Sir Paul McCartney

July 24, 2008

Tenho evitado escrever aqui textos mais pessoais, como fazia antes, pois acho que é melhor, no momento, aproveitar a audiência para tentar abrir os olhos de meus compatriotas. Mas abro hoje uma exceção: preciso contar para vocês que fui a um show do Paul McCartney. Quem me conhece sabe que eu sempre fui seu fã, mas era como se ele fosse um personagem da história, ou talvez de um filme. Nunca imaginei vê-lo pessoalmente. E foi incrível.
Fiquei ali, cantando músicas que amo, junto com 199.999 pessoas. É como se, por um momento, pudesse estar dentro dos documentários que vi, dos clipes, dos shows em preto e branco. E teve tudo: Eleanor Rigby, Lady Madona, Hey Jude, Yesterday, Black Bird… Enquanto olhava vidrado, pensava nos muitos anos escutando aquelas músicas em discos de vinil, fitas K7. Lembrei dos meus amigos que durante a adolescência compartilharam esse gosto comigo, e que eu queria estivessem ali. Pensei na minha irmã menor, uma fã ainda mais tardia que eu. Pensei enfim em como a vida é surpreendente, para quem tem os olhos abertos.

Pra completar, o show foi de graça, num parque em Quebec para celebrar os 400 anos da cidade.

O Óbvio

July 17, 2008

Pra livrar sua cara e posar de bom moço, Lula mandou apresentar a gravação da reunião onde o Delegado Protógenes “pediria pra sair” do caso Daniel Dantas. Que piada!! A PF, primeiro disse que não mostraria. Agora, divulgou três minutos de uma reunnião de três horas na qual, pra variar, não aparece em trecho nenhum o tal pedido do Delegado.

Óbvio, só os eleitores de Lula acreditaram no conto da carochinha. Qualquer um sabia que o pedido não existiu.

E antes que Lulistas venham dizer que Daniel Dantas também tinha envolvimentos ilícitos com o governo FHC, adianto: - não escolho bandidos pela coloração ideológica. Isso é coisa de esquerdistas. Bandido é bandido e pronto. Isso inclui quem manda afastar delegados de polícia por debaixo dos panos.

Faça sua escolha: Corrupto ou Incompetente?

Lula é esperto. O delegado Protógenes fez uma peça desastrada que ameaça, pela lambança, membros do governo próximos a Lula (como sempre…) e por isso foi afastado. Pelo Lula, óbvio. E para isso deram a desculpa que ele tinha que fazer um curso sei lá aonde. Como o delegado vazou para a imprensa que tinha sido obrigado a se afastar, vem o nosso sindicalista presidente dizer que é um absurdo que o delegado se afaste, que ele tem que ficar, etc. E, apesar de Lula ser presidente, aposto que o delegado não fica. Pra não passar por corrupto, Lula sempre prefere passar por incompetente. E isso ele sabe fazer bem…

Ah Lula, conta aqui pro meu bonequinho, conta!

E você? Não sabe do que eu estou falando? Então vai se informar vai!

Generalizações

July 15, 2008

Generalizações sempre trazem consigo, por definição, imperfeições quando aplicadas ao caso particular. E nada há de mal nisso, desde que o usuário da mesma não se esqueça nunca dessa regra. Trata-se de uma ferramenta, perfeita para algumas aplicações, e inútil em outras, como o seriam martelos para apertar parafusos. Eu, por exemplo, gosto de generalizar. Acredito mesmo que dá pra conhecer melhor o mundo a nossa volta quando simplificamos certas realidades ao que é mais comum. Engenheiros são metódicos, advogados gostam de ler, médicos são vaidosos… Gaúchos fazem bom churrasco e japoneses, um bom sushi. Assim, quando quisermos um bom churrasco, evite as churrascarias com nome japones.
O problema é que, com certeza, existem gaúchos que não têm a menor intimidade com o carvão. E é nesse ponto que é importante saber o que é uma generalização. Pessoas ignorantes as tomam como verdades. Desconhecem a margem de erro inerente e não entendem que o caso particular geralmente não é igual ao enunciado geral. Ás vezes nunca é. O famoso “rótulo”, que as pessoas tanto detestam, nada mais é do que a generalização aplicada ao caso particular. “Toda modelo é fútil” é uma generalização, que pode não ser verdade quando olhamos para uma modelo em particular. Chamá-la de fútil seria um rótulo injusto, uma utilização equivocada de uma generalização.
Quando calculamos a posição de um elétron na órbita de um átomo, procuramos o lugar com a maior probabilidade dele estar. Isso é muito útil para a ciência. Mas o elétron não está naquele lugar específico e afirmá-lo não é nunca expressão da verdade.
Portanto, fuja daqueles que usam generalizações como enunciados precisos da realidade. Antes de serem pessoas ingênuas, estes acreditam em um mundo uniforme e carregam em si a semente da injustiça e do autoritarismo. Procure aqueles que as usam como pistas para encontrar a posição real de cada coisa individualmente no universo.

Republiqueta tropical

July 5, 2008

E lá vamos nós…

É isso mesmo: se só tem no Brasil e não é jaboticaba, não presta… já dizia Paulo Francis. Uma lei que diz que o cara não pode beber nem uma pequena taça de vinho antes de dirigir só podia vir da terra da hipocrisia mesmo. Podemos proibir o palavrão também, pois os palavrões sempre estão presentes nas brigas. Proibindo-se os palavrões, acabam-se as brigas! E que tal proibir o sexo? Ora, além de propagar a AIDS e outras doenças, pra alguns dá vontade de fumar. E fumar, voces sabem, dá câncer. Sexo faz mal e não sei como o Lula não percebeu isso antes!
Podemos proibir as propagandas dos produtos que engordam, dos que causam acidentes, dos que viciam, dos que poluem, dos que podem fazer mal, dos que são transgênicos. Finalmente teremos a TV estatal e suas propagandas de… alface!

Ora, mas a lei vai acabar com os motoristas bêbados no transito, po!! Vai vai… Só se voce me disser como é que um obeso que não conseguiu emagrecer um quilo em uma semana, vai agora se propor a perder cinco.

A audácia dos objetivos não melhora os resultados. É fato.

“Republica Brazilis e Coronel Lula: Exportando bananas para o mundo.”

Pode ser que ele esteja maluco

June 23, 2008

Este texto do Ubaldo veio no Estadão do último domingo. Está sendo bastante comentado, e como adorei o texto, divulgo aqui.

Pode ser que ele esteja maluco
João Ubaldo Ribeiro

Sei que, para os lulistas religiosos, a ressalva preliminar que vou fazer não adiantará nada. Pode ser até tida na conta de insulto ou deboche, entre as inúmeras blasfêmias que eles acham que eu cometo, sempre que exponho alguma restrição ao presidente da República. Mas tenho que fazê-la, por ser necessária, além de categoricamente sincera. Ao sugerir, como logo adiante, que ele não está regulando bem do juízo, ajo com todo o respeito. Dizer que alguém está maluco, principalmente alguém tido como sagrado, pode ser visto até como insulto, difamação ou blasfêmia mesmo. Mas não é este o caso aqui. Pelo menos não é minha intenção. É que às vezes me acomete com tal força a percepção de que ele está, como se diz na minha terra, perturbado da idéia que não posso deixar de veiculá-la. É apenas, digamos assim, uma espécie de diagnóstico leigo, a que todo mundo, especialmente pessoas de vida pública, está sujeito.

Além disso, creio que não sou o único a pensar assim. É freqüente que ouça a mesma opinião, veiculada nas áreas mais diversas, por pessoas também diversas. O que mais ocorre é ter-se uma certa dúvida sobre a vinculação dele com a realidade. Muitas vezes - quase sempre até -, parece que, quando ele fala “neste país”, está se referindo a outro, que só existe na cabeça dele. Há alguns dias mesmo, se não me engano e, se me engano, peço desculpas, ele insinuou ou disse claramente que o Brasil está, é ou está se tornando um paraíso. Fez também a nunca assaz lembrada observação de que nosso sistema de saúde já atingiu, ou atingirá em breve, a perfeição, até porque está ao alcance de qualquer cidadão, pela primeira vez na História deste país, ter absolutamente o mesmo tratamento médico que o presidente da República.
(more…)

Xiiiii….

June 20, 2008

Ouvi no rádio hoje que o Canadá planeja investir 500 bilhões de dólares reequipando suas forças armadas nos próximos 12 anos. E aí me pergunto: onde isso vai parar. Já sabemos que o Brasil aumentou seu orçamento militar e que outros países fizeram o mesmo. Venezuela, Chile, Japão… Li em algum lugar que os gastos mundiais com forças armadas cresceu perto de 25% no último ano.
Acredito que, com exceção das armas nucleares, armamento comprado mais dia menos dia é utilizado. Misture-se a isso escassez de energia, de alimentos, de água, e tempere com o crescente populismo dos governantes, aproximando a esquerda da extrema direita e… vai dar m…!!!

P.S.: Se não estiver convencido do risco, pode juntar na fervura algum fanatismo religioso também, pra ficar mais “calmo” o cenário.

Thai Food…

Ainda lembro quando eu estava na escola, na década de oitenta, ouvindo minha professora discorrer sobre como os EUA dominavam o mundo através da Coca-Cola. Coitada. Sua visão de mundo não era muito mais complexa do que a que ela tentava nos ensinar - também me ensinava que a Guerra do Paraguai foi ordenada pela Inglaterra. Felizmente, lendo muito, consegui me desvencilhar de alguns destes paradigmas esquerdóides. E hoje, aqui na América do Norte, vejo muitas cadeias de Fast Food de comida libanesa, tailandesa, koreana, etc. O que ela diria agora? Que o mundo está dando o troco nos EUA? Ora, a Coca-Cola nada mais foi do que a ponta de lança da globalização. Na época, ninguém conseguiria entender o que estava por vir. Assim é o mundo: muda sem pedir licensa nem para nossas teorias.

