festa. Nós é que marcamos a nossa festa na mesma data de uma festa mais antiga. Segunda reflexão: símbolos tem um significado vago e elástico e estritamente pessoal. A cruz significava vergonha mas para os cristãos passou a ser caminho de salvação. Nós herdamos esses símbolos da história. História feita também por mãos cristãs. O que eles significam para os cristãos não deve ser afetado se o resto da humanidade resolver lhes dar outra tradução. Mais ainda quando fomos nós a mudar o significado. Natal é celebração de alegria pelo nascimento de Jesus, mas pode ter outra definição para o seu vizinho. Qualquer tentativa de condená-lo por não entender a festa como nós entendemos é a negação mesma do que é ser cristão.
E somos por isso obrigados a engolir esse velhinho encasacado? Claro que não. Podemos viver nossa vida como desejarmos. Mas entender que somos parte de um legado nos poupará bastante sofrimento. O Natal como ele é hoje, com troca de presentes, mesa farta, luzes, não é fruto do consumismo. Ele é resultado de nossa própria história, veio para o Brasil quando nossos antepassados vieram, resistiram a miscigenação que nos fez brasileiros, foi mudado por ela, e está aqui para ser vivido. Para algumas pessoas, a árvore de Natal, o Papai-Noel, as luzinhas, não significam nada, o que é perfeitamente normal. Mas para outras têm a ver com a sua identidade, assim como o carnaval para a maioria dos brasileiros. Para estas pessoas dar presentes no Natal, enfeitar a casa e ter uma bonita ceia é a sua definição mesma como indivíduos pertencentes a um grupo. Nesse ponto, sem pretender ser maior do que o nascimento de Cristo, o Natal tem outros significados até mesmo para nós cristãos. E não há nada de mal nisso.
Preciso escrever sobre isso: o mundo é complexo! Tenho escrito isso aqui tantas e tantas vezes. Me desespera tanto que as pessoas tentem encaixar um planeta gigante em tão poucos e pobres conceitos.
E porque esse desabafo? Ora porque acabei de escutar no rádio que os EUA vão doar dinheiro para Santa Catarina. É, vão doar dinheiro para o meu querido Estado. Vão ajudar o pedaço de terra que eu amo tanto. Eles apagam assim os seus erros? Não. Mas não precisavam fazer isso, e fizeram. E quem bota telha na casa de Catarinense, merece que eu pense pelo menos duas vezes antes de falar.
Mas tem mais. A Alemanha também vai doar. Até mais do que os EUA. Bonito demais. Quase chorei quando ouvi isso. E pra completar a loucura do mundo, o Sudão, onde mais de 300 mil pessoas já morreram desde o começo do atual conflito, estão com medo de Obama. Sim pois o começo do conflito por lá se deu após ataques norte-americanos comandados por Bill Clinton em resposta à atentados terroristas (tá, to escrevendo com pressa, sem precisar os dados, perdão). Prometo um post com mais conteúdo sobre esse assunto. E foi George Bush quem comandou um acordo de paz, e enfiou dez mil capacetes azuis por lá. Tá certo que a paz tá desmoronando, se é que chegou a existir. Mas os sudaneses têm medo dos Democratas. E de novo, minha intenção é exclamar: que mundo louco, meu Deus!!
E pra falar do Sudão, lá o número dos refugiados passa da casa dos 5 milhões, se contarmos o total de pessoas que se deslocaram de suas casas por causa da guerra. O país inteiro tem 6 milhões de habitantes. Existem 17 mil voluntários trabalhando lá naquele país, e se tem algum brasileiro deve ser um ou dois. Quem se importa com isso? Ninguém que eu conheço jamais chegou pra mim e disse: “Nossa hein? E o Sudão rapaz! Que absurdo!” – por isso é que botemos todos a mão na consciência e antes de dizermos que o mundo não se importa com a África, pensemos se nós nos importamos. Ultimamente, tenho começado a me importar – e tem sido mais e mais difícil viver em paz.
As escolhas morais reais que temos que fazer na vida nunca são fáceis. Sempre temos que comprometer algo, sempre temos que escolher o mal menor.
Sérgio Vieira de Melo teve que decidir se autorizava a OTAN a bombardear o Kosovo para impedir que os Sérvios massacrassem os kosovares. Preferiu apostar no compromisso de pessoas sem compromisso. O resultado conhecemos. O próprio Sérgio em sua vida foi aprendendo que certas neutralidades não existem, e que nossos ideais tem que conhecer novos limites, quando somos responsáveis por decidir.
