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Eu mudei o endereço do site para este abaixo. Lá tenho mais ferramentas e opções. Pena que não consegui levar também o arquivo. Vai ficar aqui, como registro de meus pensamentos…
Eu mudei o endereço do site para este abaixo. Lá tenho mais ferramentas e opções. Pena que não consegui levar também o arquivo. Vai ficar aqui, como registro de meus pensamentos…
Pouca gente que conheço gosta de Diogo Mainardi. E eu, na verdade, não tenho nada a ver com isso. Mas acho que esta antipatia pelo cronista é reflexo do mal-humor que campeia em nossas plagas. Todo mundo se leva a sério demais. Diogo é quase um humorista, uma personagem. Mas as pessoas querem textos politicamente corretos, querem verbos no futuro do pretérito. Não conseguem distinguir a caricatura da figura real. Isso! Diogo é um caricaturista, penso eu. E a caricatura choca, faz rir, faz pensar, tudo junto ao mesmo tempo. Levar a sério uma caricatura é tolice. Não levar, também…
O objetivo de um cronista é criar o debate, é provocar o pensamento, ou fatalmente se tornará irrelevante. E a crônica brasileira hoje é basicamente isso: irrelevante. Diogo é dos poucos (há outros) que escreve sobre fatos, que impõe ao leitor uma escolha. O leitor tem que escolher como defender seus pontos de vista e em quais casos isso vale a pena. É o processo intelectual como tal, e a democracia ganha quando existem tais elementos provocadores.
Mas vivemos um tempo brucutu, em que a independência é cerceada e o peleguismo anda por aí, faceiro e corado. As pessoas não gostam de Diogo mas não se envergonham de admirar jornalistas pagos pelo governo. Acham que existem governos bons e outros ruins. É um estágio de infância democrática. Grandes democratas (e jornalistas) sabem que todo governo é ruim…
Eu acompanho com muito interesse o conflito Israel-Palestina. Acho um festival grotesco de simplificações toscas de todos os lados, principalmente dos ocidentais que tem dificuldade em pensar em conflitos com mais de duas variáveis (leia-se o bem contra o mal). Mas acho didático para ensinar como o ser humano tem uma dificuldade incrível de estender a mão. Entendo cada vez mais como a mensagem de Jesus “Ame o seu inimigo” é revolucionária e ainda um sonho distante. A entrevista abaixo explica muito do que sinto, mas que não consigo colocar em texto. Existe um caminho para o final do conflito e, com certeza, não é o dos ocupantes do polêmico navio turco.
Sobre Saramago? Bem, só li um livro e gostei. Era um curtinho, aparentemente um dos que não foi escrito no estilo confuso do autor (O Conto da Ilha Desconhecida). Mas sou contra o fanatismo xiita que joga na fogueira quem ousa falar mal do escritor. Pois lá vou eu pra fogueira: as idéias de Saramago, refletidas em seus livros (porque ele assim quis), são desprezíveis. Seu marxismo cegueta o fez abraçar e defender os maiores assassinos da face da Terra, enquanto atacava Deus. Quase um Don Quixote ao contrário, abraçando os moinhos enquanto atacava Sancho Pança…
Porque não li outros livros dele? Ora, gosto de ler e tenho muitos livros na fila. Os de Saramago nunca despertaram meu interesse, simples assim. Não é crime, ainda, não ler Saramago. Não li também Borges, por exemplo, algo que pretendo corrigir em breve, pelo tanto de referências que já recebi.
Fico feliz quando escritores alcançam a fama neste mundo um tanto vazio de idéias. Mas não gosto quando artistas defendem regimes nos quais eles mesmo já estariam mortos. Se não é hipocrisia, é algo bem pior…
Quando a polícia prende, em uma passeata, alguns manifestantes que picham muros e depredam lixeiras, não deveria haver nenhuma surpresa. Pichadores e depredadores de lixeiras devem ir presos. E que isso não seja algo banal revela o grau do “febeapa”....
Há tempos que movimentos sociais criminosos escondem-se acusando as instituições de criminalizá-los. Ninguém criminaliza o que não está na lei tipificado como crime. E se há a lei, tem que haver punição se a mesma é transgredida. Não é a polícia que criminaliza movimentos sociais. São os próprios movimentos socias que criminalizam-se ao, vejam só, praticar crimes.
Há quem defenda que certas circunstâncias só podem ser enfrentadas com a transgressão da lei. Tudo bem, pode-se até aceitar isso. O que não dá é querer o benefício do protesto sem o ônus da pena. Daqui a pouco alguém se levantará contra a criminalização dos movimentos terroristas. É só o que falta. Aliás, se não de terrorismo, do que chamar certas ações do MST, como a destruição do laboratório da Embrapa?!?
Quem comete crime é criminoso, quer tenha boas razões pra isso ou não. A Justiça se encarrega depois de absolver quem puder ser absolvido. E ainda há juízes em Berlin, que eu saiba.
É que muita gente fica chateada ao perceber os limites que a civilização impõe, preferindo então aquelas sociedades onde vige o vale-tudo.
Minha esposa comentou comigo esses dias como os políticos não mais escondem o fisiologismo, os critérios puramente pragmáticos para as alianças, a ausência total de pudor para admitir o roubo.
Eu a respondi com a frase que repito desde 2005: essa é a herança de Lula. Se antes o certo e o errado estavam claros, como mostrava a cara dos políticos pegos com a boca na botija, hoje tudo é turvo. Lula e o PT conseguiram prostituir princípios. Antes tínhamos o “rouba mas faz”. Hoje temos o “roubo, e daí?”. Quem não percebeu que descemos muitos degraus na escala civilizatória por favor mude de blog…
Pode haver muita pluralidade neste Brasil. Aborto, economia, políticas sociais, cotas raciais, etc. O que não dá é pra colocar a mentira como tática válida, não dá pra achar que o crime é apenas mais um lado da civilização. O crime é a negação da civilização. Aí não pode haver pluralidade. Aí só pode haver um lado: o da lei. Se Lula acha que a adesão à lei é uma questão tática, então está fora do debate. Está fora da civilização, como, aliás, não é difícil perceber. Tomara que o Brasil volte logo ao debate e decida pelo caminho da civilização.
Eu não perco a chance, sempre que posso, de mostrar o caráter prejudicial da esquerda brasileira. Esquerda bocó, digo sempre. Talvez seja até injusto porque os bocós nem estão no poder. E os que estão no poder nem esquerda são. Mas chamam-se assim, fazer o quê? Como disse Marcelo Madureira recentemente, dos esquerdistas militantes do passado, os que chegaram ao poder foram os desonestos. Aqueles que matavam aulas, que fraudavam eleições do diretório, que pagavam por fora, que ameaçavam daqui e dali. Simples assim. Já relatei aqui algumas vezes os métodos “democráticos” com os quais os diferentes grupos se digladiam pelo poder nesses sindicatos e associações. Qualquer um que tenha vivido nesses ambientes pode ele mesmo contar. Coisa de bandido. E é por isso que existe uma grande quantidade de pessoas inteligentes e bem intencionadas que caminhou para o centro, onde o nível da discussão é infinitamente superior. São a chamada “Direita” brasileira, na voz dos desonestos que sempre conseguem mobilizar uma imensa massa de bocós. Sinto dizer mas o Brasil não tem direita. Não tem nem capitalismo pra valer. O estado de direito é frouxo, porque corrupto e inepto. Mas os desonestos aos quais me referi antes conseguiram monopolizar o esquerdismo e associar capitalismo com selvageria, o que é uma estupidez. Capitalismo só funciona com leis iguais para todos. Não à toa, o liberalismo anda de braços dados com a igualdade. Lembram do lema da Revolução Francesa (liberal)? Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Corrupção, consumismo, ganância, não são características de um determinado sistema econômico e político, como é fácil perceber. Mas essa confusão não é criada por acaso. É método. Foi assim, de mistificações e apedrejamentos, que o verdadeiro debate pelo futuro do país foi sabotado por um bando que assaltou a esquerda e tomou o poder. Aliás, esse tipo de “limpeza” sempre acontece nos partidos vermelhos. À medida que os métodos vem à tona, os que não compactuam com a safadeza vão sendo paulatinamente acusados de espiões antes, e de neoliberais agora. Vão virando inimigos…
O liberalismo, que essa gente combate, legou a humanidade um mundo de leis, sem monarcas, sem inquisições, com o entendimento que o ser humano é titular de direitos universais. Então estamos falando de idéias nobilíssimas, preciosas, que colocaram o homem em um novo patamar. Mas qual o que? Para o esquerdista remanescente a direita é má e egoísta. Os bocós acreditam e os desonestos a querem assim para matar no ninho as virtudes do adversário. Aliás é a esquerda que vem com essa de “adversário”. Desde a assembléia geral pós Rev. Francesa que a esquerda não quer só ser a razão predominante. Ela quer a cabeça dos que pensam diferente, pois não quer alternância. Quer expropriar os expropriadores e viver tomando suco de cajú na beira da piscina. Todos os instrumentos da democracia, sindicatos, ONGs, partidos, etc, são para ela instrumentos de tomada de poder (pela grana para os desonestos, pelo bem comum, para os bocós). Assim o esquerdismo brasileiro seguiu o caminho de seus irmãos cambojanos, vietnamitas, chineses e afins. Virou ditadura. Virou perseguição ao diferente. Pois o diferente ameaça revelar os crimes e a tolice das idéias. O debate expõe o ridículo da lavagem cerebral, expõe a bandidagem e mostra que existem virtudes em todos os lados. Por isso que toda a insegurança é agressiva. Todo medo é violento. Vejamos o exemplo da China: da vontade soviética de exportar sua revolução, nasce o partido comunista chinês. Dentro dele, só sobrevive Mao, o mais cruel dos cruéis. É o sobrevivente da carnificina interna e, por isso mesmo, o esquerdista padrão. E Mao atraiu seguidores reescrevendo sua própria história, acenando com a tomada de poder pelo proletariado, e depois os manteve pelo medo. Literalmente uma máquina de moer gente. E foi assim, pela sede de poder de uns, combinada com a sede de um mundo melhor de milhões de bocós, que um bilhão de pessoas viveu 50 anos com medo, que morreram 70 milhões de pessoas, só na China, e só depois que Mao assumiu.
Tudo isso pra dizer que o debate hoje no Brasil não é um debate democrático. A esquerda que tinha alguma contribuição a dar ao país (sim, a esquerda tem contribuições a dar mas falo disso em outra oportunidade) está escondida, ou foi etiquetada como direita. Serra direitista? É de rolar de rir! A esquerda que contribui está em Michele Bachelet, em Tony Blair, em Obama. Os conhecidos Hugo Chavez, Fidel, Lula, Kim Jong- Il, são o que são. Estão no poder para o bem comum, acreditam os bocós. Eu, no entanto, sei que são do tipo desonesto. E desonestos começam fechando televisões e terminam com sangue nas mãos. É fácil perceber então que não estamos debatendo na democracia. Estamos debatendo a democracia.

Esse é só um comentário rápido sobre essa foto, que mostra o sindicato de professores de SP queimando as apostilas entregues pelo governo estadual. A presidente deste sindicato faz parte da campanha de Dilma. Um dia antes deste fato ela esteve na mesa de mais um dos comícios da candidata e foi muito elogiada pela própria. Como se vê, essa gente queima livros pelo poder. Livros são sagrados. Eu os devoto uma admiração profunda. Quem queima livros é porque tem algo de muito podre dentro de si.
Só pra constar, acho que professores ganham pouco no Brasil. Mas parte da culpa por isso, com certeza, é dos sindicatos que defendem a incompetência em nome de seu curral de poder.
Não escrevi abaixo mas creio sim que o ideal liberal americano é manipulado pelos próprios políticos de lá. Só não acho justo que se jogue a criança fora com a água da bacia. O modelo democrático americano, de origem inglesa (e um pouco francesa, arrisco eu), deve ser sempre louvado pelo tempo de paz que trouxe ao mundo.