Lá e cá, quanta diferença…

June 8, 2008

Assisti ontem pela televisão o discurso de encerramento da campanha de Hillary Clinton onde ela declara apoio ao Sen. Barack Obama, seu adversário nas prévias Democratas. Hillary está obrigada a ser atuante na campanha de Obama, sob pena de ser acusada de responsável por uma eventual derrota do partido. Por outro lado, Hillary gostaria que esse último cenário se concretizasse, pavimentando sua candidatura em 2012. Ainda assim, ela fez o que se esperava dela, jogando pelo time. Veremos se seus eleitores vão aceitar o dilema, ou se vão debandar para o lado Republicano.
Enquanto isso no Brasil, onde os discursos são uma ofensa à inteligência, alianças não seguem critérios confessáveis, ética e honestidade são apenas verbetes de dicionário, vemos mais um escândalo estourar. Já disse antes, se fosse no Japão, o Presidente já tinha se matado. Mas no Brasil? Ora, o que importa se o amigo do Lula usa sua amizade e influência para faturar uns milhões a mais para si mesmo e para a campanha de reeleição do apedeuta? Tudo certo, mano! O bom é o Lula, o Presidente do povo!! Pra quem não está acompanhando, faço um resumos dos fatos mais ou menos assim:
- A Varig tem mais de 7 bilhoes de reais em dívidas;
- É vendida por uma ninharia.
- O grupo contrata os ‘”serviços” de Roberto Teixeira, advogado cujo grande destaque na vida é ser amigo íntimo de Lula
- Repentinamente a Varig é dividida e as dívidas ficam pra Velhinha de Bagé: a empresa volta a valer uma fortuna. (bom negócio, diria meu avô)
- A Tam oferece 738 milhões pela empresa.
- Quem leva é a Gol, pela bagatela de 320 milhões.

Todos ficam felizes não é mesmo? Já se sabe que a Casa Civil pressionou pela venda da Varig para a Gol e provavelmente deve haver um motivo forte para se recusar uma oferta de 738 milhoes e aceitar uma de 320… O que parece? Um grande conchavo para arrecadar recursos não contabilizados para a campanha da reeleição. Bom, pelo menos foi tudo dinheiro privado não é mesmo? Ah é? E os 7 bilhoes, quem você acha que vai pagar? Lula reserva o dele e você, caro contribuinte, entra com o fiofó.

Abaixo fiz um esquema para facilitar o trabalho dos esquerdóides em criar desculpas esfarrapadas. Basta marcar com um “X” na que você preferir:

__ Isso tudo é invenção da imprensa golpista, que não aceita um operário no Poder.
__ No Governo do PT a sujeira aparece porque o Lula manda apurar!
__ Qual é o problema? Todo mundo faz isso!
__ O capitalismo é assim, tem que botar a mão na m….!
__ O Roberto Teixeira é um aloprado!
__ O PSDB hipnotizou o Lula!
__ O Dem pagou mais para o Roberto Teixeira, para ele fazer uma negociata e incriminar o Lula!
__ “Eles” querem nos derrubá!!! Mas nóis num vamo saí, porque é o povo nu pudê!!!
__ Todas as respostas acima.

Brasil? Ora que piada…

Review de Marx

May 3, 2008

Um dos posts que coloquei aqui que teve maior repercussão foi um a respeito de Karl Marx. Leia o artigo aqui. Na época, eu não sabia sobre Marx mais do que qualquer estudante universitário esquerdóide - ou seja, muito pouco. Mas, diferentemente destes estudantes, não me contento com conhecer a realidade apenas através de alguns bordões repetidos até a exaustão. E das coisas que li, Edmund Wilson no livro “Rumo à Estação Finlandia”, foi quem descreveu mais a fundo a história do Socialismo europeu, e quem foi Karl Marx. Depois de ler a obra, reforço meu post anterior, e ainda afirmo que muitos socialistas, de ontem e de hoje (ainda existem, pasme!), usam a bandeira da igualdade para justificar sua raiva de um mundo que não é facilmente compreendido nem controlável. Quem se preocupa com a vida de uma criancinha mas convive com paredões? Quem acha que a liberdade é somente um detalhe? Há algo de terrivelmente autoritário em todo socialista Marxista.
Todo ser humano têm muito o que enfrentar, principalmente quando é jovem - medos, inseguranças, injustiças. É fácil personalizar o inimigo no Capitalismo, e escolher seus heróis entre tantos oferecidos. Ter uma bandeira, amigos lutando lado a lado contra o monstro. Sonhar. Pena que é o caminho errado.
Veja um dos comentários que recebi:

Simplesmente ridículo…um texto totalmente sem nexo q visa apenas os interesses dos porcos e alienados capitalistas…a inveja claramente vista por vcs em relação ao gênio Karl Marx é óbvia e até msm compreensivel pois um mestre dakeles ñ se compara a nenhum outro…vcs porcos capitalistas ñ são uns palhaços q ñ se inportam com os outros…

se forem homens deixarão esse comentário apareçer….

VIVA KARL MARX O MESTRE!!!

O que dizer? Bom, vou longe e afirmo que o autor dessa asneira é um indivíduo inseguro, fraco, que adotou a primeira doutrina que lhe apareceu, e que está contente com sua visão de mundo idiotizada. Marx tem seu lugar na história. Seus seguidores é que parecem não ter.

Yes, nos somos BBB-

Depois de todo o processo de mudança para o Canadá, aqui estou em tendo forças para voltar a escrever. Na verdade meu intestino ainda não se recuperou da viagem, e hoje rolou uma canja por aqui, de minha própria autoria. Ficou boa.

Assim que cheguei, o Brasil recebeu o Investment Grade, Ronaldo pisou na(s) bola(s), mais um sindicalista foi acusado de falcatrua (Paulinho) e me senti bem de estar longe. Aqui as pessoas ocupam-se da sua própria vida, do aquecimento global, da educação dos filhos. Aqui o Primeiro Ministro não é um retardado, não fala asneiras diariamente na TV, e honestidade é um dos princípios da vida pública. Coisas banais, de qualquer país não é mesmo? Não no nosso.

O Brasil piora, sim, a cada dia sua vida social. A comunidade se esfacela, em violência, trânsito e poluição. A corrupção grassa. Mas somos BBB-, who cares?

Agradecimento

April 16, 2008

PREMIO%2B11%2BDE%2BABRIL

Alguém uma vez disse que escrever é um ato de resistência. Resistir às tiranias, resistir às mediocridades, à própria acomodação. E eu, que escrevo tão pouco envolvido que estou em minha vida profissional, as vezes me surpreendo com a maravilha daqueles que perfazem ombro a ombro comigo nesta trincheira. O Blog da Santa, pelo qual tenho uma admiração profunda e uma inveja indisfarçável pela qualidade que possui, divulga o prêmio 11 de Abril, para aqueles blogs que se dedicam à luta pela democracia. Ela, a Santa, que recebeu o prêmio mais que merecidamente, indicou este meu “armazém” de pequenas notas para a mesma láurea.
Eu não conhecia este prêmio, e confesso que não tenho a menor pretensão de conquistá-lo. Mas ter a sensação súbita de que, de alguma forma, eu ajudo a defender a Democracia, me fez ganhar o dia, o mês, o ano! Escrevo por convicção às minhas crenças e pela esperança de fazer alguma diferença. Hoje, três anos de blog fizeram sentido. Obrigado Santa, agora ninguém me aguenta!

P.S.: Pelo que entendi, eu deveria indicar outros blogs que também têm prestado um bom serviço à causa democrática. Mas, tenho zapeado pouco por aí, e os blogs que leio já foram indicados. Pra tentar não quebrar o meme, vou pesquisar e depois coloco por aqui.

O PODER SICOFANTA

April 4, 2008

Por Roberto Romano

A vida dos outros (2006), filme sem sucesso no Brasil, ajuda o exame do escândalo causado pela Casa Civil, novamente a dois passos do Sr. Da Silva. A película narra o caso de um diretor teatral, contrário ao regime apodrecido e violento do Partido Comunista, na Alemanha “democrática”. O regime emprega policiais que espiam com meios ignóbeis. No apartamento de certo amigo do diretor espionado são instaladas escutas, sem o seu conhecimento. As conversas do círculo teatral passam aos ouvidos dos camaradas. Começam as metamorfoses na vida das pessoas. A primeira ocorre com o policial encarregado de bisbilhotar o teatrólogo. Ele percebe o horror do regime e de sua posição nele. Com gestos tímidos, o espião resgata sua humanidade, arruina o plano de corroer a vida íntima e pública do teatrólogo. No fim, o policial surge como cidadão comum, merecedor de respeito. Por enfrentar a máquina repressiva, o sicofanta vira gente. A segunda mudança ocorre na mulher do teatrólogo. Artista presa aos aplausos, ao ser pega por ajudar nas denúncias sobre os abusos do poder, delata o marido para continuar no palco. Valores éticos, artísticos, políticos são por ela abandonados em proveito da carreira. Mas ela morre na sarjeta, vitimada por uma correria, numa batida policial efetiva no apartamento do marido.

Existem filmes que enfocam as aporias de indivíduos e os dramas coletivos. Mefisto é um deles. Em A vida dos outros temos a mentira do regime, o qual funciona com dedo-durismo e espionagem. A cultura totalitária reúne os dois elementos. Os camaradas ou companheiros estalinistas e nazistas (e os congêneres liderados por Franco, Salazar, Mussolini, Vargas, Peron, ditadores militares da América do Sul e da Grécia no século 20) respiram com a vida dos outros. Para subir no partido e no Estado (os dois são o mesmo sob o tacão totalitário) o indivíduo sem escrúpulos (nas Escolas do Partido, nos movimentos da juventude, ele aprendeu que escrúpulos são preconceitos burgueses) espia adversários reais ou supostos do poder, camaradas e concorrentes, famílias alheias e a própria, disposto a prestar serviços “gloriosos” aos dirigentes, com o dedo apontado em riste. Para montar fichas alheias é preciso espionar com método.