O mundo é complexo, difícil. Eu não falo isso porque entendo o mundo. Falo porque aprendi que não entendo nada. E tenho medo de quem diz que entende…
Acabei de ver um programa sobre Ikebana, em Kyoto, e mergulhei em memórias que fazem minha alma aquietar-se. E senti uma necessidade de escrever sobre isso.
O Japão que mora em mim… é um Japão difícil de colocar em palavras. Porque palavras são pouco comuns a este Japão. É o lugar das coisas não ditas, da arte e da beleza da expressão, sem o atalho fácil da fala. Lugar onde a harmonia é valor fundamental e fundante. Onde o corte da espada e o podar de uma flor, obedecem aos mesmos preceitos. A casa do silêncio, das águas que correm, dos sabores sutis. Nada se impõe. A música, os sabores, o teatro, os olhares… são convites a expressão de nossos valores, da beleza que todo ser humano carrega consigo.
Japão frágil, que desperta e convida para um novo olhar. Um olhar de convívio, de paz, de entendimento. Onde as pessoas não sabem dizer não, pois perguntas que nos obrigam a dizer não, não deveriam ser feitas. Onde as pessoas sabem que, mesmo nas coisas mais simples, existe um Deus a ser reverenciado. Onde o mais singelo dos papéis é dobrado como se fosse uma jóia. Nada sendo feito com desleixo, nada sendo feito sem uma alma e um coração dedicados. Onde cada pessoa é insubstituível, como são insubstituíveis todos aqueles que me mostraram essa ilha escondida, e que se despediram de mim com lágrimas nos olhos. Japão meu, que olha seu Fuji ao longe, nos olhos enrrugados, pela janela de um trem. Japão sem fim, no sorriso curioso da criança que acaba de ganhar algodão doce, e corre ajeitando seu pequeno yukata, e leva meu coraçao embora pra nunca mais devolver. Ela ainda o tem. Ele ainda mora em algum lugar nos arredores de Tóquio.
“Se Obama fracassar, a frustração será tão grande, que serão necessários muitos séculos para que um negro seja de novo eleito presidente dos Estados Unidos”.
Lula
Pois é. Eis aí o fruto de mistificações e equívocos. Obama deixou claro que é Presidente de todos os americanos, mas não faltarão aqueles adeptos do ‘” nós contra eles”. Todo fracasso de Obama seria uma vitória do racismo, e suas vitórias, um fracasso dos conservadores brancos. Ao elevar Obama a condição de vitória particular da “raça”, brancos e negros mundo afora colocaram o avanço da igualdade racial sob risco. Se Obama fizer o que presidentes normalmente fazem – desapontar seus governados – na ótica de Lula a sociedade americana iria demorar a apostar em um negro novamente. Lula mal disfarça seu próprio racismo. Só será assim se Obama fizer como querem alguns setores que o privatizaram: Obama seria a vitória de um país contra o outro. Um país negro contra outro branco. Se for porta-bandeira de uma raça, Obama fatalmente vai desapontar a muitos. Em vez de ser mais um presidente, talvez um bom presidente, será a pá que cavará um fosso de segregação a mais.
Obama deve ser a vitória dos Estados Unidos. Assim como McCain também seria. Pois a Democracia, que permitiu que Obama fosse eleito, deve ser sempre a vencedora. Caso contrário, Obama conquistou uma vitória de Piro, ferindo o próprio sistema que permitiu seu sucesso. Além do mais, os EUA não mudaram quando elegeram Obama. Mudaram antes. Obama é sintoma, não causa. E a beleza da mudança é poder eleger um negro. Triste é ter que eleger alguém por causa de sua cor de pele. McCain disse bem: “Ele era meu adversário, agora é meu Presidente.” Igualdade é imaginar que Obama poderia dizer a mesma coisa se fosse derrotado. Essa é a beleza do ideal americano. Nem sempre honrado, mas ainda assim bonito. E Obama não deixou dúvidas. Em seu discurso da vitória conclamou as tradições mais caras aos americanos:
E para todos aqueles que se perguntam se o farol dos EUA ainda brilha com a mesma intensidade, esta noite nós provamos uma vez mais que a verdadeira força de nossa nação não emana da capacidade de nossas armas ou do tamanho de nossa riqueza, mas do poder persistente de nossos ideais: democracia, liberdade, oportunidade e inflexível esperança.