“O fascismo começa caçando tarados”. Não conhecia a frase, mas a li hoje em um blog. Seu autor é Bertolucci (cineasta italiano). Gostaria de ter sido eu o autor pois explica muito em poucas palavras. Ideologias autoritárias sempre se disfarçam. E seu alvo predileto é o senso de justiça que habita em cada ser humano. Igualdade, fraternidade e liberdade são conceitos que todos compreendem, mas que podem ser manipulados. E são. E o mundo hoje parece um lugar apropriado para isso, como foi no início do século XX. Então pela pela crença no poder das revoluções, hoje por que andamos esquecidos.
Um bom exemplo é o anti-americanismo gratuito que campeia atualmente. Os EUA representam um conjunto de valores e a história do Brasil é recheada de sentimentos contraditórios em relação a este país. Mas é preciso ter sempre em mente quais valores eles representam, e o que é que se está criticando. Quando as pessoas acusam a cultura americana de manipular a idéia da liberdade, criando um povo um pouco, assim, como direi, alienado, é porque já não se lembram contra o que esta mesma sociedade lutou e que patrimonio nos legou. Seu próprio sucesso em servir de exemplo para todas as sociedades ocidentais fez com que esquecêssemos o motivo pela qual a democracia foi criada. Se hoje por todo lado o autoritarismo mostra a sua cara, é porque as novas gerações já não conhecem seus perigos. Nunca lutaram para criar este modelo, imperfeito, mas que razoavelmente protege o mais fraco, impede que a vontade da maioria esmague a minoria e que submete todos ao mesmo código de leis. Como não conhecem o mundo não democrático, como não lutaram para criar este sistema frágil e delicado, mas que é base de avanço civilizatório, muitos hoje desconhecem sua estrutura e chutam com gosto alguns de seus pilares.
Estou lendo um libro sobre Mao (escrito por Jon Haliday) e confesso que já pensei em parar várias vezes. Não porque seja ruim, nada disso. Pensei em parar pois é triste, muito triste ver o momento em que uma sociedade perde a guerra pelo futuro e é seduzida por caminhos sangrentos. O livro escorre sangue, pois Mao é um sádico criminoso, e qualquer socialista que resolva sair da teoria, seja no século XX ou no XXI, é um assassino em potencial. Cuidado agora, pois explico-me: da mesma forma como habitam no ser humano os conceitos nobres aos quais me referi no início do texto, também habitam a ambição, a inveja, a vingança e outros. Qualquer reunião de pessoas para discutir a abolição do sistema, a subverção da sociedade, vai, invariavelmente, unir dois tipos de pessoas, as que se guiam pelos primeiros valores e as que se guiam pelos últimos. E ainda mais, muitas vão pensar que são do primeiro grupo mas no meio do caminho vão perceber que a igualdade não é tão bacana assim quanto se dar bem. É assim a vida. E quando o sistema começa efetivamente a ser solapado, como na China, os bonzinhos sempre ficam chocados com a violência e com o ovo de serpente que chocaram. Acabam invariavelmente mortos e legam o futuro à um bando de assassinos do pior tipo: os manipuladores.
Isso me lembrou meus tempos de adolescente, participando do grupo de jovens do colégio. Fiquei impressionado quando me disseram que o diabo não vem com cara de diabo, pois seria fácil reconhecê-lo. Vem em forma de sorvete, de criança, de coisas boas e sedutoras. Deste então desconfio. De tudo. Com isso não digo que existe um ente por trás de todo o mal da humanidade. Quero com isso dizer apenas que o mal não seduz apenas os maus. O mal seduz quem falha em perceber o mal. Quero dizer que o ser humano carrega em si a capacidade de criar e de destruir e que as escolhas nem sempre são óbvias.
É por isso que a frase de Bertolucci é tão apropriada. O autoritarismo, seja fascista, socialista, militar, qualquer que seja seu disfarce, sempre nasce de grandes ideais, sempre nasce inspirador, prometendo um mundo melhor. Por isso deixo um conselho de graça: desconfie de boas intenções, desconfie de grandes mudanças, desconfie de OUTROS MUNDOS POSSÍVEIS! Os outros mundos possíveis que a humanidade conheceu são bem piores que esse. Lembre-se do ovo da serpente. Olhe sempre para os pequenos detalhes, pois a serpente não consegue esconder o rabo.
Amigos, agradeço muito os comentários. Mas Lola, a quem me refiro no post abaixo, é militante de uma causa. Ela tem um time. Sua intenção é ver o PT para sempre no poder. Eu, no entanto, tenho apenas fé no bom senso e alguns princípios. Ela manda às favas a vergonha e acena reciocínios que tentam transformar crimes em erros. Talvez seja paga, talvez queira agradar seus partidários, talvez seja só uma bolivariana. Mas de qualquer forma ela quer votos. Quer votos para Dilma, assim como pediria votos para Fernandinho Beira-Mar se Lula assim pedisse. É tão iluminada, tem tanto senso crítico, que não se lê uma linha analisando o governo ao qual ela defende. Lola idealiza o passado, ignora o presente e sonha com o futuro, que virá pelas mãos de seus idolatrados líderes, salve, salve!
Ela, se ler estas linhas, tentará saber se sou branco e heterossexual. Seu progressismo esquizofrênico é preconceituoso, defende corruptos e apóia ditaduras. Aliás, seria mesmo esquizofrênico?
Tem certas coisas que leio que me chateiam. E então me dá uma vontade danada de escrever. Lola escreveu um post. A Lola é uma assumida cabo eleitoral da Dilma, tipo que segue a cartilha petista. Não identifiquei ainda se é apenas um caso clássico de adolescência ideológica tardia, ou se é mal intencionada mesmo. No post em questão ela expõe uma mensagem que mandou para uma tal de Aline, que teria “aberto a cabeça” depois que começou a ler o dito blog (medo). Pois eu faço uma réplica aqui, trecho a trecho. Ela em destaque:
Fico muito feliz que vc tenha mudado um pouco de mentalidade com a leitura do meu blog. Isso de achar que a Veja era neutra, só o Mainardi seria contra o Lula, é tão comum… Porque é exatamente isso que vc aponta: se a mídia toda fala a mesma coisa, e a gente já foi acostumada desde criança a acreditar nesse pensamento único (e de achar que tudo que sai em jornais, revistas e noticiários é a pura e imparcial verdade), como pensar diferente? Existem pouquíssimas publicações impressas que sejam contra o sistema, até porque é caro imprimir.
Lola escreve intensamente, mas talvez não consiga enxergar as contradições que se seguem abundantes no que produz. Vejamos: a Veja e TODA a mídia são parte do “sistema”. Este sistema é todo contra o Lula. É um pensamento único, deduz-se, como se fosse possível imaginar que todos os veículos de comunicação no Brasil pudessem ter interesses 100% comuns. Ou que TODOS os jornalistas que escrevem no Brasil fossem cordeirinhos obedecendo às ordens de seus chefes de redação.
Lola também poderia se decidir: ou bem TUDO o que sai em jornais, revistas e noticiários é mentira, ou NEM TUDO. Se a resposta é nem tudo, então dá pra pensar diferente. Ou não? E qual publicação é contra o sistema? As que apóiam o governo? Então o governo agora não é mais o “sistema”? Isso seria realmente inédito…
Lamento Lola mas seu pensamento é primário. Não fecha porque não é lógico. É ingênuo pois tem medo de tudo o que não é a favor de suas crenças.
Mas aí que entram os blogs, e é por isso que tanta gente considera a internet uma grande revolução, porque acomunicação fica dispersa, não concentrada. Passamos a conhecer outros pontos de vista. Aquela moça negra e lésbica que jamais teria uma coluna num jornal, de repente passa a escrever um blog. É óbvio que seus argumentos e sua visão de mundo serão bem diferentes daqueles do colunista homem, branco e hetero que escreve pro jornal (cujos argumentos, não por coincidência, se alinham com os do dono do jornal branco e hetero).
Segundo Lola, todos os jornalistas do Brasil são brancos e héteros. Imagino o que não dirá Lola se um dia deparar-se com uma moça negra e lésbica que tenha um blog “direitista”. Nossa, vai ter um ataque do coração e cair dura!
Ainda que boa parte dos blogs seja perda de tempo e só reproduza o status quo (afinal, são escritos por gente do dia a dia ― e quantas pessoas que a gente conhece pensam, analisam, discutem, ao invés de repetir o que lhes é dito?), existem vários que fazem pensar. Fico muito contente, comovida até, que o meu modesto bloguinho seja visto como parte desta categoria por algumas leitoras.
Ah, aquela moça negra a que eu me referi antes só reproduz o status quo, afinal, quem pensa é esquerdista, óbvio! Aliás, brancos e héteros nem percam o seu tempo. Ou viram progressistas ou vão ser imediatamente ignorados pela cor da pele e opção sexual. E eu que pensava que progressistas eram contra este tipo de pré-julgamento. Lembro-me do colégio quando queriam “desenvolver nosso senso critico”. Quase sempre era uma aulinha de ideologia barata. Ainda bem que eu e outros (que não pensávamos e gostávamos de reproduzir o status quo) já tínhamos literatura suficiente pra perceber a empulhação e uma incessante curiosidade para perceber que aquelas respostas simples e belas eram tão belas quanto tolas.
Não dá pra contra-argumentar um email coletivo cheio de preconceito como este da sua amiga. Aprendizagem política é algo que leva bastante tempo. Eu recomendo que vc passe a ler diariamente blogs políticos, como o do Luiz CarlosAzenha, Paulo Henrique Amorim, EmirSader, e Eduardo Guimarães. O doNassif eu acho chatinho que dói, mas tente dar uma olhada também. O que eu faço é ir neste site agregador aqui, As Últimas (o meu blog consta neste site agregador, mas na categoria cinema). Vou lendo o que me interessa. Muitas vezes leio até o Reinaldo Azevedo. É bom ler vários pontos de vista, mesmo alguns asquerosos, como o do tio Rei. Tudo isso que sua amiga mandou no email saiu no blog dele e na Veja.
Azenha, PHA, Emir Sader? Ah, são os tais pensadores… Sim, independentes e imparciais. Tudo o que eles falam é verdade? Não? Então fazem parte do “sistema? Ah, não também? Então qual é a diferença? De certo, eles são adorados por Lola pois inventaram o revolucionário Jornalismo Governista de Oposição. Uma extrovenga que é muito parecida com jornalismo, mas está bem mais perto de Armazém de Secos e Molhados. Um conselho meu, que dou de graça: fuja de quem acredita sinceramente em jornalismo à favor. Acreditar em duendes far-lhe-á menos mal. Ah, e o Reinaldo Azevedo tem pontos de vista asquerosos? Não basta discordar: tem que ter um adjetivo. Só desconfio que “asqueroso” seja um dos ataques mais inteligentes de Lola.
Mas lendo mais análises políticas a gente vai acompanhando o que acontece, e não é pega de surpresa. Por exemplo, isso que dizem da Dilma ser terrorista vai se intensificar muito neste ano eleitoral. Isso revela uma total falta de conhecimento da história do Brasil, e também um posicionamento ideológico. Quem chama a Dilma de terrorista apaga o contexto histórico, que era: havia umaditadura militar que matava e torturava gente e censurava informação.
Entenderam gente? Havia um motivo para matar inocentes! Nada a ver com terrorismo! Como esses direitistas são maldosos! Eu, que acho que matar inocentes é errado em qualquer circunstância, sou ideológico. Quem defende a morte dos inocentes úteis é, para Lola, bastião da democracia.