Os processos de Moscou e a covardia de quem não resistiu ao nazi-fascismo, resultam da educação militante, cujo preceito é aniquilar valores “ultrapassados”, como o respeito pela vida alheia. O militante totalitário sabe que os outros não têm direito à vida própria, pois todas as vidas pertencem ao Partido, condutor da massa rumo ao Futuro, quando a comunidade será comandada por uma só idéia e vontade, impostas pelos dirigentes infalíveis. Na pedagogia totalitária, não basta moldar almas e mentes dos militantes segundo o modelo do Partido. O alvo é impor à sociedade inteira, se possível ao mundo, a forma e o conteúdo das doutrinas salvadoras. Pessoas devem ser tidas como páginas em branco, onde são aplicadas as imagens dos líderes. Ou então, devem ser vistas como página borrada de erros, a ser embranquecida pela tortura, exílio, perseguição, calúnia, injúria. Os informados sobre a Alemanha nazista e congêneres; a URSS e satélites; os partidos comunistas vários (leia-se o libelo Camaradas, de William Waack, nunca desmentido, que relata as vilanias internas do PC) sabem que “militante”, na maioria dos casos, é sinônimo de espião, policial, juiz, carrasco a serviço do Estado em potência (Partido), ou em ato.

Muitos petistas hoje no poder foram educados naquela escola. Quando na oposição, espionavam (com apoio logístico de sindicalistas) os adversários e associados a “jornalistas” em redações estratégicas, forçavam escândalos, caluniavam e injuriavam, mas vestiam a máscara da ética. Nos palácios usam a mesma espionagem, os mesmos jornalistas amigos, idênticas maneiras de atacar a vida alheia, para disfarçar o seu controle social e político. A consciência que montou o dossiê contra Serra, recebeu afagos do presidente, que a batizou de “aloprada”, opera no escândalo atual. Mentiras distraem a opinião pública. Assim, a tese do Planalto é que existe dossiê, mas que ele não seria usado contra opositores. A lógica é desobedecida, na pseudologia palaciana.

Um regime policial está sendo gerado no país. A sua mão-de-obra foi bem treinada, e seu número é imenso, pois emprega os cérebros lavados nas máquinas totalitárias e os oportunistas, cuja espinha se curva diante das ditaduras tendo em vista sua carreira pessoal ou interesses de grupo. Os sinais do Estado sicofanta são evidentes, só não os enxergam os cegos de alma e os cúmplices dos espiões militantes. Estamos no alvorecer do Estado sicofanta, a República dos alcagüetes

Evolução das Espécies

March 15, 2008

Os socialistas, ou esquerdistas de forma geral que se dizem “Marxistas”, sofrem da infantilidade equivalente a de engenheiros que se intitulassem “Newtonianos”. Ora, Newton foi fundamental e será sempre reverenciado. Mas suas idéias hoje são aprendidas e compreendidas por estudantes do curso fundamental. Usando as idéias de Newton, unindo-as a outras contribuições, os engenheiros modernos fazem maravilhas. Já se seguissem a maneira de pensar destes socialistas, ainda estariam maravilhados ao ver que a maçã cai no chão. Não conseguiriam sair até hoje desta descoberta.

Regras básicas para não ser um alienado.

February 20, 2008

Tenho me perguntado que conselhos eu daria para alguém que estivesse interessado em se informar, em começar a ter uma visão crítica dos governos que temos. Tendo esse objetivo em mente comecei a listar nas horas de ócio algumas atitudes que me fizeram pouco a pouco entender a natureza do sistema brasileiro. Aí estão minhas dicas:

1. Tenha paciência. Só conseguimos começar a captar as contradições dos discursos, das atitudes, o que funciona ou não, com o passar dos anos. Comece logo então e leia muito, acompanhe os noticiários. Por mais distorcida que seja a notícia, com o passar dos anos você entende o perfil de cada veículo de comunicação.

2. Não existe jornalismo pró-governo. Se vir algum, não perca seu tempo. Se afaste de qualquer revista ou canal de comunicação que se dedique a tecer loas aos feitos do governo em exercício. Telejornais ou sites envolvidos economicamente com o poder, podem e devem ser acompanhados, mas tenha em mente sempre o que pode estar por trás de uma notícia, ou de sua falta.

3. Escolha as críticas que lê. Critique a própria crítica. Mais importante do que ler análises do governo em exercício, é ler análises inteligentes. São estas críticas qualificadas que poderão abrir sua mente. Como identificá-las? Geralmente críticas inteligentes são bem escritas, vêm acompanhadas de sugestões, tem embasamento histórico e não brigam com a realidade. Desconfie quando tudo parecer muito simples. Política não é simples, a vida não é simples.

4. Não desmereça a mensagem por não gostar do mensageiro. O atual governo adora calar a sociedade apontando as falhas de quem levanta a voz para denunciar algo. Fizeram isso com o caseiro, se lembram? Então aprenda que mesmo Fernandinho Beira-Mar pode fazer uma denúncia verdadeira. Não importa quem faz a denúncia, importa verificar sua veracidade. Além disso, não importa que o denunciante tenha interesse de prejudicar alguém. Se a denúncia ou notícia for verdadeira, não há nada de mal nisso. Errado seria ficar calado. O que não dá é pra inventar dossiês, como certos aloprados petistas (impunes, diga-se de passagem).

5. Não torça por ninguém, não acredite em boas intenções. Você pode até achar que um político é melhor do que o outro, mas não ache que ele tem os mesmos valores que você. Isso poupará muitas decepções. Política é discussão ponto a ponto. Você pode em um assunto gostar muito de certo Deputado, mas em outro assunto ele pode ser seu oposto. Procure ver quem, mesmo não tendo seu pensamento, tem boas explicações para uma ou outra posição.

Quem souber de mais alguma dica, fique à vontade para acrescentar!

Bye Bye Fidel!!

Dizer que Fidel já vai tarde é redundância há mais de 40 anos. Então só resta torcer para que Cuba consiga fazer uma limonada desses limões que a história deu e recupere o tempo perdido. E já que em alguns aspectos sociais a sociedade cubana evoluiu (às custas de muitos “paredões”), que não deixe isso se perder.

Gerenciar um país recebendo mesada estrangeira e matando opositores é fácil… Aí até eu viro “grande líder”. Principalmente aos olhos de nosso iluminado presidente e sua esquerda bocó.

Notícia 1

February 16, 2008

Milhões somem em ONG do PT

Os dirigentes da ONG receberam R$ 4,6 milhões do governo e admitem não ter como prestar contas. O caso revela que o Brasil ainda está longe de ter uma gestão eficaz dos gastos públicos

Alguém vai preso numa imoralidade dessas? É a mídia golpista inventando? ARGH!!!!!!!!!!!

Criativo…

Sinceramente, pra quem viu o filme Entreatos, dá até pra pensar que tenha sido mais ou menos assim…


Não há ideologia que justifique

Texto da Cora Rónai, em O Globo. Não há o que comentar, apenas tirar o chapéu e lamentar por quem não percebe o que está acontecendo…
E eu? Bem, eu vou juntar minhas coisas e vou embora, porque já não há mais nada a fazer.

Não há ideologia que justifique

Eu ainda acredito, como diz o Millôr, que imprensa é oposição, o resto, armazém de secos e molhados (para quem chegou ontem: pequena loja de bairro, precursora dos supermercados). Acho o jornalismo uma das mais nobres profissões, sobretudo em sua filosofia básica; o mesmo eu poderia dizer da filosofia da profissão médica, por exemplo, embora, numa e noutra profissão, muitos nem percebam a glória do que fazem, tornando-se indignos da “missão” que exercem.

Pode ser efeito colateral do joelho quebrado, pode ser ataque de saudosismo, mas o fato é que já vivi um tempo em que o, digamos, “ecossistema”, me dava mais alegrias. É claro que havia, como sempre houve, jornalistas a favor – há quem diga a soldo — do governo. Bajular os poderosos dá lucro, quando não prestígio, que tantos perseguem.

Mas as águas de então estavam bem divididas: eles eram “eles”, nós éramos “nós”. Havia um inimigo comum. Além do que, e não é pouco!, tínhamos menos de 30 anos, às vezes pouco mais de 20. “Eles” tinham colunas e empregos públicos, candidatavam-se, enveredavam pela política sem constrangimento. “Nós” acreditávamos, sem duvidar, que o papel da imprensa era combater a ditadura, e que, derrotada esta, estariam derrotadas também a corrupção e a impunidade. Ganhávamos pouco, às vezes ridiculamente pouco. Não chegávamos, como a Amélia, a achar bonito não ter o que comer — mas não faltava muito para isso.

Até que, um dia, apareceu um agrupamento político chamado PT, e o meio de campo começou a embolar. Isso não ficou claro à primeira vista, pelo menos não para aqueles de nós que ou éramos mais ingênuos, ou já não andávamos diretamente envolvidos em política. Eu me enquadrava nas duas categorias, e ia em frente. Mas minha ficha caiu quando, um dia, voltando de uma feira de tecnologia, com a jaqueta enfeitada com lindos pins e buttons de sistemas operacionais e de chips, levei um dedo no nariz de uma estagiária do JB que, até então, me parecera boa pessoa:

— Por que não está usando o button do PT?!

Levei um susto. Aquele gesto e aquela voz autoritária podiam ter saído de qualquer zona histórica “alienígena”, sinistra.

— Exatamente por causa disso, respondi, mas acho que ela não entendeu. Eu, porém, entendi. Não havia mais “nós” e “eles”. Havia patrulha e rancor, também entre “nós”. Não havia mais o bom combate ou o livre pensar; havia apenas uma ideologia, como todas muito cômoda, construída com bloquinhos de lugares comuns que não exigiam grande raciocínio de ninguém. Ai de quem não compactuasse.
* * *
Quando Lula ganhou as eleições, achei que o mundo das redações voltaria à normalidade. Poder é poder. Imaginar que existe poder “de esquerda” é de uma ingenuidade que não combina com o cinismo e a desconfiança que, em tese, andam de mãos dadas com o jornalismo. Mas, obviamente, maior ingenuidade ainda é supor que quem se ajeita a uma bitola ideológica, por interesse ou por idealismo, guarda alguma capacidade de pensar por conta própria. Sobretudo quando a tal bitola começa a se mostrar lucrativa.
* * *
Já me prometi mil vezes não falar mais nisso e esquecer que hay gobierno soy contra, até porque o governo não está nem aí para o que nós, imbecis também conhecidos como contribuintes, achamos ou deixamos de achar. Quando o sangue me ferve nas veias (vale dizer todos os dias, quando pego o jornal), brinco de faz-de-conta: tento acompanhar o noticiário como se morasse em outra galáxia. O diabo é que há coisas que não há Star Trek que resolva. Agora mesmo, não sei o que me deixa mais perplexa e indignada na farra dos cartões corporativos, se o roubo descarado do nosso dinheiro, ou o contorcionismo mental de colegas, que já considerei gente de boa reflexão, tentando defender essa nojeira.