Gosto de Obama porque ele sinaliza novos ventos. Sinaliza um país talvez mais aberto ao diálogo, mais sólido economicamente, mais atento às Nações Unidas. Mas por mim ele podia ser rosa choque com bolinhas…
E assim, é só uma opinião minha, de acordo com o mundo que vejo. Mas consigo entender que é muito legal ver que o mundo pode ser assim, tão plural. Fico feliz também. Só tento ver o lado ruim também, para estar preparado. Se alguém quiser uma opinião diferente, mas que respeito muito, pode olhar aqui: Blog da Ila
Durante minha vida inteira eu tenho certeza que idealizei muito todas as coisas. Idealizava minha profissão e por isso nunca consigo atingir todas as expectativas que depositei sobre ela. Idealizava os relacionamentos, que para mim não podiam ser um milímetro menos do que o ideal. Então, vivia conquistando, pois na conquista todo mundo é perfeito. De longe, todos os defeitos são lindos. E achava que isso era ser maduro, era "saber o que se quer". Eu muitas vezes preferia ficar sozinho porque eu "sabia o que queria". Ora, mas uma pessoinha chegou e me mostrou todos os seus defeitos. E entrei em pane, porque o que antes era tão fácil – dizer adeus – com ela não funcionava assim. Nunca consegui ir embora. Eu comparava minhas idealizações com a realidade e ficava indeciso. Mas não queria dizer adeus. Sofremos com isso, estamos sofrendo. Mas eu estou entendendo que existe uma força que me impede de fazer o que sempre fiz: dizer adeus. E esta mesma força pela primeira vez me mostrou como eu era e sou imaturo. Como não tinha idéia do que um relacionamento era. Eu, que achava que sabia tudo, que podia tudo, agora vejo que não sei nada. Mas entrei tanto em pane, que não conseguir mostrar pra pessoinha que eu estava em crise, e que na verdade não era falta de amor, mas como uma ostra que entra dentro da concha, não consegui entender o que estava acontecendo. Ela tentou se adaptar, mas nunca coseguiria competir com um devaneio, e por isso sofreu. Mas por isso conseguiu me mostrar o que ninguém mais conseguiu. E foi difícil. E é difícil. Tentar viver junto quando ambos são tão geniosos é difícil. Mas cada vitória é mais gostosa do que qualquer outra que já tive. Assim como foi gostoso todas as vezes que nos reaproximamos. Claro que existe muito a ser apreendido. Como errar e consertar os erros juntos. Como respeitar, como abrir mão, como ceder. Que ser humano maravilhoso esse que sabe fazer tudo isso. Eu quero chegar lá, mas pra ficar com a pessoinha. Não adianta nada conseguir isso tudo e não encontrar quem preencha o espaço cedido com cores, com vida, com amor.
Eu hoje entendo que preciso lhe dar espaço, que preciso diminuir para que ela cresça. Mas que posso fazer se nada faz sentido sem ela? Sei que ela sabe que a amo, e sei que ela me ama. E eu sei que não a perderia de novo. Ela tem motivos pra não acreditar, eu sei. Mas vou continuar tentando. Talvez seja difícil pra ela ver que eu também sou real, também não sou aquele que conseguiria resolver tudo. Mas quem sabe ela goste do que eu sou de verdade. Porque ela é minha parceirinha, nas horas boas e nas ruins. É isso…
Tinha me proposto não escrever mais sobre política por aqui. Perdi muito do gosto de acompanhar e comentar os eventos, e também porque acabava escrevendo aqui de forma diferente do que me expressaria em uma conversa. E se antes eu escrevia muito mal, agora acho que é o diálogo que precisa ser treinado.
Mas esse post é a pedidos…rs
Vamos lá: Obama ganhou!
De certa forma aconteceu o que eu já tinha dito aqui que gostaria que acontecesse. Acho que McCain perdeu seu momento, já não tinha energias para conduzir o país. E além do mais, Sara Palin foi um erro. Eu não a queria nem como vice-presidente. É isso que tenho a dizer sobre a vitória de Obama. Sucesso pra ele, que consiga pacificar o Iraque, o Afeganistão, que resolva a crise, e que lidere o mundo para uma fase de mais diálogo. Tomara.