Essa ditadura durou de 1964 a 1985. 21 anos! O momento mais duro foi a partir de 1968, com o AI-5, que acabou com todas as liberdades individuais mesmo. Nessa época, alguns poucos jovens mais idealistas protestaram. Havia vários movimentos políticos, todos clandestinos, porque era proibido se manifestar contra o regime. Mas eles agrupavam pouca gente. A maior parte da população seguia com sua vidinha, fingindo esquecer que estava numa ditadura. A classe média, que na época era bem minoria mesmo (e não podemos nos esquecer que nos anos 60 o Brasil ainda era um país rural, com a maior parte das pessoas vivendo no campo, não nas cidades),apoiou o golpe de 64.
Sim, Lola está certa: grande parte da população brasileira apoiou o golpe. Mas Lola trata de colocar tudo em seus termos: havia os poucos heróis, a população sofrida, e um punhado de alienados que apoiava o golpe. Primeiro, Lola e demais, ninguém no Brasil apoiou 21 anos de ditadura militar. O que a classe média apoiou foi a deposição de Jango pelos militares. Tanto que Juscelino Kubitchek e Carlos Lacerda já preparavam suas candidaturas a presidência. Só quando Castello Branco cancela as eleições é que se percebe o que ia em curso. Além do mais o que estava em jogo naquele momento não era democracia versus ditadura. Eram duas ditaduras em choque. Ganhou a militar. Tem muito mais a ser dito, mas prefiro que Lola leia um livro. E que não seja escrito pelos seus pensadores prediletos, de preferência.
A mídia também. Alguns dos grupos que lutavam contra a ditadura eram mais radicais, outros menos. Teve aquele que sequestrou o embaixador americano no Brasil pra trocá-lo por vários companheiros que estavam presos, como retrata o filme O Que é Isso, Companheiro? Teve o grupo do Marighella. Quase todos foram assassinados pelos militares. E isso não estava acontecendo só no Brasil, mas em toda a América Latina: na Argentina, no Uruguai, no Chile… Todos esses países tiveram golpes militares patrocinados pelo governo americano (um filme interessante éDesaparecido – Missing: O Grande Mistério). Nossos comandantes militares foram treinados pela CIA para acabar com a resistência e torturar melhor.
Lola sabe de tudo. Pouco importa que historiadores quebrem cabeça para entender o processo individual de cada golpe. Lola já sabe que foi tudo obra da CIA. Pronto. Só esqueceu de Cuba, que desenvolveu ela mesma técnicas muito criativas… Escolher ditaduras para apoiar deve tirar o sono à noite. Eu prefiro ser contra todas. Durmo melhor.
A Globo exibiu uma excelente minissérie em 89, Anos Rebeldes. Se essa minissérie fosse exibida hoje, reverteria o que muita gente acha da Dilma e dos demais “terroristas” (veja a excelente cena da morte da personagem Heloisa aqui). Pra mim, pessoalmente, quem lutou contra a ditadura foi herói. Seria bem mais fácil seguir vivendo a vida, sem se envolver, mas esses idealistas largaram sua confortável vidinha de classe média e foram lutar.
Ah, os heróis. Quase sempre os heróis são heróis apenas para um dos lados. Os russos não devem gostar muito do James Bond. O que Lola não entende é que, no regime que seus heróis esperavam implantar no Brasil ela não ia poder ter seu blog. Aliás, ela não ia nem poder continuar com sua vidinha, como fizeram os alienados no Brasil. O mais irônico é que foram os não-heróis do MDB que conseguiram negociar a volta da Democracia, a despeito dos grupos guerrilheiros que, a cada ato, fortaleciam a linha-dura militar que era contra a distensão. Mas Lola precisa de sangue para eleger seus heróis. São heróis dela, não meus. Os meus devolveram a democracia ao país. Os dela morreram defendendo Marx.
Acho estranho que hoje as pessoas de direita acusem o Lula de ditador e censor (o que é uma enorme besteira ― onde mais uma revista pode estampar mentiras semanais contra o governo na capa, e o governo continua anunciando na publicação? Em que outro país do mundo um jornal pode publicar, sem provas, sem testemunhas, a acusação de que o presidente tentou estuprar um companheiro de cela?), e fechem os olhos pra ditadura militar.
Lola, abra um mapa. Agora tente localizar os países democráticos. Em todos eles existe oposição e esta (oh, que horror!) publica matérias contra o governo. Quando um veículo passa do ponto, é punido através do devido processo legal. Para sua informação é assim que funciona no Brasil também. Basta que Lula entre com um processo contra essas mentiras. Se ele não faz é porque ele é muito bonzinho, deve pensar você. Tudo bem, não vou estragar sua crença.
É esse pessoal que chama o golpe de 64 de “revolução de 64”, que chama o golpe em Honduras de revolução. Eles inventam que o golpe, opa, revolução, foi apenas uma resposta aos verdadeiros golpistas, os comunistas. Que, ahn, não estavam no poder. Em 64 quem governava era o Jango, vice de Jânio, eleito pelo voto popular.
Eu acho que o que houve em Honduras não foi golpe nem revolução. Sou parte do sistema, Lola? Posso publicar minha opinião ou dependo da bondade de Lula para me deixar discordar de você? Você aprendeu a ser autoritária assim sozinha ou teve treino? O que houve em 64 foi golpe. Mas minimizar a luta ideológica travada no Brasil não é nem justo nem lógico. Quer dizer que os militares acordaram um dia e pensaram: hoje nós vamos tomar o poder. Voce sabia que houve dois golpes Lola? Voce sabia que por essa época americanos e vietnamitas morriam por essa luta ideológica que voce pensa não ter existido?
Dilma não fez parte de uma organização extremista.
Ué, ela diz que fez!
Mas, e se tivesse feito parte? Não dá pra descontextualizar. Assaltar banco durante a ditadura militar é bem diferente de assaltar banco num sistema democrático como o de hoje. Essa ficha criminal da Dilma é falsa. Sabe quem fez? Um blog de extrema direita chamado Coturno Norturno. O cara é ummilitar que, obviamente, acha que a ditadura militar prestou um grande serviço ao país. Só que aí a Folha de SP publicou essa ficha falsa no jornal como se fosse verdadeira. E até agora nem pediu desculpas ou admitiu o erro.
É necessário decidir se Dilma resistiu ou não. Se não foi na luta armada, foi como? Porque é que ninguém responde a esta pergunta?
Acho que assaltar a banco é crime hoje e era na ditadura. Que eu saiba não foi a ditadura que instituiu que roubar é errado. Portanto assaltar bancos pode ser até uma forma de conseguir dinheiro para a guerrilha, mas não deixa de ser crime por causa disso. Aliás, nem matar, como defendem alguns esquerdistas. Mas você está preocupada com o quê? A ficha não é falsa?
Esse pessoal de direita sempre odiou PT, MST, CUT, UNE, e qualquer movimento popular. Eles não vão mudar de ideia agora.
Odiar? Já procurou um psicólogo? Que complexo é esse? Fazer oposição a uns e exigir a lei para outros não tem nada a ver com odiar. Aliás, para quem recebeu votos para ser oposição, a direita não faz mais do que sua obrigação quando se opõem a estes grupos políticos. Ou você acha que nós que não vemos o mundo da mesma forma que o MST, a UNE, a CUT e o PT, não podemos ter representação parlamentar? Afinal, você é democrata ou não?
O que os assusta é que o povo, que sempre votou nos candidatos deles, em 2002 elegeu o mal encarnado, o Lula. E aí reelegeram o cara em 2006. Mas como? Com toda a mídia falando mal do governo todo santo dia, e o povo ainda o reelege? E o presidente tem 80% de aprovação? E ele ainda tem a chance de fazer sua sucessora? Esse é um pesadelo muito grande pra direita, que vai fazer de tudo pra reverter essa situação.
O povo sempre votou no candidato “deles”? Quer dizer que Getúlio, JK, até mesmo João Goulart foram candidatos da direita? Me avise que livros de história do Brasil você lê, por favor! Credo…
Sobre o filme Lula, o Filho do Brasil, fico pasma porque todas essas críticas vem de gente que não viu (nem vai ver) o filme. Eu, que sempre votei no Lula, fiquei com uma impressão ruim dele após ver o filme, só pra vc ter uma ideia. O filme não é político. Se Lula fosse um ditador como a direita diz que ele é, ele teria mudado a constituição para permitir uma nova reeleição (como fez o FHC).
Você ficou pasma com as críticas de quem não viu o filme? Então é porque não entende nada de democracia mesmo. O conteúdo do filme não tem a menor importância. O culto à personalidade e a propaganda eleitoral disfarçada é que estão sendo criticadas. E quem da direita diz que Lula é ditador? Voce usa e abusa de personificar a direita e pespegar falas a este ser. Pois ninguém aqui é bando. Cada um pensa com sua cabeça. Somos liberais, esqueceu? Seja honesta e diga QUEM da direita disse o que você afirma que disse. Lula não é ditador coisa nenhuma. Não porque não queira, mas porque não pode.
Quanto a “quem pagou pelo filme?”, o pessoal tá revoltado que o filme não teve financiamento público. Praticamente todo filme nacional tem financiamento público, através da Lei de Incentivos Fiscais. Quase sempre o dinheiro vem de empresas públicas, como a Petrobrás e o Banco do Brasil. Com Filho, o patrocínio veio todo de empresas privadas. Aí a Veja faz uma lista de como essas grandes empresas recebem empréstimos do governo. Ora, TODA grande empresa brasileira recebe empréstimo.
Não é empréstimo o problema Lola. Leia a Veja com mais atenção ok? São empresas que têm negócios com o Governo e tem se beneficiado desta relação. O nome disso é lobby, e no Brasil é ilegal, mas sei que você não tem a menor idéia do que é isso.
Inclusive a Abril, a Globo, e qualquer outra que eles mencionarem… A direita simplesmente se revolta que um filme assim tenha sido feito. Por ela, não seria. Haveria censura mesmo. Ué, são esses os freedom fighters, os lutadores pela liberdade? Os que querem proibir um cineasta de fazer um filme?
Censura? Pirou? Quem é que falou que o filme não podia ser feito? Me aponte um! Duvido! Não crie a realidade que fica melhor para voce. Os Freedom Fighters são atentos a quem quer cassar-lhes a liberdade. Líderes personalistas são um desses inimigos, que países livres souberam muito bem banir. Quer fazer o filme, faça. Mas aceite críticas, que também são um aspecto da liberdade com os quais convivemos bem. Você aparentemente não.
Mas Aline, essas pessoas que repassam emails assim não estão interessadas em argumentos. Querem apenas repetir a mesma mentira mil vezes até que ela se transforme em verdade. Essa sim uma estratégia nazista, sabe? Aliás, viu como a direita anda espalhando que o nazismo foi um movimento socialista? Que o símbolo máximo da direita, o nazismo, no fundo era de esquerda? Eles não têm argumentos pra uma bobagem dessas. Mas vão repeti-la sempre pra ver se alguém acredita.
De novo você cria a direita que fica melhor para você. Quem é o doido que afirma que o nazismo foi um movimento de esquerda? Como se Stalin, Mao, Pol Pot e Fidel não fornecessem cadáveres suficientes para a esquerda. O Nazismo foi um movimento fascista, de ultra direita. Nada a ver com o liberalismo ou com a social democracia (que aliás, abrange a esquerda que percebeu que o muro caiu). Símbolo máximo da direita? Quem defende assassinos costuma se intitular progressista minha cara. Eu os condeno todos. Voces é que escolhem os de sua preferência. Aí é que mora a hipocrisia fundamental da sua linha de pensamento. Aliás, você acusa a direita de afirmar coisas sobre a esquerda e faz a mesma coisa com a direita. Um espetáculo de coerência. De novo, quem foi o “direitista” que disse que o nazismo foi um movimento de esquerda? Dê nomes Lola, ou pare de inventar coisas pra aparecer bonita na foto.
Ufa! Escrevi um livro. Espero que vc passe a acompanhar mais análises políticas, para poder rebater vc mesma as besteiras que ouvimos todos os dias.