Os argumentos são espantosos. Aquela ex-ministra racista, que acha tão normal negros odiarem brancos, está, obviamente, sendo vítima de pessoas que não a conhecem; ora, se até o Zé Dirceu já garantiu que ela não agiu por má-fé! Roubou sem querer, a coitada, e a Grande Imprensa, branca e machista, lá, nos seus calcanhares. O outro comprou uma tapioca de míseros oito reais, e a Grande Imprensa, uivam os jornalistas amestrados, dá o fato em manchete. Como se o que estivesse em discussão não fosse o como, mas o quanto. Para não falar na eterna ladainha do governo, repetida como um press-release que, a essa altura, sequer tem o benefício da novidade: “na época do FhC era a mesma coisa”. Mas, perdão: não foi para isso que a atual corja foi eleita?! Para mudar tudo o que estava errado?! Para implantar um sentido ético no trato da coisa pública?!
* * *
O pior é que tanto faz quanto tanto fez. Enquanto o nosso dinheiro paga qualquer leviandade protegido pelo manto putrefato da “Segurança Nacional”, enquanto jornalistas arrastam a profissão na lama defendendo a corrupção, os poderosos, às nossas costas, se entendem. As famiglias ficarão a salvo.

“Eles” venceram.

Enchi! 2

February 15, 2008

Ontem escutei que três pessoas foram impedidas de se matricular na Universidade Federal de Santa Catarina pelo sistema de cotas pois foram incapazes de provar que eram negras.
Será que só eu vejo o óbvio absurdo destes sistemas de cotas?!? O cara se acha negro e o Estado diz que ele não é. Que bacana! E se eles tivessem se pintado, ou pego bastante sol nesse verão?!? Em que momento o cara deixa de ser negro e passa a ser mulato? Ou branco? Onde está a escala?

E tem mais: eu fiz engenharia e passei no vestibular com facilidade, mas sofri para passar nas matérias do curso. Me senti humilhado em vários momentos. Eu imagino o que deve ser entrar na universidade sem preparo e reprovar em tudo. Quem é que vai indenizar estas pessoas pela estrago psicológico sofrido?

No Brasil, o Governo propõe construir a casa pelo telhado e todo mundo aplaude.

Chega né?

Estou organizando uma passeata: é o Basta de “bastas”!! Explico: toda vez que alguma coisa acontece - morre alguém atropelado, fuzilado, um corrupto escapa impune, ou outros exemplos - logo se organiza uma passeata de “basta”. O negócio virou tão boboca que ninguém mais leva a sério. O brasileiro desmoralizou o basta. Podiam até tirar esta palavra do dicionário, pois ela não significa mais nada. Ou ainda mudar seu significado, que hoje é “Ser suficiente, ser tanto quanto é necessário.”. Mudaríamos para “Ser suficiente, mas pode mandar mais que eu aguento!”

Basta de “bastas”!!

Enchi!

Aliás, fala sério!!

Todo mundo que cerca Lula está envolvido em falcatrua: o irmão, o cunhado, o cumpadre, o filho, a filha, o melhor amigo, o segurança, o churrasqueiro…

E Lula é o único dessa gente que é honesto e bem intencionado? AH, PARA NÉ!!! Conta pro meu bonequinho!!

É que ninguém tem coragem de falar isso.

Não adianta, a ética é fruto da educação moral - seja familiar ou acadêmica. Lula não teve nenhuma delas.

Cartões

Vamos lá: não tenho ânimo nenhum para falar deste caso dos cartões corporativos. Só acho que é um dos mecanismos pelos quais o petismo compra o silêncio ou o apoio tímido de alguns setores da sociedade. São mais de 5 mil cartões, distribuídos até para reitores de universidades, que na ausência de regras se locupletaram com uma graninha, e venderam junto a alma para o governo.

Se a “inteligência” petista tivesse descoberto esse mecanismo antes, vocês acham que teríamos tido o mensalão? Claro que não. O dinheiro seria sacado na boca do caixa e não revelado por questões de “segurança”. Se é que não está acontecendo assim. Ou porque mais fazem de tudo pra não revelar os gastos estratosféricos dos cartões presidenciais? Os da filha do presidente já vimos que são indecentes e imorais.

Mas o que é indecente e imoral se perde neste governo, encoberto por novos e cotidianos escândalos…

Yoga- Guia do Praticante Cético

January 30, 2008

Hoje saí do trabalho, como sempre meio cansado do corre-corre rotineiro e fui experimentar um aula de Yoga. Nunca tinha feito uma aula dessas na vida e relato aqui a primeira impressão.

Eu estava esperando um negócio meio alternativo, cheio de incensos e símbolos indianos e acertei em cheio. A diferença é que, como tudo o que é alternativo hoje em dia, existe um “business” por trás. Nitidamente os alternativos dos anos 70 não teriam grana pra frequentar esses espaços. Mas é o que chamo de Movimento New Hippie Chic: usa-se uma saia hiponga, com aparência de feita em casa, que custa 400 reais. Alternativo hoje é pra quem pode - melhor ir de calça jeans e camiseta.

Dito isso, posso dizer que gostei do lugar, bem decorado, com uma atendente calma e eficiente e tudo bem limpo. Cheguei meia hora antes do horário e fiquei esperando. Chegou uma mulher, depois uma garota, depois outra, depois outras. Fiquei com vontade de perguntar quando era a aula masculina, mas melhor não chamar a atenção para a situação. Senti uns olhares que se cruzavam e perguntavam: - Será que o barrigudo de óculos aí vai fazer a aula? Sim era eu, e fiz uma cara de “eu sou corajoso e venho aqui, o que eu quero saber é se voces enfrentariam aulas de engenharia”. Senti-me vingado, na minha esquizofrenia.

Finalmente as pessoas foram em direção à sala e a professora me cumprimentou e se apresentou, assim, no corredor, informalmente. Foi muito simpática e me deixou bem a vontade para começar a aula sem muito medo. Aliás, depois de muita saia justa nesta vida estou ficando mais descolado nesses momentos. Basta não ter nenhuma iniciativa genial e se resumir a fazer o que todo mundo faz. Se alguma gafe acontecer (quase inevitável) o negócio é a tirrar sarro de si mesmo. As pessoas estão mais propensas a compreender quem não se leva muito a sério.

Notei um pequeno altar com figuras de Deuses Hindus e aquilo me incomodou. Eu não gosto de entrar no templo de nenhuma religião como quem entra em uma academia. É a parte do homem ocidental que me incomoda: pega-se as coisas pela metade, e vende-se o que for vendável. Se o homem moderno precisa se desestressar, vende-se uma dose de hinduísmo duas vezes por semana. Me soa estranho, mas um dia ainda falo mais com a professora pra ver se não estou tendo a impressão errada. Não esqueçam que é meu primeiro dia. Eu não esqueço. De qualquer forma, o Hinduísmo é mais do que Yoga e me parece uma certa falta de respeito. Bem, deixo para os Hindus a tarefa de reclamar se for o caso. Já tenho muitos problemas e não vou começar uma cruzada (ipsis literis) para moralizar as academias de Yoga.

E lá vou eu para a prática, com a habitual flexibilidade de um jabuti da terceira idade. E confesso que gostei bastante da mistura de ultra-hiper-mega alongamento com respiração e concentração. Dói, claro. Aliás, dói não: tortura. É como usar um macacão muitos tamanhos menor do que o seu. Voce quer esticar a perna mas seus músculos tem vários centímetros a menos. Aí, em vez de um ginasta, você fica parecendo uma perereca num colchonete. Mas é bastante renovador e saí da aula bem disposto e relaxado. Gostei do clima, sem muita conversa, sem muitas vaidades. Colocando em perspectiva, fazer musculação pra mim é pior que injeção na testa. Portanto a Yoga caiu como um doce de jaca (já provou? se provou porque não me convidou lazarento!!)

O que não gostei muito é o negócio dos mantras. Não gosto de falar o que não entendo. Mesmo a professora explicando que queria dizer paz, etc, eu prefiro saber palavra por palavra. E mesmo assim: não dá pra ficar em silêncio?!?

Amanhã vou na “prática” (já peguei o jeito!) de um outro estilo. Se tiver paciência, escrevo aqui.

Abraços.

Debate sobre liberalismo

January 12, 2008

Participo de um fórum e esses dias troquei alguns emails com um cidadão por lá. Sujeito educado, respeitoso, e tivemos um debate bacana (outros participaram da troca de mensagens). Mas infelizmente ele é mais um dos que não consegue enxergar o mundo longe da lavagem cerebral que seus professores de esquerda fizeram. Ele discutia com outros quando chamou o governo FHC de neoliberal. Daí não me contive e entrei na dança:

- FHC? Neoliberal? Quem dera fosse…. Seu governo teve algo que muito vagamente caminhou na direção do liberalismo, mesmo assim de forma totalmente incompleta. O suficiente para as ideologias tremerem frente as “conspirações do capital internacional”, mas não o suficiente para destravar o crescimento econômico do país.
Abraços

Ao que ele respondeu:

- Bom, o meu ponto não era falar do FHC… mas ok! Só me diz onde já existiu esse lugar com liberalismo perfeito?

Respondi:

- Quanto ao liberalismo perfeito, entendo que o conceito de perfeição pode ser diferente para cada um. Principalmente para adeptos do Socialismo, ou outras ideologias de esquerda, que tem nas utopias seu conceito de perfeição. (não sei se é o seu caso) Vai ser difícil encontrá-las no mundo real. Mas podemos nos ater aos melhores exemplos que existem por aí e tentar, por que não, imitá-los onde for possível.
Creio que medidas liberalizantes, como as aplicadas com sucesso no Chile, Vietnã, Coréia do Sul, Espanha, e até porque não dizer, na China, têm mostrado sua eficácia na redução das desigualdades e na geração de riqueza. Isso é claro para ficar apenas nos “recém-convertidos”. E ainda que estamos falando em conceitos simples como gastar menos do que se arrecada, igualdade de oportunidades pelo investimento maciço em educação, redução da burocracia, redução da carga tributária, despersonificação do Estado, e por aí vai.
É difícil compreender porque a América Latina tem tantos problemas com essas idéias e, mesmo apesar de alguns soluços nesta direção, invariavelmente voltamos ao populismo coronelista de sempre, com distribuição de benesses e favores, aumento da carga tributária, redução de investimentos produtivos, impunidade, culto à personalidade, etc. É lamentável.