Mas (tem sempre um "mas") eu sempre acreditei que o racismo tem duas vias. Uma óbvia, outra escondida, mas uma fruto e causa da outra. Vou exemplificar: hoje, no rádio, uma mulher gritava e dizia que Obama era a vitória dos negros. Outra, da comunidade negra, dizia que os EUA tinham provado ao mundo isso e aquilo. Tudo muito compreensível, não é mesmo? Mas eu, nessa implicância que tenho com o mundo, acho que esse comportamento perpetua a diferença. Digamos que não é exatamento um discurso em prol da igualdade. É muito parecido com um, mas é segregador em sua essência.
Sou radical neste assunto: cores não me dizem nada. Não é assim que deve ser? Então a razão pela qual as pessoas comemoram a vitória de Obama me incomoda. Quer dizer que ele ser negro significa algo? Então ele é diferente? Ele é um Democrata diferente de Bill Clinton em quê? Na cor da pele? Porque existe uma "comunidade negra"? Me incomoda uma "comunidade negra" do mesmo jeito que me incomoda uma "comunidade branca". Não gosto de guetos, não gosto de sociedades onde os grupos tem mais voz do que os indivíduos. Nesses casos geralmente o mais fraco é massacrado e a democracia é a vítima. Além do mais, eleições são democráticas porque pressupõem que ambos os resultados são possíveis. Nesta de agora, a impressão que tive foi que só um resultado seria considerado a vitória da Democracia. Quem não viu, que procure ver o discurso de McCain reconhecendo a derrota. É uma aula de civismo.
E mais, não acho que os EUA precisassem provar nada. Ora, Obama eleito ou não, a sociedade norte-americana não é mais ou menos preconceituosa por causa disso. Eleger um presidente negro não deveria ser como uma prova de formatura.
Quando comparei os dois candidatos para fazer minha escolha, Obama não foi a escolha óbvia. Ele tem falhas bem evidentes de caráter, além de não ter experiência nenhuma. Ora, se ele não foi uma escolha óbvia, eu poderia ter escolhido McCain. Mas tenho certeza que seria chamado de racista, ou de retrógrado. E isso é injusto além de ser um golpe na própria eleição. Até porque, antes desse processo todo começar, McCain era o cara considerado "independente" pela mídia.
Por fim, toda idealização traz consigo sua carga inerente de decepção. Portanto pela frente vejo muito mais decepções do que realizações. O que é uma pena, mas talvez um mal necessário.
É isso. Mas nem estou vendo as reportagens e noticiários. Gostei das eleições e só. To de saco cheio de simbolismos e tietagem. O que já vi de camiseta do Obama não tá no gibi. Se ele for assassinado então, vira santo…
Tenho um amigo que está visitando Cuba. O Rafael Vasel. Ele é um cara muito inteligente e vale a pena dar uma lida nas anotações de viagem dele, no blog http://rafaelvasel.blogspot.com/
Recomendo!
“Quando você quer ajudar as pessoas, você diz a verdade a elas; quando você quer se ajudar, você diz a elas aquilo que elas querem escutar.”
Thomas Sowell
O que é que posso fazer? O que há pra ser feito? Se sinto que sou escravo daquilo que consigo ser? Como ser outra coisa, que seja decidida e cuidadosa? Como ser flor e espinho, leão e esquilo? Como abraçar e falar da calma, e trazer a paz e a segurança? Como quando a vida se mostra sempre tão incerta, tirando sempre de mim minhas certezas? Como não cometer erros?
Alguém me explique, pois tenho pressa…
Como ainda aproveitar a felicidade sem descuidar, e matar a muda ainda pequena, sem condições de suportar o frio? Como? Como pular da ponte, quando a própria ponte é a única certeza? Alguém me explique pois o rio não pára pra esperar…
Quero o mundo e não sei onde ele está. Quero o colo e não sei onde ele está. Só sei que existe uma energia infinita que me percorre, que me faz mover mundos, que me faz amar sem direção, mas que ao mesmo tempo se ressente quando confrontada. E agora é a hora. A hora de sentar no banco e escutar o que a “tia” Vida quer dizer. A hora de ficar em silêncio, a hora de gritar. Hora de dizer que ama, hora de não pesar coerências, hora de não pesar prejuízos. Hora de pedir perdão. Hora de ser o que se pode ser, até que se consiga ser outra coisa. Mas que esse pouco seja suficiente para derrubar as defesas. Que seja como flor roubada, meio desgastada, mas que significa um mundo. Que seja possível sorrir, e com isso domar o que há de incontrolável dentro de mim, e que a paz seja nossa casa contra o que de ruim vier.