Escreveu. Talvez possa começar a ler alguns também.
É bastante educativo este caso que ocorreu na Uniban. Diz muito sobre o que deve ser a Democracia e como o totalitarismo se instala sorrateiramente em sociedades não vigilantes.
Em resumo, quando a turba resolve fazer justiça com as próprias mãos, o cidadão (no caso, cidadã) se ve a mercê da maioria. Pra uns seria tudo muito democrático pois a prevaleceu a vontade do “povo”. Este é o pensamento original, primário, dos regimes fascistas. Vemos exemplos de comportamentos similares em abundância na nossa vizinha Venezuela. Pouco importa no caso se o crime existiu ou não, ou se o vestido era ou não adequado. A turba, a massa, está disposta a julgar por conta própria.
Aí o que faz a tal da Uniban? Expulsou a menina por comportamento inadequado, que teria incitado a reação dos “estudantes em defesa da instituição”. Viram a lógica? A maioria, no fascismo, está sempre certa. O Estado populista, ou fascista, sabota as instituições, ou seja, as leis, para poder se manter no poder pela força. Foi exatamente para combater este mal que a Democracia foi criada. Mas, vez por outra, vemos o fascismo ressurgir aqui e ali, testando os limites que as leis lhe impõem. Não é difícil imaginar que a aluna conseguirá uma boa indenização por danos morais e materiais. Se isso não acontecer, ficamos menos democráticos e mais fascistas.
Em tempo, Lula se comporta como a reitoria da Uniban: não tem vergonha de usar a maioria que lhe apóia para eliminar a minoria dissonante. Isso é da natureza totalitária do petismo. Isso é da natureza anti-democrática de Lula, o Mussolini de Guaranhuns.
Não deixa de ser também muito irônico que a mesma cidade que nos deu o sindicalismo brucutu agora nos dê o universitário brucutu. Pode ser coincidência, mas, sei lá, onde há fumaça….
Cuba é a ilha mental onde vive a MAIORIA (não todos) dos esquerdistas latino americanos. Soube por um amigo cubano que os jovens cubanos já não querem nem estudar para serem médicos, engenheiros… Querem trabalhar para o turismo, que é o único campo onde podem ter algo mais do que o salário miserável que recebem do Governo. Para aqueles que pensam que pelo menos crianças não morrem em Cuba, lamento. Morrem sim, de fome inclusive. Mas você não fica sabendo. E as que sobrevivem e não morrem nos paredões, morrerão lentamente, como condenados vivendo em uma prisão. Cuba é a ditadura de estimação de gente que só não gosta da ditadura dos outros.
Yoani em Berlim
Convidado – Demétrio Magnoli
Você ainda não está autorizada a viajar.
E por qual razão?
A razão desconheço.
Não tenho nenhuma causa legal pendente, não estou sendo processada perante um tribunal.
No momento, você não pode viajar.”
Você sabe que esta é uma violação de meus direitos constitucionais. É como o direito à educação e à comida: o direito de poder se mover.
No momento, você não pode viajar.
Esta instituição que você representa, um dia acabará. Meus netos não viverão nessas condições. Este país é um grande cárcere, com uma fronteira ideológica, uma fronteira partidária. Os cidadãos aqui são julgados por cores políticas. Mas isso um dia acabará. Porque esta nação nada tem que ver com uma ideologia, nem com um partido. Esta nação existiu e existirá antes e depois de vocês.”
Esse diálogo, cuja íntegra está no blog Generación Y (http://www.desdecuba.com/generaciony), foi travado em 12 de outubro entre a blogueira cubana Yoani Sánchez e uma funcionária do Escritório de Imigração de Havana. A proibição de viajar, reiterada há mais de ano, impediu Yoani de receber o Prêmio Maria Moors Cabot, concedido pela Universidade de Colúmbia, e de comparecer aos eventos de lançamento de seu livro De Cuba, com Carinho, publicado pela Editora Contexto, que se realizam nestes dias no Brasil.
Yoani faz um dos blogs mais acessados do mundo, que é bloqueado na restrita internet cubana. Ela não se enquadra no jogo bipolar da política de seu país. Por erguer a bandeira da liberdade de expressão, é acusada pelo regime castrista de servir a “interesses contrarrevolucionários estrangeiros”. Por registrar que o embargo econômico americano funciona como pretexto útil para a ditadura dos Castros, é acusada pelo núcleo duro da oposição cubano-americana de Miami de operar para o serviço de inteligência de Cuba. A resposta encontra-se no seu livro, na forma de uma citação do compositor antifranquista espanhol Joaquín Sabina: Siempre que lucha la KGB contra la CIA, gana al final la policía.
O Muro de Berlim, ícone desmoralizante do “socialismo real”, caiu há 20 anos, mas uma réplica anacrônica subsiste ao redor da Ilha de Cuba, sob a forma da “fronteira partidária” denunciada por Yoani. Cuba não tem relevância econômica ou estratégica, mas possui colossal importância simbólica: o “grande cárcere” do Caribe representa, ainda hoje, a pátria ideológica da esquerda latino-americana. O episódio do lançamento do livro de Yoani no Brasil é uma aula inteira sobre o tema.
O consulado cubano de São Paulo recusou-se até mesmo a protocolar um convite da editora à autora para os eventos de lançamento do livro. Eduardo Suplicy (PT-SP), desafiando a ortodoxia de seu partido, pronunciou discurso no Senado solicitando a concessão da autorização de viagem. Por iniciativa de Demóstenes Torres (DEM-GO), o Senado dirigiu à Embaixada de Cuba um convite para Yoani debater o livro em audiência pública. Fernando Henrique Cardoso somou-se ao convite, por meio de carta ao governo cubano em que solicitava pessoalmente a permissão de viagem. Mas Havana nem sequer ofereceu uma resposta aos variados apelos – que não incluíram nenhuma voz do governo brasileiro.
Cuba e Brasil são signatários do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos da ONU, que consagra o direito de todos de sair de seu país e retornar a ele. A Constituição determina que o Brasil rege suas relações internacionais pelo princípio do respeito aos direitos humanos. Nada disso importa para Lula, que qualifica Fidel Castro como o “único mito vivo da história da humanidade”, nem para Celso Amorim, que sempre escolhe a palavra “democracia” para se referir a Honduras e a palavra “soberania” para se referir a Cuba. Nenhum dos dois emitiu uma mísera nota de apoio ao convite dirigido pelo Senado à escritora cubana.
O silêncio é amplo e sólido. Tarso Genro, o ministro do Arbítrio, deportou ilegalmente boxeadores cubanos ameaçados de perseguição, mas não moveu um dedo pelo direito legal de uma escritora independente falar ao público brasileiro. Paulo Vanucchi, chefe de um Ministério que ostenta no seu nome os direitos humanos, loquaz na defesa do estatuto de refugiado político do italiano Cesare Battisti, não pronunciou uma única palavra sobre o direito de viajar da cubana cujo “crime” é expressar suas opiniões. Eles não têm vergonha?
Yoani não vem ao Brasil porque o regime castrista pratica um abominável intercâmbio de direitos por fidelidade ideológica. A submissão ativa ao Partido é recompensada por um emprego cobiçado no setor turístico, pela almejada licença para comprar um automóvel ou pela preciosa autorização de viagem ao exterior. A coragem de dissentir é punida com a cassação tácita, jamais justificada, dos direitos inscritos na lei.
Num país que julga seu cidadãos “por cores políticas”, ninguém é verdadeiramente cidadão. Foi isso que Yoani disse no Escritório de Imigração, ao evidenciar o caráter totalitário de um regime que faz a nação se identificar com uma ideologia e um partido.
Os intelectuais de esquerda brasileiros, com honrosas exceções, pensam o mesmo que a ditadura castrista sobre a opinião independente. Anos atrás, num abaixo-assinado, solicitaram a demissão de um articulista que ousara criticar as ideias do palestino-americano Edward Said e há pouco fizeram um escarcéu coletivo em torno de uma palavra fora de lugar no editorial de um jornal. No caso de Yoani, porém, acompanharam o eloquente silêncio de Lula e seus ministros.
A sangrenta consolidação do stalinismo na URSS foi amparada por manifestos emanados da pena de intelectuais “humanistas” como Louis Aragon, Romain Rolland e Paul Sweezy. Nossos intelectuais de esquerda são os herdeiros legítimos deles. A régua com que medem direitos e liberdades é feita do mesmo maleável material ideológico que sustenta o Muro de Cuba.
Carlos Alberto Sardenberg
Lá pelas tantas de seu documentário Capitalismo: uma história de amor, lançado na semana passada, Michael Moore aparece na frente do banco Goldman Sachs em Manhattan dirigindo um blindado de transporte de dinheiro. E anuncia nos alto-falantes que está ali “para pegar de volta o dinheiro do povo americano”.Pois se Moore procurasse no próprio bolso encontraria alguma parte desse dinheiro, comentou, divertido, um editorial do site Futureofcapitalism.com. Mas é isso mesmo. O Goldman Sachs colocou dinheiro próprio e ainda montou a operação que levantou US$ 1 bilhão para a produtora de Moore, a Weinstein Company. Na ocasião da entrega dos recursos, o banco, que é a cara e o coração de Wall Street, divulgou nota oficial dizendo: “Estamos muito satisfeitos em ser parte desta excitante nova associação.”No filme, Moore diz que o capitalismo é o próprio “diabo”. Entrevista padres católicos que classificam o regime como “pecador e imoral”. Apresenta algumas ideias sobre como superar o capitalismo, mas não parece convincente. Como derrotar um regime que se sente satisfeito e excitado em financiar seus críticos?O pedágio do PT pede reajuste – Há dois anos, o presidente Lula e a ministra Dilma comemoraram o pedágio de R$ 0,99 oferecido por uma das concessionárias vencedoras na licitação de sete lotes de rodovias federais. Era o modo petista de privatizar, oposto ao modo tucano, dos pedágios caros. Na ocasião, comentamos aqui mesmo que esse barato poderia sair caro, mas não imaginávamos que seria tão depressa. Pois agora todas as concessionárias que operam aquelas rodovias já estão pedindo um reajuste no preço das tarifas ou uma redução nos investimentos previstos, ou seja, menos melhorias para as estradas.Especialistas na área já diziam que isso seria inevitável. Ocorre que os pedágios mais baratos (de R$ 0,99 – “menos de um real”, como comemorou a ministra em telefonema ao presidente – a R$ 3,86) não poderiam sair do nada, mas de um modelo de concessão diferente.Em primeiro lugar, o governo Lula não cobrou nada pela entrega das estradas (ou pela outorga), ao contrário do que se fazia no governo anterior e do que o governador Serra fez em São Paulo mais recentemente. Cobrar pela outorga significa que a concessionária tem de remunerar o Estado pelo direito de usar a rodovia. Com esses recursos, o governo pode, por exemplo, construir estradas em áreas menos rentáveis, sem interesse para a iniciativa privada. Mas é claro que, nesse modelo, o pedágio necessariamente sai mais caro, pois vence a concorrência quem paga mais pela outorga e, ao mesmo tempo, se compromete com carga maior de investimentos e aperfeiçoamentos nas estradas.Quando se entrega de graça a estrada (privataria!) e se decide o leilão pelo pedágio mais barato, é claro que as concessionárias vão fazer de tudo para “martelar” os custos. E martelaram. Nos leilões do governo Lula, as tarifas oferecidas (e vencedoras) chegaram 65% abaixo do piso determinado. Martelar custos significa minimizar ou desprezar riscos e valorizar ao extremo as ações propostas.O risco geral é esse mesmo que está ocorrendo. O faturamento já não dá conta das obrigações. Dizem as concessionárias que a culpa é do governo, que teria atrasado os papéis liberando as obras e, assim, atrasando o início da cobrança dos pedágios. Os órgãos do governo dizem que fizeram tudo certo e em dia.A ministra Dilma até agora não se manifestou. Compreende-se: o governo está no córner. Se admitir o reajuste extra das tarifas, estará confessando um erro de modelo. Se não admitir, vai comprometer as estradas, aliás, com obras já atrasadas, o que também desmoraliza o modelo dos pedágios baratinhos, tão alardeado dois anos atrás.Quanto ao modelo tucano, continua assim: as estradas estão excelentes, mas todo mundo reclama dos pedágios.Isso poderia gerar um debate técnico, não tivesse o atual governo politizado tanto os leilões de dois anos atrás.Dilma x Serra – Mas os pré-candidatos presidenciais travaram uma disputa técnica em São Paulo na semana passada. Apareceram juntos numa feira de imóveis e discursaram – uma falando do milhão de casas do Minha Casa, Minha Vida; outro, de como seus gastos em habitação, R$ 1,9 bilhão, eram mais eficientes.Interessante prévia da disputa presidencial. No governo há oito anos, Dilma não pode retomar o discurso petista do “contra isso tudo que está aí”, por “um novo Brasil”. Ela vai tentar mostrar que o governo Lula já está construindo esse “novo Brasil” e que ela é a melhor pessoa para continuar a obra.Serra, que foi ministro na gestão FHC e que governa o maior Estado do País, também só pode se apresentar como administrador capaz de fazer melhor que o atual.Menos politizada, pode ser uma disputa em torno de temas econômicos, administrativos e técnicos. Uma eleição mais aborrecida, sem empolgação, adequada aos estilos de Dilma e Serra, mas quem sabe melhor para o País.Gastando por conta – Não sei se repararam, mas a semana foi de aumento de gastos públicos. O Congresso aprovou a criação de mais 8 mil vagas de vereadores e um reajuste para os salários dos ministros do Supremo Tribunal Federal, que vai repercutir em todo o Judiciário. E em outros setores da administração federal, pois todo mundo vai pedir equiparação (como os parlamentares) e/ou reajustes semelhantes.Saiu também o déficit da Previdência até agosto, que aumentou nada menos que 15% em relação ao ano passado, por causa do reajuste real do salário mínimo, num momento de queda da arrecadação de impostos. E o governo já aceitou dar aumentos reais para as aposentadorias acima do mínimo, o que vai elevar ainda mais o déficit previdenciário.E daí? O presidente Lula está convencido de que tirou o País da crise aumentando o gasto público e que, por isso, tem licença para gastar mais. E isso significa que você, caro leitor, cara leitora, vai pagar mais impostos.