Veio a resposta:

Acho que as vezes, desculpem dizer, alguns comentários são carregados de preconceito… como afirmar que apenas o pensamento de esquerda é uma ideologia…. que mentes esquerdistas são turbinadas com drogas…… acho isso um pouco de exagero quando se pretende fazer uma análise política séria. Apenas para refletir: Alguem acha que o pensamento neoliberal é de fato “a verdade”, o “pensamento único”? Não seria o liberalismo também uma ideologia? não seria o realismo político também uma forma de pensamento? Opiniões são sempre carregadas de pensamento, logo dão origem a ideologias, a formas de enxergar o mundo… rotular apenas a esquerda de ideológica não é uma ofensa, é apenas constatar o óbvio… agora, deixar de reconhecer que o liberalismo, a direita, e etc. também são ideologias, formas de pensamento, é tapar o sol com a peneira, e achar que apenas existe A VERDADE absoluta.

Rebati assim:

- A respeito das ideologias tenho a dizer que não, o Liberalismo não é uma ideologia. Ideologias imaginam um modelo ideal e partem para lutar com a realidade em busca deste objetivo. O Liberalismo não é uma construção teórica sobre a melhor sociedade possível. Adam Smith fez somente um exame da realidade de seu tempo e descobriu o que possibilita alguns países serem mais ricos que outros. Não há qualquer conflito entre o pensamento liberal e a realidade, enquanto governos calcados em ideologias (de esquerda, direita ou vice e versa) acabam sempre em ditaduras, pois invariavelmente o confronto com a realidade leva à radicalizações.
Portanto é natural das ideologias imaginar conspirações secretas, complôs e conchavos para justificar o fato de que a realidade não é o que gostariam de ver com seus olhos tolhidos por viseiras.

Nosso debatedor replicou:

- Bom, considerar que o liberalismo não é um arcabouço teórico, um conjunto de IDÉIAS é realmente tentar passar o discurso do pensamento único, da verdade absoluta. Ideologias não necessariamente visam construir um mundo melhor… são apenas conjuntos de pensamentos, visões do mundo com algum enfoque específico, ou que queiram reformar pontos que consideram falhos… pq não? Poxa, se Adam Smith não queria uma sociedade melhor, então o liberalismo reconhecidamente apenas serve para interesses financeiros de alguns, não? Não há conflitos entre liberalismo e realidade na realidade moderna, CONSTRUIDA socialmente ao longo dos últimos séculos… de fato uma sociedade onde o pensamento LIBERAL prevalesce não pode ter muitos conflitos entre idéias e realidade………. porém, isso não significa que esse conjunto de idéias SEJA a realidade… é apenas uma forma de compreende-la… se é mais válido ou não é uma questão de opinião…. e sim, é uma questão ideológica.
Esse discurso todo é muito perigoso… “esquerda imbecializada”, “olhos tolhidos por viseiras”… mais uma vez repito… creio que isso não leva a uma análise política de fato. É uma questão ideológica clara: Oposição ao pensamento de esquerda. Não há nada de errado nisso… só é necessário reconhecer! É como se fosse um jornal claramente com uma opinião política, revelado pelo seu editorial, pelas suas escolhas de reportagens, pelas manchetes que utiliza, dizendo que é imparcial e apenas lida com a REALIDADE…. obviamente não existe problema em ter uma posição… só acho válido assumi-la… e reconhecer que é uma opinião, um pensamento, um modo de enxergar o mundo…. as pessoas de direita têm mais dificuldade de reconhecer isso…. alguém entende por que o DEM tem tanta dificuldade de se assumir de direita? Ao menos grupos que idolatram CHE confessam o que pensam, e confessam que usam uma ferramenta de análise específica, uma visão de mundo específica para tentar construir a realidade que eles acreditam…. ao menos eles não têm problema em assumir isso….

E por fim encerrei com essa mensagem, para não me alongar nem incomodar os outros participantes do fórum:

- Creio que você tirou conclusões que não estão no que escrevi. O fato do liberalismo ser um conjunto de práticas testadas e eficazes, não conduz à dedução que o “liberalismo reconhecidamente apenas serve para interesses financeiros de alguns”. Voce pode ter várias interpretações teóricas que justifiquem porque deve atrair investimentos, por exemplo, e até várias formas de fazer isso. O fato é que sem eles é mais difícil gerar empregos. Não há nesta prática nenhum componente ideológico. Sou engenheiro e utilizo ferramentas. Não penso em como deveria ser a lei da gravidade, apenas trabalho com ela. E nem por isso as pessoas acusam engenheiros de ter pensamento único. Discordamos onde podemos, concordamos onde devemos. Veja o Chile: parece que lá eles entenderam isso e criaram a “concertación” (gente, não falo espanhol, ok?). A gente aqui ainda fica discutindo se o Estado deve gastar mais ou menos do que arrecada e acha que isso é questão ideológica…
Creio ainda que a resistência de partidos políticos em se assumir de Direita é culpa da própria Esquerda, que associa na América Latina a Direita aos governos autoritários, coronelismo, etc. E sinceramente Autoritarismo e Liberalismo não convivem na mesma sala. Mas os caras buscam votos, fazer o que?…

Deu pra ver que ele não sabe muito bem o que é uma ideologia. Chega a perguntar se “não seria o realismo político também uma forma de pensamento?”. Ora, primeiro pensamento não é sinônimo de ideologia e, segundo, qual a alternativa fora do realismo? Fantasia? Irrealismo?
Eu era de Esquerda até descobrir que os marxistas usurparam a Esquerda dos liberais, e que esta mesma Esquerda propunha ditaduras. Mas como tentei explicar, ideologias admitem até ditaduras pra chegar ao seu El Dorado - utópico para alguns ingênuos, bem palpável para os dirigentes do partido.

Racism detector

Quer fazer um teste para saber quem no Brasil é a favor da igualdade racial e quem é racista? Nomeie um branco para o Ministério da Igualdade Racial. Quem reclamar, pode levar preso. E sem fiança, por favor.

Ordem é ordem

September 18, 2007

Trecho do comentário da Dora kramer no Estadão de hoje:

Ordem é ordem

“Daqui a alguns dias vou encontrar meu amigo Bush e vou dizer a ele: Bush, resolve o problema porque não vou deixar a crise atravessar o Atlântico e chegar ao Brasil”, avisou o presidente Luiz Inácio da Silva na Espanha, durante encontro com investidores e o primeiro-ministro José Luiz Zapatero, que devem ter ficado assaz impressionados.

Bush, então, já deve estar tomando uma série de providências. Principalmente se for mais obediente que os “gestores” da crise aérea, a quem Lula pediu inúmeras vezes, sem sucesso, para resolverem o “problema”.

Surpresa!!!

September 16, 2007

E na Isto É (a revista dos aloprados) desta semana saiu divulgado o relatório da PF sobre a Campanha de 1998, onde Eduardo Azeredo foi beneficiado por um dinheiro de caixa 2. Para a “surpresa de todos”, o esquema envolveu vários partidos, incluindo 34 políticos petistas que receberam 880 mil reais. (leia mais aqui)

Eu nunca defendo políticos com argumentos do tipo: “o meu roubou mas o seu é que começou” e por isso nada me espanta… Mas a esquerda, como tem feito sempre nestes últimos anos, vai ter que ajustar seu discurso para algo do tipo: “mas nós só roubamos em notas de 5o reais” ou ainda “nós não roubamos no final de semana, que é dia da missa”.

A esquerda não quer o fim da corrupção. Quer o fim da corrupção DOS OUTROS. Por isso não toleram movimentos civis por moralidade na política.

Eles não aprendem nada, eles não esquecem nada.

O país que não existe.

September 12, 2007

Soube da notícia da absolvição de Renan Calheiros ao mesmo tempo que lia sobre a renúncia de Shinzo Abe, Primeiro-Ministro do Japão, comandante de um governo acusado em casos de corrupção. Saudades do Japão. Fiquei desolado, triste, e passeei por comentários em blogs de notícias. Vim para casa sozinho, olhando as ruas, as pessoas que vão e vem, sem reagir, sem perceber que foram saqueadas. Espero encontrar alguma reação mas não sei nem onde procurar. Quem sabe uma multidão nas ruas, ou um pequeno grupo talvez, protestando contra a decisão vexatória. Nada. Todos talvez pensando no jogo do Brasil de logo mais.
O Jornal Nacional dá a notícia e burocraticamente dedica o mesmo tempo de exposição aos favoráveis à Renan e aos contrários. Como se em casos de ética e decoro houvesse dois lados. Os governistas pouco escondem sua satisfação, enquanto Romero Jucá, aliado improvável do PT de outros tempos, liga para o Iluminado para dar a notícia redentora: Lula já pode dormir tranquilo: Renan foi salvo. Aí o noticiário muda para as notícias do crescimento do PIB, da parceria do Corinthias. Assuntos que escondem o que aconteceu hoje. Vejo também que a oposição vai se reunir pra decidir se tranca a pauta ou se aceita o resultado. Se eles têm alguma dúvida do que fazer, é porque estou sozinho mesmo. Eu e meia dúzia de blogueiros revoltados. Ou derrotados, não tenho certeza.
Só para lembrar, este Senado, foi criado em 1822. Nele, grandes oradores já se degladiaram, políticos idealistas, defensores da pátria, da liberdade. Símbolo dos ideais de liberdade da América, inspirado na Revolução Americana, sinalizando um Brasil para os brasileiros. Muitos já deram sua vida por ele, para que tivéssemos uma verdadeira Federação, representando a união do país que sonhavam. Toda esta história, nossa, de nossos avós, dos ideais mais altos que construíram o Brasil, hoje foi ferida gravemente. E Lula, o Iluminado, passeia pelos palácios nórdicos. Sabe que o povo não consegue distinguir a responsabilidade do Presidente. “Lula é do povo, venceu na vida, não é como esses políticos sujos”. E sua lorota, de que não sabe de nada, que o Executivo não interfere no Legislativo, que “nunca na história deste país…” convence. Se não convence a todos, compra-se os restantes com o Bolsa-Cabresto.
A novela das oito continua como sempre, o futebol também, e a ninguém parece se importar com o que aconteceu. Fico aqui, bebendo um vinho (de R$7,00, mas sei que vão me chamar de elite esnobe, fazer o quê?). Penso que talvez seja melhor partir, antes que a farsa acabe. A farsa não é Lula ou o PT. A farsa somos nós e a hipótese de um país que nunca se concretizará.

O Partido da Ética

Renan Calheiros foi absolvido. E o que fez o “partido mais ético do país”, segundo palavras de Lula? Bem, leia abaixo:

Blog do Noblat:
Mercadante pede votos pela absolvição

Aloisio Mercadante (PT-SP) está impossível. Já chamou um por um dos senadores do seu partido pedindo para que votem pela absolvição de Renan Calheiros (PMDB-AL). Está chamando também senadores de partidos da base aliada.

Ele diz a cada um deles que a cassação de Renan só interessa à oposição. Que ela quer desestabilizar o governo. E que na hipótese de Renan ser cassado, tentará eleger seu sucessor - se possível um nome adversário do governo. Um Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), por exemplo.

Claudio Humberto:
Mercadante e PT querem absolver Renan

Acabou o mistério: o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) abriu mão de discursar, durante a sessão secreta, mas pede abertamente a absolvição do senador Renan Calheiros. Havia dúvidas quanto à posição de Mercadante, mas ele a deixou clara juntamente com outros senadores do PT, como Sibá Machado (AC), que alegou “falta de provas” para apoiar a absolvição. Machado culpou a imprensa, afirmando que não é seu papel cassar mandatos parlamentares. A senadora Ideli Salvati (SC), líder do PT, também declarou apoio a Calheiros.

Como reagir? Como é que a sociedade pode dizer que está insatisfeita? O PT aparelhou a UNE, os sindicatos, as ONGs. O Presidente do Senado mente repetidas vezes para a nação e estas instituições, encabrestadas, permanecem quietas com o rabo entre as pernas para ver se ninguém se lembra delas. Só se levantam para condenar as vozes que recusam o papel de cordeirinhos, rotulando-as de elitistas, preconceituosas.

- Defendamos o corrupto, pois sua condenação beneficia nossos opositores! - conclamam Ideli, Mercadante e CIA. Dane-se o país.

Deixe-se registrado que, se oPT instalou o método, a oposição se finge de indignada mas uma boa parte dela não resiste em se refestelar na fisiologia Lulista.

A panela de pressão vai continuar esquentando. Uma hora a brincadeira totalitária petista vai fazê-la estourar. O que vai acontecer? Não sei mas espero não estar mais por aqui, pois quando um país estoura, não existem vencedores.

Pausa para balanço

Vejamos:

- O programa Brasil Alfabetizado, do Governo Federal, considerado revolucionário, foi descontinuado por problemas de gestão.

- O programa Primeiro Emprego será cancelado em 2008 por não atender aos objetivos propostos. De acordo com o secretário de Planejamento e Investimentos Estratégicos (SPI) do Ministério do Planejamento, Afonso Oliveira de Almeida, houve um erro de avaliação no diagnóstico do programa.

- O programa Fome Zero saiu de fininho e virou Bolsa-Família e ponto. Ninguém fala mais nele.

- O Governo Federal lançou a operação Tapa-Buracos para minimizar a falta de manutenção das estradas federais. As estradas continuam esburacadas e em 47,5% das obras - feitas sem licitação - foram encontradas irregularidades, de acordo com o TCU.

- O Sistema de Saúde - que para Lula beira a perfeição - enfrenta uma das piores crises de sua história, com paralizações por todo o Nordeste.

- O Sistema de controle de trafego aéreo entrou em crise, no chamado apagão aéreo.

- Na opinião de especialistas e investidores, o Brasil já vive um apagão logístico por falta de investimentos no setor.

- O Governo defende que o risco de um novo apagão elétrico em 2011 é de 7,3%. Para os investidores esse risco chega a 28%. Se o Brasil tentar crescer como todos queremos e o Governo promete, ele apaga antes.

- O Sistema de cotas raciais foi implantado e, por si só, já é um desastre.

- O PAC da segurança, anunciado com pompa neste primeiro semestre, promete para todo território nacional um volume de recursos financeiros para cinco anos inferior ao que o Estado de SP gasta em um ano na mesma área.

-A carga tributária brasileira atingiu 38,80% do PIB em 2006. Em telefonia, por exemplo, a carga tributária no Brasil chega a 44% no bolso do consumidor. É absurdo, ainda mais se comparado aos 5% cobrados no Japão.

- O tamanho do Estado no Brasil é 56% maior que o da China e o do Chile. O estudo do economista Alexandre Marinis, da Mosaico Economia Política, que analisou 215 países no período de 1971 a 2005, mostra que há uma clara relação entre Estado grande e baixo crescimento econômico.

- Quando chegou ao poder em 2003, o governo Lula tinha nas mãos três grandes negociações comerciais: Alca, Mercosul-UE e a Rodada Doha, da OMC. As três negociações estão estagnadas.

E a lista é infindável. Mas a condescendência das pessoas é também infinita. Parecem agarradas à fantasia de que com Lula nos livramos do passado de incompetência e que só boas intenções movem este Governo. Ora, Lula é a encarnação daquele passado e de boas intenções o inferno está cheio.

Hora do almoço

August 31, 2007

Eu estudei em um colégio de elite. Colégio caro, de padres Jesuítas. Hoje trabalho em uma fábrica na periferia, com linha de montagem, “esquema peão” mesmo. Olhando essa duas realidades eu posso afirmar, sem nenhum problema de consciência, que as mulheres que estudavam no meu colégio eram, na média, mais bonitas que as da fábrica. Pensei isso na hora do almoço. E durante a sobremesa, fiquei pensando como reagiriam à minha afirmação os patrulheiros ideológicos, aqueles mesmos que nos últimos dias jogaram tomates na pesquisa que concluiu que os brasileiros que estudam mais, têm conceitos de cidadania mais evoluídos. (nãããããooo! Séééérioooo???)
Luiz Fernando Veríssimo com certeza escreveria um artigo dizendo que as elites acham que o problema do país é a feiúra do pobre. Professores da USP me chamariam de preconceituoso, citando algumas modelos que foram pobres, e meia dúzia de mocréias que estudaram no Colégio São Luiz em São Paulo. Repórteres do Correio Braziliense iriam dizer que a diferença se deve aos 500 anos de exploração da classe operária. Chico Buarque iria compor uma música exaltando a beleza dos favelados. A Carta Capital revelaria que, algum dia da minha vida eu namorei uma feiosa, e que por isso eu era um hipócrita querendo negar meu passado. A Caros Amigos diria que a culpa é do imperialismo americano, que exporta seu padrão de beleza.

Todos atirando granadas de dentro de suas trincheiras ideológicas.

Adam Smith desembarca em Brasília

August 30, 2007

To meio sem tempo de escrever por aqui. Enquanto isso, fiquem com um texto que achei interessante sobre a percepção econômica de nosso atual governo.

Adam Smith desembarca em Brasília

artigo - Rolf Kuntz
O Estado de S. Paulo
30/8/2007

Sujeitinho vivo era aquele escocês, o tal Adam Smith. Ele notou, há mais de 200 anos, que os ganhos de produtividade acumulados durante séculos eram explicáveis, na maior parte, pela divisão do trabalho. Ele achou essa idéia tão importante que resolveu apresentá-la no primeiro capítulo de um grande livro a respeito da riqueza das nações. Essa idéia não era exatamente uma novidade. Um amigo mais velho de Smith, chamado David Hume, havia descrito num ensaio econômico o crescimento de uma economia a partir da diferenciação entre atividades agrícolas e não agrícolas. Seu parceiro aprofundou a análise.

Essa noção foi incorporada pelo senso comum há muito tempo, mas tem sido rejeitada por integrantes do governo brasileiro. Parece, agora, estar ficando popular pelo menos no Palácio do Planalto. A Presidência divulgou, ontem, dados sobre a melhora das condições de vida dos brasileiros. A desigualdade e a miséria têm diminuído. Tomando-se como referência o salário mínimo, as parcelas de brasileiros pobres e extremamente pobres passaram, entre 1990 e 2005, de 52% para 38% e de 28% para 16%, respectivamente. Ainda há fome e desnutrição, segundo o documento, mas esse desafio resulta, sobretudo, “do baixo poder aquisitivo de milhões de brasileiros”. (more…)

Bar Ruim é Lindo

August 21, 2007

Adorei esse texto. Muitos devem tê-lo recebido por e-mail, mas vale à pena ler de novo.