Quando começaram a falar sobre este tal sistema de cotas raciais, fui radicalmente contra e discuti com várias pessoas que achavam que eu estava negando que existe racismo no Brasil. Passei por insensível pois, como branco, obviamente não estava preocupado com a situação. Ou ainda, eu deveria provavelmente estar defendendo o sistema que me permitiu estudar em universidade federal – o meu “privilégio, em outras palavras.
Tolice.
As cotas raciais são erradas por que são racistas. Quem entende a origem do sentimento racista sabe que um privilégio instituído em função da cor da pele é gasolina na fogueira. O racismo não se anula com mais racismo, de cor trocada. Se alguem pensa (eu não penso) que o racismo da sociedade institui um privilégio “natural” aos brancos, não pode por isso querer combatê-lo criando um privilégio oficial para os negros. Isso não é combate, é estímulo…
As portas não se fechavam aos negros no Brasil por causa do racismo. Se fechavam porque o ensino público é ruim. E vão continuar se fechando, só que desta vez para brancos. Mas não parece que se queira resolver o problema. Quer-se apenas mudar-lhe a cor.
De Nixon a Vicentinho
Convidado – Demétrio Magnoli
Com Yvonne Maggie
O deputado Vicentinho (PT-SP) celebrou como um “momento histórico” a aprovação do chamado Estatuto da Igualdade Racial na Câmara dos Deputados. De certo modo, ele tem razão. Se o Senado confirmar a decisão, ficará suprimido o princípio da igualdade perante a lei, pilar central da Constituição, e o Brasil ganhará um lugar na lista de Estados que um dia dividiram os cidadãos segundo raças oficiais: os EUA das Leis Jim Crow, a Alemanha das Leis de Nuremberg, a África do Sul do apartheid, a Ruanda belga, a Malásia da “supremacia malaia”…
O Estatuto Racial aprovado é um destilado do projeto original e um fruto do conluio entre todos os interesses organizados. Triunfaram as ONGs racialistas, representadas essencialmente pelo PT, mas foram atendidas as demandas (legítimas, aliás) das empresas de comunicação e publicidade e dos proprietários urbanos e rurais. As primeiras obtiveram a exclusão de um item que estabelecia cotas para atores “negros” na TV, no cinema e nas peças de marketing. Os segundos conseguiram eliminar um item que legalizava a fabricação de quilombolas imaginários.
O tema dos quilombolas evidencia o caráter francamente regressivo do racialismo, que é hostil por definição aos direitos universalistas. A fim de dividir os pobres do campo segundo a cor da pele, propunha-se uma legislação especial voltada para quilombos inventados pelas próprias ONGs, enquanto se afastava da cena a necessária simplificação dos processos de reconhecimento da propriedade pela via do usucapião.
O “povo desorganizado”, na expressão certeira empregada por Ruth Cardoso, é o grande derrotado na Câmara. O Estatuto Racial atinge, devastadoramente, os direitos dos jovens estudantes, dos usuários do sistema público de saúde e dos trabalhadores assalariados em geral.
Nas escolas, segundo a nova lei, a História do Brasil e da África sofrerá uma revisão fundamental, adaptando-se ao mito da raça. Os professores devem explicar a escravidão moderna como uma fábula sobre a dominação da “raça negra” pela “raça branca”, não como um nexo do sistema mercantil-colonial que articulou as elites da Europa, da América e da África. Eles passam a cumprir a missão doutrinária de apresentar o Brasil como um território habitado por duas “raças” polares: os “eurodescendentes” e os “afrodescendentes”, separados uns dos outros pelos abismos intransponíveis do sangue e da cultura.
No sistema público de saúde, a nova lei determina a substituição da ciência pelo dogma. A genética explica que a cor da pele não é um indicador confiável para a medicina. O Estatuto Racial institui, oficialmente, a existência de “doenças de negros” e direciona os investimentos e os recursos humanos da saúde pública para a edificação de um sistema paralelo de “saúde da população negra”. A norma adventícia orienta-se pelo discurso de antropólogos que não se envergonham em difundir a crença em cromossomos raciais. Os geneticistas são relegados à condição de incômodos dissidentes.
No cerne do Estatuto Racial encontra-se a provisão de concessão de incentivos fiscais às empresas que mantiverem um piso de 20% de “negros” na sua folha salarial. A decorrência disso é a classificação racial da massa dos trabalhadores assalariados e o uso de um critério de raça nos processos de contratação e demissão de mão de obra. A racialização oficial do País sempre foi fantasiada com as roupagens da redenção social – e a resistência a ela, como uma operação diabólica da “elite branca”. A mentira encontra-se exposta e nua: pela nova lei, uma fronteira dividirá trabalhadores da mesma faixa de renda e provocará uma competição racial entre eles. Eis a face mais perigosa do ovo da serpente chocado na Câmara.
A inspiração histórica da iniciativa é o Plano Filadélfia, anunciado por Richard Nixon em 1969, que inaugurou os programas de preferências raciais no mercado de trabalho nos EUA. Tais programas perpetuaram a divisão dos trabalhadores americanos nascida no início do século 20, com as Leis Jim Crow, de segregação racial. De Nixon para cá, eles contribuíram para o enfraquecimento dos sindicatos e provocaram incontáveis disputas judiciais contrapondo assalariados brancos e negros. Não é fortuito que, nas primárias democratas, a candidatura de Barack Obama tenha sofrido forte rejeição nos cinturões industriais dos Apalaches. Num passado ainda recente, desempenhando os papéis de líder sindical dos metalúrgicos do ABC e de presidente da CUT, Vicentinho clamou pela unidade dos trabalhadores. Hoje, na condição de representante de uma burocracia sindical sustentada pelo Estado, comemora a lei que fará operários definirem como rivais os colegas da cor “errada”.
O Estatuto Racial nasceu há uma década da pena de José Sarney e, antes do acordo atual, ganhou versões elaboradas pelos senadores Rodolpho Tourinho, do antigo PFL baiano, e Paulo Paim, do PT. A sua lógica não pode ser compreendida na moldura conceitual da disputa ideológica entre “esquerda” e “direita”, mas do confronto entre duas visões do Brasil e da democracia. O programa que ele encarna é o da edificação de um Estado racial que administra as relações entre uma “nação branca” e uma “nação afrodescendente”.
Não houve uma votação em plenário do Estatuto Racial. A lei que virtualmente revoga a Constituição e delineia o embrião de um Estado racial foi aprovada por um acordo entre lideranças. Os parlamentares viraram as costas para o “povo desorganizado”, uns por convicções racialistas, muitos outros apenas pelo temor que lhes infunde o discurso odiento de ONGs financiadas por fundações bilionárias. Os partidos de oposição, mais uma vez, sacrificaram a realidade dos princípios no altar de um princípio de realidade que os converte em serviçais dos mais diversos interesses organizados. A conta da covardia eles deixam para a próxima geração.
Lindo artigo sobre o Vietnam e sua guerra.
04 de Setembro de 2009: Dia Internacional de protestos contra o “General” Hugo Chavez. NO MAS CHAVEZ!
O desmonte
Miriam Leitão
O Globo
A carta dos demissionários toca na ferida que será a marca da atual administração: a confusão entre o Estado e o governo. Isso nunca havia ocorrido na Receita. Nunca havia acontecido no Ipea, no BNDES, no Itamaraty. É um tempo em que há perseguição política e quebra de regras de ouro, como a de que os funcionários servem ao país, os governos passam.
Esta semana o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou mais um dos seus “Comunicados da Presidência”, que o órgão inventou na atual gestão. O texto comete um erro crasso na opinião dos economistas José Roberto Afonso e Samuel Pessoa, que analisaram o estudo. O documento sustenta que a produtividade do setor público cresceu mais do que a do setor privado, mas compara alhos e bugalhos. É muito diferente o cálculo da produtividade do setor privado, que tem o que contabilizar como produção, e o mesmo cálculo do setor público.
Afonso e Pessoa explicam que o conceito de valor agregado usado pelas Contas Nacionais do IBGE, seguindo padrões internacionais, estabelece que a produção no setor público é calculada pelo aumento dos salários e das despesas. A metodologia não permite a comparação com o setor privado. E dão um exemplo: se uma empresa contrata empregados e os deixa em casa dormindo, perde produtividade; se o setor público fizer isso, a produtividade não cai. O estudo da presidência do Ipea tem conclusões esquisitas como a de que a produtividade de Roraima, por exemplo, aumentou 136%; a de São Paulo, 0,7%; e a do Espírito Santo caiu 7,4%. Os estados que fizeram choque de eficiência e gestão não tiveram ganhos de produtividade.
Ou até perderam.
O estudo feito de encomenda para justificar o crescimento dos gastos de pessoal e de custeio, e para sustentar o discurso estatista é um exemplo, mais um, do que foi feito no Ipea.
No começo, uma caça às bruxas, depois um concurso público viciado e dirigido, e por fim, o uso da marca Ipea para apresentar estudos de critérios técnicos duvidosos e endereço certo. Os bons funcionários do órgão, os que estão lá servindo ao Estado, são postos na geladeira.
O Ipea foi criado para fazer avaliações críticas e independentes das políticas públicas, e assim ajudar os governos a corrigir rumos e evitar erros.
O governo Lula interferiu nas carreiras de Estado de forma sistemática. Fez isso tantas vezes que ao longo de sete anos o país foi achando natural o que não se pode aceitar. A carta dos superintendentes e funcionários da Receita Federal serviu como um grito de alerta contra o desmonte que deixará sequelas nas próximas administrações.