Bar Ruim é Lindo - Antônio Prata

Eu sou meio intelectual, meio de esquerda, por isso freqüento bares meio ruins.
Não sei se você sabe, mas nós, meio intelectuais, meio de esquerda, nos julgamos a vanguarda do proletariado, há mais de 150 anos. (Deve ter alguma coisa de errado com uma vanguarda de mais de 150 anos, mas tudo bem).
No bar ruim que ando freqüentando nas últimas semanas o proletariado é o Betão, garçom, que cumprimento com um tapinha nas costas acreditando resolver aí 500 anos de história. Nós, meio intelectuais, meio de esquerda,adoramos ficar “amigos” do garçom, com quem falamos sobre futebol enquanto nossos amigos não chegam para falarmos de literatura.
“Ô Betão, traz mais uma pra gente”, eu digo, com os cotovelos apoiados na mesa bamba de lata, e me sinto parte do Brasil.
Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos fazer parte do Brasil, por isso vamos a bares ruins, que tem mais a cara do Brasil que os bares bons, onde se serve petit gateau e não tem frango à passarinho ou carne de sol com macaxeira que são os pratos tradicionais de nossa cozinha.
Se bem que nós, meio intelectuais, quando convidamos uma moça para sair pela primeira vez, atacamos mais de petit gateau do que de frango à passarinho, porque a gente gosta do Brasil e tal, mas na hora do vamos ver uma europazinha bem que ajuda. A gente gosta do Brasil, mas muito bem diagramado. Não é qualquer Brasil. Assim como não é qualquer bar ruim. Tem que ser um bar ruim autêntico, um boteco, com mesa de lata, copo americano e, se tiver porção de carne de sol, a gente bate uma ali mesmo.
Quando um de nós, meio intelectuais, meio de esquerda, descobre um novo bar ruim que nenhum outro meio intelectual, meio de esquerda freqüenta, não nos contemos: ligamos pra turma inteira de meio intelectuais, meio de esquerda e decretamos que aquele lá é o nosso novo bar ruim. Porque a gente acha que o bar ruim é autêntico e o bar bom não é, como eu já disse.
O problema é que aos poucos o bar ruim vai se tornando cult, vai sendo freqüentado por vários meio intelectuais, meio de esquerda e universitárias mais ou menos gostosas. Até que uma hora sai na Vejinha como ponto freqüentado por artistas, cineastas e universitários e nesse ponto a gente já se sente incomodado e quando chega no bar ruim e tá cheio de gente que não é nem meio intelectual, nem meio de esquerda e foi lá para ver se tem mesmo artistas, cineastas e universitários, a gente diz: eu gostava disso aqui antes, quando só vinha a minha turma de meio intelectuais, meio de esquerda, as universitárias mais ou menos gostosas e uns velhos bêbados que jogavam dominó.
Porque nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos dizer que freqüentávamos o bar antes de ele ficar famoso, íamos a tal praia antes de ela encher de gente, ouvíamos a banda antes de tocar na MTV. Nós gostamos dos pobres que estavam na praia antes, uns pobres que sabem subir em coqueiro e usam sandália de couro, isso a gente acha lindo, mas a gente detesta os pobres que chegam depois, de Chevete e chinelo Rider. Esse pobre não, a gente gosta do pobre autêntico, do Brasil autêntico.
E a gente abomina a Vejinha, abomina mesmo, acima de tudo. Os donos dos bares ruins que a gente freqüenta se dividem em dois tipos:os que entendem a gente e os que não entendem. Os que entendem percebem qual é a nossa, mantém o bar autenticamente ruim, chamam uns primos do cunhado para tocar samba de roda toda sexta-feira, introduzem bolinho de bacalhau no cardápio e aumentam em 50% o preço de tudo. Eles sacam que nós, meio intelectuais, meio de esquerda, somos meio bem de vida e nos dispomos a pagar caro por aquilo que tem cara de barato. Os donos que não entendem qual é a nossa, diante da invasão, trocam as mesas de lata por umas de fórmica imitando mármore, azulejam a parede e põem um som estéreo tocando reggae.
Aí eles se fodem, porque a gente odeia isso, a gente gosta, como já disse algumas vezes, é daquela coisa autêntica, tão brasileira, tão raiz.
Não pense que é fácil ser meio intelectual, meio de esquerda, no Brasil! Ainda mais porque a cada dia está mais difícil encontrar bares ruins do jeito que a gente gosta, os pobres estão todos de chinelo Rider e a Vejinha sempre alerta, pronta para encher nossos bares ruins de gente jovem e bonita e a difundir o petit gateau pelos quatro cantos do globo. Para desespero dos meio intelectuais, meio de esquerda, como eu que, por questões ideológicas, preferem frango a passarinho e carne de sol com macaxeira (que é a mesma coisa que mandioca mas é como se diz lá no nordeste e nós, meio intelectuais, meio de esquerda, achamos que o nordeste é muito mais autêntico que o sudeste e preferimos esse termo, macaxeira, que é mais assim Câmara Cascudo,saca? ).
-Ô Betão, vê um cachaça aqui pra mim. De Salinas quais que tem?

Modus Operandi

August 8, 2007

É bastante simbólico que, enquanto os movimentos de oposição à Lula recebem críticas bem planejadas para desmoralizá-los, José Dirceu reúna sua patota mensaleira para lançar sua campanha pela absolvição. São ironias como essa que revelam a verdadeira face do Lulopetismo. A natureza da Organização que agora controla o poder no Brasil atua em três frentes: o ilusionismo, a desmoralização, e o jogo sujo. Funciona assim:

Enquanto um sindicalista simpático faz discursos “que o povo entende”, que não tem significado nenhum, nem prático nem teórico, a parte “intelectual” do grupo espalha a desmoralização dos adversários. Associam-nos ou à figura de pessoas insensíveis, ou de pessoas corruptas, ou de preconceituosas, ou anti-democraticas. Ou tudo junto. Sempre que possível vitimizam o sindicalista bonzinho, que não pode fazer o melhor para o país. Por fim, usam por debaixo dos panos o jogo sujo. Manipulam verbas, falsificam dossiês, pagam propina, compram meios de comunicação, e até, quem sabe, assassinam (vide Celso Daniel e Toninho). Quando pegos, não passam de aloprados, sem qualquer nexo ou relação com o bom sindicalista em embalagem de sabão em pó.

Sair desta armadilha tríplice exige um esforço sério das instituições ainda não aparelhadas, e o desmascaramento do barbudinho simpático. E pelo que demostra nas ruas, a liderança que resolver assumir uma oposição radical à este modelo, contra o caos, terá muitos seguidores. Jamais baixar a voz - este é o caminho por ser descoberto.

Inacreditável!

August 2, 2007

Deu na Agência Estado:

“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconheceu nesta quinta-feira, 2, na reunião do Conselho Político, que o governo não sabia da gravidade dos problemas no setor aéreo. “Nessa questão, é como uma metástase que o paciente não sabia”, teria comparado Lula, de acordo com relato de participantes.

O presidente observou que em cinco eleições para a Presidência da República de que participou, a questão aérea nunca foi debatida. Ao comentar a possível troca dos dirigentes da Agência Nacional da Aviação Civil (Anac), Lula recomendou cautela. “É preciso discutir essa proposta com calma, porque o presidente nomeia, mas não pode substituir”, teria dito ele”.

O que dizer? Depois querem me convencer que Lula é vítima de preconceito da “elite” que não quer um nordestino iletrado no poder. Vão catar coquinhos! Lula podia ser um mico amestrado, desde que soubesse como administrar um país. Pois não sabe! E os míopes ideológicos sentem pudor em criticá-lo, e enchem a boca pra dizer que a mídia é golpista, que a “zelite” quer o poder de volta.
Ora, me poupem!

Quantas outras crises estão na véspera de eclodir, como uma ferida aberta sem tratamento que inflamada, de repente expõe toda a sua dor? Quantas outras áreas não foram discutidas durante as campanhas, e que por isso Lula as desconhece? Aliás, quando Lula vai descer do palanque pra governar alguma coisa?

Este governo é patético. Este governo é omisso.

E até que ponto a elite esquerdista teórica deste país vai sacrificar o futuro da nação em nome de seus sonhos infantis?

Deus nos proteja!

Vem pro Sul Lula, vem!

July 28, 2007

Lula: “Quem fala inglês é metido a besta”
27.07, 15h59
A reprodução, feita pela Radiobrás, do discurso do presidente Lula em João Pessoa omitiu um trecho em que o presidente critica as pessoas que falam línguas estrangeiras. “A língua é o valor da pátria, temos que aprender a falar corretamente a nossa língua. Brasileiro falando a língua do outro é um metido a besta”, declarou Lula.

O presidente pregou que nenhum representante brasileiro deve falar língua estrangeira em solenidades no exterior.”Nós samos (sic) brasileiro, temos orgulho do jeito que samos (sic) (…) Um país multético (sic).”

Ele ainda disse que o ex-presidente norte-americano Bill Clinton deveria falar português.

LULA, PODE ESPERAR, A TUA HORA VAI CHEGAR!!!!!

VOU TE VAIAR EM INGLÊS. FRANCÊS, JAPONES, ALEMÃO E MUITO MESMO EM PORTUGUÊS.

Obscenos, insensíveis, incompetentes

July 25, 2007

Obscenos, insensíveis, incompetentes

artigo - José Nêumanne
O Estado de S. Paulo
25/7/2007

Foram execráveis, mas jamais surpreendentes, os gestos com que o professor Marco Aurélio Garcia e o jornalista Bruno Gaspar, assessores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, comemoraram no Palácio do Planalto a hipótese de a queda do Airbus da TAM em Congonhas ter sido causada por falha mecânica. A comemoração chula seria estúpida em qualquer ocasião. Mas foi ainda mais grave por ter ocorrido depois da morte de 200 pessoas num desastre. E porque culminou a insensatez galhofeira com que o primeiro escalão federal tratava antes o caos aéreo nacional e o descaso com que o chefe do governo lidava com o problema. A ministra do Turismo, Marta Suplicy, já se aproximara da obscenidade ao receitar o “relaxa e goza” aos passageiros angustiados com adiamentos e cancelamentos de vôos. Seu colega da Fazenda, Guido Mantega, deixara clara a falta de seriedade da administração federal quando atribuiu a crise nos aeroportos a um aumento de demanda provocado pela prosperidade na economia. E o presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, cunhara o lema definitivo de sua gestão na aviação comercial brasileira ao constatar que, neste país, avião seguro só avião no solo.
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Incompetência infinita