Foi assim também no BNDES no começo do governo.
Tem sido assim no Itamaraty.
Da patética lista de livros obrigatórios que lembrava os regimes fascistas, passou-se para uma política seletiva de promoção e envio para postos relevantes.
Os leais ao atual grupo no poder foram nomeados para as principais embaixadas mesmo que não tivessem acumulado experiência para tal. O Brasil tem perdido com a subutilização de brilhantes diplomatas encostados em “exílios”.
O governo Lula ficará na história como o que mais aumentou o gasto de pessoal, o que mais contratou funcionários, e o que mais profundamente feriu a ideia de que os funcionários de carreira servem ao Estado e não a governos. O que aconteceu na Receita Federal não foi uma briga de um grupo, uma rebelião liderada pela ex-secretária Lina Vieira. Funcionários de carreira, com anos de serviço público divulgaram uma carta séria sobre a qual o país deve refletir. A ingerência política na Receita é inaceitável, por isso o protesto dos superintendentes é tão valioso. Eles recusaram a postura passiva de “deixa como está porque eles logo vão embora”, em troca de uma atitude altiva de denúncia de destruição de critérios básicos. A impessoalidade por exemplo.
A Receita não pode escolher processos para “apressar”.
No caso da Petrobras, a nota inicial da Receita foi clara: a empresa podia mudar o regime contábil desde que isso fosse feito previamente, e não a posteriori. O entendimento foi mudado sob encomenda.
Agora, as outras empresas estão usando essa mudança dos critérios da Receita para ter crédito tributário.
Na época da nota da Receita, que se seguiu à publicação sobre a mudança contábil da Petrobras no jornal O GLOBO, a imprensa registrou que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ficou irritado por saber pelos jornais, já que é do conselho de administração da empresa.
Espero sinceramente que os jornais tenham errado porque essa reação mostra um conflito de interesse. Uma empresa não pode ter privilégios fiscais e tributários porque o ministro que chefia a Receita faz também parte do seu conselho.
O desmonte de vários órgãos através do aparelhamento é sério, é perigoso. Já o caso do conflito Lina versus Dilma é patético. Um Palácio do Planalto que apaga fitas de visitantes, uma Casa Civil que embaralha compromissos na agenda da ministra, um governo que persegue uma exchefe de gabinete da ex-secretária da Receita está, por atos, confessando o que tenta desmentir por palavras.
Fico muito triste e revoltado quando amigos esclarecidos caem na esparrela deste Governo. Caíam na esparrela do PT ser um partido ético, caem na esparrela do Lula bonzinho que foi dominado pela máquina, e acreditam que tudo antes era pior, contra todas as evidências. É aquele pessoal que quer um mundo melhor, que acredita que Chavez quer propor mesmo uma nova lógica mundial, que Cuba é pobre por causa do embargo americano e que as grandes corporações são o mal do mundo.
Uma das coisas que mais me impressionou quando criança foi quando me disseram que o diabo, se viesse ao mundo, não viria com cara de diabo. Provavelmente viria com cara de criança. A partir daí comecei a desconfiar do que vejo, do óbvio, do consenso. O diabo não falaria o que voce precisa ouvir, mas o que voce QUER ouvir. Voce quer ouvir que o homem é bom? Nem Jesus disse isso, mas o diabo diz se voce quiser. Voce quer ouvir que o Capitalismo é o mal do mundo? Tem muita gente pra lhe dizer isso. Pouca gente no entanto vai enfrentar o risco da impopularidade pra lhe dizer a verdade.
Vou escrever um livro pregando uma nova ordem mundial, pregando a fraternidade e a solidariedade humana. Direi que o Capitalismo corrompe o cidadão e que devemos estabelecer uma nova lógica nas trocas comerciais (eu conheço bem a terminologia a ser empregada). Meu livro será um sucesso, espalhando que a pobreza é fruto da ganancia dos países ricos, do Consenso de Washington, do liberalismo economico. Tem muita gente querendo ler isso, entende? Se eu fosse o diabo, era um livro assim que eu escreveria.
Difícil seria dizer a verdade. Difícil seria explicar que a história humana é complexa e que todo o homem é capaz tanto do bem quanto do mal. Difícil seria convencer que o capital permitiu o homem sair da idade da pedra, e que resolver os problemas deste milênio nada tem a ver com ditaduras e totalitarismos. Enfim, dizer a verdade implicaria em uma longa jornada pela história dos países, pela natureza de seus governantes, pelas decisões tomadas no passado que refletem no hoje. Mas a sedução diabólica sabe que horas de estudo não são uma boa estratégia. Os slogans curtos e fáceis são melhores para angariar os inocentes.
Veja abaixo o texto do Sardenberg, que mostra o método dessa gente. Gente que quer o atraso, para faturar com ele. Gente que não toma UMA medida impopular, pois não quer parar de seduzir. Isso não é governar, isso é diabólico.
Agit-prop
Carlos Alberto Sardenberg
Alguns dizem que é só a intuição do presidente Lula. Mas, além disso, certamente há uma ciência da propaganda nas ações do governo. Tome-se o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) 2, a ser lançado em 2010, em pleno período eleitoral. Críticos já dizem: Como lançar o 2 se o PAC 1 está enrolado em burocracias, projetos duvidosos, contas erradas e problemas com a legislação ambiental? (Sim, sabemos que, de tempos em tempos, a ministra Dilma faz um balanço para mostrar que as obras vão bem. Mas só anda o que andaria de qualquer modo e frequentemente fora de prazo. Não parece, porque o governo espicha os cronogramas quando não consegue cumpri-los.) Ainda assim, o PAC 1 é de longuíssimo prazo. Para que, então, uma segunda versão?
Por isso mesmo. É uma estratégia de propaganda política ou do que antigamente se chamava agitação e propaganda. A base é a seguinte: muita atividade vale mais que a realização. São coisas bem diferentes. Atividade é o que fazem Lula e Dilma. Viajam muito para tudo quanto é lado, inauguram várias vezes a mesma coisa (o lançamento do projeto, a pedra fundamental, o primeiro trator da terraplenagem, o canteiro de obras nos dois lados da ponte ou dos trilhos ou da estrada, não importa o estágio em que estejam). A refinaria de petróleo de Pernambuco, por exemplo, está enrolada com problemas de superfaturamento e dificuldades na associação entre a Petrobrás e a venezuelana PDVSA, mas já deu uns dez eventos para o presidente, a ministra, mais o Chávez.
Também integra esse ativismo o lançamento de muitos planos, um atrás do outro. O projeto do trem-bala, por exemplo. Era Rio-São Paulo, mas estava enrolado? Pois agora é Rio-São Paulo-Campinas. Custava uns R$ 15 bilhões, já deve ter dobrado.
E aí entra o PAC 2. Nesse ritmo, nem se checou o passado e já há novos anúncios na praça.
Eis o ponto: muita atividade, não importa a eficácia. Tome-se o petróleo. O presidente Lula já se banhou no óleo em dois grandes eventos, para celebrar a autonomia brasileira na produção e o pré-sal. O Brasil ainda importa mais óleo e combustíveis do que exporta e o pré-sal, com modelo atrasado em mais de ano, está longe da exploração comercial em escala razoável. E daí?
Outro ponto é a maciça propaganda, que depende, na partida, da escolha de bons nomes e slogans. O PAC não é um programa propriamente dito, mas a reunião, sob um nome comum, de projetos que estavam ou estariam ocorrendo de qualquer modo. Hidrelétricas que estão planejadas há anos, estradas, etc., são empacotadas no PAC, mas não ganham com isso um procedimento diferente. Analistas já sugeriram, por exemplo, que obras do PAC tivessem um regime especial de licenciamento ambiental, mais rápido, numa única instância, ou um sistema de financiamento especial. Mas não, é só o pacote. E até o pessoal descobrir que a maior parte é jogo de cena, a popularidade de Lula já foi lá em cima e a eleição já passou.
Claro que o Bolsa-Família não é enganação. Aliás, é o programa de maior eficácia do presidente Lula, nos dois sentidos: distribui renda aos mais pobres e votos para o presidente e, espera ele, seus aliados. Mas mesmo o Bolsa-Família está no esquema do ativismo. Tem sempre uma novidade, troca de cartões, ampliação do universo de beneficiados, reajuste forte. O tema interessa ao governo porque atordoa uma oposição já desnorteada. Qualquer restrição que a oposição venha a fazer já serve para carimbá-la como elites ricas que não ligam para os pobres.
E assim vai: bons slogans, um plano atrás do outro, muitas viagens, eventos e discursos martelando as mensagens. E escondendo tudo o que não interessa. Outro dia o Plano Real completou 15 anos e o governo não deu um pio, embora tenha sido o grande beneficiário dele. Mas Lula ainda não conseguiu se apropriar do real. Está quase. Já é o dono da inflação controlada.
Estado assistencial – O Bolsa-Família deve chegar ao final do ano atendendo 12,5 milhões de famílias. Considerando quatro pessoas por família, serão 50 milhões de pessoas dependendo direta e exclusivamente, na maioria dos casos, do dinheiro do governo. Trata-se de 30% da população nacional.
Esse tipo de programa, em tese, teria prazo limitado. A assistência seria concedida enquanto os membros da família não encontram empregos que lhes permitam uma vida digna. Ora, a geração de empregos depende do crescimento econômico.
Ocorre que a economia nacional, nas atuais circunstâncias, dificilmente será dinâmica. Há uma opção pelo Estado assistencial, não pelo Estado investidor.
Considerados os programas sociais, aqueles pelos quais o governo faz pagamento direto a pessoas, incluindo aí as aposentadorias rurais e a política de reajuste real do salário mínimo, chegaremos perto de 50% da população dependendo do dinheiro do Estado. Mesmo sendo justiça social, não sai de graça. O governo precisa recolher muitos impostos para pagar tudo isso. Sobra pouco para investimentos.
Pode-se dizer que a renda distribuída cria um mercado interno, que vai estimular a produção de bens. Com o setor privado investindo para produzir tais bens, a coisa se fecharia.
Fecharia? Começa que pesada carga tributária incide sobre os investimentos e retira competitividade das empresas. E não há um ambiente de negócios favorável. A carga tributária não há como resolver. Na medida em que os programas sociais se ampliam e se tornam perenes – isso junto com a expansão de todos os demais gastos públicos -, não há como o governo deixar de recolher impostos. Mas uma grande reforma para melhorar a vida de quem quer fazer negócios e empreender já ajudaria muito.
De todo modo, com esse modelo, o Brasil não cresce mais 5% nos anos bons. Sobra pouco dinheiro para investimentos. É o contrário da China, que tem quase nada de assistência social e tudo de investimentos. A situação dos chineses hoje é pior, mas eles ganham renda mais rapidamente todos os anos.
(O Estado de S. Paulo – 03/08/2009)
Uma janela para a sociedade iraniana e para os eventos das últimas semanas. Quando encontro textos bons assim, não resisto e copio aqui.
O Irã que Lula não vê
Autor(es): Cyrus Irani
Valor Econômico – 10/07/2009
O reconhecimento imediato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de Mahmoud Ahmadinejad como presidente reeleito do Irã, a declaração de “não haver evidências de fraude” no processo eleitoral e os repetidos convites para o presidente iraniano visitar o Brasil vêm criando desconforto entre alguns iranianos. Será essa demonstração de apoio um caso de compreensão muito equivocada do que é o Irã e da política iraniana, uma exibição inflexível e mal-conduzida de solidariedade terceiro-mundista, ou um caso de interesse comercial que se opõe à justiça e à democracia? O presidente Lula surgiu como líder sindical sob uma ditadura militar, e deveria ter uma sensibilidade maior para as atuais realidades de um movimento democrático que está renascendo.