July 20, 2007

A história do Brasil um dia vai se lembrar desse período como a época em que tivemos o governo mais incompetente de todos os tempos. É impossível achar um setor onde a incompetência gerencial não se instalou de forma definitiva, sendo raros aqueles onde a corrupção não se instalou junto. Lula governa o país através discursos ególatras, e pela habilidade que tem em estimular o apetite de uma grande maioria de políticos apenas interessados em suas contas bancárias e/ou currais eleitorais.
Antes dele assumir, o país vinha reduzindo seus gastos públicos, possibilitando uma margem maior para investimentos. Por favor, diferenciem gasto de investimento. Gasto é o que pagamos pra sustentar a casa, ou país, e investimento é o que fazemos para nos dar um futuro melhor. Assim, segundo o estudo dos economistas José Roberto Afonso e Geraldo Biasoto Júnior, o Brasil que investia 0,14% do PIB em infra-estrutura em 1995, investiu apenas 0,06 em 2003. É por isso que depois de 5 anos de governo Lulista, o que não ficou como estava piorou. Não andamos um centímetro em saneamento básico, nenhuma estrada nova foi construída e as que existem estão se decompondo. Havia a promessa de novos presídios federais, mas apenas um foi concluído. A educação básica, que finalmente virou pauta central no governo anterior, foi novamente colocada em segundo plano, preterida pelos investimentos duvidosos em ensino superior. Em energia, imobilidade gerencial total, com a politização das ações da Petrobrás. Já se fala em um novo apagão para 2010. Aliás, ele ainda não veio porque o Brasil cresce pouco. Se crescesse mais, já estávamos à luz de velas. Os hospitais públicos enfrentam total falta de investimentos, não sendo contruídas novas unidades. Temos greves mais e mais constantes nessa área. Na política internacional, pelos sonhos de grandeza, deixamos uma posição sólida para virarmos o grande trapalhão do setor, comprometendo até mesmo alianças tradicionais e acordos, como o Mercosul por exemplo.
Isso tudo recheado com declarações infelizes, discursos cínicos, corruptos notórios se solidarizando e se espelhando em Lula, aquele que sobreviveu dizendo que não sabia. Todos agora fazem o mesmo e Lula acolhe seus pupilos com carinho.
Lula merece mais do que vaias, mas a classe instruída do país precisa parar de achar que os pobres sabem o que é melhor para o Brasil. Por eles, ou Collor ainda era presidente, ou ainda viveríamos numa ditadura, ou Maluf era prefeito de São Paulo. Não dá pra ficar refém do patrulhamento ideológico que nos proíbe até falar mal de Lula. Ora, critiquei Collor, Sarney, Itamar e FHC por muito menos. Lula é INCOMPETENTE e DESONESTO e pronto. É disparado o pior presidente que tivemos.

Quando a ignorância dita as regras.

July 16, 2007

A discussão em torno da política de cotas para negros em universidades públicas brasileiras tem acontecido em clima bastante passional, em cima de “achismos” e de verdades relativas que foram construídas com o tempo no imaginário da nação. A total ignorância do que foi a escravidão no mundo, somada ao desconhecimento de como se processou a formação do povo brasileiro, fazem deste debate um espaço rico para os que querem aliviar suas consciências, além daqueles que querem construir feudos de poder através de “conquistas” para o seu grupo de influência.
Quando a opinião é que o sistema proposto seria uma forma de reparar, de compensar os negros pelo horror que foi a escravização deste povo, parece que estamos diante de um argumento sólido, irrefutável. Nossa consciência nos acusa, pela cor de nossa pele, como co-autores desse crime, e nos deixamos engambelar por um pensamento tão sólido quanto uma casa feita de palha e cuspe. Basta soprar esta construção vacilante com uma visita de alguns minutos aos livros de história. Primeiro, uma verdade inegável: a escravidão não é uma invenção européia, nem muito menos branca. Existiam escravos em Roma, no Egito, no Japão, na China, em qualquer lugar do mundo até o final da idade média. Os escravos eram normalmente aqueles povos que perdiam uma guerra. E na África não era diferente. Os diferentes povos africanos, negros de diferentes matizes, se escravizavam também. E adoraram quando os portugueses chegaram à costa e instalaram um lucrativo comércio desses cativos. Portanto, foi feito no Brasil o que foi aceito no mundo todo, inclusive negro, como uma atitude normal entre vencedores e vencidos.
Para continuar a destruição deste argumento raso e barato, quem são os descendentes daquele povo que foi escravizado? Todos aqueles que hoje tem a pele negra? Creio que é óbvio para todos que não. No Brasil, todos somos descendentes da mistura, do branco que se misturava com as índias, do “sinhô” que se misturava com as negras, do caboclo, do sertanejo, e assim por diante. Esse povo que sofreu com a escravidão é hoje povo brasileiro. Todos nós fomos escravizados. Todos nós escravizamos. Como saber quem poderia ser merecedor de uma reparação, sem cair no preconceito racial de sinal invertido?
Mas há ainda um argumento muito comum, nas rodas de discussão. Existem aqueles que perguntam porque não vemos mais negros engenheiros, dentistas, universitários, etc. Pois o censo brasileiro detectou na população total do país uma proporção de 5% de negros, 45% de pardos, e 50% de brancos, aproximadamente. Eu diria que nem esses 50% são totalmente brancos, e nem esses 5% são totalmente negros. Mas, mesmo assim, essa proporção que o censo nacional detectou é a mesma que os censos universitários detectam. Isso significa que se há um desvio em algum lugar, é do entendimento que alguns fazem da sociedade brasileira.
Não dá pra ignorar que a escravidão acabou há muito pouco tempo no Brasil, apesar de seu declínio já ser registrado há pelo menos 150 anos. E esse fator ainda é perceptível na nossa pirâmide social. Mas, nosso grande trunfo, a miscigenação, está sendo substituído pela segregação baseada na cor da pele. Ao olhar para essa cor, esquecemos que nosso problema é a pobreza, é a falta de educação. Resolvemos que queremos ricos de várias cores e pobres de várias cores, como se o excesso de pobres não fosse o problema, e sim o excesso de pobres de pele escura. Nosso Estado, ao invés de olhar para todos os brasileiros de forma igual, esta admitindo que existe diferença entre eles, baseado na cor de sua epiderme. Estamos entrando num pântano escuro de preconceito, inversão de valores e revanchismo. Aguardem.

UUUUUUUUU

July 14, 2007

Eu estava um pouco indeciso quanto ao que escrever, para recomeçar. Muitos assuntos relevantes, mas nada que vencesse minha inércia.
Mas eis que chega a abertura do Pan!… hehehe

Lula vaiado é bom demais! Não dá pra descrever.

Quando Lula foi eleito a primeira vez, achei tolas as demonstrações efusivas de alegria. Gosto mais do ceticismo das vaias. Pena que são desta forma, como que um espasmo de consciência que nem assim é capaz de acordar o povo adormecido. A verdade é que ficou claro que no Brasil, quem reivindica algo, reivindica algo para si. São poucos os comprometidos com a construção de um país. Vide a UNE por exemplo. Vide a CUT. Todas devidamente abastecidas com verbas federais. Por isso o que nos resta são estes momentos, onde parece que os brasileiros ainda tem uma vaga noção do que querem para seu futuro. Aliás, onde parece que os brasileiros ainda QUEREM um futuro.

Não acho que essas vaias tenham sido o começo de nada. Acho que foram apenas um desabafo pontual. Chegamos ao ponto que um Maracanã lotado não assusta. Precisamos de muito mais, para moralizar este país. Diria até que nem o Congresso vai entender o recado.

É hora de começar a assustá-los. Essa é uma bandeira que vale a pena sair à rua para carregar.

ALELUIA!!! RESSUSCITOU!!!

July 4, 2007

Chega de férias, não acham?

Já é hora de tirar a poeira do teclado e escrever mais, de tudo o que tenho lido, visto e vivido. Caros blogueiros e blogueiras regozijem-se:

Fermento Cínico está de volta!!! hehehe

Famous last words…

March 14, 2007

(Atualização em 3 de Julho de 2007: Aqui havia um post de despedida. Eu o apaguei por ter perdido o sentido. Mas deixo o espaço, como um marco, e para lembrar dos comentários bacanas que recebi.)

Luciano Queiroz

A ilusão antiamericana

March 12, 2007

Texto muito bom, ajudando a comprovar que sob uma perspectiva histórica, certas atitudes do presente não se sustentam.
Luciano Queiroz

A ilusão antiamericana
O Globo, 08 de março de 2007

“Dias antes da chegada de George Bush ao Brasil, em diálogo telefônico, Fidel Castro e Hugo Chávez qualificaram o etanol como uma “tragédia”, argumentando que converter culturas agrícolas em biocombustíveis equivale a provocar escassez de alimentos e de água. “Os EUA precisam reduzir o consumo de energia, essa é a solução”, pontificou o presidente venezuelano. O retrato dos EUA como um ogro devastador assume formas mutáveis, mas sempre adaptadas às circunstâncias. Ontem, a acusação versava sobre o vício americano em petróleo. Hoje, sobre um plano maléfico para disseminar a fome.

A visita de Bush desperta atenções inauditas, por óbvias razões geopolíticas. Há mais que isso, contudo. Enquanto, Lula assina os protocolos de cooperação com aquele que Chávez qualifica como “demônio”, bonecos de Bush são queimados na rua por militantes do PT, da CUT e da UNE. A tensão dilacerante opera numa camada profunda da política, que se confunde com a cultura. A parceria entre Lula e Bush está golpeando o tronco do antiamericanismo, sobre o qual se ergue a copa da esquerda latino-americana.

Alain Rouquié qualificou a América Latina como o “Extremo-Ocidente”. A conquista européia semeou, nessa parte do mundo, sociedades “inferidas”, que querem ser Ocidente e se miram no modelo dos EUA, a epítome da modernidade ocidental. Mas a América Latina é, ao mesmo tempo, o “Terceiro Mundo ocidental”, ou seja, um Ocidente incompleto, que inveja e rejeita o seu modelo. Os EUA são alvo, em graus variados, de ressentimentos no mundo todo. Mas só na América Latina o antiamericanismo figura como alicerce estrutural do pensamento de esquerda.

Em “O espelho indiscreto”, o mexicano Octavio Paz reflete sobre o lugar dos EUA na produção da identidade de seu país: “A paixão dos nossos intelectuais pela civilização norte-americana oscila do amor ao ódio e da adoração ao horror. Formas contraditórias, porém coincidentes, da ignorância: num extremo, o liberal Lorenzo de Zavala, que não vacilou em tomar o partido dos texanos na guerra contra o México; no outro, os marxistas-leninistas contemporâneos e seus aliados, os ‘teólogos da libertação’, que fizeram do imperialismo norte-americano a prefiguração do anticristo.”

A contigüidade geográfica acentua as cores, mas o desenho se aplica, de modo geral, à América Latina. Os EUA são o avesso e, sobretudo, o avesso do avesso: a modernidade idealizada, almejada tão intensamente quanto temida e caluniada. A Revolução Americana, fonte da primeira república contemporânea, inspirou Bolívar. Hoje, o programa dos “bolivarianos” é a unidade latino-americana contra os EUA.
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