Antes de olhar para os resultados , é preciso decifrar o sistema político da República Islâmica. O regime foi caracterizado, após a revolução de 1979, de forma a criar uma república que concedeu poder absoluto ao aiatolá Khomeini. É seu fundamento o conceito de “velayat faqih”, líder religioso e político não eleito que tem a palavra final sobre a maioria dos aspectos da vida executiva, judiciária, militar e parlamentar, incluindo a nomeação e supervisão dos conselhos que examinam os candidatos quanto ao seu comprometimento com o regime. Também supervisiona as eleições e confirma os candidatos eleitos.
Khamenei, “velayat faqih” desde a morte de Khomeini: chefe religioso e político, não eleito, tem a palavra final na maioria das questões de governo, judiciais, militares e parlamentares. É como se o papa tivesse poderes políticos, religiosos, judiciários e militares, e nomeasse pessoas de sua confiança como sábios que iriam destruir as liberdades e os processos judiciários. Sob a cobertura do Islã, uma variedade de teocracia foi instalada para servir aos pequenos grupos de interesses pós-revolucionários. Mas por que se preocupar com eleições, se um homem toma a decisão final? O destruidor do reinado déspota de Reza Pahlavi reconheceu a necessidade de ganhar legitimidade popular regular através das eleições presidenciais e parlamentares.
Mas, mesmo na gênese do regime, os resultados das eleições nem sempre foram respeitados – o primeiro presidente, Bani-Sadr, foi deposto por Khomeini por ter uma mentalidade muito independente. O cenário político atual é composto de três facções. Há os radicais, representados por Khamenei, velayat faqih desde a morte de Khomeini em 1989, os guardas revolucionários, o judiciário, baseado nas leis islâmicas, toda a mídia governamental e o executivo desde a eleição de Ahmadinejad; os conservadores, que são os clérigos e facções socialmente conservadoras, comandadas por Hachemi Rafsanjani; e os reformistas, que têm como principal representante Mohammad Khatami.
Entre os radicais, predominam os guardas revolucionários, que participaram ativamente da guerra do Irã contra o Iraque entre 1980 e 1988. Representam uma geração mais nova, que frequentemente se opõe aos velhos guardas revolucionários. Seu líder é Ahmadinejad (ele próprio um ex-integrante das milícias “basiji”).
A história dos 30 anos da República Islâmica está cheia de períodos em que dissidentes e oposicionistas foram presos, torturados e assassinados, e a elite política está convencida de que sua sobrevivência justifica todos os meios repressivos. Essa mesma elite tem sido incompetente na gestão da economia. Durante os quatro anos do governo Ahmadinejad, US$ 250 bilhões em receitas obtidas com o petróleo transformaram-se em uma inflação de 30% e uma taxa de desemprego de 15% a 30% (não há estatísticas confiáveis disponíveis). Oitenta por cento da economia estão nas mãos do governo e 90% das exportações vêm do petróleo (60% do orçamento do governo).
E há o alto nivel de corrupção, outro motivo pelo qual a elite é tão apegada ao poder, o que lhe dá licença para tratar mal a riqueza nacional, alimentando monopólios camaradas. Enquanto isso, uma parcela das receitas do petróleo é distribuída via subsídios e salários para grande parcela da população, como forma de garantir sua lealdade. O problema do Irã é a maldição que recai sobre a maioria das economias dependentes do petróleo. A incompetência não está sendo punida por um colapso econômico, não há necessidade de criar legitimidade para se recolher impostos e administrar bem o país.
A análise do presidente Lula de que “não há evidências de fraude” deriva da grande porcentagem de votos supostamente a favor de Ahmadinejad (63%). Se tivesse havido fraude, teria que ser algo organizado em grande escala. Esse modo de ver não reconhece a incompetência de alguns elementos do regime ou o desrespeito à vontade das pessoas.
Para entender como tudo começou, é preciso voltar a 1997, com a eleição de Khatami, o primeiro presidente reformista. Ele é um clérigo de maneiras gentis, que surpreendeu a todos ao ser eleito com 70% dos votos em um pleito que teve a participação maciça da população. Os radicais foram pegos de surpresa.
Quatro anos depois, Khatami foi reeleito, com 78% dos votos, e continua sendo um político popular. Cada mudança proposta por seu governo ou pelo parlamento, dominado pelos reformistas, encontrou oposição nos radicais, com vetos sistemáticos pelos diferentes conselhos não eleitos, que impediram, por exemplo, a passagem de uma nova lei sobre liberdade de imprensa, ou através do judiciário, com o fechamento de jornais e prisão de reformistas.
Nesse jogo de gato e rato, os radicais, tendo sempre a última palavra, ficavam sempre em vantagem e passaram a ser vistos pelos iranianos como inúteis. Tendo aprendido as lições, o Conselho dos Guardiões, no comando das eleições, eliminou todos os candidatos parlamentares e presidenciais que representassem um risco, por temer o surgimento de representantes eleitos que não pudessem controlar.
Assim, o parlamento de 2004 foi eleito com baixa participação e apenas os conservadores e os radicais tiveram permissão para enfrentar o eleitorado. Nas eleições de 2005, com baixa participação dos eleitores, Ahmadinejad teve menos de 25% dos votos no primeiro turno, e um dos candidatos alegou que os militares fraudaram o pleito para levá-lo ao segundo turno. Ele então foi eleito na disputa contra Rafsanjani (duas vezes eleito), que é visto hoje como um velho revolucionário corrupto. A taxa de participação do povo nas eleições continuou baixa (54%), indicando que uma grande parcela do eleitorado perdeu as esperanças nas promessas de mudanças.
A geração do “baby-boom” pós-1979, aqueles que têm menos de 30 anos (que representam 60% da população, que passou de 38 milhões de habitantes em 1979 para 72 milhões em 2009) e a geração de seus pais, têm poucas exigências:
Melhores oportunidades econômicas e melhor administração do país: o desemprego e o subemprego são um problema muito grande, e sempre mais importante. O PIB do Irã caiu dez vezes nos últimos 30 anos, ao mesmo tempo em que a receita do petróleo tem sido enorme. A politização opressiva e o controle da economia pelo governo, a posição agressiva contra o conhecimento vindo de fora e os investimentos estrangeiros, e a falta de competência econômica são fatores desse fracasso contínuo.
Liberdade social, política e individual: os fanáticos radicais oprimem a juventude, especialmente as mulheres, que são obrigadas a usar o código de vestimenta islâmico, impedem o relacionamento entre homens e mulheres e eliminam a liberdade social e política.
Um Irã menos beligerante: as pessoas se ressentem do fato de que o dinheiro do país está sendo empregado no bem-estar e gastos militares com os xiitas libaneses, o Hamas na Faixa de Gaza e outras causas, enquanto a economia do país está em frangalhos. A retórica agressiva e até mesmo ofensiva de Ahmadinejad não é bem vista por grande parcela de iranianos.
Contra esse cenário, Khatami decidiu disputar as eleições de 2009. Os radicais e os conservadores fizeram um grande lobby de bastidores para tirá-lo da disputa, preferindo um reformista/conservador desconhecido, Mir-Hossein Moussavi, na esperança de vencer facilmente um oponente fraco. Alguns erros táticos, incluindo o primeiro debate entre candidatos transmitido pela televisão, eletrizaram o eleitorado nas duas últimas semanas antes das eleições, com comícios enormes do candidato reformista por todo o país. Houve uma convergência inegável por trás da “ideia de progresso e liberdade” nas semanas e dias que precederam as eleições, cuja existência não foi reconhecida pelo “establishment”.
A participação de 84% dos eleitores aponta para o fato de que todas as parcelas insatisfeitas da população apostaram nessa oportunidade para votar. A taxa de comparecimento às urnas, assim como o resultado provável, foi uma surpresa para o “establishment”, que precisava urgentemente de uma resposta irrevogável. Os 62,6% dos votos obtidos por Ahmadinejad foram analisados, sem o acesso direto de observadores independentes, e a provável troca de urnas. Mas é improvável que se encontrem elementos diretos que demonstrem ter havido fraude. É preciso, então, recorrer a análises estatísticas dos números dos dois turnos e também a comparações com o padrão de eleições anteriores, para ver se os números não são bons demais para ser verdadeiros.
O professor Ali Ansari, da St. Andrews University, fez uma análise estatística inicial, que indica a probabilidade muito grande de ter havido fraude, para impedir que Moussavi vencesse no primeiro turno, ou mesmo para que não conseguisse votos suficientes para disputar o segundo turno com Ahmadinejad. As mudanças brutas dos números em favor de Ahmadinejad certamente escondem o fato de que os radicais não esperavam o resultado e se engajaram para preparar o que está agora sendo chamado de “golpe brando” contra o campo reformista.
Mais do que nunca, outra interpretação das eleições é que os votos não foram unicamente a favor de um candidato contra outro, e sim um voto de protesto contra o atraso da economia, a política externa equivocada e a falta de liberdade social e política.
O levante popular após as eleições e a previsível repressão sangrenta pela Basiji (milícia) e a polícia correram o mundo. Esta fase é agora lembrada pelo rosto de uma jovem chamada Neda. Mas os números são ainda mais assustadores, de algumas centenas de mortos nos protestos de rua comparadas à contagem oficial de apenas 20 mortos. Além disso, milhares foram presos, estão sendo torturados e provavelmente alguns morrerão sob tortura ou executados.
Enquanto isso, os radicais invocam, como sempre fazem quando se sentem ameaçados, supostas tramas externas, para pintar o descontentamento público como sendo organizado pelo Reino Unido e os Estados Unidos. Ao invocar tal intervencionismo estrangeiro, eles querem apelar para a lógica da grandeza iraniana do passado e para o nacionalismo, e servem-se das queixas contra a interferência semicolonial não tão antiga no país. O que não veem é que é impossível acreditar nessas alegações fantasiosas.
O Irã não é o primeiro regime tirânico a oprimir seu próprio povo. A falta de partidos públicos, de uma oposição de credibilidade e de veículos para o povo se organizar garantem que o regime preserve seu poder. Portanto, as perspectivas de curto prazo parecem ruins. A esperança será enterrada, os que foram presos serão torturados e mortos e uma geração se tornará passiva e desiludida. O regime perderá legitimidade diante dos olhos de seu próprio povo. Ficará mais isolado no cenário internacional; com a abertura para a Europa e a tentativa de diálogo com o presidente Barack Obama adiados para um estágio posterior.
A incompetência e corrupção do regime também garantirão que a vida continuará tão miserável quanto antes. Mas o Irã possui algumas condições únicas, que poderão proporcionar esperanças no longo prazo: uma população jovem e relativamente educada, consciente do subdesenvolvimento de que tem sido vítima, uma grande diáspora que mantém seus laços com o país, uma classe média que é grande, e um apetite por acesso à informação que torna impossível mentir em grande escala para os iranianos (como acontece com os norte-coreanos). É também nossa responsabilidade moral mostrar a verdade.
Portanto, eu diria ao presidente Lula que, no auge da represssão do regime militar brasileiro, os brasileiros sentiram o mesmo desespero e ficariam consternados se outro país aplaudisse com tanto entusiasmo um regime tirânico e falido. Não somos diferentes em nossas aspirações e esperamos que o presidente Lula fique, afinal, do lado certo da história.
Este artigo é assinado sob pseudônimo, para preservar a identidade do autor, iraniano que vive em Londres, onde é CEO de uma empresa de software
Artigo muito bom, que eu gostaria de ter escrito, e que deveria ser distribuído nas escolas…
Capitalismo + urna
Folha de S. Paulo – 08/07/2009
FREQUENTEMENTE as pessoas tendem a juntar um ideal utópico generoso à ingenuidade de que poderiam facilmente realizá-lo, desde que houvesse “vontade política”. Não é raro se atribuir ao que confusamente se chama de “capitalismo” a essência dos males sociais e a corrupção do homem. Em lugar da competição desenfreada e do egoísmo exacerbado produzido pela forma de organização social que se chama de capitalismo, poderíamos apenas, com uma adequada, poderosa, inteligente e misteriosa “vontade política”, substituí-la.
Nesta, a convivência entre os homens seria harmônica e cada um poderia realizar livremente suas potencialidades. Na falta de um nome melhor e também confusamente, ela é chamada de “socialismo”. Constroem-se, assim, dois conceitos platônicos opostos, igualmente confusos: “capitalismo” e “socialismo”. Por construção, o primeiro é a essência do mal, e o segundo, a essência do bem…
O fundamento dessa crença é um axioma duvidoso: a cooperação e o altruísmo são as tendências naturais do homem quando não corrompido pelo capitalismo. O problema é que este não é uma coisa, mas um processo. É uma organização flexível (sempre provisória porque evolui), a que o homem chegou por uma seleção histórica “quase” natural para atender à sua eterna busca de uma forma de convivência compatível com a liberdade individual, mas que, ao mesmo tempo, tenha eficácia produtiva capaz de libertá-lo para gozá-la.
A história mostra que, cada vez que um fino cérebro peregrino “inventou” uma fórmula para apressar o processo, algum brutamontes empolgando a tal “vontade política” tentou implementá-la. As aventuras sempre terminaram na ineficácia produtiva e na subtração da liberdade, ou seja, no retrocesso histórico. O capitalismo, isto é, a forma de organização evolutiva do sistema produtivo vigente, só pode existir com um Estado constitucionalmente forte, que garanta a propriedade privada, a apropriação dos benefícios da atividade individual, o cumprimento dos contratos e o funcionamento dos mercados.
Quando ele é combinado com um regime político competitivo, que garante (realmente) a livre manifestação da vontade dos indivíduos com o sufrágio universal periódico, acelera-se a sua evolução na direção correta. O “capitalismo” e a “urna” são os polos de uma dialética que parece ser capaz de construir uma organização social que acompanhe, assintóticamente, as aspirações sempre crescentes do homem.
PARABÉNS, DIPLOMATA RAFAEL!!
Estou muito feliz, brother. A perseverança foi recompensada!
Abraço!
E viva o progressismo dessa gente! Fazendo a alegria de toda e qualquer ditadura mundo afora!
Brasil protege países que violam direitos humanos, diz ONG
Para Human Rights Watch, Brasil usa voto para proteger violadores.
Na ONU, Lula defendeu o diálogo para que direitos sejam respeitados.
Do G1, com informações do Jornal da Globo
Na ONU, em Genebra, o presidente Lula defendeu o diálogo como a melhor maneira de fazer com que os direitos humanos sejam respeitados. “Os países do conselho deveriam procurar o diálogo e não impor o caminho para proteger os direitos humanos. O exemplo é a melhor maneira de persuadir”, disse.
Mas, de acordo com ONGs de defesa dos direitos humanos, o exemplo que o Brasil tem dado nas reuniões do conselho da ONU é outro. Um relatório da respeitada ONU Human Rights Watch acusa o Brasil de usar seu voto para proteger países que violam os direitos humanos.
Quarenta e sete países têm direito a voto no conselho a cada ano, um terço deles é renovado.
No atual conselho, por exemplo, os Estados Unidos estão fora. Já França e Alemanha estão presentes.
Posições polêmicas
Quando o Conselho de Direitos Humanos da ONU se reuniu para condenar a Coreia do Norte por denúncias de tortura e trabalhos forçados para presos políticos, o Brasil se absteve. China, Rússia e Cuba, notariamente acusados de abusos contra seus cidadãos, votaram contra.
Mas a medida foi aprovada com 26 votos, entre eles os de Argentina, Japão e Inglaterra.
No caso do Sudão, destruído por uma guerra civil, o Brasil se absteve de novo quando o conselho propôs aumentar a presença de inspetores internacionais no país africano, desta vez junto com China e Rússia. A medida acabou derrotada por 22 votos a 12.
Diante dos crimes de guerra cometidos no Sri Lanka tanto pelo governo quanto pelos rebeldes que lutavam pelo poder o Brasil votou a favor de uma resolução que, segundo a Humans Rights Watch, não trazia nenhuma condenação ao massacre de civis.
O Brasil se alinhou à China, Cuba, Paquistão e Arábia Saudita. E ficou contra França, Reino Unido, Alemanha, Chile e México.
“Nós queríamos que o Brasil usasse sua influência regional para mostrar um exemplo mais positivo para a promoção e proteção dos direitos humanos. E, para fazer isso, o Brasil tem que acabar com essa ideia de que a situação de direitos humanos é uma questão interna porque não é. Nós queremos que o Brasil reconheça que por mais que diálogo seja importante, também haja necessidade de palavras mais forte e mais críticas contra quem viola os direitos humanos”, declara o diretor da Human Rights Watch, Iaian Levine.
O governo diz que não apoia nenhuma violação aos direitos humanos. E que o Itamaraty decidiu se abster na maioria das votações na ONU porque não considera eficiente dar atestado de mau comportamento a um país. Nas palavras de um integrante do governo, o melhor caminho é continuar negociando e não partir para o confronto. Para ele, uma sanção da ONU muitas vezes deixa o país isolado, aumenta o radicalismo interno e só piora a situação.
“Eu sei que há algumas restrições ao fato de o Brasil não assumir uma posição de ficar distribuindo certificados de bom comportamento ou de mau comportamento pelo mundo afora. Não é essa a tradição da política externa brasileira. Nós achamos que é muito mais importante uma ação de caráter positivo, que conduza o país a, b ou c a uma melhoria da situação interna a uma situação de caráter restritivo. Os bloqueios, as sanções econômicas, em geral, elas tem um efeito contrário”, diz o assessor especial da presidência, Marco Aurélio Garcia.
Na próxima semana, o conselho se reúne para discutir novamente a situação dos refugiados de Darfur, no Sudão. E o Brasil terá que decidir se é a favorável ou não à manutenção da presença de inspetores da ONU no país.
Tem muito policial ruim e corrupto no Brasil. Mas muitos, e diria a maioria, são pais de família trabalhando. Sabe o que eles tiveram que enfrentar quando foram na USP cumprir uma DECISÃO JUDICIAL? Veja abaixo:
Vou evitar desqualificar todo e qualquer movimento estudantil. Mas um bando de alunos costuma gerar uma multidão com a inteligência de uma ameba. Se fosse um bando de pessoas qualquer, a inteligência seria ainda menor. A massa costuma emburrecer os inteligentes e empolgar os celerados.
Viram o vídeo do post abaixo? Pois é, no Brasil os tanques são os chamados “movimentos populares”.
Se um bando de PMs fizesse o que esses bocós acabaram de fazer, qual voce acha que seria a reação da sociedade? O humanismo dessa gente serve só para alguns humanos…
Nojo!
Uma homenagem aos jovens que morreram tentando desfazer o que, em nome de uma ideologia, jovens menos espertos fizeram antes deles…
“É fácil montar num tigre. Difícil é desmontar dele.”
Li este ditado hoje e me peguei pensando como é importante validar os pensamentos, as idéias, no longo prazo. Tal coisa vale agora? Mas e depois? Faz-se uma revolucão socialista e a vida melhora – fica provado que o Socialismo funciona. Depois, quando toda a estrutura produzida pelo Capitalismo vai inexoravelmente pras cucuias (por fenômenos que não dá pra descrever rapidamente), não entende-se como é que tudo chegou onde chegou. Houve quem pensou: no Socialismo, a vida melhora! Houve quem disse: – Pelo menos ninguém morre de fome! Depois da melhora momentânea, vem o inexorável fracasso de quem não tem intimidade com análises de causa e efeito.
Um dos aspectos de longo prazo neste caso é que a fome, apesar de ser sim uma das necessidades mais imediatas do ser humano, está longe de ser a única. Os milhares de estudantes que protestavam em Tiananmen e que deram suas vidas por algo mais do que alimento são a prova que quem vive pra comer são as vacas. A ausência de famintos querendo embarcar para Cuba também grita que há algo errado com o argumento. Mas Luciano, se todo mundo come, está dada a condição para a felicidade. Sim, verdade. Desde que se consiga continuamente manter a população saciada e que se esteja preparado para suprir as outras necessidades básicas do ser humano (a liberdade entre elas). Mas vamos adiante.
Sou engenheiro e como tal não costumo refutar dados científicos. Camisinhas realmente evitam a transmissão do vírus da AIDS. Se quiser ficar 99% protegido (acho que não chega a 100%), use a dita cuja sempre. Recomendo! Mas como política estatal de combate à epidemia de HIV simplesmente não funciona. Como assim? Não acabei de dizer que é 99% eficaz? É... mas evitemos montar no tigre sem pensar no amanhã...
Ora, a distribuição de camisinha em escolas e ambientes públicos tem aumentado a sensação de segurança das pessoas e reduzido a idade de iniciação sexual de muitos jovens. E especialistas (não eu) apontam para o comportamento do jovem que, sentindo-se seguro, usa a camisinha QUASE sempre. Aí é que o caldo desanda.
Pra quem duvida, olhem a tuberculose, para ficar em só um exemplo. Remédios existem em qualquer farmácia, mas a sensação de melhora faz com que pacientes abandonem o tratamento. Até hoje ninguém conseguiu combater este fato. Se me perguntarem se o remédio para tuberculose funciona, eu respondo que sim. Já salvou muita gente? E como! Se me perguntarem então se devemos distribuir nas esquinas o remédio, respondo que é inócuo. Não é a falta do remédio o problema.
O paralelo com o HIV é óbvio. No Brasil tem professor levando pênis de borracha para ensinar às crianças como usar o preservativo. Um show de horror e o vírus agradece!
Olhar adiante. Pensar nos efeitos colaterais. Entender a cadeia de relações que cada atitude encerra. Enfim, entender que, mesmo fácil, talvez seja melhor não montar no tigre.
Está em curso uma tragédia humanitária de grandes proporções. No Paquistão, o conflito entre o Exército e o grupos radicais islâmicos (Talibãs, Al Qaeda, etc) já deixa 2 milhões e meio de refugiados e mil mortos.
Aos que gostam de posar de humanistas, progressistas e coisas “fashion” da mesma espécie, lembro que esses grupos estavam já a cem quilômetros da capital do país. País este que tem armas nucleares.
Mais um exemplo de como os milhares de dilemas que uma guerra – qualquer guerra – apresenta não aceitam maniqueísmos.
Eu acho inadimissível que radicais controlem armamento atômico. Assim como acho inadimissível que forcem pessoas a seguir esta ou aquela religião, usar véus pretos, e toda essa parafernália opressora. Mas também não dá pra ficar insensível a dois milhões e meio de refugiados. Numa época onde o mais parvo dos homens pratica a Realpolitik em nome de valores morais – numa contradição esmagadora – é preciso ser claro quanto a que mundo se quer.
As revoluções e grupos ideológicos se perpetuam porque seu objetivo de mundo é etéreo como uma névoa grossa. Todos acreditam que lá dentro da nuvem existe algo melhor. Quando são bem sucedidos, chegando ao poder e tendo que colocar no papel o que querem, começam a ver que cada um tem uma idéia diferente do que o mundo deve ser. Aï começa o fracasso inerente a qualquer revolução.
Então aconselho menos revolução, menos progressismo, menos “luta por um mundo melhor” e um pouco mais de realismo. No caso do Af-Paq (Afeganistão e Paquistão), que é como o assunto tem sido chamado, quem não sabe muito bem que mundo quer acaba ficando perdido. Por mais que eu considere a causa Palestina, o problema do Af-Paq tem dimensões maiores. Assim como teve Ruanda, mas já falei disso aqui. Um conselho: fujam das questões onde as torcidas se posicionam muito facilmente. Normalmente os dois lados estão errados.
Raramente as verdadeiras questões são de fácil compreensão das torcidas…